E quando uma boa ideia é um mau sinal.
Lendo a Gazeta das Caldas hoje vi uma iniciativa organizada pelo Grupo de Protecção Sicó que irá organizar a 1ª noite dos morcegos das Caldas da Rainha. Esta actividade contará com vários especialistas sobre morcegos que apresentarão algumas palestras sobre morcegos e por fim proceder-se-á à observação de morcegos. Ora e qual o melhor sítio para vermos morcegos nas Caldas da Rainha? Claro que a resposta é simples, nos Pavilhões do Parque. Que sitio melhor para ver morcegos do que a maior vergonha caldense. Os magníficos Pavilhões do Parque construídos nos finais do século XIX, com uma traça de estilo Victoriano, foram feitos com a intenção de servir de albergue aos pacientes do Hospital Termal, mas devido a disputas dentro da direcção do Hospital essa intenção nunca se concretizou. No entanto durante anos albergou várias instituições desde a Biblioteca Calouste Gulbenkian, Quartel, Escolas e quando digo escolas falo de várias, desde o liceu, escola de artes marciais, Magistério Primário, Escola Empresarial do Oeste e etc.... Foi também nestes pavilhões que várias instituições culturais tiveram a sua sede durante anos e anos e chegou a ter um cinema. Ainda me lembro quando na escola primária íamos até aos pavilhões para participar em actividades organizadas pelos estagiários. Mas eu disse atrás que eram a maior vergonha caldense e explico porquê, hoje os pavilhões tem vários sinais colados que indicam perigo de derrocada, ou seja, os pavilhões estão de tal forma degradados que qualquer dia acontece uma tragédia, aliás uma tragédia que sinceramente; devido à inacção dos responsáveis, me parece que querem que aconteça. No outro dia passeando no Parque além de ver buracos onde um dia estiveram janelas que já caíram, vi também uma vedação recente que fizeram, uma cerca a um metro dos pavilhões, uma cerca que não impede nada por ser muito baixa, ao contrário do seu custo que não deve ter sido nada baixo e que daria pelo menos para reparar os telhados para que não chova dentro dos pavihões. Também disse atrás que os pavilhões foram a biblioteca Calouste Gulbenkian e este é outro ponto vergonhoso porque atrás das portas da antiga biblioteca que hoje têm o sinal de derrocada, sabe-se que estão ainda à espera de não se sabe o quê, os livros da biblioteca, que devem estar já num belo estado visto que a biblioteca fechou vai para mais de vinte anos, as ratazanas e ratos devem-se sentir muito cultas pois devem fazer os ninhos com as páginas do anticristo de Nietzsche, ou com O Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdão. Recordo que esta biblioteca tinha uma sala de reservados onde era proibido entrar, que tenho a esperança que alguém se tenha lembrado de ter levado o seu acervo para a biblioteca municipal. Mas tudo isto se soma numa vergonha maior que é a total irresponsabilidade, em primeiro lugar do proprietários dos pavilhões que é o mesmo proprietário da maioria dos prédios devolutos do centro histórico das Caldas que é o Hospital, gerido por uma administração incompetente e mesquinha, pelo menos no que ao património diz respeito, que não faz nada, bem não faz nada até que alguém tente fazer alguma coisa porque ai faz para dizer que fez e depois aparecem obras como aquela aberração que fizeram na antiga casa da cultura (ao lado dos pavilhões), em que fizeram um túnel de vidro para exposições, mas esqueceram-se de arranjar as partes laterais onde até o telhado já caiu, relembro que esta obra foi feita à pressa para não perderem a posse da casa da cultura para a Clínica do Montepio que propôs ao Ministério da Saúde um negócio para a construção de um SPA ao lado do Hospital Termal. Mas menos responsabilidade não pode ser atribuída à Câmara que pouco faz e as tímidas propostas feitas esbarram sempre em algo que vai entre a falta de vontade real de fazer e os interesses mesquinhos do Hospital. Assim nestes pavilhões magníficos que são um exemplo de uma atitude de incompetência que além de local é nacional apenas pode servir para…observação de morcegos.
António Manuel Guimarães