
Presentemente o mundo vive uma crise financeira sem precedentes desde a crise de 1929. Por comportamentos irresponsáveis e pela assunção de riscos desnecessários, variadas instituições financeiras introduziram nos mercados um vírus infecto contagioso que ameaça desfragmentar todo o equilibro orgânico do sistema financeiro. As primeiras vítimas desta situação foram as instituições financeiras. Mas em ultima análise, as verdadeiras vítimas são os cidadãos comuns dos diferentes estados. A falta de confiança no sistema bancário traduz-se no quotidiano, no agravamento das taxas de juro com o consequente aumento da dificuldade no acesso ao crédito, e na diminuição dos investimentos públicos e privados. A consequência obvia, mas absolutamente perigosa, é a transformação da crise financeira numa crise económica, que trás como sintomas agonizantes a falta de investimento, o desemprego, a inflação, a retracção do consumo e a recessão económica. Todos este sintomas infelizmente já estão a ser sentido. Mas devem os estados ficar de braços cruzados perante tal cenário? Alguns ideologicamente mais a esquerda consideram não ser aceitável que aos contribuintes seja assacado os custos de actos irresponsáveis dos administradores dos bancos. Alguns questionam o facto, de se um qualquer pequeno empresário não conseguir cumprir as suas obrigações não ter outro caminho senão encerrar as portas e declarar falência. Se o pequenos empresário não é auxiliado pelo estado, porque motivo devem as grandes instituições financeiras como os bancos serem auxiliados?
Esta é de facto uma visão dos factos, todavia considero que temos de ter uma visão mais geral do problema. Se um governo deixar um banco ir a falência o comportamento espectável de um cidadão normal, é correr para os outros bancos e pedir o resgate dos seus depósitos. Obviamente que os bancos não teriam capacidade de resposta. Assim, se o estado não intervir a falência de um banco importa o fim de todo o sistema. Pode ser pesado, difícil de aceitar para um cidadão normal que seja o erário publico a suportar as irresponsabilidades dos bancos. Mas o mundo não é perfeito é não existem soluções indolores, sem efeitos colaterais. Pode não ser a melhor solução mas é a única que existe para conservar e manter a confiança na economia, no sistema de mercado e no capitalismo.
António Cipriano





































