Balanço da Convenção Republicana nos EUA
Por terras do Tio Sam, deu-se na semana passada a convenção do Partido Republicano. Por um lado, a mera formalidade da nomeação de George W. Bush como candidato oficial do partido. Por outro lado, a grande chance de mostrar os ases e trunfos do partido junto do eleitorado norte-americano. Foi, a meu ver, uma convenção bastante mais interessante do que a do Partido Democrata. Senão, vejamos:
- Michael Moore a ser vaiado durante o discurso de John McCain (sim, Moore estava lá);
- Jeb Bush a chamar "mental midget" ao mesmo Michael Moore;
- Moore resolveu não aparecer no segundo dia (que surpresa);
- "Four More Years!" é uma frase mais apelativa do que "Two more months!";
- "We will TERMINATE terrorism" e "don't be economic girlie-men!" (mas é preciso ler estas frases com o sotaque do governador da Califórnia);
- As filhas gémeas do presidente a (tentarem) explicar porque é que bebem e saiem à noite;
- Zell Miller, membro do partido democrata, a fazer um discurso duríssimo contra "os dois senadores do Massachussetts" (Kerry e Ted Kennedy). Apesar de não ter sorrido uma única vez durante o seu discurso, Miller diz que não está de mau-humor e que não é um "renegado". Ele disse, aliás, em entrevista após o discurso, que é, sempre foi e sempre será um membro do Partido Democrata (os Democratas devem estar orgulhosos);
- Pensos "purple heart" (sim, é o que os Republicanos acham do valor das medalhas que foram atribuídas a John Kerry);
- O discurso de Giuliani: foram mais gestos e mímica do que discurso propriamente dito;
- Pataki a introduzir Bush. Sim, o governador de Nova Iorque é um dos nomes mais falados dentro do GOP para tentar uma corrida à Casa Branca em 2008. Por outro lado, ele é a favor da despenalização do aborto e apoia os direitos gays. Sim, há uma "ligeira" de posições entre ele e o homem que ele introduziu na convenção;
- McCain: ultra-popular, ele podia realmente ter estado no lugar de John Edwards pelos Democratas;
- Foram presos manifestantes LÁ DENTRO (isso sim, dá para colorir qualquer convenção ou simples comício);
- Cheney: um discurso sóbrio, mas um ataque bem construído ao candidato adversário. Ah, alguém se esqueceu de dizer a John Edwards que é para isso que servem os candidatos a vice-presidente durante a campanha eleitoral;
- O filme relativo ao papel de Bush durante o 11 de Setembro (o objectivo era levar o país às lágrimas, com esta apresentação emotiva);
- O discurso de Bush em si. Bastante melhor que o de Kerry, embora talvez um pouco longo demais. Até teve tempo para gozar com algumas das suas "calinadas" orais recentes.
As sondagens após esta Convenção dão os Republicanos a ganhar terreno, como seria de esperar após qualquer Convenção deste tipo, principalmente nos estados do sul. A ver vamos se conseguem transformar a semana passada em bola de neve, ou se o joker decisivo ainda estará para vir.
João Pedro