sexta-feira, outubro 21, 2016

Reciclagem



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Quando foram colocados os primeiros vidrões nas ruas das Caldas da Rainha no final dos anos 80 começou a prática da minha família relativamente à reciclagem. Ao longo dos tempos foram crescendo as possibilidades de reciclar outros materiais para além do vidro e cedo em minha casa passou a existir um saco para o lixo indiferenciado e outro para os materiais recicláveis.
No entanto a determinada altura deu na televisão uma peça sobre a importância da reciclagem e como alguns países agem para fomentar a reciclagem. O que mais me impressionou foram os países que decidiram “recompensar” os seus cidadãos por fazerem reciclagem. A recompensa mais comum é a que o ponto de reciclagem dá ao cidadão vales de desconto que podem ser descontados num supermercado ou no abastecimento de gasolina, estes vales são de acordo com o peso e material colocado no ecoponto.
Assim o cidadão faz a reciclagem, separando o lixo em casa e colocando nos locais certos e recebe uma parte dos lucros que a reciclagem dá às empresas que reciclam os produtos. E esta entrega de uma parte, embora simbólica, dos lucros é muito justa porque quando um cidadão separa e coloca o seu lixo reciclável no ecoponto está em última análise a dar o seu trabalho, porque a separação e transporte não se faz sozinha e por fim quando o coloca no ecoponto está a oferecer a “matéria-prima” que será transformada e que dará lucro à empresa de reciclagem que depois de transformar revende às empresas de produção.
Em Portugal falou-se nisto na referida peça jornalística e pronto nunca mais se falou no caso, mas embora eu continue e sem nenhuma intenção de deixar de o fazer e longe de mim fazer campanha contra a reciclagem, não consigo deixar de pensar que alguém em Portugal se anda a aproveitar da “boa vontade” e dessa atuação de boa cidadania, para lucrar de forma brutal e sem a mínima intenção de distribuir, nem sequer de forma simbólica, os ganhos com a reciclagem.
Claro que não devemos colocar de parte a responsabilidade do poder político, porque cabe ao poder politico fomentar e criar as estruturas que permitam melhorar o ambiente e recompensar os cidadãos que contribuem. E com este ato penso que o governo veria aumentar o número de toneladas de material reciclado, aliás os países que pagam aos seus cidadãos são aqueles que reciclam mais toneladas e esse aumento aconteceu desde que esse pagamento começou. Mas quanto ao poder político seria interessante fazer duas análises, primeiro analisar os lucros e segundo ver quem são os beneficiários e eventuais interesses desses lucros e talvez, assim, fosse possível perceber porque é que o poder politico nada faz e não se mostra interessado em passar a fazer.

António Manuel Guimarães

quinta-feira, outubro 20, 2016

Crescimento

A proposta de Orçamento prevê para 2017 um crescimento económico de 1,5% (o mesmo que ocorreu em 2015).
Parece um número razoável face a corrente de estagnação que vivemos.
Porém se analisarmos o cenário macroeconómico verificamos que esta taxa de crescimento esta dependente nomeadamente de um crescimento do investimento de 3,1% em 2017.
Tenho duvidas que o investimento assim tanto em 2017, quando em 2016 decresceu 0,7% e quando este orçamento envia sinais nefastos aos investidores com mais impostos e instabilidade fiscal.
Arriscamo-nos em 2017 a voltar a ter um crescimento aquém ao previsto e inferior ao conseguido em 2015.
Enfim parece que nunca mais saímos do ciclo de estagnação!!!

 António Cipriano


Contas dificeis de Fazer


Na proposta de orçamento de Estado a despesa divide-se da seguinte forma:
41%  - Prestações Sociais
24% - Custos com o pessoal
12% - consumos intermédios
10%- juros da divida
5% investimento público.

Uma curiosidade para pagar o valor previsto para prestações sociais é necessário toda a receita de IRS IRC, IVA  e ISP

Contas difíceis de fazer!!!
António Cipriano

PPP


Sou um dos poucos que se dá ao trabalho de ler de há uns anos para cá a proposta de orçamento de estado, e o relatório

Existem sempre alguns elementos curiosos

Neste post olho para as PPP (parcerias publico ou privadas).

Para 2017 o estado terá de pagar 1731 milhões de euros, valor equivalente a 35% do montante previsto para o investimento público.
Mas refira-se ainda que até ao ano 2042 o estado terá de gastar em PPP 15478 milhões de euros.
António Cipriano

segunda-feira, outubro 17, 2016

RTP

O Orçamento de Estado consigna para o Ministério da Cultura uma verba de 444 milhões de euros.
Porém, dos 444 milhões de euros 244 milhões vão para a RTP. Ou seja cerca de 55% do orçamento do ministério da cultura é absorvido pela RTP.
Será que a RTP é responsável por 55% da cultura em Portugal?
Curioso!!!!
António Cipriano

Aumento da Pensões



Em Portugal temos muitos mas muitos pensionistas com muito baixas pensões.
Seria bom, como se de um passo de mágica se trata-se, todas estas pensões fossem actualizadas para valores bem mais dignos. Porém a dura realidade financeira não nos permite o concretizar desde objectivo.
Todavia,  é salutar  o aumentos das pensões mais baixas, por forma diminuir as desigualdades.
Um aumento extraordinário de €10,00 para as pensões até €638,00 é uma medida de justiça social.
Até aqui tudo bem.
Mas inacreditavelmente o “alegado governo de esquerda” com o Bloco e o PCP, resolveram que as pensões inferiores a €275,00 não terão direito ao aumento extraordinário de €10,00!!!
Isto por alegadamente terem sido aumentadas no tempo de Passos Coelho.
È verdade que foram aumentadas por Passos Coelho. Mas continuam a ser pensões de miséria.
Refira-se ainda que a contribuição especial de solidariedade para as pensões superiores a €4500 foi eliminada.
Enfim, beneficiam-se as pensões mais elevadas, enquanto as pensões inferiores mais baixas são discriminadas negativamente.
Insensibilidade social, é o mínimo que se pode dizer.
Que grande governo de Esquerda este que discrimina os que menos têm!!!!
António Cipriano

sexta-feira, outubro 14, 2016

Liberdade


Sou daquelas pessoas que apreciam muito a liberdade.
Liberdade para efectuar as escolhas que considero mais apropriadas. Liberdade para fazer, ou não fazer algo. Liberdade para permanecer anónimo. Liberdade para garantir a intimidade ou a reserva da vida privada.
Durante séculos, a civilização ocidental lutou de forma enérgica pela liberdade.
Hoje parece-me que por excessivo paternalismo, ou excessiva procura de uma ilusória igualdade, vamos abdicando da nossa liberdade.
Vamos aceitando uma excessiva intervenção do Estado nas nossas vidas individuais, limitando a nossa liberdade.
A troco de mais segurança, aceitamos sem pestanejar, a vídeo vigilância, as mais variadas bases de dados.
A troco de uma alegada segurança enquanto consumidor, aceitamos a imposição de regulamentação de todos os produtos e serviços. Hoje existem regulamentos nacionais e europeus que tudo prevêem  e estabelecem, cortando a criatividade, iniciativa, ou a liberdade de fazer diferente.
A troco de uma suposta igualdade, aceitamos que o Estado, via Autoridade Tributária, tenha acesso aos dados dos nossos cartões de debito/credito, às compras que efectuamos via e-factura, aceitamos sem problema o fim do sigilio bancária sem que exista qualquer suspeita sob uma dada pessoa.
Hoje o Estado via autoridade tributária, sabe quais são as nossas compras quotidianas, os nossos gostos, onde vamos, o que fazemos.
A troco de uma suposta justiça aceitamos as violações do segredo de justiça.

Caminhamos para uma sociedade orwelliana em que o Estado “supervisiona” as nossas vidas numa postura paternalista.

Não defendo um visão libertária com a defendida pelo americano Ron Paul.
Acredito no papel crucial do Estado. Mas numa perspectiva de regulador, de garante ultimo da liberdade, e não como entidade paternalista.
O resultado deste estado paternalista, excessivo é a sua necessidade sem limite por impostos e mais impostos.
Que forma mais directa de controlar os gostos, os consumos, a nossa vida, do que o lançamento de impostos?
Na economia esta visão orwerliana do papel do Estado tem conduzido a baixos níveis de crescimento.
Precisamos de Estado, de serviços públicos, mas tal não pode, nem deve, ser um mecanismo excessivo de controlo das liberdade individuais sob um suposto “salto graal da igualdade”

António Cipriano



quinta-feira, outubro 06, 2016

Mudam-se os Tempos,mas…..


Ainda não conhecemos o conteúdo do orçamento de estado para 2017, mas já somos continuamente assaltados com notícias de mais e mais imposto, agora sobre um putativo novo imposto sobre o consumo com alvo no açúcar, , sal, gordura.
Triste mesmo é que a solução para as finanças públicas é a mesma de sempre: Mais impostos e mais divida.
Porém , esta não é uma realidade de hoje.
Veja-se este pequeno treicho dos “Maias” de Eça de Queiroz, em que já na sua época os governos eram conhecidos por “cobrar impostos e fazer empréstimos”

“- Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O empréstimo faz-se ou não se faz? E acirrou a curiosidade, dizendo para os lados, que aquela questão do empréstimo era grave. Uma operação tremenda, um verdadeiro episódio histórico!... O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que o empréstimo tinha de se realizar absolutamente. Os emprestamos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministérios era esta - cobrar o imposto e fazer o empréstimo. E assim se havia de continuar... Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.” 
 Eça de Queirós, Os Maias

Mudam-se os tempos, mas não se muda a vontade política

António Cipriano 

quarta-feira, outubro 05, 2016

O 5 de Outubro Original



É comemorado hoje o 5 de Outubro mas parece que apenas o de 1910, o dia da Implantação da Republica. Mas é sempre estranho as comemorações de Republica esquecendo aquele 5 de Outubro e que é declaradamente mais importante. Alguém normalmente prefere festejar o dia e considerar o seu baptismo como uma festa mais importante do que o seu aniversário? Pois bem, o nosso país prefere! Pois a 5 de Outubro de 1143 é assinado o tratado de Zamora entre D. Afonso Henriques e D. Afonso VII de Leão e Castela e a quem pertencia o Condado Portucalense e neste tratado D. Afonso VII reconhece Portugal como reino independente e D. Afonso Henriques como Rei de Portugal, portanto a 5 de Outubro de 1143 nasce definitivamente Portugal.
Então parece-me simples, sem este primeiro 5 de Outubro de 1143 nunca haveria o 5 de Outubro de 1910 até porque e especulativamente é possível que Portugal nunca se tivesse constituído como reino independente.

António Manuel Guimarães

terça-feira, outubro 04, 2016

5 de Outubro, de derrota em derrota até à vitória final.




Celebra-se amanhã o 5 de Outubro, a data da Implantação da Republica que fará 106 anos.
Amanhã certamente ouviremos as palavras de circunstância, os vivas à República, a glória da revolução e o heroísmo de todos aqueles que participaram na revolução em especial aos revoltosos da rotunda. E pouco ouviremos falar no que está para lá das palavras de circunstância. Pois esta implantação foi manifestamente uma revolução de equívocos, trapalhices e disparates senão vejamos, tudo começa com o assassinato do rei D.Carlos em 1908, esses dois anos correspondem ao período de acalmia tentada por D.Manuel II. No entanto esta acalmia passou por não perseguir os implicados no regicídio, porque os únicos que pagaram foram apenas os homens que premiram o gatilho no Terreiro do Paço. Assim os republicanos que foram os autores morais do crime continuaram calmamente e impunemente na sua senda revolucionaria. É importante perceber que em 1910 os republicanos tinham 9% de votos no Parlamento.
Assim a 2 de Outubro começa a revolução, mas logo os revoltosos ficaram a saber que o chefe do governo Teixeira de Sousa sabia da revolução e já tinha ordenado que as forças leais ao Rei estivessem em prontidão e cedo também se soube que grande parte dos revoltosos não havia saído e que a situação estava gravemente comprometida, para piorar tudo Miguel Bombarda, um dos mentores e líderes revolucionários civis, é assassinado por um paciente seu a 3 de Outubro e perante este cenário o Almirante Cândido dos Reis que era o comandante militar da revolução fica desesperado e acaba por se suicidar. Assim a 4 de Outubro a situação era de desespero republicano, os revoltosos, tinham perdido dois mentores da revolta, já tinham visto frustrados os principais objectivos militares da insurreição e já tinham retirado juntando-se então na rotunda. Assim cerca de 150 pessoas ente civis e militares de baixa patente, apoiados por cinco canhões e algumas espingardas compõem os revoltosos da rotunda. A carbonária por sua vez tentava isolar Lisboa rebentando com pontes e caminhos-de-ferro, dando a imagem que a revolução apenas aconteceu na capital. As forças monárquicas no entanto decidem, ainda assim, colocar o Rei a salvo em Mafra, até porque o Palácio das Necessidades havia sido bombardeado. No entanto aqui está um equívoco que os monárquicos e o Rei vão pagar caro, porque a certa altura e mesmo depois dos navios Adamastor e S. Rafael estarem do lado dos revoltosos, o navio Almirante D. Carlos continua do lado dos monárquicos e está preparado para bombardear a rotunda, situação que porá certamente fim à revolução mas que matará mais de 150 pessoas e estranhamente ninguém tem coragem de agir sem autorização superior, procura-se o Rei mas este estava em Mafra e a comunicação era, no mínimo difícil. Assim o navio D. Carlos acaba por se encontrar numa situação complicada e decide escapar de problemas juntando-se aos revoltosos. Paiva Couceiro ainda ataca a rotunda mas os revoltosos conseguem defender a posição e repelem o ataque. No dia 5 de Outubro é proclamada a Republica na Camara Municipal de Lisboa e a 6 a família real parte para o exilio em Inglaterra.
No entanto importa fazer algumas análises, primeiro ao desenrolar dos acontecimentos em que a revolta vai de desastre em desastre até à vitória final. Depois temos que ver que quem vence representa 9% dos deputados no parlamento, portanto era o partido menos votado com assento parlamentar, grosso modo seria o mesmo que hoje a CDU ou o BE fazerem uma revolução. Ainda perceber que esta revolução é claramente lisboeta e que durante nove anos, “aqui e ali”, vão acontecendo vários levantamentos militares sendo o levantamento do Porto o mais importante em que o Rei esteve prestes a embarcar para formar governo, mas a muito custo os republicanos saem vitorioso ao fim de 25 dias de combates. E por fim entender que a República acaba por se mostrar mais conservadora do que a monarquia e um dos sintomas desse conservadorismo será a proibição do voto das mulheres explícito em 1913, um retrocesso claro sobre o que se passava no regime monárquico.

António Manuel Guimarães