
Ancião fora de prazo
Era uma vez, um velho ancião octogenário, o qual era respeitado e admirado por todo a nação pelo seu papel de guardião dos valores da liberdade e democracia. O velho ancião tinha tido uma vida preenchida. Fora na sua juventude um combatente por ideais nobres. Lutou, sofreu, teve derrotas, alcançou conquistas. Desempenhou as maiores funções no estado, sendo primeiro ministro e presidente da nação, responsável em muito, pela integração do país no mundo moderno da construção europeia. Todos, inclusive os adversários aprenderam a respeitar, e a ouvir as suas opiniões.
Todavia o velho ancião, talvez por fruto das maleitas psicológicas da idade, e não compreendendo a verdadeira essência dos novos tempos, insistia em ter um papel activo, mesmo preponderante nos assuntos da nação. Quando já ninguém acreditava, qual velho rabugento, queria aos oitenta e um anos voltar ao poder. Enfim, acreditava na sua ilusão que o mundo era o mesmo de há vinte, trinta anos. Alguns dos mais novos, ora por pena, preferiam não contrariar o velho ancião embarcando na mesma ilusão; ora por simples conveniência , e oportunismo de quem quer manter às influências e poder custe o que custar, davam força ao sonho tardio do octogenário.
Quanto ao povo, este estava consciente que apesar do papel histórico do velho ancião, este representava somente o passado, e não o presente, muito menos o futuro.
Alguns contudo, e respeitando a velha máxima de não abandonar o mais idosos, continuavam a apoia-lo nesta sua aventura sem futuro. Todavia muitos preservavam o futuro! E sabiam que este para ser real, promissor, exige raízes sólidas, firmadas não em ilusões efémeras.
Bem o fim deste história apesar de obvio, está ainda por escrever. Esperamos somente que o povo saiba de facto escolher o futuro.
António Cipriano




























