Crónica de uma Morte Anunciada
Era uma vez um partido português já bem velhinho, de cabelos brancos, marcado por uma história de anos e anos, de luta ora nas sombras da clandestinidade, ora no saudosismo de um passado sem presente. Era um partido de convicções fortes, baseadas nas barbas das ideologias de Marx e Lenine, que procurava provar ao povo, aos oprimidos da sociedades ocidentais capitalistas, que existia a esperança numa sociedade igualitária, sem fome, sem medo, com cultura, com conhecimento, capaz de dar ao homem uma felicidade eterna.
Era uma vez um partido português já bem velhinho, de cabelos brancos, marcado por uma história de anos e anos, de luta ora nas sombras da clandestinidade, ora no saudosismo de um passado sem presente. Era um partido de convicções fortes, baseadas nas barbas das ideologias de Marx e Lenine, que procurava provar ao povo, aos oprimidos da sociedades ocidentais capitalistas, que existia a esperança numa sociedade igualitária, sem fome, sem medo, com cultura, com conhecimento, capaz de dar ao homem uma felicidade eterna.
Com o passar dos anos e com o desenrolar dos acontecimentos, a mascara de sociedade ideal ruiu. Afinal o mundo de sonho, não passava de um pesadelo infernal, em que apenas uns eram mais iguais. Os outros, que ousavam discutir a suposta igualdade, marchavam para “colónias de ferias” na Sibéria para tratamentos ideológicos.
Mas como a mentira, a opressão, por mais vil tem sempre um fim, em 1989 primeiro na RDA e depois em todo o leste, o dito paraíso infernal terminou não por imposição do ocidente, mas pela vontade das suas gentes.
Em Portugal esse partido em vez de enfrentar a realidade, preferiu simplesmente enterrar a cabeça na areia, negar a realidade, como um doente mental. Como sintoma da sua patologia, muitos obreiros do partido partiram procurando novos rumos.
Hoje, finais de 2004, o partido tomou a derradeira opção pela morte. Prefere o fim a viver a realidade. Esta opção passa pela escolha como cangalheiro de elevada estatura, cabelos grisalhos, olhar fundo sombrio e melancólico, sorriso maquiavélico, discurso sisudo, confuso, ultrapassado, rijo, sob o perfil de operário popular.
Mas como a mentira, a opressão, por mais vil tem sempre um fim, em 1989 primeiro na RDA e depois em todo o leste, o dito paraíso infernal terminou não por imposição do ocidente, mas pela vontade das suas gentes.
Em Portugal esse partido em vez de enfrentar a realidade, preferiu simplesmente enterrar a cabeça na areia, negar a realidade, como um doente mental. Como sintoma da sua patologia, muitos obreiros do partido partiram procurando novos rumos.
Hoje, finais de 2004, o partido tomou a derradeira opção pela morte. Prefere o fim a viver a realidade. Esta opção passa pela escolha como cangalheiro de elevada estatura, cabelos grisalhos, olhar fundo sombrio e melancólico, sorriso maquiavélico, discurso sisudo, confuso, ultrapassado, rijo, sob o perfil de operário popular.
António Cipriano