A Festa Socialista
Terminou hoje o XVI congresso do Partido Socialista, José Sócrates mais uma vez e sem surpresa foi confirmado como secretário-geral do PS. No primeiro dia dos trabalhos os oradores fizeram basicamente um discurso para dentro, falaram dos seus novos moinhos de vento, as pretensas "perseguições" ao partido, lançando algumas farpas aos jornais como se estes fossem de alguma forma um inimigo do Partido Socialista. Primeira mentira do congresso, pois todos sabem que isto não é verdade, a comunicação social foi aliás a principal aliada do PS durante toda a legislatura, sempre que Sócrates falava os jornais lá estavam para transmitir a propaganda e sempre que havia uma asneira do governo lá iam falar com o ministro responsável, permitindo assim que a imagem de Sócrates não se desgastasse. Curiosamente, em relação à oposição não era assim, desde o branqueamento dos dentes de Paulo Portas, a falta de imagem de Manuela Ferreira Leite e o seu não reconhecido sentido de humor, que quando usado é, em última analise, utilizado contra a própria, até aos ataques à falta de gravata de Jerónimo de Sousa. Da oposição só Francisco Louçã escapou incólume aos ataques da comunicação social, porque é com esta imagem do líder bloquista que se vendem jornais, com as suas propostas lindas ao ouvido mas sem prática, portanto demagógicas. E talvez por isso tenha sido o único partido atacado no primeiro dia de congresso Mas os socialistas não falam só da comunicação social, dizem que por trás estão partidos, mas não dizem qual, não por não saberem qual é, mas simplesmente porque não existem.
Depois passaram à apresentação do cabeça de lista para as eleições europeias, o escolhido foi o “constitucionalista” Vital Moreira, o seu mérito intelectual é reconhecido, ninguém põem isso em causa, tal como é um respeitado membro de várias organizações europeias, em especial organizações da defesa dos direitos humanos, mas enquanto deputado o seu passado é muito discreto, sem grandes intervenções, excepto quando estava na assembleia constituinte pelo PCP, de relevo enquanto deputado só quando abandonou a vida política activa, quando já havia mudado para PS e o seu partido de então governava no primeiro governo de António Guterres, devido a uma ruptura com o líder da bancada parlamentar Jorge Lacão.
No segundo dia do congresso, vieram os discursos de tomada de posse, Sócrates criticou quem anteriormente o tinha criticado por faltar à cimeira europeia que discute a crise internacional na Europa, atirando a já gasta boca de que Manuela Ferreira Leite chega a propor a suspensão da democracia. Comentário infeliz feito, sobre uma ironia não mais feliz, aproveitamento fácil da cumplicidade que partilhou com a comunicação social na altura. Falou também do cartaz do Pinócrates, dizendo que a juventude do seu partido nunca foi nem seria instrumentalizada, é preciso ter estômago para dizer uma coisa destas com Jamila Madeira dentro da mesma sala.
Ideias novas, as mais salientes prendem-se com o aumento da escolaridade obrigatória para o 12ºano e a obrigatoriedade de frequência de todas as crianças até aos cinco anos no ensino pré-escolar, a isto misturado bolsas de estudo para todos os alunos carenciados, mas sobre estas medidas falarei noutro post, porque embora bonitas logo a primeira esconde um monstro horrível, mas estas medidas apresentadas no congresso serviram para "mostrar" a sua esquerda. Mais ideias para a governação não houve, não se falou das grandes medidas já tidas como garantidas pelos socialistas como a eutanásia e o casamento dos homossexuais, com excepção ao discurso dos “cães com cães e dos cavalos com os cavalos”. Obviamente também não se falou da crise económica, não convinha, era uma festa para alegrar os socialistas e de mostrar uma imagem de “está tudo bem”, não servia para falar da real governação e consequente péssima realidade do país, servia para folclore, não para deprimir com a verdade.
A ausência mais notada foi a de Manuel Alegre, embora tenha aceite um lugar na comissão de honra do partido, a este somaram-se António Seguro e João Cravinho, mostrando que nestas festas de legitimação unanimistas não vale a pena falar, embora tenham razões para isso.
Em suma, este foi um congresso que serviu para festejar a legislatura, fazer folclore, para lançar as campanhas eleitorais, não apresentando ideias para o presente, mas fazendo o papel de coitadinhos perseguidos e atacando a oposição, não as suas ideias mas as suas atitudes. Falando muitas vezes do XVI governo, referindo os três maus anos, em que este governo trabalhou, de um conjunto de 10 anos em que os primeiros sete que não são certamente os melhores, foram ocupados pelos governos de António Guterres, ou seja, dois governos socialistas e esses sim, transformaram o pais num pântano e meteram na altura o “pais de tanga”. Tudo dito com a cábula do teleponto deixando transparecer o marketing politico tão característico de Sócrates. Mostraram a arrogância do poder absoluto e reclamam outra, muito perigosa, dose igual, gritando com a chantagem mentirosa da instabilidade governativa, pois todos sabem que talvez esse seja a única esperança de acabar com os ataques a quem trabalha e ao contribuinte comum, aqueles de que os socialistas se esqueceram nesta legislatura.















