sexta-feira, março 28, 2008

Semi-Oposição

Referindo-me particularmente ao PSD, não deixa de ser interessante que a actual direcção do partido, quando deveria criticar a acção do governo, não o faz. Quando não deveriam dizer nada, fazem-no.

Exemplo desta segunda situação foi a reacção à baixa de um dos escalões do IVA em 1%. O PSD acusou o governo de eleitoralismo. Portanto, se o governo aumenta um imposto, está a proceder mal, mas se o baixa está a ser eleitoralista.

O que o PSD se esqueceu de mencionar foi o seguinte: a baixa do IVA, ainda que modesta, surge como reacção ao valor do défice orçamental de 2007, que se cifrou em 2,6% do PIB (dados da Comissão Europeia, INE e Banco de Portugal). Mais do que isso, trata-se do valor mais baixo do défice orçamental em Portugal, em 30 anos. Não, não é um engano, em 30 anos. Há 30 anos que as finanças públicas nacionais não apresentavam um resultado tão bom.

Para além disso, as regras orçamentais impostas por Bruxelas (défice orçamental < 3% do PIB) são finalmente cumpridas. Tudo isto sem recorrer às famigeradas receitas extraordinárias.

Desde 1977 que Portugal não registava um saldo orçamental tão bom como o de 2007. E o PSD vem falar em eleitoralismo?

João Pedro
Democracias mais ou menos perfeitas

A propósito de uma conversa que tive recentemente sobre o facto de uma democracia ser mais ou menos perfeita, e nomeadamente em relação à democracia Portuguesa e à democracia norte-americana, veja-se em baixo o ranking anual publicado pela reputada revista The Economist. Note-se que a The Economist é britânica, não é norte-americana. Carregar na imagem para ver a mesma em grande:



















João Pedro

quinta-feira, março 27, 2008

Estreitamento de relações diplomáticas Inglaterra - França

Fica patente que a relação entre os dois países vai de vento em popa.




















João Pedro

terça-feira, março 25, 2008



O cúmulo da tributação

Todos conhecemos a fúria tributária deste governo que procura no trabalho e no esforço individual a sua fonte, para os seus gastos sem sentido. Mas nunca pensei que o despautério, e a insanidade mental deste governo chega-se tão longe!!! Tributar, fiscalizar, num acção pidesca, o matrimonio!!!
Obviamente que tal medida é necessariamente indigna, desrespeitosa e imprópria de Estado de Direito. Não é preciso ser jurista para compreender a inconstitucionalidade latente de tal medida ao ferir de morte direitos fundamentais previstos nos artigos 25 e 26 da CRP, referentes à integridade moral, à identidade pessoal e à reserva da intimidade da vida privada e familiar.

A constituição prevê no artigo 21 o direito a resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias. Por isso, noivos de Portugal Resistam!!! Lutem pelos seus direitos!!

António Cipriano

sábado, março 22, 2008

3 anos de Sócrates

Na semana que passou o governo PS decidiu fazer um balanço sobre os 3 anos de governação. Entre momentos de apoteose, grandes aplausos e discursos, tudo parecia cor-de-rosa. Sócrates parecia que era o salvador da pátria. Um belo momento de propaganda como é normal nestes momentos.
Mas qual a verdade para os portugueses, para além dos cegos que torcem por um partido como se de um clube se tratasse? A verdade é simples, 3 anos de reformas, que na maioria dos casos recaíram sobre os bolsos dos portugueses. Aumentos tanto nos impostos directos, como nos impostos indirectos. Na grande maioria os portugueses perderam poder de compra e viram alguns dos direitos adquiridos a serem retirados, com a desculpa da “mudança das circunstâncias”
Este é o governo das avaliações, tudo tem que ser avaliado, não importa os critérios, por mais ridículos que sejam, importa é avaliar para emagrecer o estado. Infelizmente o governo não é avaliado todos os anos como o resto, mas sim apenas de quatro em quatro anos, senão já teria um processo disciplinar por excesso de avaliações negativas.
Na saúde o governo desde cedo fechou várias maternidades, por estarem em zonas em “que não compensa”, como se fosse possível fazer esta apreciação quando se trata da saúde de pessoas, mandou treinar bombeiros para assistirem a partos e as pessoas que vivem perto da fronteira podem ter os seus filhos em Espanha, por ser mais barato (é sempre mais barato comer na casa do vizinho). Dentro da mesma lógica de avareza salazarenta fechou também várias urgências. E desde cedo se viu o resultado desta medida, mais pessoas a falecerem a caminho do hospital, recordo o caso que se passou à dois anos em que um homem demorou seis horas a chegar ao hospital, acabando por falecer. Mesmo agora somos bombardeados diariamente com novos casos de pessoas que continuam a morrer devido à inoperância e ineficácia dos serviços de emergência que estão completamente desorganizados devido ao último modelo de organização feita por este governo.
Ministros que largam algaraviadas da pior espécie e recordo pérolas como “na margem sul jamais” frase que passou em todas os canais de televisão mas que agora Mário Lino diz que nunca disse. Curiosamente o Aeroporto mudou de lugar, fica onde antes se dizia jamais, mas o ministro do jamais infelizmente permanece. Da mesma forma mantém-se uma ministra que afirmava que este ano era de celebração devido ao aumento de alunos nas universidades e diminuição do insucesso, areia para os olhos de todos os que não sabem do que se tratou o programa novas oportunidades, em que a excelência das nossas universidades foi mais uma vez vilipendiada pela necessidade de aumentar os seus alunos para receber dinheiro de propinas, não importa se sabem diferenciar um algarismo de uma letra, importa é que é pagante. Isto aliado a sistemas com avaliação por competências acaba por levar a um total facilitísmo para fazer com que todos transitem de ano, daqui a uns anos pagamos a factura quando tivermos uma população considerável de “disléxicos adquiridos”.
Vimos a ser aplicado um novo código penal, que fez com que um número substancial de pessoas saíssem das prisões e poucos meses depois o aumento da criminalidade disparou. Coincidência? Não creio! Mais criminosos nas ruas e o jugo social cada vez mais pesado, tirem as vossas ilações.
A nível externo o governo fez um bom trabalho e dignificou o pais durante a presidência de Portugal da EU com a assinatura do Tratado Europeu, faz lembrar um rei que no exterior tinha prestígio, mas cá dentro…apenas digamos que foi assassinado e o povo não fez luto sequer. Sócrates no meio da sua hipocrisia mostrou números que mostravam que Portugal estava a melhorar isto para UE ver. Números hipócritas que mostravam a realidade em algarismos, esquecendo que os números são pessoas de carne e osso que vêm os preços dos bens de primeira necessidade a aumentar e os aumentos dos ordenados congelados.
Nestes três anos vimos um governo sempre com o mesmo discurso no parlamento, a culpa é sempre dos outros, ou seja, em três anos de sofrimento e de reformas selvagens ainda não se sentem melhorias, mais, cheiram a promessas falhadas, como aquela dos 150.000 empregos. A culpa, essa, é sempre do PSD/CDS, este governo é como aquele menino que dá um carolo no outro e quando se ralha com ele nunca tem culpa. E tem piada que nunca se lembram que Guterres governou 7 anos e que segundo o próprio, o país neste período tornou-se num pântano.
Em suma, três anos em que os portugueses perderam poder de compra e viram direitos sociais a desaparecerem, viram o desemprego aumentar (alguém se lembra dos 150.000 empregos?), mentiras sem justificações válidas, manifestações com um controlo prévio da polícia e um engenheiro técnico arrogante com tiques estranhos que nos fazem recordar um passado nada feliz.
O PS que festeje, porque só eles mesmos é que conseguem festejar perante este cenário, só eles no meio do seu autismo conseguem ver melhoras, mas o resto do país sabe que melhoras com este governo jamais.

António Manuel Guimarães

quarta-feira, março 12, 2008

Equívocos

Num momento em que o país vive sob uma enorme contestação social aos problemas da educação, justiça e emprego, Luís Felipe Menezes apresenta como grande proposta, mudar a imagem do partido (mudar a cor e o símbolo do partido).
Que líder visionário!!!! Assim não vamos lá

António Cipriano

terça-feira, março 04, 2008



Individualismo

Durante séculos, a história foi povoada por inúmeros conflitos religiosos. Ainda hoje vivemos sob a alçada de múltiplos conflitos de base religiosa. Contudo, como sempre, estes são apenas a espuma de algo mais complexo e endémico, que envolve a luta pelo controlo dos recursos naturais, ou outros interesses económicos variados.
Se analisarmos com alguma acuidade, as religiões não devem se preocupar excessivamente umas com as outras. O adversário do catolicismo de Roma, já não é as Igrejas Protestantes, ou o Islamismo, mas sim um novo fenómeno que invade crescentemente as sociedades, em especial no mundo Ocidental. Estou-me a referir, ao individualismo. Esse sim é o adversário das religiões. Cada vez mais vivemos sob um egocentrismo que renega Deus a uma indiferença total, que pugna pelo culto do prazer individual. A Igreja católica, estranhamente não entendeu este perigo. Em vez de se abrir, de se modernizar, de lutar contra o individualismo agnóstico crescente, fecha-se na sua carapaça, discutindo a reintrodução do latim na eucaristia, ou outras questões absolutamente anacrónicas. A mim o que me preocupa, não é futuro da Igreja Católica, mas sim o fim dos valores e os perigos do individualismo social. Sem valores, sem religião, desaparecem as fronteiras entre o bem e o mal. Que sociedade ficamos então?
António Cipriano

quarta-feira, fevereiro 27, 2008



Reabertura de Processo


O ministério Publico do Porto noticiou hoje estar disponível para reabrir o caso da agressão ao ex-vareador da câmara municipal de Gondomar, Ricardo Bexiga, caso este se disponibilize para receber mais um “ Enxerto de Porrada,” para agora ser possível documentar em sede de processo, a referida agressão passada.

António Cipriano

sábado, fevereiro 23, 2008

Jogos de Poder

Aproveitando algum tempo livre, que por estes dias pode encontrar, neste meu quotidiano por norma excessivamente preenchido, teve a oportunidade de ir ver o filme “Jogos de Poder”.
“Jogos de Poder”, com Tom Hanks e a deslumbrante Júlia Roberts, trata-se de uma agradável película, tocada por variados momentos de humor, sobre as peripécias de um congressista dos EUA, que para agradar aos desejos de uma bela mulher, se envolve no apoio e na luta dos mujahadins afegãos, contra a invasão soviética.
Se tiveram tempo, não deixem de ver.
António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 22, 2008



Submissão Olímpica

O conceito moderno de Jogos Olímpicos, sugere a procura da superação dos limites humanos, baseado no respeito insofismável pela condição humana nas suas múltiplas dimensões. Nos Jogos Olímpicos, pequenos e grandes estados, ricos e pobres, amigos e inimigos competem lado a lado ,numa partilha identitária de uma cultura global.
Espera-se obviamente na realização destes, um clima de total democracia e de respeito pelos mais básicos direitos dos homem.
Ora, o comité Olímpico britânico, colocou uma clausula no contratos dos seus atletas olímpicos , a qual proíbe estes de emitir qualquer opinião acerca de assuntos menos agradáveis para a Democracia Chinesa como seja, direitos humanos, liberdade de imprensa ou a ocupação ilegal do Tibete, sob pena de expulsão, dos jogos olímpicos.
É manifestamente um contra senso ao espírito olímpico, representando uma total e inaceitável submissão de uma democracia ocidental a estado Chinês ainda anacronicamente ditatorial.
António Cipriano

terça-feira, fevereiro 19, 2008



Sócrates no País das Maravilhas

Assistimos na passada segunda feira à noite, a uma sessão de absoluta construção de uma realidade paralela onde apenas o Sr. Primeiro Ministro e os seus correligionários habitam. De facto o mundo real é bem diferente.
476.000 Desempregados, aumentos constantes do pão, combustíveis, dos juros dos empréstimos à habitação, encerramento e desertificação do interior, degradação do Serviço Nacional de Saúde, Sistema de Justiça caótico e injusto – esse sim é o Portugal real em que todos vivemos; perdão, sobrevivemos.

António Cipriano


Caixa de Pandora

Com a auto-proclamação da Independência do Kosovo, a Caixa de Pandora esta aberta. O futuro no domínio da geopolítica já por si imprevisível e problemático, vai ver a realidade internacional agravada sob a sombra de novos problemas. A Independência do Kosovo é um precedente grave, que representa uma violação clara do direito internacional. Ao Contrario da Eslovénia, da Macedonia, da Bósnia, da Croácia, que eram estados sob a tutela da Federação da Jugoslávia, o Kosovo, nunca se constituiu como estado. O Kosovo, nada mais era, do que uma simples província Servia. Com a Independência do Kosovo, teremos o reafirmar das esperanças secessionistas do País Basco, da Ossessia do Norte, do Curdistão, da parte Turca do Chipe, etc. Enfim uma torrente de novos problemas.
António Cipriano

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Bombeiros Voluntários: até quando?


Algo que me fez sempre impressão em Portugal foram os Bombeiros Voluntários. Não que tenha qualquer coisa contra os Soldados da Paz, tão só acho que o trabalho que fazem deve ser remunerado e uma profissão como outra qualquer e não ser exercida com base no voluntariado. Bombeiros voluntários, pessoas que arriscam a sua vida, faz para mim tanto sentido quanto a existência de Polícia Voluntária, ou seja nenhuma. De louvar, a atitude das gentes de Arrifana, que não tendo voluntários em número suficiente, pediram ajuda aos empresários da região para remunerarem alguns bombeiros, como forma de combaterem a falta de pessoal. Até agora, são apenas cinco os bombeiros contratados, mas fica aqui a estória que pode ser o início da mudança de atitude perante os bombeiros. Estamos numa crise económica de enormes proporções, o emprego é cada vez mais escasso, o desemprego aumenta, será que não é chegada a hora de aproveitar para profissionalizar esta classe tão importante no nosso quotidiano?
PP
O tribunal do século XXI
Com pompa e circunstância, o que incluí o Ministro da Justiça, há dois meses atrás foi inaugurado em Famalição, o seu novo Tribunal, denominado pelo Ministro como o Tribunal do séc. XXI. Ora, dois meses depois, este tribunal tem um julgamento adiado por falta de espaço e tem de recorrer ao que fazia anteriormente á sua inauguração, alugar um espaço aos Bombeiros das terra. O que isto revela? Revela tão só que os ministros deste governo são tão deficitários como o Primeiro-Ministro. Como curiosidade refira-se o dinheiro despendido no "Tribunal do século XXI", nove milhões de euros do bolso dos contribuintes para uma obra que nem tem espaço para receber um julgamento considerado de dimensão média.
PP

sábado, fevereiro 09, 2008

Barack Obama

Apesar de não ser cidadão norte americano, pela particularidade da importância dos EUA no quotidiano mundial, considero absolutamente licito ter um opinião formada acerca dos putativos candidatos às presidenciais americanas.
Antes de mais e a bem de todos, os EUA necessitam quer em termos de geopolítica, quer em termos económicos, de uma mudança. Uma mudança que induza no planeta uma dose de estabilidade, consubstanciada num politica externa americana mais razoável e dotada de bom senso.

Confesso que num primeiro momento na minha simpatia ia para a senhora Clinton. Todavia a imagem de um self-made-mem, outsider, combativo, menos artificial, cheio de energia, me tem vindo a seduzir na figura de Barack Obama. Talvez esteja errado. Talvez Obama não passe de simples mas bem elaborado produto de marketing.
Mas pior do que Bush não será com certeza!!!

António Cipriano

quinta-feira, fevereiro 07, 2008



Fúria Tributária

De há algum tempo para cá, todos conhecemos a fúria tributária do ministério das Finanças, ávido por obter sempre mais um cêntimo, derrubando qualquer tipo de direitos que os contribuintes detenham. Ora o ministério das Finanças não se ficou pela instituição de mais uma taxa, no caso a Contribuição para o Audiovisual (que todos, independentemente de terem ou não televisão, ou serem clientes do cabo ,terão de pagar, sendo o seu valor cobrado no factura da electricidade). Pretende agora cobrar sobre a referida taxa de Contribuição Audiovisual, 5% de IVA. Ou seja um imposto sob uma taxa. Não é preciso ser jurista para compreender o absurdo, e altíssima duvidosa legalidade de tal medida. O Ministério das Finanças viola o princípio da boa-fé e o princípio constitucional da Segurança jurídica e da protecção da confiança dos cidadãos.
Ainda dizem que vivemos num verdadeiro estado de direito?

António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 01, 2008



Regicídio

Em 1 de Fevereiro de 1908, O Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro Luiz Filipe foram assassinados em Lisboa, numa acção da republicana carbonaria. D. Carlos Subiu ao trono em 1889, num momento de especial complexidade, em que o sistema rotativista da monarquia constitucional dava sinais de cansaço, próprio da já costumeira crise económica, e da polémica em volta do mapa cor-de-rosa, que 15 dias depois da subida ao trono de D. Carlos ,vai destabilizar o já destabilizado sistema politico nacional.
Prisioneiro da história, vitima de um presente envenenado, D. Carlos apesar de ser um homem culto, nada podia fazer contra os ventos da história. A história deve ser recordada, estudada, compreendida e analisada. No meu ponto vista, faz todo o sentido a existência de exposições, mostras temáticas, conferências acerca do Regicídio.
Todavia, somos hoje uma Republica. Não me parece razoável a participação do estado, nem as forças armadas, em cerimonias evocativas do regicídio. Não me enche de orgulho, os actos do Boiça, mas sem estes, talvez a Republica não se tivesse instalado. Sou um republicano convicto. Defendo a igualdade entre todos os cidadãos. Só contra os direitos hereditários ao poder, contra a existência de aristocracia. Obviamente que repudio os actos de violência, mas muitas vezes estes são tristemente necessários. Sem o regicídio, sem a implantação da Republica teríamos hoje um país sob a tutela de D. Duarte Pio, a Isabelinha e as criancinhas!!!
Será que conseguem imaginar este cenário?

António Cipriano

quinta-feira, janeiro 31, 2008



Le Roi Est Mort, Vive Le Roi


O País esta aliviado!!!! O carrasco do Serviço Nacional de Saúde
deixou-nos.
Para trás ficam três penosos anos, de atropelos a um dos direitos basilares, constitucionalmente protegido – O Direito à Saúde.

Da nova ministra, nada conheço, mas será com certeza impossível fazer pior.
António Cipriano

terça-feira, janeiro 29, 2008

Em vias de Extinção

Até a bem pouco tempo os Notários nada mais eram, de que mais uma classe jurídica, que exercia as suas funções no âmbito do funcionalismo publico. O estado numa perspectiva de privatização do notariado, incentivou, estes profissionais a iniciaram funções como Notários privados. A generalidade dos Notários aceitaram o desafio. Compraram ou arrendaram espaços, contrataram pessoal, adquiriram equipamento.
Todavia de um momento para o outro, o estado que os incentivou a abandonar a função publica, resolveu tirar o tapete a este profissionais. Gradualmente vem esvaziando as funções destes, sob o argumento da simplificação administrativa. A machada final, segundo o noticiado na imprensa, esta para breve. O governo pretende acabar com a obrigatoriedade das escrituras publicas na compra de imóveis. Estas são substituídas por um documento particular devidamente certificado por um advogado ou solicitador, seguido do averbamento na conservatória do registo predial. Sem as escrituras de compra e venda, para que servem os Notários ???
Má fé e injustiça, é o mínimo que se pode dizer deste comportamento do estado.

António Cipriano

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Boavista


Há cerca de dez anos atrás, para além dos três grandes crónicos do futebol português, havia sempre um lugar reservado à partida, nas competições europeias para o Boavista, bem como uma ou outra final da Taça de Portugal. Todos os finais de época, a equipa fazia uma venda para os grandes que permitia um encaixe financeiro significativo de modo a preparar a equipa para a época seguinte. Artur para o FC Porto, Costinha e Lemajic para o Sporting, João Pinto, Isaías e Nuno Gomes para o Benfica, entre muitos outros. De repente, veio a primeira vitória no Campeonato Nacional, com uma equipa que dava tudo em campo mas que a qualidade não abundava e, de lá para cá, sairem bons jogadores para os grandes, nem ver, assim como as idas às competições europeias. Qual o cenário actual para o Boavista? Muito mau. Em risco de despromoção na 1ª Liga e eliminado da Taça por uns concludentes 4-1 pela Naval. Financeiramente também não estão melhor, de alguns meses para cá é ver passes de jogadores a ser penhorados. Jogadores que ninguém quer, ao contrário do que passava à algumas épocas atrás. O que levou a esta mudança?
PP

domingo, janeiro 13, 2008



Os Perigos dos Nacionalismos

A história da Europa é um aglomerado de conflitos fratricidas de índole religiosa, cultural e étnica. O principal responsável pela conflitualidade endémica europeia foi em grande medida o Nacionalismo. Após séculos de conflitos, que culminaram na segunda guerra mundial, os europeus compreenderam a necessidade de colocar um travão aos nacionalismos, optando por uma estratégia de cooperação assente num processo de integração europeia que procura-se colocar sob o mesmo chapéu, os interesses de cada povo, sem colocar em causa o caldo cultural judaico-cristão que une a generalidade das nações europeias.
De 1951 até aos dias de hoje, a integração europeia trouxe paz, tranquilidade e prosperidade económica. Todavia, por estranho que parece os nacionalismos apesar de adormecidos, nunca se esvaziaram por completo. Os Balças foram o espelho do anacronismo dos nacionalismos nos anos 90. Mas a Europa não aprendeu. Assiste-se hoje a um preocupante ressurgir dos nacionalismos. Primeiro no Kosovo, em Espanha com o País Basco ou a Catalunha, e a recentemente e não mesmo preocupante, a situação Belga. O Kosovo, que incompreensivelmente se prepara para a declaração de independência, será um precedente inaceitável responsável pela abertura da caixa de Pandora de múltiplos conflitos políticos, europeus e extra-europeus.
A Bélgica, independente desde 1830., é o resultado de uma sucessão de acontecimentos históricos conturbados, sendo constituída por duas comunidades absolutamente díspares: os Flamengos e os Valões, com diferenças profundas ao nível cultural e linguístico. No momento actual vive-se um profunda crise política assente nas desconfianças entre as duas comunidades que ameaçam a própria existência do país. Será que a Europa não apreende!!!
António Cipriano

domingo, janeiro 06, 2008



Rali Lisboa - Lisboa

- Jarbas!!!! Jarbas!!!!

- O que foi senhor?

-Faz as malas depressa que veem ai o Bin Laden!!!

António Cipriano

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Obama, 1 – 0

Kick-off das primárias das presidenciais norte-americanas, um longo e tortuoso processo, perfeitamente incompreensível à luz da vivência democrática europeia.

O estado de Iowa é um estado que elege pouquíssimos delegados nas presidenciais propriamente ditas. Por essa razão, os candidatos presidenciais nem costumam visitar o estado durante a campanha. Situação completamente diferente durante as primárias. Nessas primárias, Iowa continua a eleger um número negligenciável de delegados, mas a diferença é que é o primeiro estado a ter eleições (ou melhor, não são eleições, são “caucuses”, uma perfeita aberração eleitoral, principalmente do lado do Partido Democrata; mas adiante, adiante). Como é o primeiro estado isolado a ter este processo, o que é que isso pode significar? (e geralmente significa)

Candidatos com diminuta expressão eleitoral nas sondagens podem apostar neste estado (dinheiro, tempo, equipa, etc) e, se ganharem, podem beneficiar de um efeito de bola de neve (caso do John Kerry em 2004, que antes de Iowa e New Hampshire estava em 4º lugar nas sondagens nacionais – do lado Democrata). Por outro lado, candidatos muito bem colocados, à partida, se perderem Iowa podem ver-se fora da corrida (recorrendo novamente a 2004, foi o que aconteceu ao Howard Dean). Ainda é cedo? Sim, é. Antes da “Super Tuesday” é prematuro apostar decisivamente num determinado candidato.

Mas duas coisas podemos retirar do que aconteceu ontem:

- Do lado democrata há 3 candidatos com aspirações reais à nomeação: Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards. O 3º lugar da sra. Hillary não augura boas coisas, até porque Obama ganhou destacado e com facilidade. Prognóstico: se Obama ganhar daqui a 4 dias em New Hampshire (aí já são eleições «normais», não “caucuses”), os candidatos democratas não chamados “Edwards” ou “Clinton” começam a desistir a favor de Obama e a coisa fica composta para o senador de Illinois. Muito claramente: o Obama neste momento tornou-se um caso muito sério, não só em relação à nomeação, mas em relação à candidatura à presidência propriamente dita. Pormenor: Obama ganhou folgado num estado cuja esmagadora maioria da população é caucasiana;

- Do lado do GOP (Republicanos), a situação é mais delicada. Romney e Huckabee foram os grandes apostadores em Iowa (Romney ganhou o Iowa straw poll, uma coisa perfeitamente ridícula e arcaica), e o evangelista acabou por ganhar. Huckabee é conhecido por 2 coisas: ter perdido muito peso em pouco tempo (era obeso) e ter o apoio em peso da comunidade evangelista (pronto pronto, e em ter o apoio "precioso" do Chuck Norris). Os candidatos mais “sérios” do lado do elefante tiveram resultados modestos (John McCain, Fred Thompson, Rudy Giuliani; este último, principalmente, teve um resultado que roça o absurdo). Estes 3 continuam a ser os candidatos mais prováveis ou Huckabee acabou de se colocar em boa situação para disputar a nomeação com 2 desses 3? Difícil de ler, mas parece-me que o milionário Romney e Giuliani acabaram de ficar em péssima situação. Por cada dólar que Huckabee investiu em Iowa, Romney investiu 10.

Anotação: a "spokesperson" da campanha de Obama é a Oprah. Parece-me um bocado forçado que, como resposta, a senadora Clinton tenha ido buscar como porta-voz da sua campanha (para além da omnipresença de Bill Clinton) o Magic Johnson (para além de que se deve estar a roer pelo facto de Hollywood em peso estar a apoiar Barack Hussein Obama).

E venha New Hampshire.

(acabei de dar seca?)

João Pedro

domingo, dezembro 30, 2007

Feliz 2008

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente. "
Carlos Drummond de Andrade
Desejamos a todos um ano de 2008 excelente .
António Cipriano
António Guimarães
João Pedro
Paulo Pinheiro

quinta-feira, dezembro 27, 2007



Rio das Flores

Uma nota prévia; não só um entusiasta do Miguel Sousa Tavares, comentador.
Todavia, como escritor tenho uma opinião bastante favorável. Já algum tempo tive a oportunidade de ler “O Equador”, o qual no meu ponto de vista é um romance inegavelmente bem escrito e absolutamente inebriante, sendo sem qualquer ponta de dúvida, um dos melhores romances portugueses da última década.
Por conseguinte as minhas expectativas para o “Rio das Flores” eram muito elevadas. Confesso que fiquei um pouco desiludido, face às expectativas. Contudo, em abono da verdade, há que afirmar que o “Rio das Flores” é um romance interessante, construído em volta de uma família alentejana de latifundiários, de dois irmãos unidos pelo sangue, mas diferentes ao nível do modo de encarar a vida. Diogo, o intelectual, inconformista, que desespera com o Portugal do Estado Novo, e Pedro, tradicionalista, conservador, que acredita no Portugal Rural de Salazar. É inegável o trabalho de pesquisa do autor que nos permite ao longo de 600 páginas fazer uma retrospectiva do Portugal da Republica, do Estado Novo, da Guerra Civil Espanhola, do Brasil de Getúlio Vargas e o desenrolar da 2º guerra mundial.
Apesar de “Rio das Flores”, não ser formidável como o “Equador,” não dei o meu tempo por mal empregue, recomendado a sua leitura
António Cipriano

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Boas Nataladas!

Cabe-me a mim escrever um post pseudo-natalício, em nome dos 4 cromos que escrevem neste blog (sendo eu, obviamente, um dos cromos). Na realidade, fui praticamente coagido e ameaçado para escrever isto (vá, ou então estou a exagerar um bocadiiiiinho).

E então?

Bem, bom natal para todos, com desejos de todos os lugares-comuns desta época (saúde, felicidades, prendas, coca-cola light e aquecedores).

E um 2008 ainda melhor. Esperemos que, em 2008, nomeadamente:

- O Sporting consiga qualificar-se para a taça UEFA;

- O Luís Filipe Menezes não chegue a primeiro-ministro em eleições antecipadas;

- Seja eleito um presidente dos EUA que seja mulher ou negro;

- As excentricidades do Hugo Chávez fiquem apenas pelo estabelecimento de um fuso horário único;

- Se decidam em relação ao aeroporto;

- O Manoel de Oliveira faça 100 anos;

- Paz no mundo (não, então esta foi apenas a minha veia de "candidata a Miss Universo" a falar).

Feliz Natal e Óptimo 2008!

João Pedro
António Cipriano (futuro candidato à Câmara Municipal das Caldas)
António Guimarães (perguntem-lhe datas históricas, chega a ser tenebroso, obsceno, etc)
Paulo Pinheiro (o único gajo que conheço que escreve livros com conteúdo sexual, e não estou a falar da Gina)

sábado, dezembro 22, 2007



Verdadeiro Fim do Muro e Berlim

Muitos talvez não se tenham dado conta, mas ontem dia 21 de Dezembro viveu-se um dia histórico.
O alargamento do Espaço Schengen a mais nove estados, representa uma revolução suave, que simboliza o derradeiro fim dos últimos resquícios da guerra fria. Quatrocentos milhões de Europeus, podem circular, movimentar-se, realizar trocas comerciais e culturais sem qualquer constrangimento burocrático ou fronteiriço.
O espaço Schengen, ao formalizar a efectiva liberdade de circulação, inerente ao estatuto de cidadania europeia existente deste 1992 com Maastricht, é mais uma das provas da necessidade e sucesso do projecto comunitário. Desde 1951, com a assinatura do tratado de Paris que a Europa vive sucessivamente um período de paz e prosperidade económica.
Argumentam os detractores do projecto comunitário, que a UE e o espaço Schengen representam uma diminuição da segurança interna e a perda de soberania. Mas não se esqueçam os mais incautos, que o resultado dos excessivos nacionalismos na Europa foi uma sucessão de conflitos fratricidas e intestinos, de que os Balças ainda são o melhor exemplo.

António Cipriano

terça-feira, dezembro 11, 2007

Para quando gasto zero de energia em Portugal?

Todos os dias assistimos no telejornal a novos recordes do preço do petróleo, seja derivado da instabilidade no médio oriente, seja por especulação, por causa de um déspota louco que demonstra o seu “poder” fazendo oscilar o preço do petróleo, ou devido a economias, algumas falsamente, emergentes que consumem grandes quantidades de energia nas suas indústrias, aumentando a procura para uma oferta que só diminui. Porque a verdade é que a este ritmo os combustíveis fósseis vão-se esgotando e o ritmo desse esgotamento é cada vez maior.


Alguns acham que este aumento do preço é positivo para que as pessoas gastem menos combustível. Mas o que acontece de facto é aumento do preço de todos os produtos, seja devido ao aumento do custo de produção, seja derivado ao aumento do preço do transporte, ou por ser um derivado do petróleo, caso das fibras sintéticas que vão desde o plástico comum ao poliester que está no nosso vestuário. Ou seja, o aumento do preço do petróleo influencia toda a vida do mundo ocidental, porque o preço do petróleo faz-se sentir em tudo, tornando-se cada vez mais urgente procurar novos modos de produzir energia de forma eficiente.

Claro que esta ideia não é nova e têm sido conseguidos alguns resultados que podem a vir a ser extremamente positivos num futuro muito próximo. Alguns países de forma a minimizarem a procura do petróleo, têm tido uma procura séria de sistemas energéticos renováveis que respeitam tanto o ambiente como o conforto. Sabendo que as habitações consumem 40% da energia do mundo ocidental, têm desenvolvido novos conceitos para a construção de imóveis. Edifícios que conseguem produzir a totalidade da energia que consomem e que vendem o seu excedente às redes públicas. Na Suécia, já um número considerável de edifícios foi construído a pensar neste conceito e os resultados têm sido obviamente fantásticos. Na Alemanha a procura destes sistemas tem sido também uma realidade e os edifícios de Werner Sobek recebem os maiores prémios, sendo a sua própria casa o paradigma da utilização eficiente de energia, consumindo zero da rede pública e sendo totalmente biodegradável. Ainda de referir mais dois exemplos de edifícios ecológicos, um na Índia em que a própria orientação foi planeada para ter um aproveitamento máximo ao longo do ano e que aproveita inclusivamente a água da chuva ou o caso da Coucil House em Melbourne que foi concebida para “copiar a ecologia do planeta”.

É evidente para isto funcionar têm que existir algumas condicionantes. Em primeiro lugar informação tem que ser fornecida aos consumidores e segundo a World Business Council for Sustainable Development essa é a grande falha actual. Outra condicionante é a formação dos construtores de forma a desenvolverem estas estratégias, uma mais valia certa para quem fosse pioneiro em Portugal. Depois outra condicionante e lamentavelmente em Portugal o grande entrave, os incentivos governamentais, prefere-se dar concessão para ventoinhas a grandes empresas para vender em telejornais com uma atitude ambientalista para “inglês ver”, do que dar benefícios ao cidadão comum que pretenda adoptar medidas realmente funcionais, é triste mas exemplos dos nórdicos só mesmo para o pagamento de impostos. Torna-se urgente tomar medidas reais e deixar de fazer as coisas a fingir, sob pena de mais uma vez não aproveitarmos tomar a dianteira de algo extraordinário que está em expansão. Para termos uma ideia clara do quão “desenvolvido” está este sistema em Portugal saibam que até 2007 a Soane Sierra foi o único grupo que usou este sistema, num centro comercial, o Colombo, ou seja desde 1998 até hoje existe um único edifício que produz toda a energia que consome e que consegue vender à rede pública, foi um bom principio mas manifestamente insuficiente.

António Manuel Guimarães

quarta-feira, dezembro 05, 2007



Noticia Extra

Foram conhecidos hoje, mais dois estudos sobre a problemática da localização do novo Aeroporto internacional de Lisboa.
A Associação Empresarial de Badajoz apresentou um estudo, elaborado pela insuspeito Instituto de Engenharia de Madrid, que defende a utilidade da construção do novo aeroporto de Lisboa em Badajoz. Entre as vantagens apontados, esta patente a centralidade da localização, servindo esta, de interface ibérico, e a possibilidade da redução dos custos de construção por via da criação de um consórcio de capitais ibéricos, liderado pelos empresários agrícolas espanhóis do Alqueva.
O segundo estudo, apresentado pela câmara de comércio do queijo limiano, apresenta como hipótese credível a localização da nova infra-estrutura aeroportuária no concelho de Ponte de Lima. Entre as principais vantagens estão o fomento da internacionalização da economia portuguesa por via da implementação de um cluster dos lacticínios e pelo desenvolvimento do turismo rural.

António Cipriano

terça-feira, novembro 27, 2007


Mais Estradas
O Primeiro Ministro José Sócrates anunciou na semana passada um investimento de 1200 milhões de Euros para o período 2008 -2011 em novas estradas.
Todos sabemos que os recursos do país são escassos, havendo a necessidade inerente de proceder a escolhas que melhor serviam o pais. Ora parece-me a mim, que o tempo de construir novas estradas de forma maciça já passou. O país já se encontram razoavelmente bem servido de estradas. È tempo de novas prioridades.
Penso que seria mais importante e estrutural se estes milhões fossem aplicados na formação e educação dos portugueses ou no apoio às PME´s.

António Cipriano




sábado, novembro 24, 2007



Portugal na Rota dos Grandes Lideres Mundiais

Com a recente visita de Hugo Chavez, com a visita em breve de Robert Mugabe e Kadafi, José Sócrates colocou Portugal na orbita dos grandes lideres mundiais.
Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros José Sócrates pretende seguidamente convidar Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-il e Evo Morales.
António Cipriano

quarta-feira, novembro 21, 2007

Uniformizar ou Mutilar

Depois de dezassete anos sem ouvir falar no acordo ortográfico, eu pensava que ele tinha ficado esquecido numa gaveta qualquer em S. Bento. Mas este governo acabou por descobrir a chave da dita e acordou este monstro adormecido. E então lá voltou a conversa sobre o referido acordo.

A questão da uniformização da Língua Portuguesa é uma situação muito pesada e extremamente complexa. Pode-se dizer muita coisa em sua defesa, como que é benéfico aproximar os diferentes modos de escrever português, e que isso servirá para defender a língua face à crescente importância do inglês que advêm da globalização. Mas a verdade é que é extremamente desequilibrada e quem criou a língua leva com as maiores alterações, tudo porque é mais fácil mudar 10 milhões do que, só no Brasil, 189 milhões.

É verdade que me custa bastante ver a mutilação da Língua Portuguesa “para sua própria defesa”. Preocupa-me ver que neste acordo está presente a eliminação das letras mudas nas palavras. Tal como são eliminados alguns acentos e portanto algumas palavras são alteradas. E qual a razão? A resposta é simples, no Brasil, em 1943, ficou decidido no Formulário Ortográfico, que essas letras como não são pronunciadas deveriam ser eliminadas, foram também suprimidos alguns acentos e alterados outros. Compreendo que eles o tenham feito, eles não criaram a língua e depois da crescente utilização de estrangeirismos que utilizam não surpreendeu ninguém. Quanto à supressão das letras mudas, não venham dizer que é mais prático porque apenas se pode considerar preguiça. Muitos dos acentos foram alterados para aproximar a língua escrita da língua oral e aqui ainda lhes dou razão. Mas daí a terem a pretensão de eliminar a possibilidade da dupla acentuação dependente do país vai uma grande distância, já me estou mesmo a ver a escrever Antônio (nem quando as vacas voarem).

Obrigar os portugueses a aceitar estas mutilações da língua que criaram é absurdo. Não me importo se são 189 milhões que escrevem assim e não me vejo obrigado a mudar aquilo que será sempre a herança mais importante que jamais teremos, só porque um povo que não o meu decidiu um rumo diferente. Se vamos por essa ordem de ideias, porque não aprendermos todos mandarim? Era uma forma de encurtar caminho.

O governo antes de rectificar este acordo deveria, para variar, pensar muito bem. Se não gostam do português, ao menos, que percebam a desigualdade do tratado e vejam quem fez quase todas as concessões.

Não se trata de nacionalismo no pior sentido do termo, trata-se simplesmente de ter pais e professores conscienciosos que me fizeram gostar da nossa língua e de hoje ser eu próprio professor da língua materna.

Nada me move contra os brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, moçambicanos, guinasses ou são-tomenses. Mas já me chateia quando eu, inconscientemente, trato mal a Língua Portuguesa, quanto mais o meu governo me obrigar a fazê-lo.

António Manuel Guimarães

sábado, novembro 17, 2007

A fórmula de Deus

Acabei há poucos dias de ler este livro de José Rodrigues dos Santos. Pessoalmente, achei-o uma decepção. Se os Monty Pytons são os criadores do humor non-sense, então José Rodrigues dos Santos é o criador dos thrillers históricos non-sense...

PP


Estradas de Portugal

Nada tenho contra as privatizações, pelo contrário, considero que o sector privado e a iniciativa privada, devem ser a mola dinâmica de toda a economia. Todavia, isto no meu ponto de vista, não quer dizer que tudo possa, ou deva ser privatizado. Existem algumas funções e serviços que pela sua natureza e importância, me parecem que não devém deixar a orbita do estado. Um desses casos, é a estrutura rodoviária do país.
O primeiro-ministro anunciou recentemente que pretende transformar a Estradas de Portugal de Entidade Publica Empresarial, para uma Sociedade anónima de capitais públicos, que ficará com a gestão e exploração de todas as estradas nacionais, portajadas ou não, por um período de 75 anos. Qualquer pessoa inteligente compreende que ao constituir uma sociedade anónima, o estado esta a abrir a porta, para uma mais que previsível, abertura do capital da empresa aos privados, primeiro numa lógica residual, para quem sabe, num futuro próximo passar a ser controlada pelos privados.
Obviamente que a gestão privada, licitamente procurará o lucro. O lucro estará nas auto-estradas portajadas, o que levará a um maior ou menor abandono das estradas secundárias. O resultado lógico será uma omissão e uma desresponsabilização do estado, que coloca em causa os seus deveres constitucionais ao nível do princípio do estado social e da igualdade, e uma consequente descriminação acentuada das regiões interiores do país e dos mais desfavorecidos.

António Cipriano

sábado, novembro 03, 2007



A Falácia do Petróleo

Vive-se actualmente uma paranóia absolutamente irracional nos mercados petrolíferos internacionais, cujo resultado mais previsível num curto prazo, é a ultrapassagem da barreira psicológica dos 100 USD.
As causas da paranóia são de índole estrutural (aumento da procura por parte da China e Índia), mas essencialmente conjunturais e psicológicas, entre as quais: a já tradicional instabilidade geopolítica no médio oriente (Irão, Iraque, possibilidade de uma intervenção turca no Curdistão Iraquiano), tempestades tropicais no golfo do México e o expectável aumento do consumo por via da proximidade da época de inverno. Todavia, o grande responsável, tem o nome de Especulação (oportunistas que se aproveitam das falhas do sistema).
A verdade é que uma pequena economia como Portugal absolutamente dependente do fornecimento de petróleo, nada pode fazer para quebrar a onda de aumento dos preços. O resultado obvio, tem sido o sucessivo aumento dos preço da gasolina e gasóleo, e a consequente multiplicação do seu efeito, em toda a economia.
Mas será que o Petróleo tem aumentado assim tanto?

Os mais incautos ainda não se aperceberam da falácia que se vive com o preço do petróleo. A verdade é que a análise do preço do petróleo não pode ser desligado da evolução cambial do EUR/USD. De facto o petróleo é transaccionado exclusivamente em USD. No último ano o USD tem sofrido uma desvalorização bastante acentuada, que advém essencialmente das seguintes causas: excessivo deficit comercial da Economia Americana, baixa das taxas de juro pela Fed ( de 5,25% passamos para os actuais 4,5%), e o agravamento do deficit orçamental da economia americana. O resultado, é que de uma cotação cambial na ordem dos 1,30 EUR/USD passamos para os actuais 1,45 EUR/USD, ou seja uma desvalorização na casa dos 12%. Por sua vez o petróleo passou dos 70 USD para os actuais 90 USD, ou seja uma aumento de 28%. Retirando o efeito da desvalorização do USD temos uma aumento efectivo do Preço do crude de 16%. Um aumento substancial, mas não tão gravoso, como muitas vezes nos quem fazer parecer.
Por fim, não nos podemos esquecer que mais de 50% do preço de um litro de gasolina é impostos!!! No fundo o agravamento do custo de vida, e a diminuição da competitividade da estrutura de custos da economia nacional, é em grande medida, uma consequência de uma mera decisão política.

António Cipriano

sábado, outubro 27, 2007

Por uma vez…

Era bom que, pelo menos, por uma vez ao abrir o jornal eu não sentir vergonha ao ver naquilo que este governo socialista está a transformar a educação em Portugal. Este novo estatuto do aluno, tem pontos que são uma anedota, especialmente no que às faltas diz respeito, senão vejamos: a partir de agora o “tratamento” a dar a um aluno que tem faltas justificadas e faltas injustificadas é exactamente o mesmo, salvo uma excepção que direi adiante. Assim quando um aluno atinge o limite de faltas correspondente a duas semanas, no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao dobro do número de tempos lectivos semanais, por disciplina nos restantes ciclos ou níveis de ensino, os pais são chamados à escola, tenha o aluno as faltas justificadas ou injustificadas, embora no caso das injustificadas sejam também chamados logo na primeira falta. Quando o aluno falta o tempo correspondente a três semanas é obrigado a fazer um teste de recuperação organizado pela escola e se faltar o tempo correspondente a quatro semanas é chamada a protecção de menores, relembro que quer as faltas sejam justificadas ou injustificadas o tratamento é o mesmo.

Assim termina a retenção por exceder o limite de faltas injustificadas, ou seja, um aluno pode faltar o tempo que entender que a única punição passa por uma prova de recuperação. Prova essa que o governo se escusa a clarificar, pois ainda ninguém soube dizer o que acontece quando um aluno não consegue passar na dita prova. Mas ficou bem claro que caso o aluno volte a atingir as faltas correspondentes a três semanas volta a repetir a mesma prova. Ou seja, caso a prova não corra bem nada como voltar a faltar para voltar a fazer a prova.

Esta nova machadada tem como objectivo reduzir ainda mais o número de retenções, aumentar o facilitismo, apenas como único propósito mostrar números à União Europeia. É a ditadura da frieza dos números para consumo externo. Mas o que é certo é que a factura aumenta, se os alunos agora nem o dever de ir à escola têm…nem quero imaginar como será daqui a uns anos, talvez recebam ordenado e se dignem a receber o professor em casa quando for conveniente.

Espero sinceramente que o Presidente da República chumbe este projecto, a bem da juventude e a bem do futuro de Portugal.

António Manuel Guimarães

sábado, outubro 20, 2007



Referendo
A democracia não é um conceito estanque se reduz a uma mero cerimonial que ocorre de X em X anos. A democracia Participativa, é crucial para a vitalidade do próprio conceito. Neste sentido, considero a inclusão no texto constitucional em 1997 do instituto do referendo, uma conquista e um reforço do processo democrático. Mas o Instituto do refendo deve ser devidamente enquadrado, sob pena de deturpar os objectivos que levaram à sua criação. Tudo isto a propósito da realização ou não do referendo ao Tratado de Lisboa. No meu ponto de vista o referendo, deve ter por objecto questões de relevante interesse nacional, aos quais os cidadãos em termos individuais compreendam o seu conteúdo. Se queriam referendar a Europa deviam ter o feito em 1986, aquando da adesão de Portugal à então CEE; ou aquando da entrada em vigor do Euro.
Agora, neste momento penso que não faz sentido. Muito menos quando a questão em análise é um tratado, complexo, cheios de termos jurídicos, incompreensível para o comum dos cidadãos. Em caso de referendo certamente 99,5% dos cidadãos, não iriam ler o tratado, decidindo o seu sentido de voto, não pelo conteúdo do mesmo, mas de acordo com factores internos, tornando-se o referendo num verdadeiro plebiscito à actividade do governo.

António Cipriano

sábado, outubro 13, 2007



Proposta de Orçamento para 2008
Numa análise superficial, poder-se-ia dizer que estamos perante uma boa proposta de orçamento de estado. Um orçamento que prevê um deficit orçamental de 2,4%, um crescimento económico de 2,2% e uma redução do desemprego para 7,6%. Todavia as análises superficiais são perigosas e bastante capciosas. Antes de mais, a actual proposta de orçamento baseia-se num pressuposto arriscado, um crescimento económico de 2,2%, quando a generalidade das instituições financeiras internacionais como o FMI, apontam para uma crescimento de 1,8%, reforçado este pessimismo com o actual contexto de valorização excessiva do euro face ao dólar, que contribui para a diminuição da competitividade das exportações nacionais. Obviamente se o crescimento for inferior à 2,2%, as receitas fiscais não serão as previstas, não sendo possível concretizar o objectivo de 2,4% de deficit. Por outro lado, a correcção do deficit mais uma vez não é feita pelo caminho mais correcto. Da diminuição de 0,6%, apenas 50% deste valor é feita pelo lado da despesa. Ao contrário do que os mais incautos podem pensar o real problema das contas do estado não é o deficit, mas sim, a estrutura rígida da despesa pública. Em termos nominais a despesa total e a despesa corrente primária apresentam uma taxa de crescimento de 4%, quebrando desta forma uma das regras cruciais dos processos de consolidação orçamental.
A nível da distribuição das verbas por ministérios, os grandes beneficiários são o ministério da Ciência e do Ensino Superior (aumento em 8,9% da dotação orçamental) e o ministério da Economia (reforço da dotação orçamental em 23,6%). Se de facto ,este incremento de verbas for um meio de auxiliar o reforço das nossas PME´s e da qualificação dos portugueses, então será uma medida acertada. Resta saber, se Manuel Pinho e Mariano Gago têm unhas para tocar esta guitarra.
No que concerne à fiscalidade, para a generalidade dos contribuintes não existe uma alteração significativa dos impostos a pagar. Todavia dois grupos sociais voltam a ser inacreditavelmente penalizados – Pensionistas e Deficientes. Estranhamente ou talvez não, o governo diminui significativamente as deduções específicas a pensionistas e deficientes. De positivo, o aumento das deduções para quem tem filhos até 3 anos e os benefícios fiscais para quem optar pela microgeração de energia.
Por fim uma nota, para dois aspectos. Um negativo - em 2008 as SCUTS vão custar aos contribuintes 704,5 milhões de euros. Um positivo - o estado reconhecendo a necessidade de reduzir os prazos de pagamento aos seus fornecedores pretende reduzir o prazo médio de pagamentos que actualmente esta em média nos 152 dias.
Em corolário, penso que se trata de um orçamento mediano de um governo mediano, em que os portugueses vão continuar a sofrer na pele as dificuldades do dia-a-dia, com a redução do poder de compra, o aumento dos juros, o aumento dos combustíveis, continuando a contribuir demasiadamente para o monstro da despesa pública. De qualquer dos modos, o meu desejo é que o país tenho um bom 2008.
António Cipriano
Populismos

Politicamente vivemos num mundo ingrato, de excessiva mediatização do espaço publico, em que as exigências dos media e dos cidadãos apostam para soluções rápidas, indolores, de resultados imediatos Ora apesar dos desejos de todos, tais soluções magicas não existem. A educação, a competitividade económica, a justiça não se coadunam com actos isolados, casuísticos de curto prazo. Quem promete aos cidadãos soluções mágicas não são intelectualmente serio. Todavia observamos no “ecossistema politico” nacional a uma viragem no caminho do denominado “populismo”. Populismo, ideologicamente, é um nada que é tudo. É uma miscelânea de remendos, cozidos aqui e ali, por oportunismos mediáticos assentes numa estratégia, de poder pelo poder. No populismo não existe uma estratégia para o país, um caminho, uma ideia a seguir, somente bandeiras momentâneas que giram ao sabor do vento. Não pensem os mais incautos que estou apenas a falar da oposição. Há “populismo” na oposição, mas mais ainda no governo. Um governo que distribui computadores em múltiplas e variadas cerimónias pelo país vendendo a imagem de um país tecnológico que não existe, o facilitismo promovido no sistema de educação, a desresponsabilização na função pública, a ausência de uma estratégia de desenvolvimento económico, etc.
Portugal precisa de um rumo, de uma estratégia de médio prazo, sob pena de cada ano que passa cair ainda mais no ranking da UE. A credibilidade, o esforço, a dedicação, o trabalho é um caminho tortuoso, de dificuldades, obstáculos, mas absolutamente necessário.

António Cipriano

terça-feira, outubro 09, 2007

Olha quem ele é !!!

Quem diria que alguem que falava tão mal, chegava a presidente da Comissão Europeia!!!

António Cipriano

quarta-feira, outubro 03, 2007



Requalificação Urbana

Nas últimas décadas o paradigma da nossa sociedade ao nível do modelo urbano, passou invariavelmente para construção de novos edifícios. Esta era uma exigência decorrente do acréscimo afluxo de populações do interior rural, para o mundo das cidades, conjugado com uma melhoria das condições económicas das famílias, indutor de uma procura por habitações com melhores condições de habitabilidade. Este fenómeno de democratização, associado ao desenvolvimento económico do país foi positivo, permitindo uma igualdade real ao nível das condições de vida dos cidadãos. Contudo, este crescimento das cidades não foi devidamente acompanhado por mecanismos de planeamento urbano. Os resultados foram subúrbios desordenados, feios, sem espaços verdes ou acessibilidades, com poucos ou nenhuns serviços sociais. Ao invés, os centros das grandes urbes foram sistematicamente se desertificando, sendo hoje apenas habitados por norma, por populações idosas de baixos recursos. Gradualmente um sem número de edifícios, muitos com valor histórico e arquitectónico, foram se deteriorando, contribuindo para centros urbanos envelhecidos, abandonados e degradados.Compete aos poderes públicos contribuírem para a modificação deste cenário. O paradigma deixou de ser a construção e aprovação de novos empreendimentos urbanísticos, para passar para a requalificação urbana. Num primeiro plano, os poderes públicos devem constituir equipas pluridisciplinares que “pensem a cidade” enquanto espaço de história, sentimentos e vivência humana, delineando uma estratégia de requalificação urbana assente em três eixos: requalificação dos espaços públicos (praças, monumentos), requalificação dos edifícios municipais; requalificação dos edifícios privados por via da concretização de incentivos financeiros e fiscais. Obviamente que tal estratégia implica elevados recursos financeiros, devendo a sociedade civil sensibilizar as autoridades centrais para a necessidade da promoção de politicas centrais de requalificação urbana. Os municípios, enquanto agentes políticos que melhorem compreendem os sentimentos e necessidades das nossas cidades devem sensibilizar, negociar, pressionar os governos para nova prioridade. Afinal, a valorização e requalificação das nossas cidades é economicamente um instrumento indutor do crescimento do valor acrescentado da nossa oferta turística, sendo indirectamente fonte de impostos para os poderes locais e centrais.
A competitividade das cidades quer ao nível da atracção de novos habitantes, quer ao nível da captação de turistas, implica uma estratégia sistémica de valorização de todo o quadro urbanístico e de cidade, de modo a potenciar uma proposta de valor assente na qualidade de vida e no desenvolvimento sustentado.
António Cipriano

sábado, setembro 29, 2007



Aung San Suu Kyi

Num momento de luta e sofrimento do povo da Birmânia, compartilho convosco uma citação da prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, líder da oposição democrática da Birmânia detida em prisão domiciliaria já há alguns anos.
A única verdadeira prisão é o medo, e a única verdadeira liberdade nasce da libertação do medo”.

António Cipriano

quarta-feira, setembro 26, 2007

Nórdicos

Actualmente existe uma moda nova, consiste em considerar todo o que é nórdico como positivo. Isto a todos os níveis, tecnológicos, de mentalidade, tudo.
O nosso governo também não conseguiu resistir a esta e onda e toca de começar a procurar utilizar alguns modelos nórdicos em Portugal. E assim surge a flexi-segurança, um sistema que serve para que haja mais eficiência ao nível do pagamento de impostos, um modelo que faz também com que os pagamentos sejam mais elevados, de forma a, supostamente, garantir a existência da segurança social. Ou seja, este modelo aplicado serve para que os portugueses paguem mais.
Agora o que era bom era que este governo tivesse a decência de aplicar também em Portugal os pontos que servem para aumentar a qualidade de vida dos nórdicos. Aplicando os modelos de educação, os modelos de saúde, os modelos de segurança, aqueles que faz com os nórdicos não se importem de pagar porque isso lhes garante eficácia e muita qualidade de vida. Mas claro em Portugal para pagar ao estado o governo procura o melhor modelo possível, para a qualidade de vida vamos ao velhinho desenrasca nacional e não muda nada…porque sai caro.

António Manuel Guimarães


Prós e Contras

Ontem (segunda-feira dia 17) foi dia de Prós e Contras na RTP. O tema foi a educação e as mudanças neste novo ano lectivo e a convidada de honra foi a Ministra da Educação, a Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, conhecida no meio da educação como a sinistra.
Confesso que a expectativa era baixa: não esperava que ela conseguisse mostrar alguma coisa de positivo.
Desde logo, estava pronto para a actuação fraca da ministra e não tive que esperar muito para ela mostrar que as minhas expectativas não estavam erradas.
O programa começou com imagens do início deste ano lectivo, aquelas que todos vemos na TV, em que Sócrates e a Ministra entregam portáteis nas escolas, aqueles que custam €150 mas que feitas as contas reais fora de publicidade, nunca ficam por menos de €780 para professores, isto porque além dos €150 da propaganda, exigem uma fidelização de 36 meses em que se paga €17.50. Mais um caso de publicidade do governo, para variar enganosa, mas adiante. Depois mostrou discursos bonitos e momentos de início da aula, tudo em escolas bem bonitas, aquelas escolas modelo, suponho que não estivessem nem em Caxias, nem na Amadora ou em Rabo de Peixe, mas enfim…
Depois destas imagens cor-de-rosa a ministra começou o seu discurso, afirmando que se devia “celebrar o sucesso”, falando ela da diminuição do insucesso escolar, do aumento das entradas nas universidades e da palhaçada dos computadores. Ora isto depois das imagens e dito assim, até parece que há algo a celebrar. Porém ninguém lembrou alguns pormenores à Ministra, primeiro que a baixa na taxa de retenções se deve ao facilitismo que tem vindo a crescer, sabendo todos os docentes, quais as normas que o ministério impõe para a realização de testes.
Acresce que todos sabemos o que aconteceu este ano no acesso ao ensino superior, aquela história dos testes para maiores de 23 anos, que tenham no mínimo o 3º ciclo completo, e que fazem estes testes entretanto os melhores destes entram para as vagas pré-destinadas que são organizadas pelas universidades. Uma benesse para as universidades que vão receber mais dinheiro de propinas e tapam as incómodas vagas, mas péssimo para quem entra, que muito provavelmente se encontrará desamparado. A longo prazo prevê-se que o ensino superior tenha de baixar a exigência para ter taxas de aprovação aceitáveis. Ou seja mais facilitismo.
O programa lá foi continuando e a certa altura a ministra largou uma bandeira dos socialistas, “existem professores a mais”. Ora grande parte das turmas tem uma média de 25 alunos, quando o recomendável seria nunca mais de 20 e o óptimo rondar os 15 alunos por turma. Saibam os leitores que caso esta volumetria fosse aplicada havia défice de professores. Mesmo se as turmas tivessem 20 alunos, diminuiria em milhares os desempregados, melhorando certamente a qualidade do ensino.
Entretanto no programa tivemos ainda tempo para ouvir umas coisas sobre os cursos profissionalizantes. Afirma a ministra que até agora os alunos destes cursos estavam condenados a guetos, mas que isso tinha mudado. Alguém lembre à sinistra que tanto quanto sei os Profij ainda não acabaram. Os profij são grosso modo cursos profissionalizantes que começam no segundo ciclo e vão até ao fim do terceiro ciclo. São integrados por alunos com dificuldades de aprendizagem, num sistema que subsiste com muita boa vontade de professores, mas que por muito boa vontade que exista é normalmente o primeiro passo antes dos alunos abandonarem a escola. Mas lembro ainda a Ministra que os cursos profissionalizantes de que fala com tanto apreço, foram destruídos pelos socialistas em 1995 fazendo uma reforma que levou milhares ao desastre. Eu recordo-me de colegas que tinham informática profissionalizante: numa turma de 24-26 alunos, 2 terminaram o 12ªano e nenhum seguiu o ensino superior.
Enfim, a ministra, sem surpresas, esteve mal, mostrando que daqui a uns anos vamos levar de frente com as consequências deste modelo de educação. Aí espero que os socialistas não sacudam, como é seu hábito, a água do capote e façam melhor do que a ministra, a responder no prós e contras a uma critica, que passo a citar: “nada a dizer”.

António Manuel Guimarães

terça-feira, setembro 25, 2007



Força Birmânia

Por ser um democrata e um amante da liberdade, tenho uma especial amizade por todos os povos que lutam pelos seus direitos.
Myanmar, antiga Birmânia, vive desde 1988 sob o jugo de uma ditadura militar opressiva, absolutamente irracional, que limita ao máximo as liberdades individuais.

Num momento de coragem, a população civil apoiada pela monges budista, em manifestações pacificas, grita por liberdade e democracia. Os perigos são muitos, mas vida sem liberdade é uma não vida.

Neste momento difícil a minha força e solidariedade para com o povo da Birmânia.

António Cipriano

sábado, setembro 22, 2007



Kosovo

Um dos princípios fundamentais do direito internacional é o Principio do Autodenominação dos Povos, expresso no artigo 2 da carta das nações unidas. Este é o corolário de séculos de luta dos povos, pelo direito a poderem tomar em suas mãos os seus destinos, resultante da evolução política ideológica do pós segunda guerra mundial. Mas segundo a doutrina este não é um direito puro e simples, consubstanciado no preenchimento de duas condições cumulativas: a existência de um povo oprimido com um forte desejo de independência e a não existência de um estado de direito.
A Jugoslávia, enquanto herança da guerra fria, politicamente era uma federação de estados: Servia, Croácia, Eslovénia, Bósnia, Macedónia e Montenegro. Cada um deles com uma diferente raiz étnica e religiosa. Com a morte de Tito e com a queda do muro de Berlim, de forma óbvia a Jugoslávia enquanto construção política em muitos aspectos antinatural, desintegrou-se. Eslovénia. Croácia, Bósnia, Macedónia e mais recentemente o Montenegro exerceram o seu direito à autodenominação. Apesar do fim da Jugoslávia, a Servia, continuou durante toda a década de noventa sob uma pesada ditadura do senhor Milosevic. Slovodan Milosevic, numa política imperialista, tentou alimentar nos sérvios, o sonho de uma grande Servia, dominante e poderosa. Durante o período de Milosevic , muitos crimes foram perpetuados contra os outros povos dos Balcãs, inclusive contra os próprios opositores sérvios. O Kosovo é um pequeno território de cerca de 11.000 Km2, com pouco mais de 2 milhões de habitantes, de maioria albanesa, sem uma economia minimamente estável. O Kosovo não era um estado no tempo da Jugoslávia. Era somente uma região da Servia, tal como o Alentejo é uma região de Portugal. É certo que no período de Slovodan Milosevic, os habitantes kosovares foram perseguidos, e mal tratados. A NATO no cumprimento do principio de direito internacional do Direito à Ingerência para a defesa dos Direitos humanos, interveio e bem, militarmente na defesa das populações kosovares. Mas Slovodan Milosevic já era. Hoje a Servia é uma democracia, um estado de direito democrático, que num futuro próximo irá integrar a UE.
Assim sendo, no meu entender não faz sentido a Independência do Kosovo. Alias a independência do Kosovo é abrir um precedente perigoso na comunidade internacional. Se o Kosovo pode ser independente, Porque não a Independência do País Basco ou da Catalunha? Porque não a Independência da Chechénia? Porque não a independência do Curdistão, ou do território Assirio-caldeu na Turquia?
A Independência do Kosovo representa o abrir da Caixa de Pandora!!!!!

António Cipriano

quarta-feira, setembro 19, 2007



Debate Previsível

Numa palavra, podemos classificar o debate de ontem como “fraquinho”. Ficou bem patente que quer Mendes, quer Menezes são figuras de terceiro plano, vazias de ideias e de competência mediana. Mas eles não são os culpados. Infelizmente o PSD, vive ao nível dos seus melhores valores, um clima de excessivo calculismo, e oportunismo. Marcelo, Rui Rio, Ferreira Leite entre outros, não acreditam numa vitória em 2009. Preferem num excessivo individualismo, olhar somente para o seu umbigo, deixando o país entregue a um destino sem rumo.
Mas atenção, o futuro nem sempre é previsível. Calculismo excessivo às vezes paga-se caro.
A história esta cheia de homens vulgares, que por via dos condicionantes, e de uma grande vontade interior, se transformaram em homem invulgares, derrubando por completo o calculismo dos oportunistas. Quem sabe se Marques Mendes não será um desses homens?

António Cipriano