domingo, novembro 28, 2004

Crónica de uma Morte Anunciada

Era uma vez um partido português já bem velhinho, de cabelos brancos, marcado por uma história de anos e anos, de luta ora nas sombras da clandestinidade, ora no saudosismo de um passado sem presente. Era um partido de convicções fortes, baseadas nas barbas das ideologias de Marx e Lenine, que procurava provar ao povo, aos oprimidos da sociedades ocidentais capitalistas, que existia a esperança numa sociedade igualitária, sem fome, sem medo, com cultura, com conhecimento, capaz de dar ao homem uma felicidade eterna.
Com o passar dos anos e com o desenrolar dos acontecimentos, a mascara de sociedade ideal ruiu. Afinal o mundo de sonho, não passava de um pesadelo infernal, em que apenas uns eram mais iguais. Os outros, que ousavam discutir a suposta igualdade, marchavam para “colónias de ferias” na Sibéria para tratamentos ideológicos.
Mas como a mentira, a opressão, por mais vil tem sempre um fim, em 1989 primeiro na RDA e depois em todo o leste, o dito paraíso infernal terminou não por imposição do ocidente, mas pela vontade das suas gentes.

Em Portugal esse partido em vez de enfrentar a realidade, preferiu simplesmente enterrar a cabeça na areia, negar a realidade, como um doente mental. Como sintoma da sua patologia, muitos obreiros do partido partiram procurando novos rumos.

Hoje, finais de 2004, o partido tomou a derradeira opção pela morte. Prefere o fim a viver a realidade. Esta opção passa pela escolha como cangalheiro de elevada estatura, cabelos grisalhos, olhar fundo sombrio e melancólico, sorriso maquiavélico, discurso sisudo, confuso, ultrapassado, rijo, sob o perfil de operário popular.
António Cipriano

sábado, novembro 27, 2004

Adeus Lenine

O Congresso do PCP faz lembrar o magnifico filme alemão “Adeus Lenine”
Na película, uma das personagens centrais como que adormecida num estado de letargia, não se apercebe, ou não deseja perceber que o mundo mudou radicalmente. A dita sociedade ideal socialista-comunista ruíra por completo, sem magoa ou tristeza dos seus filhos.
Apesar das evidencias, seus filhos fazem tudo para que esta personagem saudosista de um país comunista, de glorias construídas sob castelos de areia e prisões políticas, viva até ao ultimo dos minutos a ilusão que o mundo não mudou. Que o Marxismo-Leninismo continua a ser uma filosofia valida para o caminho da felicidade humana.
Por cá o nosso PCP, num comportamento delirante, psicologicamente próprio de quem nega a realidade, insiste com Jeronimo de Sousa num mundo que à muito desapareceu. Num Marxismo-Leninismo que apenas resiste nas “democracias” da Coreia do Norte e em Cuba .

António Cipriano

quinta-feira, novembro 25, 2004

Coisas nojentas

Acabo de chegar de um sítio onde nem costumo ir muito, ao Lidl, mas para comprar umas garrafas de água e outros bens comestíveis lá fui eu. E o que encontrei? Um parque de estacionamento meio-vazio ou meio-cheio conforme a perspectiva, mas dos quatro lugares reservados a deficientes, três estavam ocupados, nenhum deles exibindo o exigido autocolante de condutor portador de deficiência. Poderia dar-se o caso de algum dos donos ou condutores poderia ter uma incapacidade temporária, mas não, quando eu ia a entrar vi umas das condutoras, à saída vi as outras duas senhoras que estacionaram ali, não querendo saber se existiriam porventura pessoas com mais necessidades do que elas. Eu vejo por mim, após ter tirado o gesso no passado mês de Março tive de andar de muletas e ao conduzir o meu automóvel nunca estacionei num lugar reservado. São estas as coisas que acho nojentas nas pessoas, a falta de civismo.
PP
Coisas de putos

Mais uma vez, fica patente a qualidade dos ministros em Portugal. Depois do jogo contra o F.C. Porto, os dirigentes do Benfica tiveram a infeliz ideia de levar a questão da arbitragem do jogo ao ministério da Juventude e do Desporto. Nesta altura do post, até eu me arrependo do título e deveria mudá-lo para episódios muito tristes praticados por adultos. Continuando, o actual ministro da Juventude e do Deporto Henrique Chaves, não teve coragem de negar a visita aos dirigentes encarnados, sabendo de antemão que o assunto seria as arbitragens mas, pelo contrário, teve a coragem de tecer comentários pouco abonatórios aos dirigentes de um clube do qual até foi dirigente. Parece assim que teve medo do peso institucional do clube pelo número de adeptos, esquecendo-se disso logo a seguir com os comentários infelizes.
Da parte do Benfica, é uma tristeza imensa a figurinha que fizeram. Querem credibilizar o futebol, tudo bem, é o que devem fazer mas sinceramente, ir ao Ministério da Juventude e do Desporto fazer queixinhas? O futebol profissional é uma indústria que tem a obrigação de contribuir para a sua própria transparência. Continuo na minha, se o Benfica quiser fazer pressão no sentido de melhorar o futebol, deve juntar-se a outros clubes e lutar para que existam meios audiovisuais ou até outros meios que ajudem a evitar erros como o segundo golo do Benfica este fim-de-semana que foi feito em situação irregular, como o jogo Porto – Boavista, em que o resultado foi escrito direito por linhas tortas, pois foi anulado um golo limpo ao Boavista e assinaldo um golo irregular, assim como o penalty não marcado contra o Sporting. O alvo de todos os clubes deve ser o maior organismo dentro do futebol, ou seja, a FIFA. Ao nível de arbitragens e alterações de regras de jogo, diria que a FIFA está ao nível de todos os nossos ministros e dirigentes. Além de serem coisas de putos, parece que a incompetência não é só nacional, estende-se a todos os cantos do globo.
PP
A Coligação

“A estabilidade está garantida no seio da coligação”, frase de Santana Lopes em declarações feitas à RTP, numa entrevista, em que era abordado o tema do momento, que é o futuro da coligação. Na mesma entrevista em que afirmou também que, “o que é normal acontecer é os partidos concorrerem sozinhos às eleições e depois decidirem se fazem ou não coligações”, ou seja, uma afirmação onde deixa bem claro o que pretende fazer quanto à coligação. Paulo Portas garantiu logo no dia seguinte à Visão Online que, o CDS/PP está preparado para concorrer sozinho ás eleições, assegurando que: “estamos obviamente preparados para esse cenário”, considerando ainda, “normais” as declarações de Santana Lopes, eu acrescento ele deve ter também achado que estas declarações foram oportunas e saudáveis para a coligação, especialmente depois do acordo que o PSD pretende fazer com o PCP, no que diz respeito à lei do aborto.
Resumindo, Pedro Santana Lopes afirmou, em meu entender que, a coligação vai acabar, quanto mais não seja, quando forem as eleições, dizendo que anunciará isto mesmo na Primavera de 2006 e Paulo Portas logo no dia seguinte dá a resposta na Visão, declarando que o seu partido está pronto para este cenário, ou seja, os “dois pombinhos”, já vão trocando mensagens pela comunicação social. Sim acho que toda a gente acredita que “a estabilidade está garantida no seio da coligação”, tal como acreditam que a crise já lá vai, ou no pai natal, na fada dos dentes, no bicho papão, etc....


António Manuel Pinto Silvério Guimarães
Volta ao Passado

Em 30 anos de Democracia. Muito aconteceu, existindo hoje um Portugal político substancialmente diferente. De um projecto de Constituição originária que propunha a transição para o Socialismo Democrático, temos hoje, um Estado de Direito Democrático em consonância com os valores da Europa livre e solidária. Os Partidos também mudaram. O PSD apesar dos revivalismos de Santana Lopes do PPD/PSD, nada tem a ver com o partido de Sá Carneiro; O PS liberal, de onda populista de Socrates, é bem diferente do PS de Soares carregado de ideologia e combatividade; o CDS de Freitas, passou da democracia-cristã para o radicalismo de direita populista e demagógica do PP de Portas.

Só mesmo o PCP continua igual, como se o tempo não tivesse passado. Apesar do desmembramento do mundo comunista, do esvaziamento das ideologias, da fuga de quadros, do afastamento dos jovens do partido, das purgas internas, do envelhecimento das estruturas, da perda de influencia na sociedade, o PCP continua imutável, fiel aos dogmas da dialéctica do Marxismo-Leninismo e do centralismo democrático. Hoje o PCP, apesar de conhecedor da mudança no mundo e consciente da necessidade imperiosa de mudança, se quiser sobreviver e lutar contra movimentos novos e atractivos como o Bloco de Esquerda, optou pelo suicido doloroso e lento.

A escolha de Jeronimo de Sousa, representa um aliar da realidade, um autismo de quem não quer ver, que prefere a tradição à modernidade, o passado ao futuro, a morte lenta fiel à história, do que à mudança.

Pena assim ser. Mas se essa a sua decisão, só me resta respeita-la e de desejar paz e descanso a sua Alma.
António Cipriano

segunda-feira, novembro 22, 2004

Percursos

Em determinados momentos da vida somos confrontados com bifurcações que apontam, para sentidos literalmente opostos. A escolha de um dos sentidos, ainda que no momento presente não tenhamos a consciência da importância da decisão, condiciona todo o nosso percurso.

Acontece porém, que muitos de nos, muitos quilómetros à frente, tomamos a consciência que afinal não era este o caminho certo, que devíamos sim, ter optado pelo outro percurso. Concluímos que os nossas ambições, os nossos sonhos não se coadunam com este percurso.
Ingenuamente pensamos que podemos voltar atrás, que podemos voltar à bifurcação e tomar o outro percurso. Mas esquecemo-nos que o tempo passou, que nos próprios mudamos, que a envolvente, as pessoas, as circunstancias são bem diferentes.
E se apesar das evidencias, teimosamente voltarmos à bifurcação e tomarmos o outro percurso, rapidamente descemos à terra. Tristemente descobrimos que os sonhos, as ambições estão agora desfocadas no tempo, fazendo já pouco sentido.

Mas tal não é motivo para derrotismo ou tristezas. Uma porta pode-se ter fechado, mas bem à nossa frente estão variadas janelas, com novos desafios e ambições. Devemos, sim, seguir em frente, e agarrar os desafios do agora.

António Cipriano

sábado, novembro 20, 2004

Neo-nazismo, Nacionalismo em Portugal

No passado dia 20 de Abril (data de nascimento de Adolf Hitler, o que não é, obviamente, uma mera coincidência), surgiu um fórum na Internet, auto-intitulado “Fórum Nacional”, alojado num servidor norte-americano. Trata-se de um fórum que mistura vários movimentos, vários sentimentos, com um determinado denomidador comum. Neste fórum, o nacionalismo português (referências nostálgicas a figuras históricas como D. Afonso Henriques e Viriato, para além da exaltação da memória nacional e de um dado elogio do “orgulhosamente sós”) mistura-se com o fascismo e o neo-nazismo (referência a pseudo-teorias raciais, a membros e “feitos” do Terceiro Reich, etc), sendo o resultado final um “melting pot” explosivo.
Este fórum (e todo o movimento que lhe dá substância) tornou-se mais conhecido a partir do momento em que foi organizado um concerto algures na zona de Loures, com presença de quatro bandas de índole neo-nazi. As autoridades asseguram que estão atentas a todas estas movimentações. De qualquer forma, há cerca de três semanas a revista Visão publicou uma reportagem sobre este fórum, sendo que o telejornal da Sic deu destaque a esta mesma situação, numa sua edição de Sábado, há 15 dias atrás. Não querendo colocar em causa o mérito jornalístico de tais reportagens (necessárias, a meu ver), a verdade é que os responsáveis por este fórum agradecem a publicidade gratuita: o número de participantes aumentou e contabilizam-se já mais de 1600 utilizadores registados.
As ligações ao mundo do futebol são evidentes, mas existe também um espaço político (o apoio ao PNR) e até intelectual associado. Como entretanto se veio a desenvolver uma suspeita moda de criticar o sistema democrático português por não ser, supostamente, suficientemente flexível para incluir este tipo de movimentos, importa recordar uma passagem do Artigo 46º da Constituição Portuguesa, referente à Liberdade de Associação: “Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
João Pedro
A Exportação da Nossa Politiquice


Eu sempre achei que o deputado europeu António Costa era um indivíduo que politicamente não merecia respeito nenhum. Foi um péssimo deputado, com intervenções infelizes, terá sido muito provavelmente o pior ministro da justiça de sempre em Portugal e para concluir foi um dos intervenientes, com Ferro Rodrigues, daquela famosa conversa telefónica em que antigo secretário geral do Partido Socialista tece uma curiosa opinião sobre o segredo de justiça. Mas quarta-feira (dia 17) conseguiu voltar a demonstrar que é um asno político, quando levou para o Parlamento Europeu a oposição que fazia enquanto oposição ao governo de José Manuel Barroso. Afirmando que este tinha perdido as condições para continuar como presidente da Comissão Europeia e que a sua comissão estava comprometida devido à anterior reprovação. Pessoas do calibre de António Costa são o melhor exemplo da fraca qualidade dos nossos políticos, porque se nem no estrangeiro se unem para o melhor de Portugal, se até longe fazem politiquice nojenta preocupando-se apenas com questões partidárias, se não pessoais, funcionando no Parlamento Europeu como na Assembleia da Republica Portuguesa, com lutinhas ridículas que apenas nos levam cada vez mais para a cauda da Europa.
Assim já vi o suficiente de António Costa no Parlamento Europeu, para perceber que ele vai continuar igual a si próprio e que Portugal não sairá a ganhar nada com a sua presença, antes pelo contrário.


António Manuel Pinto Silvério Guimarães
FAP

Hermínio Loureiro suspendeu o estatuto de utilidade pública à Federação Portuguesa de Andebol e, quanto a mim esteve mal. Para quem não sabe, o estatuto de utilidade Pública Desportiva está definido na Lei de Bases do Sistema Desportivo como “o instrumento por que é atribuída a uma federação desportiva a competência para o exercício, dentro do respectivo âmbito, de poderes regulamentares, disciplinares e outros de natureza pública”. A suspensão deste estatuto refere-se então ao período em que a Federação de Andebol de Portugal vai deixar de receber as receitas governamentais, no entanto, assim que levantarem a suspensão do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva, receberá todas as verbas a que tinha direito durante a suspensão, ou seja, corre-se o risco de no futuro Luís Santos continuar a ser presidente da FAP e continuar a fazer os tiros no pé que tem feito ao longo dos últimos anos. Para mim, Hermínio Loureiro, face aos anos de arrasto do Andebol português deveria tomar a decisão de cancelar a UPD, assim quando fosse dada novamente, não teria direito a verbas em atraso e isso sim seria um bom sinal para obrigar a mudanças. A suspensão, em comparação, não passa de um até já. É um convite a uma resolução frágil para rapidamente terem acesso a dinheiro público, voltando em breve o mesmo problema, que recordo já dura e continua a ter contornos cada vez mais complexos, desde há alguns anos.
PP
Estudo sobre a qualidade de vida

Esta semana foi dado a conhecer o resultado de um estudo realizado em 111 países e que deu o décimo nono posto a Portugal, sendo o país com melhor qualidade de vida a Irlanda e em segundo lugar a Noruega. Um estudo em que coloca Portugal tão bem que credibilidade pode ter? De certeza que o erro-padrão de estimativa deve ser muito mais elevado do que os 5% permitidos para dar credibilidade ao estudo.

PP

sexta-feira, novembro 19, 2004

Propinas

Mais uma vez por todo o país assistimos a uma sucessão de manifestações estudantis anti-propinas. Vejamos rapidamente o perfil de alguns dos contestatários:

João Albuquerque – 28 anos, 4º ano de Direito, filho de professores do ensino secundário. Não quer pagar propinas, pois necessita desse dinheiro para pagar as propinas da Discoteca Lux

Isabel Sores – 21 anos, 2º ano de Comunicação Social, filha de médicos – “Propinas, que horror – Nunca.” “Como ficavam os meus vestidos Channel?”

Pedro Coelho – 22 anos, 3º ano Sociologia, activista do Bloco de Esquerda. “O Estado tem a obrigação de pagar o ensino, de me dar um emprego, de me dar uma casa, de me arranjar um carro, de me pagar as ferias nas antigas estâncias da STASI, de financiar a minha união de facto, ...................”

Patrícia Tavares – 19 anos, 1º ano de Economia. É contra as propinas apesar de não saber bem porque. O importante é a diversão, as amizades, os copos ,os gajos que se conhecem nas Manif, e as reuniões na docas com bar aberto.


Álvaro Silva – 20 anos, Gostava de Pagar Propinas, Filho de uma empregada têxtil com vencimento de 450 Euros e de um desempregado. Álvaro não vi atribuído um bolsa de estudo pela câmara municipal, pois esta foi destinada a Manuel Bernardo, filho de advogados de sucesso que declaram 350 Euros mensais. Álvaro ingressou no curso IBM (Introdução ao Balde de Massa) o com o objectivo de poder juntar uns trocos para no futuro ingressar em Informática de Gestão. Observa com tristeza a Manifestação
António Cipriano

quarta-feira, novembro 17, 2004

A Regra de Quatro

A partir de hoje, sempre que acabar de ler um livro vou deixar um post a comentá-lo. Vou então fazer um pequeno post sobre o livro que acabei ontem: A Regra de Quatro. O livro fala de quatro amigos, estudantes de Princeton, que tentam ajudar um dos membros do grupo a acabar a sua tese de licenciatura, sobre um livro renascentista, escrito em diversas línguas, um romance que fala de tudo um pouco desde a arquitectura à zoologia, tendo um autor desconhecido – a Hypnerotomachia Poliphili. Até aqui tem todos os ingredientes para um bom romance, bem ao estilo do Código Da Vinci. Puro engano. O livro, segundo os autores Ian Caldwell e Dustin Thomanson demorou seis anos a escrever. Para demorar todo esse tempo, o resultado final deveria ter sido muito melhor. Não sendo mau de ler, está longe de ser uma obra-prima.

PP
O Congresso do PPD/PSD

Balanço do congresso do PPD/PSD neste último fim-de-semana, uma data de conversa de conveniência, o que é normal nestas situações, momentos de exaltação, muito comum no ambiente normal nestas ocasiões, alguns (poucos) ataques à oposição, mas o que seria de um congresso de um partido sem este cliché que mesmo tendo sido menos do que o normal não deixaram de existir e como resultado final, um dia depois do congresso o fim anunciado da coligação entre o PSD e o PP.
Quando se pôs a possibilidade de Santana Lopes ser “nomeado” para o cargo de Primeiro Ministro, eu disse que a coligação muito provavelmente estaria a prazo, em especial, devido ao facto de Santana ter sido sempre contra a coligação, tendo sido sempre critico quanto à inclusão de Paulo Portas no Governo de José Manuel Barroso. Depois fiquei um pouco surpreendido por afinal a coligação com Santana como líder do maior partido ter sobrevivido, dando inclusivamente uma imagem de que estava para durar. Depois veio este congresso e afinal eu não estava enganado, a coligação ficou ferida de morte.
Paulo Portas ameaçou mesmo abandonar o governo este fim de semana e Pires de Lima afirma que é provável que devido ao congresso dos Sociais Democratas, o PP antecipe a realização do seu próprio congresso. Isto porque os Populares esperavam um apoio claro de Santana Lopes durante o congresso e o facto deste não ter feito nenhuma referencia à continuidade da coligação nas próximas eleições, fez os populares reflectirem sobre a referida coligação. Com tudo isto a desconfiança está instalada, (mesmo que andem depois aos beijinhos e abraços que não enganam ninguém), e agora só temos que esperar e ver como é que Santana vai “descalçar esta bota”. Será que a bem da estabilidade do governo, vai dizer que partirá para as próximas eleições coligado, pondo as bases do partido contra ele e sabendo que indo coligado o mais certo é perder as eleições, ou será que vai tentar esticar a corda para no fim recusar a coligação e provocar eleições antecipadas, embora me pareça que nesta altura e na forma como as coisas estão, a derrota nas eleições será inevitável.
Eu sempre pensei que o resultado deste congresso ia ser polémico, devido aos descontentes com a “nomeação” de Santana, e que não se cansaram de ameaçar veladamente expor a “golpe de estado” dentro do partido, personalidades como Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, mas nenhum se pronunciou, talvez demonstrando falta de coragem, ou então que saber esperar é uma virtude. Mas Santana criou a polémica, não precisou de ninguém para criar uma crise, ele conseguiu criar uma que nesta altura já ninguém julgava possível.

António Manuel Pinto Silvério Guimarães

terça-feira, novembro 16, 2004

Golos não são coisas de ponta-de-lança

Pinilla fez um golo. Até aqui tudo normal, não fosse o facto de que o chileno não fazia um mísero golo há mais de 15 meses e nunca tinha marcado num relvado europeu! O jogador fez questão de dedicar o golo a muita gente: aos colegas, ao estádio, aos pais, tios, avós e restante família, à namorada, aos amigos, até abraçou o árbitro quando recebeu o cartão amarelo. Tanta alegria não é despropositada? Eu acho que não. Se demorou 15 meses a marcar este golo, ele não sabe quando conseguirá marcar o próximo. Afinal, marcar golos não é a especialidade de um ponta-de-lança...

PP
Comité Olímpico de Portugal

Poucos meses após o fim dos JO de Atenas, o COP apresentou o planeamento tendo em vista os JO de 2008 e 2012. Assim, com antecedência e profissionalismo é que se podem começar a exigir resultados no desporto de alto rendimento. Nestes próximos 8 anos, as Federações e os atletas já sabem com o que podem contar. Será que se poderá contar com eles?
PP
Congresso do PSD - Parte III

Sui generes no congresso do PSD foi a falta de criticas, de vaias, de apupos ao PS e ao seu secretário geral José Socrates. Num comportamento um quanto estranho, ou talvez não, os congressistas escolheram como alvo o parceiro de Casamento - o CDS/PP. Todas sabíamos que se trata de uma casamento de conveniências, que o noivo (PSD), não esconde a falta de amor pela noiva (CDS), procurando todas as oportunidades para planear um divorcio. Mas a noiva, apesar do seu comportamento submisso, começa a encaixar mal as insultos, mostrando as garras. Sei que o apego ao poder é muito, que o noivo que apesar da repugnância pela noiva é viciado em poder. Que a noiva quer a todo o custo manter o casamento, de modo a conseguir o maior numero de jóias e anéis.

Mas perante os ataques das famílias, da sociedade, dos media, durará este casamento?
António Cipriano

domingo, novembro 14, 2004

Conclave Laranja – Parte II

Os méritos a quem os merece. Santana Lopes numa jogada de mestre, conseguiu no congresso do PSD, reforçar a sua posição, mas mais importante do que isso, conseguiu que o partido, os media e a opinião publica se esquecessem das trapalhadas e dos problemas do País.
E tudo isto graças a uma argumento - Cavaco Silva.
Ainda à uns meses Cavaco, segundo palavras de Santana, era um candidato perdedor, que fracturava a coligação.
Hoje, Cavaco é o Cavaleiro Olímpico da Direita, capaz de alcançar o antes impossivel - "Um Governo uma Maioria, um Presidente".
São as voltas e voltas da Política
António Cipriano
Conclave Laranja - Parte I


O XXVI Congresso do PSD tem como Slogan: “Verdade”.
Mas então, Santana Lopes não costuma dizer a verdade, todos os dias? A verdade só aparece nos congressos?
António Cipriano

quinta-feira, novembro 11, 2004

Enfim a confirmação

Parece que desta vez, o sexto governante mais rico do Mundo faleceu mesmo. Não será de estranhar este anúncio da sua morte, quando os palestinianos já decidiram repartir por quatro dirigentes o Governo, neste futuro imediato pós-Arafat. Eu tenho a minha própria maneira de ver as coisas mas, possivelmente num futuro, Arafat será recordado como vencedor do Prémio Nobel da Paz de 1994, actos terroristas que terá cometido serão eternamente esquecidos. Longa vida aos terroristas! Com este texto, não quero ser mal interpretado. Não tenho nenhuma simpatia pelo povo palestiniano, como não tenho nada a favor do povo israelita. Toda a simpatia que o povo palestiniano poderia granjear, perde-a totalmente quando fazem os ataques suícidas e matam civis inocentes.
PP
My Prerogative

My Prerogative é o nome do novo álbum de Britney Spears, que contêm um tema homónimo. Realmente eu fiquei espantado. Com o álbum? Não, pois nem o ouvi, fiquei espantado de ver o clip desta música em que a menina repete my prerogative muitas vezes. Para quem pensava que ela mal tinha inteligência para falar conseguir dizer tal palavra a cantar é um espanto. É como imaginar João Soares a dizer palavras difíceis como otorrinolaringologista...
PP
Roque Santeiro

Com a actual euforia à volta de temas como os Templários, o Priorado de Sião, Leonardo Da Vinci e o culto de Maria Madalena, dei por mim a pensar numa novela com cerca de 20 anos e que parece estar cada vez mais actual: Roque Santeiro da autoria de Aguinaldo Silva. Um grande sucesso na altura, num país de costumes religiosos como o Brasil, quando a minha interpretação é de que é uma crítica muito bem contruída sobre o cristianismo. Não posso saber se tudo o que estou a escrever é o que o autor pretendeu fazer, apenas posso dar a minha interpretação. Na actualidade quando se fala em hipóteses como João Baptista ter sido o mestre de Jesus, sendo este um discípulo que criou o seu próprio movimento, rivalizando assim com o seu antigo mestre, acho engraçado a escolha de um santo degolado para o enredo. Roque Santeiro foi degolado como João Baptista e tal como este nunca se assumiu como o Messias. Seja como fôr, 20 anos depois, a novela não está desactualizada, pelo contrário, está mais actualizada que nunca com o século que ainda mal nasceu.

PP
Brasília e Rochemback

Num artigo de opinião de um diário desportivo, o autor acha que Brasília e Rochemback tiveram atitudes semelhantes para com os seus treinadores e a atitude de ambos os treinadores foram completamente opostas. O autor acha que Peseiro teve de engolir em seco, enquanto Carvalhal tratou logo de rescindir com Brasília, não se sujeitando a faltas de respeito. Primeiro que tudo, concordo que ambas as situações são semelhantes, existe claramente uma falha na formação desportiva e cívica de ambos os jogadores perante a autoridade maior na equipa, o que não posso concordar é que um treinador tenha engolido sapos, enquanto o outro não. As atitudes são semelhantes, a situação é de longe diferente. Brasília nunca se impôs na equipa e a rescisão pode ser vista como um alívio financeiro, já Rochemback é apenas o melhor jogador do Sporting e aquele que faz mexer com todo o futebol da equipa. Será que as atitudes dos treinadores não seriam inversas tivessem eles na situação inversa? O ter estômago ou não é uma questão de oportunidade da situação, rescindir com Rochemback era inflamar toda uma legião de adeptos leoninos, Carvalhal não tem esse problema perante os velhos do Restelo.
PP
Joseph Blatter


Serve este senhor para eu escrever um post sobre as minhas ideias acerca do futebol hoje em dia. Primeiro ponto não gosto da figura dele. Não o vejo como alguém capaz de liderar os destinos de um organismo como a FIFA. Aponto alguns aspectos: os comentários infelizes que este homem fez sobre as eliminações escandalosas da Itália e da Espanha no Mundial da Coreia/Japão, quando se verificou as piores arbitragens que algum Mundial de Futebol jamais deve ter visto. Um outro caso que deveria ter levado este senhor à demissão e não levou foi a falência da empresa que geria o Campeonato do Mundo de Clubes, levando ao seu adiamento. Este facto em si, pode parecer exagerado um pedido de demissão, no entanto, se tivermos em conta que é uma descrebilização da própria FIFA, até então vista como a entidade suprema do futebol, é arriscado continuar depois desta ocorrência. Mas, como dizem os antigos, isso são águas passadas que já não movem moinhos, não que hoje em dia ainda existam muitos moinhos por aí para se moverem. Este post prende-se com a notícia de um diário desportivo, em que Blatter quer mudar o actual modelo de qualificação sul-americano, tendo em vista a calendarização internacional unificada. Para mim, a calendarização é apena um sub-problema do problema geral do futebol, que é, o seu primitivismo. O futebol neste momento apresenta-se como um dos desportos mais primitivos, senão o mais primitivo, pois quem gere os destinos não percebe que tudo evoluí, recusando assim a ordem natural das coisas. Enquanto outros desportos tenham melhorar ao máximo as suspeições sobre os seus resultados, procurando diminuir o erro humano, relutantemente o futebol não quer ouvir ideias sobre a maneira de acabar com polémicas de foras de jogo mal assinalados, golos mal invalidados, entre outras questões, com o argumento (estúpido, ou não viesse ele deste senhor suiço) de que é essas discussões que geram as paixões do futebol. Quanto a mim, o futebol precisa de se modernizar como todas as outras modalidades que vemos alterarem as suas leis, de forma a corresponder às expectativas dos vários interessados (jogadores, treinadores, dirigentes e o que assume cada vez mais relevância, os patrocinadores). Pode-se argumentar, e com razão que o Voleibol, por exemplo, alterou o seu sistema de pontuação para se enquadrar com as transmissões televisivas, o que é certo mas, (e como tudo, existem sempre mas) estas mudanças podem ser benéficas para um maior interesse das pessoas num desporto que não move multidões como o futebol. E se, o futebol, por não se actualizar com os tempos, começar a decair? O que acontecerá? É fácil de ver, pois em Portugal desde à alguns anos que os estádios estão vazios e de algumas, poucas, épocas para cá os clubes europeus começam a estar em crise. Não será altura de ter um presidente da FIFA que reveja as questões verdadeiramente importantes, antes que matem a sua própria galinha dos ovos de ouro? Questões essenciais: Para quando mais árbitros no rectângulo de jogo? O basquetebol, o andebol, o hóquei em patins têm mais árbitros que o futebol em campos mais pequenos. Para quando, a bem do espectáculo e de quem paga bilhete, a hipótese de existir um “banco” rotativo em que os jogadores podem entrar sem limite de substituições, como o exemplo do basquetebol, do andebol, do futsal, etc. Além da previsível melhoria dos jogos, iria diminuir as injustiças que acontecem no terreno de jogo. Imaginemos que uma equipa fez as 3 substituições e estava a ganhar a 20 minutos do fim, de repente, um atleta dessa equipa é gravemente lesionado num lance com o adversário. Esse adversário leva o cartão amarelo, mas o atleta lesionado tem de sair de maca. A sua equipa de repente vê-se limitada e acaba por perder o jogo, devido a uma regra que claramente beneficia o infractor. Quando se vão utilizar os meios audiovisuais para acabar com a suspeição como é o caso do futebol americano que têm câmaras colocadas estrategicamente e que em caso de dúvida podem ser utilizados pelo árbitro? Última sugestão: Para evitar o anti-jogo diminuir o tempo de jogo de uma partida de 45 minutos para 30 minutos, mas 30 minutos em que se pare o cronómetro a todas as paragens do jogo.

PP

quarta-feira, novembro 10, 2004

Noticia de Ultima Hora !!!!!

Arafat Morreu !!!!!!!!! Ondas de Choque invadem o mundo !!!!!

Não, afinal foi falso alarme !!!! Segundo a mulher de Arafat, Yasser Arafat já corre nos corredores do hospital!!

Bem a sucessão de noticias, de comunicados das agências noticiosas é imensa. France Press Noticia que Arafat após o seu joging pelos corredores do Hospital, voltou ao estado de coma. Lembramos que na Palestina está uma equipa de coveiros, 24 Horas em Alerta Máximo, caso seja necessário a sua intervenção.

Aguardamos novos desenvolvimentos
António Cipriano

terça-feira, novembro 09, 2004

Yasser Arafat

Podemos não concordar com os seus métodos, com algumas das suas posições, como o fechar dos olhos à corrupção existente na Autoridade Palestiniana, com o aprovamento tácito dos atentados suicidas, mas não é possível lhe tirar o mérito, de ter lutado uma vida inteira, por uma causa justa, de uma ideal de liberdade e autodeterminação.

Hoje, apesar das conquistas, a Palestina continua a ser um território de sofrimento, de dor, de injustiça, de opressão sistemática, de desrespeito por um povo e uma cultura. Yasser Arafat, apesar de pecador é símbolo da esperança por uma Palestina livre, independente e feliz, em que o futuro dos seus filhos, não seja as ruas de casas destruídas pelos israelitas.
António Cipriano

sábado, novembro 06, 2004

Silêncios

Apesar da efervescência da vida moderna, da multiplicidade de contactos diários com pessoas de diversas classes, religiões e raças, os silêncios societários estão cada vez mais presentes. Enclausurados em jaulas de carreiras, relações frágeis e cinzentas, o monstro da angustia da solidão vai crescendo. Quantas vezes nos deparamos com salas cheias de gente, mas vazias de sentimentos, meros palcos para os individualismos modernos. Muitos, não aguentando a competitividade da vitória a qualquer preço, ou não entendendo as novas realidades, vão progressivamente sendo afastados, ostracisados para as margens da sociedade. Como preço para a falta de solidariedade, a própria sociedade paga com comportamentos deviantes, tais como toxicodepência e marginalidade.
Mas mesmo os mais “normais” também sofrem. Sofrem de uma angustia, de uma pressa em viver, sem saber porque, nem para quê.
Enfim, é o preço para a suposta felicidade, do materialismo das sociedades modernas.

António Cipriano

sexta-feira, novembro 05, 2004

Ó Trappatoni vai pró...


Em três jogos europeus, duas derrotas por 3-0, com clubes perfeitamente ao alcance do Benfica. Principal culpado na minha opinião, o treinador italinao do Benfica, de quem nunca apreciei a sua contratação, quer pela idade, o que o torna obsoleto, como o facto de ser italiano e, penso eu, treinadores italianos que não sejam o Fabio Capello só servem para consumo interno transalpino. O futebol italiano é possivelmente aquele que menos evoluiu no panorama europeu, o sistema anti-futebol de Herrera mantêm-se passadas tantas décadas e é o futebol menos espectacular e mais de contenção que existe.
Neste caso, não é apenas a forma de ver o futebol quem me leva a estar em desacordo, é também os jogadores e substituições que ele faz noutros jogos e que fez neste jogo com o Estugarda. Quando Ricardo Rocha teve que sair lesionado, meteu em jogo o Argel e foi o que se viu, culpas no segundo golo. Isto quando possuía dentro do onze titular jogadores que preencheriam a vaga de Ricardo Rocha. No meu entender, quando este se lesionou a opção correcta era colocar Karadas em campo, afinal estavamos a perder e Amoreirinha é central de raíz, colocava-o no centro da defesa com Luisão, recuava João Pereira para lateral-direito, Geovanni para médio-direito e recusava Nuno Gomes e poupava uma substituição ao entrar Karadas a seguir...
O que faz Paulo Almeida a titular e a jogar os noventa minutos, quando é mais lento que o Fidel Castro com um joelho partido em oito sítios? Quando entrou Bruno Aguiar, este fez mais em 30 segundos do que o dito em 90!!!
Espero que LFV reflicta e chegue à conclusão que esta época com Trappatoni à frente do Benfica e apesar de um sub-Porto, o Benfica não vencerá nada. E a solução pode ser tão fácil. Tem lá Álvaro Magalhães esse sim um benfiquista ferrenho que vibra como ninguém naquele banco de suplentes. Vejam o seu descarregar de emoções quando saltou do banco no empate com o Gil Vicente, perante a passividade de Trap, para quem o vencer, empatar ou perder é a mesma coisa, pois o Benfica contribuí-lhe com uma reforma dourada.

PP
Yasser Arafat


Depois de mais de vinte declarações de óbito, não há a certeza absoluta sobre a morte ou não de Yasser Arafat. Parece que os médicos se recusam a aceitar as evidências. Parece que existe interesse em manter o único palestiniano vivo que conheceu figuras bíblicas ímpares como Adão, Abraão, Moisés, João Baptista e Jesus Cristo. A razão prende-se com a teimosia dos médicos quererem saber se o Código Da Vinci é verdadeiro e se os Merovíngios são descendentes de Cristo ou não. Essa informação é importante para França, pois a ser um facto verídico, existe matéria de facto para eles serem chauvinistas.
PP

quinta-feira, novembro 04, 2004

Volte-face


Quem tem tudo para sorrir com a reeleição de George W. Bush é Michael Moore. À primeira vista, o realizador mais anti-Bush queria que Kerry ganhasse as eleiões mas, num volte-face, veio dar a sua (grande) cara por Bush. Moore justificou-se dizendo: “Falei com o meu contabilista e ele garantiu-me que se Bush vencesse as eleições, eu teria mais quatro anos para fazer documentários extremamente parciais e facciosos, o que me acabou por convencer a votar Bush...” Para já, fica a promessa de que está a trabalhar na sequela de Fahrenheit 9/11, que terá o título Fahrenheit 11/2.

PP
A noite longa em que o mundo susteve a respiração


Se há eleição num país cujo interesse extravasa em muito as fronteiras desse mesmo país, essa eleição foi esta presidencial nos Estados Unidos. Renhida nas sondagens, as primeiras urnas até davam sinais positivos para os democratas: alguns estados que são autênticos feudos para os republicanos, como North Carolina, davam sinais de votações renhidas e outros, como New Jersey, em que os republicanos queriam causar surpresa, confirmavam-se solidamente democratas. À medida que as horas foram passando, os estados azuis confirmaram-se azuis e os vermelhos confirmaram-se vermelhos. Perante uma profunda divisão na américa (veja-se o mapa azul e vermelho, que os jornalistas tanto apreciam), os democratas mostram uma confrangedora dificuldade em penetrar nos estados rurais dos EUA e também nas zonas rurais do estados mais urbanos.
Com Pennsylvania a cair para os democratas e a Flórida para os republicanos (o voto latino foi amigo de Bush, o que não deixa de ser algo surpreendente), todos os olhos se viraram para Ohio. De qualquer forma, era o já previsível "battleground state" por excelência para 2004. Quando, já pela madrugada em Portugal, se tornou claro que Ohio ia ficar a vermelho, as chances de Kerry esfumaram-se. A votação em Cleveland não conseguia compensar as perdas nas zonas rurais, uma amostra do resto do país.
Lições de democracia dos EUA para o resto do mundo: se há filas grandes para votar então vamos extender o período de votação nessa cidade (e não no estado todo), Pittsburgh neste caso, por mais uma hora; para entreter as pessoas que estão nessa fila (leia-se: para elas não fugirem) as estruturas locais dos dois partidos vão comprar pizzas e coca-cola e distribuem gratuitamente; anulam-se 30 mil votos na Flórida e reinicia-se o processo, por problemas com as máquinas (e pensar que tiveram 4 anos para resolver o problema); decidem, no próprio dia, se os votos no Colorado são distribuídos proporcionalmente ou nem por isso. Apenas uma amostra das pérolas democráticas que se passaram...
O resultado, afinal, é pior que o de Gore (ganhar New Hampshire, mas perder Iowa e New Mexico), até porque Gore ganhou o voto popular. Sim, se há coisa em relação à qual o Dubya pode respirar de alívio é por ter ganho o voto popular de forma convincente, o que lhe dá uma renovada legitimidade política.
Se a vitória de Barack Obama para o Senado, em Illinois e com 70% dos votos, foi o grande ponto positivo para os democratas, uma outra situação negra se passou, pouco referida fora dos EUA... o líder da minoria (a bancada do partido democrata) no senado, Tom Daschle, perdeu o seu lugar, na eleição em South Dakota. Isso já não acontecia, a qualquer dos partidos, desde 1952. Para aquele que detinha, até ontem, o título não-oficial de "homem mais poderoso e influente dentro do partido democrata", esta derrota humilhante torna-o politicamente moribundo, já para não dizer "desempregado", deixa a bancada democrata inesperadamente orfã e arreda um dos possíveis candidatos democratas para 2008. Este não foi um caso isolado, mas foi certamente o mais preocupante para os democratas.
George W. Bush? Já o conhecemos e aqui estaremos para ver o segundo mandato. Em relação a Kerry, que agora vai sair dos holofotes, não deixa de ser engraçado que hoje, no discurso de concessão, se tenha emocionado. Os seus maiores críticos apontaram-lhe uma falta de humanismo, bem como o facto de assumir uma pose demasiado formal em determinadas situações. Hoje emocionou-se ao rever os dias de campanha, o staff que trabalhou de forma incessante, os apoiantes pelo país todo, as horas de árduo esforço. Nunca conseguiu apagar a imagem de "liberal do Massachussetts", de "flip-flopper", mas agora também já sabemos que não irá haver investigação em termos das células estaminais, que a política externa dos eua vai continuar a ser o que tem sido, que a economia americana vai continuar a ser gerida de forma casuística, e de que vão continuar a ser neo-conservadores como Wolfowitz a ditar o dia-a-dia do povo americano. Oportunidade perdida? Daqui a 4 anos far-se-á o balanço.
João Pedro

quarta-feira, novembro 03, 2004

Dia negro

Pois é. Quando se pensava que o povo americano era burro, inculto, perdão, inculto não, pois possuí a cultura dos hamburgeres, e que não poderia haver maneira de mudar isso, nas eleições de hoje eles provaram... que realmente são ainda mais burros e incultos do que se pensava. Quem no seu perfeito juízo vota Bush? Como é possível votar naquele ser triste? Bom, pelos votos, diremos até que está bem a reeleição, afinal o que é George W. Bush senão o espelho do americano médio? Se Bush venceu estas eleições quem me garante que qualquer dia não vemos um chimpanzé a governar a Casa Branca? Bem... Altero o que disse, quem me garante que um orangotango não se torna presidente dos USA, porque Bush até tem umas certas parecenças com os chimpanzés, sem querer ofender esta espécie digna.
PP
A Vitoria de Bush

E não é que Bush ganhou mesmo e com a maioria dos votos dos americanos!!! Penso que isto demonstra que os Americanos não são inteligentes como alguns ainda pensavam e que preferem ter um presidente armado em Cow-boy, cujo pensamento assenta num misto de cristianismo ultra-religioso, (algo parecido com as cruzadas europeias da idade media), com um espirito de espaço vital (muito parecido com o espirito do III Reich, mas com um braço muito mais longo). Penso que os Norte Americanos vêem demais os seus próprios filmes e já confundem a ficção com a realidade, porque eleger um presidente com tantas incapacidades e ainda por cima pela segunda vez é demasiado Hollywoodesco para ser real. Apenas Osama Bin-Laden pode estar contente com esta eleição, porque sabe que pode dormir durante mais quatro anos descansado!


António Manuel P.S. Guimarães

domingo, outubro 31, 2004

45 anos de Asterix

Na passada sexta feira comemorou-se os 45 anos da criação da Banda Desenhada Asterix pelos Belgas Urdezo e Goscinny.
Asterix e Obelix, ao longo das suas aventura desventuras, num registo simples, cómico veiculam um conjunto de valores sociais, fundamentais para a construção da identidade de qualquer jovem. Os Valores da amizade, da autodeterminação cultural, da importância da solidariedade, da necessidade da luta contra os poderosos, da importância da união em volta de causas comuns, estão sempre presentes. Por tudo isto, Asterix, Obelix, e todos os outros irredutíveis gauleses fazem parte do meu imaginário.

A verdade é que Asterix e Obelix estão cada vez mais actuais. Num mundo cada vez mais homogéneo, cheio de injustiças, de ausência de valores morais, de ignorância cultural, de atropelo dos direitos fundamentais, faz cada vez mais sentido, existirem pequenas aldeias de irredutíveis cidadãos que lutem contra este estado de coisas. Que com a “Porção Magica” da cultura e do solidariedade individual, dêem um pouco de esperança, e combatam o imobilismo, e o individualismo extremo das sociedades ocidentais.

António Cipriano

sábado, outubro 30, 2004

Alien Vs Predator


Qual o realizador mais anti-Bush da actualidade? Se responderam Michael Moore, até têm uma certa razão. Mas existe outro realizador que vai mais longe e detesta as próprias eleições americanas, esse realizador é Paul W. S. Anderson, realizador do filme Alien Vs Predator. Ele bem tenta esconder subtilmente, mas sinceramente, quem não vê as semelhanças físicas entre Alien e Bush e entre Predator e Kerry? Tal como os Alien esperam as raças incautas para as matarem, Bush esperou usar o seu pai para atingir um cargo importante, já os Predator vão à guerra, assim como Kerry, que é veterano do Vietname. Nem é preciso ver o filme para ver as evidências, pois a frase do cartaz a anunciar o filme é já deveras revelador: Qualquer um que ganhe... Nós perdemos.
PP
Jonh Kerry

Não escondo que não tenho uma opinião muito formada sobre Kerry. No fundo sou acima de tudo, Anti-Bush.
Nos 2 dos 3 debates que tive oportunidade de ver, Kerry demonstrou para além de um elevado conhecimento dos diferentes temas, um discurso com principio meio e fim, assente em ideias correctas para a América e para o Mundo. No entanto, Kerry tem uma postura demasiado seria, pouco sorridente, pouco popular, talvez até mesmo elitista.
Ao contrario, de Bush autentico “Macaco Adriano”, Kerry é mais sisudo, mais intelectual, o que num mundo de populismo é um handicap.
O importante é a mensagem, e ai Kerry ganha em consistência, competência e credibilidade. Só me resta esperar que 2 de Novembro seja o dia de Kerry, e como tal, o fim das trevas

António Cipriano

sexta-feira, outubro 29, 2004

Caldas Sport Clube


O Caldas Sport Clube, clube de Futebol da nossa cidade encontra-se a passar uma grave crise desportiva. Principal culpado, sobre o meu prisma, um antigo jogador do clube e actual presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, pois pôs lá uma empresária da região que cometeu demasiados erros, próprios de quem está envolvida em algo de que não percebe. Indico esse senhor como o principal culpado e não os sócios por o ter eleito por uma simples razão, essa assembleia do clube se não foi a mais concorrida de sempre, foi segurante uma das maiores, pois os sócios encheram o Pavilhão da Mata. Muitos deles tinham-se tornado sócios poucos dias antes, apenas para contribuirem para a vitória, não sendo vistos depois dessa assembleia quer nas mesmas, quer nos jogos do Caldas. Por falta de pessoas que pegassem no clube, este está actualmente a ser gerido por uma Comissão de Gestão, o que deixa o clube sem rumo, não por incompetências das pessoas que formam a Comissão e do qual não tenho nada contra mas, pelo facto de não sendo direcção do clube as preocupações é para o quotidiano do clube, projectos futuros não existem pois uma Comissão de Gestão não me parece que tenha legitimidade para decidir o futuro de um clube como o tem uma direcção.
No entanto, não era sobre isto que eu queria escrever. Para mim, o cerne da questão é o facto de o Caldas ocupar o último lugar da 2ª Divisão B – Zona Centro, depois da razia quase total do plantel do ano passado. Esta Comissão juntou um grupo de jovens jogadores da região, uma grande maioria de ex-juniores e quatro atletas do ano passado. Não vou acusar esta Comissão de nada, em quatro dias reuniu o plantel possível ou talvez não, não sei. O que sei é que esta fase do Caldas é muito importante. Todos os anos, os pais dos jogadores juniores acham que os seus filhos tinham lugar nos seniores. A maioria pensa que têm craques como filhos, pois estes jogadores foram campeões distritais de juniores. Este último lugar mostra o quanto os pais estão errados. Olham os filhos de forma emotiva e não racional. Não vêem que jogadores ex-juniores do Benfica e Sporting muitos deles campeões nacionais de juniores não evitaram a descida das equipas B à 3ª Divisão e acham o seus filhos bons o suficiente para manterem uma equipa na 2ª Divisão B. Sinceramente não percebo a emotividade irracional destes pais que não percebem que só existem 36 equipas profissionais, com planteis limitados a cerca de 25/26 atletas. Estas equipas é que têm de apresentar garantias bancárias que possam ser accionadas caso não paguei os salários e que mesmo assim a maior parte esta em dívida para os seus atletas. É para ter salários em atraso, instabilidade na vida que os pais querem para os filhos? Estamos numa má fase económica, muito desemprego, excesso de pessoal qualificado para uma área e escassez noutra, etc., tudo certo, mas o futebol, neste momento, é futuro para muitos poucos. O que deveriam-se preocupar sim, era com a continuação destes jovens na escola, enquanto jogam pelo seu clube, recebendo o ordenado quase simbólico, pois todo o futebol está assim. Ainda hoje nos jornais desportivos referem-se ao passivo de 420 milhões de euros do Sporting, não faço ideia de qual será o passivo de Benfica e Porto, mas devem andar lá por perto. Infelizmente nestas coisas, o que eu não percebo é como SAD’s de clubes pequenos, com poucos sócios e poucas receitas apresentam balanços positivos.
PP
Bush e Kerry

Muito já se falou neste blog sobre as eleições americanas da próxima terça-feira. Pensei em escrever este post no próprio dia mas, receio não ter disponibilidade de tempo, então fica escrito hoje. Gostava que Kerry vencesse. Não por achar que ele seja muito bom político, que apresente ideias ou que transmita credibilidade, antes por achar que Bush é patético e triste, lembrando em menor escala um político do nosso país que só chegou onde chegou pelo pai que tem. Por mim, o candidato que teria apoiado era John Edwards.
Esta terça-feira não vou votar. Teria direito a isso, ao invés, exerço o direito de não votar. Por várias razões, das quais deixo duas:
a) tendo dupla nacionalidade, não me sinto minimamente americano o suficiente para votar, isto apesar de desde os meus dezoito anos ter votado em todas as eleições e referendos que digam respeito a Portugal;
b) não me revejo no sistema de eleição americano. Um país que se auto-intitula a maior democracia do Mundo, não respeita o voto singular dos americanos. Se respeitasse, George W. Bush, que espero, a História se encarregará de o tornar conhecido como o pior presidente americano de todos os tempos, não teria sido eleito presidente dos USA e seria neste momento Al Gore a disputar as eleições com outro candidato qualquer. Desde a saída de Bill Clinton que os USA atravessam uma fase negra. É o que acontece quando o pior presidente de sempre sucede ao melhor presidente dos últimos 20, 30 ou 40 anos.
PP

quinta-feira, outubro 28, 2004

A história repete-se

Estou neste momento a ver o canal Record Internacional. Mais uma vez um jogador de Futebol morre em campo. Nestes casos, o jogador de futebol é o que menos importa. Importante foi a perda de um homem, pai de família (filho com 4 anos). O jogador Serginho de 30 anos ia abandonar a alta competição no dia 19 de Dezembro. Infelizmente o destino foi duro com ele. Pode-se ver que as semelhanças com o caso (de má memória) de Fehér são mais que muitas. Problemas com os acessos das ambulâncias, inexistência de um desfibrilhador, trocas de acusações. Mas no final tudo se resumo a uma família que fica desfeita.
PP

quarta-feira, outubro 27, 2004

George Bush

George Bush, actual Presidente dos EUA e candidato à renovação de mandato, representa o pior da América. Bush é sinónimo de intolerância, falta de civismo, falta de cultura, oportunismo, desrespeito pelos direitos individuais, desapego pelos valores sociais, etc

Mas Bush poderia ter sido um Presidente diferente, isto é claro, se fosse uma pessoa inteligente, e não um bimbo ignorante com manias de grandeza.
Bush começou o seu mandato com o 11 de Setembro. Com a tragédia, reuniu em si, um capital de confiança, de solidariedade, de união de todos os americanos, democratas ou republicanos, bem como toda a comunidade internacional. Mas Bush preferiu lançar no charco este sentimento mundial de compaixão e de feroz luta contra o terrorismo. Bush preferiu em vez de uma guerra sem trégua ao terrorismo, começar uma guerra errada, somente para proceder a um ajuste de contas familiar.
Passado 4 anos, Bush deixa como saldo:
Ø Um guerra no Iraque sem justificação, com elevadíssimos custos humanos para os próprios americanos
Ø Um Médio Oriente cada vez mais caótico, sem equilíbrios geo-politicos
Ø Uma opinião publica mundial de costa viradas para a América, em que os sentimentos Anti-America quadruplicaram
Ø Um elevado défice orçamental
Ø Um aumento das taxas de pobreza e desemprego na população americana
Ø Uma não política ambiental, de subalternizarão às grandes empresas químicas e petrolíferas que lhe financiaram a campanha.
Ø O rasgar do Acordo de Quito
Ø O reavivar do programa militar, maníaco depressivo da “Guerra das Estrelas”
Ø Um não sistema de saúde. Saúde somente para os ricos
Ø Um aumento do fosso entre os ricos e os pobres
Ø Um mundo mais inseguro, mais caótico, mais turbulento e deprimido

Esta é a herança de Bush. Espero que os americanos saibam pensar, raciocinar e nos livrem de vez, desta coisa chamada Bush, já no dia 2 de Novembro

António Cipriano


terça-feira, outubro 26, 2004

Eleições Americanas

No estado americano de Ohio, segundo o noticiado no Telejornal da RTP, o Partido Democrata, esta a contratar um batalhão de advogados para estarem presentes em cada secção de voto. Todo isto, porque os responsáveis do Partido Democrata suspeitam da possibilidade fraude ou manipulação eleitoral por parte dos partidários de Bush.
Pensava eu, que apesar de tudo, os EUA eram uma democracia já consolidada. Mas afinal, talvez não esteja muito distante de uma Ucrânia ou mesmo um Zimbabwe.
Pena é, que os EUA sejam somente a principal potencia mundial.

António Cipriano

segunda-feira, outubro 25, 2004

Surpresa


Hoje de manhã cedo, quando todas as pessoas guiam enlouquecidas pelo trânsito intenso de Lisboa, qual não foi o meu espanto e o delas de, em pleno Campo Grande, terem de parar o seu veículo para deixar atravessar a rua um belíssimo e altivo pavão que passava do jardim do Campo Grande para o passeio ao pé da Faculdade de Ciências. Ia ter com a (o) sua (seu) companheira (o) que já estava deitada num pedaço de relva. Quando saí das aulas, lá estavam outra vez no jardim do Campo Grande não dois mas sim três pavões. Nenhum deles se feriu pelos vistos e toda a cena deixou um sorriso na minha cara e proporcionou uma ocorrência fora do vulgar aos automobilistas. Foi a surpresa do inesperado. E a surpresa para mim é algo importante, pois muitas vezes perdemos a capacidade de nos surpreendermos.
PP
2 de Novembro aproxima-se

Aproxima-se "perigosamente" o dia de 2 de Novembro, dia das eleições norte-americanas. É um dia importante para a américa (as sondagens de opinião mostram que os americanos olham para esta eleição como sendo uma das mais importantes das últimas décadas), mas também para o resto do mundo (e nós somos humilde parte desse "resto do mundo").
Os últimos dias têm sido mais ríspidos, nos discursos públicos e também nos anúncios na televisão (veja-se o anúncio dos lobos, por parte do Partido Republicano). Os ataques multiplicam-se mas os candidatos visitam apenas um número restrito de estados. Porquê? Simplesmente porque, graças ao (antiquado) sistema eleitoral norte-americano, só alguns estados é que realmente interessam para esta eleição. Ganhar um estado por um voto ou por um milhão deles é exactamente o mesmo e significa uma vitória absoluta nesse estado. Assim, e como existem verdadeiros feudos eleitorais (casos da Califórnia e Nova Iorque para Kerry ou Texas e Indiana para Bush), apenas interessam, em termos de estratégia eleitoral, os "swing" states, ou seja, aqueles nos quais as votações serão, previsivelmente, renhidas. São estes que vão decidir a eleição, é sempre assim de quatro em quatro anos, com a diferença de que, desta vez, são vários os estados nesta situação (mais do que normalmente).
Na longa (isso é um dado adquirido) noite de 2 de Novembro, as atenções vão estar centradas em: Pennsylvania (21 votos, Philadelphia é território de Kerry mas Pittsburgh, cidade na qual viveu a mulher de Kerry, parece ser território pró-Bush), Ohio (20 votos, é este o estado que vai decidir tudo, segundo a maior parte dos analistas e jornalistas), Wisconsin (10 votos, Gore, Clinton e Dukakis ganharam aqui, mas desta vez as sondagens até dão uma ligeiríssima vantagem a Bush), Minnesota (10 votos, é outro estado tradicionalmente democrata mas que desta vez se apresenta renhido; o antigo wrestler e governador independente Jesse Ventura decidiu, recentemente, apoiar Kerry), Iowa (7 votos, é mais um estado que costuma ser democrata, estão a ver a ideia?), Missouri (11 votos, trivia: o vencedor deste estado costuma ser o vencedor nacional, apenas com uma única excepção em 1956), Arkansas (6 votos, território forte para os Republicanos, mas Clinton mostrou que é possível os Democratas ganharem lá), Colorado (9 votos, Kerry parece estar a desistir deste estado e a virar-se estrategicamente para outros), New Mexico (5 votos, aqui os votos hispânicos vão ser decisivos), Nevada (5 votos, a terra dos casinos!) e, finalmente, a Flórida (27 votos, e onde é que já vimos isto?).
Se repararem, estes são os estados que têm sido visitados pelos candidatos. Os outros já não lhes interessam, o que não deixa de ser uma maneira de fazer e estar na política bastante inusitada.
João Pedro

domingo, outubro 24, 2004

Política Energética

Cada dia que passa, alegadamente pela instabilidade do Iraque ou da Nigéria, pela diminuição da produção das plataformas do Golfo do México, pela estratégia de Putin de aniquilação do gigante YUKOS, o peço do Crude sobe sem parar, estando já nos 54 USD. Tais preços do Crude são indutores de enormes consequências para uma economia mundial já em recessão a algum tempo, extremamente dependente do Crude.
E se o Crude a 54 USD é problemático para países de primeiro plano como o Reino Unido, Canada ou Itália, mais gravoso é para economias pequenas, como Portugal.

Portugal é um pequeno país no extremo ocidental da Europa, sem poderes de influencia sobre o mercado petrolífero. Razão mais do que suficiente, para se ter desde à muito, uma política Energética devidamente planificada que reduzisse a dependência nacional do petróleo.
Portugal é o país da Europa com maior numero de horas de sol, tem uma imensa costa marítima propicia à exploração da energia das marés e das ondas, óptimas condições para a instalação de parques eólicos. No entanto, apesar dos deuses nos terem agraciado com tais benesses, preferimos enterrar a cabeça na areia !!!! Preferimos continuar a lapidar os escassos recursos financeiros em energias fosseis, exteriores e muito mais poluentes.

A nossa comunidade política preocupa-se em discutir as sestas do Primeiro Ministro, os últimos faît divers, esquecendo-se da realidade do país.
Quando é que o país acorda??

António Cipriano

sábado, outubro 23, 2004

Queda de um Dinossauro

Na ultima quinta feira, foi agradavelmente surpreendido com a notícia que Fidel Castro tinha caído, durante um discurso. No entanto, com muita pena minha, e de milhões de cubanos tratou-se apenas de um queda sem mal maior, limitando-se somente a uma fractura do joelho e a uma ferida no braço.
Com 78 anos, Fidel Castro o ultimo dos dinossauros ditadores comunistas, já não estará muito longe da queda final.
Pode ser que seja amanhã !!!

António Cipriano

sexta-feira, outubro 22, 2004

Namoradas de Portugal

O Imaginário dos portugueses nestes últimos 30 anos foi preenchido por variados rostos femininos, que simbolizavam os ideais de mulher, sob o titulo de “namorada de Portugal”.
Devido aos meus 26 anos, Catarina Furtado nos anos 90 foi o meu primeiro rosto de Portugal. Catarina Furtado, ora na Chuva de Estrelas, ora saltando de desafio em desafio, no “Caça ao Tesouro”, sob o pano de um sorriso angelical e um sinal diabolicamente sexy, encantava as famílias.
Já os finais dos anos 90, foram os anos de Barbara Guimarães. Mas à medida que se foi aculturando, enquanto discípula matrimonial de Carrilho, os seus encantos foram desvanecendo aos olhos dos portugueses.
Com a fronteira do ano 2000 3 mulheres se destacaram.
Fernanda Serrano ora Sex Bom, mulher fatal, ora menina de couro, ingénua, boazinha à medida das novelas da TVI. E se alguns ainda resistiam aos seus encantos, ou pelo seu alegado desempenho num filme veiculado na net, ou pela jogada do corte de cabelo e do matrimonio com Pedro Miguel Ramos, convenceram os mais difíceis.
Mas não podia faltar nesta lista uma loira explosiva, diabólica, destruidora de lares, meretriz dos seios grandes, ícone da Luxuria. Seu nome Marisa Cruz - ai Jesus !!!

Mas de longe aquela que no meu caso pessoal mais me encanta e fascina é Silvia Alberto. Dona de um beleza invulgar, um olhar doce com um misto de perigo, um sorriso confiante e terno, uma irreverência própria da idade, uma voz adocicada e um sinal provocante, é provavelmente no efémero, a actual namorada de Portugal. Quem será a próxima? Aceitam-se apostas !!!

António Cipriano

segunda-feira, outubro 18, 2004

Comentário aos Resultados das Eleições Regionais

Primeiro, gostava antes de mais referir que, para se fazerem sondagens assim, não vale a pena, porque apenas demonstra incompetência e talvez alguma falta de isenção. Digo isto porque, andarem a dizer durante 3 semanas que a coligação se estava a aproximar do P.S., afirmando inclusivamente na última semana, que havia a possibilidade de vitória da coligação e que certamente o vencedor nunca seria com maioria absoluta, demonstra duas coisas, primeiro que as sondagens têm a validade que têm, depois que a incompetência nas sondagens no que diz respeito aos Açores foram por demais evidentes, demonstrando talvez a vontade dos inquiridores em vez da vontade dos eleitores.
Uma esmagadora vitória do P.S., nos Açores, quase igualando o melhor resultado de sempre do P.S.D. nos tempos de Mota Amaral, uma vitoria que deu a maioria absoluta ao P.S. e um sinal claro do que pensam os Açorianos da coligação governamental. Quanto à coligação perdeu desta forma por isso mesmo, porque penso que se os partidos que formam a coligação tivessem ido para eleições separados talvez a derrota não tivesse sido tão grande, pelo menos no que diz respeito ao P.S.D..
Na Madeira, pelo que vi na televisão, Alberto João Jardim sem surpresa ganhou, mas desta vez com uma menor diferença no número de deputados em relação ao P.S., mas mesmo assim com uma vitoria clara de Alberto João Jardim (não digo vitória do P.S.D. porque.....), e assim lá teremos mais 4 anos de Alberto João Jardim, ou seja se tudo correr normalmente, vai conseguir chegar ao 30 anos de governação, ficando então só a faltar 18 anos para conseguir bater o recorde da outra ditadura que tivemos no país.
Vi também na televisão o discurso de Santana Lopes, foi um discurso académico, bem preparado, de forma a que não se reforce a ideia de derrota, o discurso do P.S., além do discurso de vitória, foi um discurso que bateu na tecla do costume, que estas eleições são uma lição e que o governo deve tirar as devidas ilações. O discurso do P.P., foi um discurso realista, dizendo que as eleições não foram boas para o partido, que foram uma derrota e um retrocesso. Mas eu preferia ver o Paulo Portas a dizer isto em vez do número dois do partido, porque começo a ficar com a impressão que Paulo Portas só dá a cara quando as coisas correm bem ao partido, ou para anunciar medidas demagógicas (mas pode muito bem ser só mau feitio da minha parte).
Para terminar apenas quero deixar uma nota, para uma asneira do costume na nossa comunicação social do continente, a certa altura na apresentação do perfil de Carlos César feito pela RTP, diz a narradora a certa altura: “ Carlos César, nasceu em Ponta Delgada e viveu nessa Ilha até...”, pessoal Ponta Delgada não é nenhuma Ilha, Ponta Delgada é uma cidade que fica na Ilha de São Miguel.


António Manuel Pinto Silvério Guimarães

domingo, outubro 17, 2004

Olegário Benquerença



O que dizer de um árbitro que resolve um jogo? Que não assinala três penalties claros? (puxam a Karadas; tentativa de agressão de Pepe e depois puxão do mesmo jogador a Karadas e por fim mão de Ricardo Costa) O que dizer do seu colega fiscal de linha, perdão arbítro auxiliar que não vê um golo que entrou meio metro dentro da baliza e ainda bate no poste, na parte de dentro do poste? O que dizer deste mesmo anormal que não vê um puxão de Areias sobre Geovanni? Pessoalmente acho que só existe uma solução possível, a irradiação deste árbitro e da sua equipa de arbitragem. Isto que se viu hoje no Estádio da Luz é o inverter vergonhoso do rumo dos acontecimentos e mal empregado o dinheiro que os árbitros recebem e que não sendo profissionais não é assim tão pouco pois a grande maioria dos portugueses não ganham nos seus trabalhos tanto quanto um árbitro ganha por jogo de noventa minutos e se verificarmos que podem arbitrar quatro jogos da SuperLiga por mês, imaginemos o dinheiro dado a este cultivo da mediocridade. Quando um jogador falha disciplinarmente é punido. Os árbitros, a bem da transparência também têm de ser. Um comentador da rádio referiu que nunca tinha dado um ZERO a um árbitro mas que este tinha de receber. Tenho dito.

PP

sábado, outubro 16, 2004

Primeiro Assalto

Não no Madison Square Garden de Nova Iorque, mas sim no recinto da Assembleia da Republica, na passada quinta feira assistimos ao primeiro assalto pelo titulo nacional de primeiro ministro.

Do lado direito do ringue, Pedro Santana Lopes, campeão em titulo via jogada dos bastidores. Detentor igualmente, dos títulos de pesos pesados da Figueira da Foz, do Túnel do Marquês, do Sporting, e de comentador desportivo.
Santana Lopes conhecido pelos seus golpes arriscados, pela sua popularidade na classe feminina, e pela sua teia de relações no mundo do futebol.

Do lado esquerdo do ringue, José Socrates, recente campeão socialista. É a sua primeira luta pelo titulo nacional. No seu palmares tem um conjunto de vitórias por KO sobre Manuel Alegre, João Soares e Elisa Ferreira, e os títulos regionais de campeão da co-incineração e do Discurso Vazio. Conhecido pelo seu grito mortal “Esquerda Moderna” , pelos seu golpes ultra-tecnologicos – “Teleponto e Novas Fronteiras”, e pelos fatos Armani.

O primeiro assalto foi equilibrado, embora com um pequena vantagem para Santana Lopes ao conseguiu evitar de Socrates o temível golpe “Marcelo Rebelo de Sousa”. Igualmente, Socrates foi prejudicado pela Liga não ter permitido, neste primeiro assalto o uso do master-golpe - Teleponto
Aguardarmos com expectativa os próximos assaltos.
António Cipriano
John Kerry


Os quatro temos clubes diferentes, assuntos de interesse diferentes, mas numa coisa concordamos, John Kerry para presidente dos USA.

PP
Vicente Araújo


Para quem não conhece o nome, o que não é difícil de acontecer, este é o presidente da Federação Portuguesa de Voleibol, que hoje inicia o seu campeonato da Divisão A1, desfalcado de alguns internacionais portugueses, fruto do trabalho desenvolvido na selecção nacional., tendo sido contratados por equipas estrangeiras. Não conhecendo pessoalmente Vicente Araújo, tenho dele uma ideia de pessoa séria, amante da sua modalidade e inteligente com a contratação do melhor treinador de Voleibol do século XX, Juan Diaz. Infelizmente este último não pode permanecer em Portugal, mas tenho a certeza que deixou o seu legado. A “culpa” deste desenvolvimento da modalidade tem de ser atribuído ao seu presidente. Pena não existirem mais presidentes de federações e ligas ditas profissionais como Vicente Araújo.

PP
360 ou 180 º


Esta foi uma semana muito complicada para mim com o regresso aos tempos de estudante. De uma semana para a outra, vejo-me a ir e a vir todos os dias úteis da semana de Caldas para Lisboa e de Lisboa para as Caldas. Pode-se dizer que a minha vida deu uma volta de 180º. Mesmo assim, sempre que penso nisso, não me posso esquecer da estória daquele ex-futebolista português que afirmava que a sua vida tinha dado uma volta de 360º.


PP

sexta-feira, outubro 15, 2004

Campanha Regional Nos Açores

Tive ontem oportunidade de assistir a um discurso por parte do actual Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César ao vivo e a cores (fui obrigado visto que o discurso foi a 50 metros da minha casa). Um discurso simples, fácil de escrever e ainda mais fácil de assimilar por parte dos eleitores. Dizendo tudo o que fez de bom, apostando na continuação do desenvolvimento do arquipélago com os actuais projectos, atirando farpas à campanha da coligação, fazendo as habituais promessas que soam sempre tão bem aos ouvidos dos eleitores, falando também nos pontos da “praxe” que são a cota leiteira e as pescas. De qualquer forma, pelo que tenho visto, parece-me que Carlos César tem um discurso um pouco mais coerente que o actual cabeça de lista da coligação, Victor Cruz, cujo discurso apenas tem como objectivo atacar o actual Presidente do Governo Regional e é aqui que ele perde, porque quanto a ideias e projectos para os Açores, ele não apresentou grande coisa, apenas algumas ideias “clichés” (cota leiteira e pescas) e alguns pontos pouco concretos sem grande consistência, ou seja, como referi antes prefere sempre os ataques directos a Carlos César e ao seu governo regional.
De qualquer forma parece que os dois principais lideres se estão a esquecer de referir algumas coisas que seriam interessantes, como o grave problema da toxicodependência, que era um ponto que o Victor Cruz poderia utilizar, algo que lhe daria bastantes votos, mas era algo que exigiria muito trabalho, uma grande vontade e os dois preferem tapar os olhos com a peneira do que a comprometerem-se com algo que depois seria tão difícil de cumprir.
Quanto aos outros partidos, fazem aqui o que fazem no continente, tentam ganhar alguns votos de forma a ter algum peso para qualquer eventual coligação, sendo que desta vez terá mais um partido visto que o Bloco de Esquerda vai pela primeira vez, concorrer ao Governo Regional dos Açores.
As sondagens dão uma ligeira vantagem ao P.S., de qualquer forma, ganhe quem ganhar, é quase certo que será com uma pequena margem o que depois poderá trazer problemas, porque não acredito que eles arranjem plataformas de concertação para a boa governação dos Açores, sendo muito mais provável que a Assembleia Regional sirva apenas como campo de batalha para a politiquice barata.
António Manuel P. S. Guimarães

quarta-feira, outubro 13, 2004

Guiné Bissau

Nas Agencias de Viagens, o inicio de Outono é marcado por um corrupio de clientes solicitando programas de turismo para a Guiné Bissau, de modo a poderem presenciar as já célebres revoltas militares de outono. Os militares da Guiné, no âmbito de uma política devidamente planeada e organizada em estreita cooperação como o ministério do turismo e as agencias de viagens internacionais, traçam com antecedência os planos para a revolta militar de cada ano.
Os turistas percorrem os circuito – Embaixada de Portugal – Paiol militar de Brá – Quartéis de Bissau – Visita aos feridos no hospital central de Bissau - Percurso radical, da troca de tiros na zona do mercado municipal e na sede do governo.

Este ano, mais uma vez a revolta militar foi um sucesso, com as tropas na ruas, a morte dos chefes militares do exercito, os receios dos estrangeiros.
Pena mesmo só, a não participação este ano de dois dos grandes animadores turísticos, Nino Vieira e o Homem do Barrete Vermelho, Kumba Alá
António Cipriano

segunda-feira, outubro 11, 2004

Eleições Regionais na Madeira


O PS numa tentativa desesperado de pelo menos não ter uma derrota humilhante como sempre, apostou forte.

Todos os comícios, para além do discurso do líder do PS Madeira que mem os militantes socialistas conhecem, apresenta como cabeça de cartaz, a musica de Quim Barreiros. Ao som de “Chupa Teresa”, “O mestre de Culinária”, “Quero cheirar teu Bacalhau”, lá se vão animando os populares, como que dizendo - o PS também é divertido, e pitoresco. No intervalo do concerto lá se dizem meia dúzias de verdades sobre o (des)governo de Alberto João Jardim.

Já o PSD Madeira, apostou na continuidade, ou seja no populismo extremo, com muitas ofensas, banalidades e cantorias. Como inovação só mesmo o Circo Cardinalli. Em cada comício do PSD Madeira, malabaristas, domadores de leões, trapezistas, adocicam a populaça para o grande momento da noite – A Actuação do grande palhaço, Alberto João Jardim.
António Cipriano

sábado, outubro 09, 2004

Ricardo



Depois do brilhante empate de Portugal no Liechtenstein, Ricardo foi o jogador mais em foco. Ele está prestes a assinar o contrato da sua vida. Não, não se trata de um clube de futebol que queira encher os cofres do clube de Alvalade, mas as marcas Planta, Flora, Becel, Matinal, Vaqueiro estão todas a procurar contratá-lo para os seus próximos contratos publicitários.

PP
E o segundo debate não resolve nada


Em St. Louis, realizou-se esta noite o segundo debate nacional da campanha eleitoral nos EUA. No primeiro debate, Kerry surpreendeu pela positiva (esteve calmo, demonstrou conhecimento dos temas em debate, foi mais claro nas suas respostas) e Bush pela negativa (essencialmente por não conseguir esconder alguma frustração e irritação). O resultado foi imediato: a vantagem que o Partido Republicano herdou da sua Convenção esfumou-se e o "caos" caíu novamente sobre as sondagens.
Este segundo debate, de formato bastante diferente do primeiro (um formato mais informal, digamos), foi mais incisivo sobre determinados assuntos, mas menos claro em relação ao vencedor. Iraque, terrorismo, draft militar, saúde, política fiscal, foram os principais assuntos em debate. E foi um debate mais vivo que o primeiro, no sentido em que ambos os candidatos resolveram "tirar as luvas" e serem mais agressivos, particularmente o actual presidente. O primeiro debate teve em Kerry um vencedor claro e isso teve efeito sobre as sondagens, mas a sensação que fica em relação a este segundo debate é a de que, para além da necessária clarificação em termos de algumas posições, ele não irá alterar o rumo dos votos.
O pós-debate também é importante, muito por causa do hábito delicioso que existe na política americana de utilizar "spin doctors" conhecidos para darem as suas opiniões (leia-se defender a performance dos seus candidatos) junto das televisões. Hillary Clinton e George Pataki foram dois dos nomes mais omnipresentes esta noite junto das televisões norte-americanas. Não deixa de ser interessante: ambos são apontados como podendo concorrer à Casa Branca já em 2008, pelos seus respectivos partidos.
Um aparte: Barack Obama é um nome a observar, um jovem político inspirador de massas em rápida ascenção na política americana.
Esperemos então pelo terceiro e final debate. E, já agora, vejam os dois clips cómicos em http://www.jibjab.com/ ("This Land" e "Good to be in DC").
João Pedro

sexta-feira, outubro 08, 2004


Quanto à saída do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa


Confesso que não era um telespectador assíduo dos comentários do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, não por não gostar de o ouvir, (porque ele é uma pessoa com uma capacidade intelectual genial, que tomara muitos políticos no activo terem), mas por não gostar da TVI. Mas de qualquer forma fiquei triste por saber que ele vai deixar de colaborar com a TVI, deixando um vazio muito grande nos comentários de opinião de qualidade na televisão nacional e eventualmente o único motivo de interesse que a TVI ainda tinha. Gostava de saber qual terá sido a conversa que ele teve com o director geral da média capital, para tomar esta posição, mas penso que a ser verdade “aquilo que se diz”, o director geral da média capital nunca devia ter cedido às pressões, correndo o risco de tirar ainda mais crédito ao seu canal de televisão. A causa de todo este problema está nos comentários infelizes de um responsável do governo, que demonstra que o governo não sabe aceitar criticas e sinceramente fica a ligeira impressão que tem o dedinho na saída do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, o que a ter acontecido poderá abrir um grave precedente no que diz respeito na liberdade de consciência em Portugal.
Gostava também de saber o resultado da conversa que houve entre o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e o Presidente da República no dia 7 de Outubro, visto que é mais que óbvio que o tema desta conversa foi sobre este estranho caso de "pseudo-censura".
António Manuel Pinto S. Guimarães
“Mais Respeito!”

Este foi o pedido feito pelo ministro da defesa e assuntos do mar, quando estava a comentar as criticas feitas ao subsidio que o seu ministério passou a dispor aos antigos combatentes da guerra do ultramar. Ele pede mais respeito pelo esforço feito pelo governo para conseguir criar este subsidio, dizendo que para quem vive com dificuldades, este subsidio será mais um cheque no fim do ano! Porque afinal é disso mesmo que se trata, de um cheque a mais no fim do ano, com um saldo que não chega nem pouco mais ou menos sequer a um ordenado mínimo nacional, ele pede mais respeito quando foi ele com este subsidio, que faltou ao respeito para com os antigos combatentes do ultramar, homens que foram para uma guerra, sem saberem para onde iam, sem que ninguém lhes tivesse perguntado se queriam ir, sabendo apenas que eram obrigados a lutar numa guerra cuja probabilidade de não regressarem vivos era elevada. Obrigados a lutar numa guerra porque o Estado Novo no meio da sua insanidade ditatorial assim o determinava, pois das colónias dependia a sobrevivência da ditadura. Escudados numa revolução e num novo regime, os governantes que vieram depois do 25 de Abril de 74, no seu processo de “fazer de conta que nunca houve guerra”, preferiram fechar os olhos e marginalizar os combatentes, porque isso era sempre mais fácil do que pagar aquilo que era devido, nem ao menos fizeram com que o tempo desperdiçado na guerra contasse como tempo de serviço para efeitos de reforma.
Já em 2002 quando estávamos na campanha eleitoral muitas vezes ouvimos Paulo Portas a dizer que ia criar este subsidio, depois de entrar no governo disse que ia lutar por este subsidio, e de facto conseguiu cria-lo, consegui um subsidio miserável, que apenas é mais uma achega na falta de respeito que os nossos governantes têm tido para com os nossos ex-combatentes do ultramar. Para isto senhor ministro mais valia a pena ter estado quieto e ignorar também os ex-combatentes, porque a serem ignorados já eles estão habituados, mas quanto a serem gozados penso que é novidade.



António Manuel Pinto Silvério Guimarães
Eleições Regionais nos Açores


Carlos César presidente em exercício do governo regional dos açores, e candidato do PS à reeleição, prometeu num comício eleitoral, criar no arquipélago uma rede de auto-estradas SCUT totalmente gratuitas.Trata-se de mais uma medida de Carlos César visando diminuir as distancias entre as ilhas. Estou já a ver, a SCUT A1, entre São Miguel e a Terceira, e a A2 entre o Corvo e as Flores.

Quanto ao PSD, o líder Regional Vítor Cruz vem apostando num “Franchising” de Alberto João Jardim, distribuindo beijos e mais beijos, e cantando nos comícios.
Assim vai a política insular.

António Cipriano
O Pêndulo de Foucault


Confesso que fui mais um dos muitos que leram o Código Da Vinci, um livro com um bom ritmo que prende um leitor, possivelmente até aqueles que não estão habituados a ler. Depois de o ter feito, por influência de amigos meus, li no mês passado O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco, um livro editado em 1989, que aborda temas muito semelhantes ao Código Da Vinci. A Wikipedia refere-se inclusive ao Pêndulo de Foucault como o Código Da Vinci para o homem pensante. E, finda a leitura, é mesmo essa impressão que perdura. A ambiguidade do livro, as múltiplas referências bibliográficas em que qualquer leitor pode ir à procura desses livros e estudá-los, transforma o Pêndulo de Foucault em mais do que um romance. A ironia de Umberto Eco é deliciosa transformando um livro de quinhentas e sessenta páginas numa leitura agradável.


PP

quinta-feira, outubro 07, 2004

Censura

Ao longo de quatro anos e meio, Marcelo Rebelo de Sousa com a sua sessão dominical, diminiu o fosso entre a política e os portugueses, conseguindo de uma forma pedagógica, explicar com palavras simples, os problemas que ao país e o mundo se colocam.
Marcelo no seu estilo próprio, para além de esclarecer os portugueses, foi sistematicamente, e dando corpo ao principio constitucional da liberdade de expressão, elogiando personagens e instituições, bem como criticando todos aqueles que no seu ponto de vista mereciam ser repreendidos pelos seus actos.
Marcelo, criticando corrosivamente primeiro o governo socialista de Guterres, e depois os governos do PSD, em particular o de Santana Lopes foi criando inimizades, anticorpos que o fizeram uma personagem pouco querida dos círculos de poder, mesmo dentro do seu partido.
À verdade é que Marcelo, com os seus comentários criou junto da opinião publica uma áurea de credibilidade e respeito, mesmo quando exagerava em algum comentário.

Este governo, deste o inicio que demonstrou pouca tolerância à diferença de pontos de vistas, mas nunca se esperava que chegasse a este ponto. Rui Gomes da Silva, personagem sombria, tenebrosa, caricata, pouco inteligente, apalhaçada, cuja única virtude é ser amigo de sempre de Santana Lopes, utilizando um discurso salazarento, tentou “silenciar”, Marcelo. O PSD sempre foi um partido liberal, democrático, em que a profusão de opiniões é uma das suas riquezas. Hoje, pela mão de Santana Lopes e dos seus gorilas, está a tornar-se um partido de boys, com o qual não me reconheço. Sei que este caminho será breve. Santana Lopes ou ganha juízo, volta aos caminhos da credibilidade, do sentido de estado, que o PSD sempre habituou os portugueses, ou será recordado pelo partido como um erro de casting, como a ovelha negra da história do Partido. Santana ainda está tempo de mudar de comportamento.
Quanto Marcelo, saiu de vitima perante a opinião publica. Os portugueses não o esquecem. Marcelo com este episódio esta mais vivo politicamente que nunca.
António Cipriano

quarta-feira, outubro 06, 2004

Marcelo Rebelo de Sousa


É com tristeza que vejo ser anunciado o cessar imediato dos comentários do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, depois de quatro anos e meios. E a minha pena é ainda maior pelo facto se ter sido durante a maior parte do tempo a única mais valia da TVI. Apenas recentemente com a passagem dos jogos da SuperLiga é que a TVI apresentou outra mais valia. Pelos vistos, duas mais valias era já muito para um canal como a TVI. Já agora, alguém sabe onde anda a liberdade de expressão por estes dias? Pelos vistos ela não anda com Santana Lopes.

PP
12 anos de Televisão Privada

Comemoramos hoje, 12 anos de Televisão Privada. Em 1992, as expectativas eram mais que muitas. Todos esperávamos, uma televisão diferente, mais abrangente, com informação credível, não manipulada pelo poder político, o reforço da ficção nacional e as grandes series internacionais.
A verdade é que 12 anos depois, o panorama televisivo em Portugal é bem pior. Cedendo ao populismo fácil, à brejeirice, à ignorância, temos hoje, com o contributo especial da TVI, uma televisão de terceiro mundo.
Quanto à RTP, depois de anos de travessia do deserto, do agudizar do défice, da copia do pior das privadas, tem vindo recentemente a trilhar melhores caminhos, apostando numa programação mais equilibrada, mais consentânea com o conceito de serviço publico.

Boa Televisão existe, mas no cabo. SIC Notícias, SIC, Radical são bons exemplos, infelizmente só acessíveis a uma minoria de privilegiados.

António Cipriano

terça-feira, outubro 05, 2004

Rússia e Quioto


Não deixou de ser um pouco inusitado ouvir a notícia de que o governo russo resolveu ratificar o protocolo de Quioto, após vários avanços e recuos (os conselheiros de Putin desaconselharam-no a tomar esta decisão, por questões conexas à competitividade económica). Embora eu não me considere especialmente sensível em relação às questões ambientais, a verdade é que se torna necessário ver este desenrolar de acontecimentos com optimismo.
A Rússia é responsável por cerca de 17% das emissões de dióxido de carbono a nível mundial e esta adesão significa, finalmente, o que parecia uma miragem: o protocolo tem agora as condições necessárias para entrar em vigor.
Mas não se trata só disso, trata-se também de uma forma de "pressão" sobre o governo americano. É largamente sabido que os EUA resolveram abandonar o protocolo em 2001, o que criou autênticas ondas de choque internacionais em protesto por tal decisão "egoísta" (atrevo-me a chamar-lhe isso). Agora os EUA ficam mais pressionados do que nunca, mais isolados, face a esta decisão russa; sabemos também que é costume que o governo americano decida agir de forma isolada, sem impedimentos ou remorsos. Mas estamos também em ano de eleições, e este tornou-se, de repente, um tópico que importa novamente trazer à discussão política nos EUA.
João Pedro

segunda-feira, outubro 04, 2004

País das Pontes

Portugal já tinha uma Ponte 25 de Abril, uma Ponte Vasco da Gama, uma Ponte da Arrábida, uma Ponte D. Maria. Hoje foi inaugurado a Ponte da Tolerância e Produtividade.

Efectivamente, em consonância com as palavras em tom de “Conversa em Família” de Bagão Felix, o país precisava de trabalhar com afinco, de lutar contra o desperdício, de incorporar o valor da Produtividade. Para a concretização destes objectivos, o Primeiro Ministro lançou hoje mais uma medida para a produtividade da função publica, em especial do subsector do ensino, com a promulgação da Tolerância de Ponto no dia de hoje.

Para completar o ramalhete, Carvalho da Silva, intrépido defensor dos trabalhadores, contra a exploração destes, pelo patronato, mostrou-se contra a tolerância de ponto

Às vezes penso que vivemos num país de esquizofrénicos !!!!

António Cipriano


domingo, outubro 03, 2004

Turquia na U.E
Uma das primeiras e mais difíceis deliberação de Durão Barroso na Presidência da Comissão Europeia, prende-se com a decisão, da possível adesão da Turquia à União Europeia, no Conselho Europeu de 17 de dezembro.

A Turquia é um monstro de 75 Milhões de Habitantes e de 800.000 km2, em que grande parte do seu território se situa na Ásia. O PIB per capita representa 26,5 % da media comunitária, 99% da população é muçulmana, e onde existem ainda graves falhas ao nível dos direitos humanos.
Numa analise simplista, e baseado-se no facto da Turquia ser um país de cultura Islâmica, tradicionalista, com um grau de desenvolvimento económico, social e educativo ainda muito rudimentar, a decisão a apontar seria um NÃO categórico.

No entanto, nas questões de geopolítica nada é tão fácil. Desde 1960 que a Europa Ocidental vem acenando, prometendo para um futuro próximo, a adesão da Turquia à U.E. De lá para cá, já passaram mais de 40 anos. A Turquia pacientemente e considerando a adesão à U.E um desígnio nacional, tem vindo a fazer um esforço progressivo de aproximação à Europa, no que diz respeito aos sistemas económico, legislativo e penal. Aliás, desde Atatürk a Turquia optou por ser um estado laico, com a consequente separação entre a religião e o estado. A Turquia é Membro da NATO, do Conselho da Europa, e até os seus clubes de futebol participam nas competições Europeias.
Obviamente que a Turquia ainda tem muitas mudanças a operar, nomeadamente na aproximação do código penal ao modelo europeu, no respeito dos direitos humanos, no respeito pelas minorias (população curda). No entanto, no meu entender a Europa não pode negar à Turquia a adesão a U.E, só porque é um país de religião diferente.
Deve estabelecer um conjunto de critérios. Se esses critérios forem cumpridos, cabe à Europa receber a Turquia de braços abertos com mais um irmão no projecto Europeu.

O Não à Turquia, seria um descalabro para a próxima Europa. Depois de tantas expectativas criadas, ao longo de tantos anos, a Turquia mergulharia mas mãos do Fundamentalismo Islâmico. A população viria que todos os sacrifícios não teriam valido apena. À Turquia só lhe restava enveredar pelo caminho da Síria, do Irão, da Arábia Saudita, tornar-se um Estado asiático e islâmico.
Ou seja a Europa passava a ter às suas portas um barril de pólvora, um ninho de terroristas, dispostos a aniquilar a Europa.
A Europa deve ver a Turquia como um grande desafio, como uma oportunidade de construir um projecto multicultural, multi-étnico, de fronteiras alargadas, democrático e tolerante, e economicamente poderoso. Só assim ,teremos uma Europa como uma potência mundial, forte, capaz de fazer frente, economicamente e politicamente aos E.U.A é à China.
António Cipriano


sábado, outubro 02, 2004

Companhias Duvidosas

Manuel Seabra e Narciso Miranda, em virtude dos acontecimentos na lota de Matosinhos que objectivamente foram indutores da morte do Professor Sousa Franco, foram impedidos de concorrer a cargos políticos pelo PS.

No entanto, quer Manuel Seabra, quer Narciso Miranda, marcaram presença no congresso do PS. Segundo noticiava a Sic Noticias, tudo leva a querer, que estes serão eleitos membros do Concelho Nacional do PS, com os votos dos correligionários do novo Secretário Geral

Onde está a moral do PS? É assim que se presta homenagem ao professor Sousa Franco? É com figuras ridículas, perigosas que representam o pior da política, nos órgãos nacional do PS, que o partido se apresenta aos olhos do portugueses como alternativa de Poder?
Por este caminho, cedendo à logica do poder pelo poder, ainda vamos ver Narciso ou Seabra candidato à Câmara de Matosinhos

António Cipriano

sexta-feira, outubro 01, 2004

Taça UEFA



Ontem foi dia de competições europeias para cinco equipas portuguesas. Benfica venceu de forma fácil o mais frágil opositor com uma equipa de reservas. O Nacional foi inexperiente, perdendo com um Sevilha superior. O Sporting de Braga foi uma desilusão. Perdeu com um clube escocês do meio da tabela e pode-se mesmo referir que é do meio da tabela visto que o campeonato escocês tem dez equipas. Apesar de ser superior, o Braga não conseguiu mais do que um empate. Não é de estranhar, afinal o seu treinador é um medroso Jesualdo Ferreira que não sabe jogar para ganhar, apenas para não perder. O Marítimo do meu ex-professor de Futebol na faculdade, Mariano Barreto está de parabéns. Perante um grande europeu fincou o pé e só caiu nos penalties.
O maior destaque no entanto tem de ir para o Sporting. Empatar fora sem golos e a jogar com o central Hugo é obra. No entanto nem tudo está bem no reino do leão, ou melhor, nada está bem. José Peseiro é um bom treinador para um pequeno clube, mas ainda nada tinha provado para ir treinar o Sporting, apesar deste ter mantido praticamente o mesmo plantel que na época transacta. Ele foi muito imfeliz ao dizer que achava o plantel à sua disposição o melhor do campeonato português por diversas razões que se podem enumerar algumas:
- esse plantel tinha ficado em terceiro lugar;
- o campeão português foi campeão europeu enquanto o Sporting perdeu com uns desconhecidos turcos;
- a inadequação da táctica de Fernando Santos, erro que continua a ser perpetrado por Peseiro;
- o desiquilibrio das alas, onde o Sporting não tem extremos, nem num lado nem no outro, apenas adaptações.
Não sei bem qual foi a intenção de Peseiro ao assumir que tinha o melhor plantel, talvez incentivar os jogadores, mas seja qual a intenção foi errada. Um plantel pertence a um clube e num clube desta envergadura não se podem dizer palavras que fiquem impunes, pois cria expectativas nos dirigentes de igual forma. Culpado para a crise do Sporting no campeonato português, nunca foi tão fácil culpar uma só pessoa, visto que a crise ainda não acabou, em cento e oitenta minutos o Sporting não marcou um único golo.

PP