BullyingEsta semana uma criança suicidou-se por causa do bullying. Todo este caso é lamentável e provavelmente, ou pelo menos eu espero, serviu para algumas entidades abrirem os olhos para o que estão a fazer à educação em Portugal, até porque a educação sofre também de bullying devido à incompetência governativa.
Bullying sempre existiu, mais ou menos, de uma forma ou de outra, sempre aconteceu. Claro que as medidas de repreensão eram diferentes, de acordo com o caso, o aluno poderia ter apenas uma conversa com o Presidente do Conselho Directivo “à porta fechada”, até à medida mais grave em que seria expulso. Mas basta recordarmos os nossos tempos de escola e certamente nos recordaremos dos gandulos que eram conhecidos por serem perigosos, claro está, perigosos à escala da infância.
Podemos vir com mil e uma desculpas, culpar a sociedade, culpar a internet, culpar os telemóveis com máquina fotográfica, culpar a televisão, culpar as PSP’s, culpar o Dragon Ball, enfim culpar tudo e esquecermos o essencial, o agressor e o agredido. O sistema de ensino vive de mãos atadas para casos destes, senão vejamos, em caso de bullying o aluno é chamado, explica-se e logo entra a comissão de protecção de menores, entra logo mas depois o caso encalha, passam anos até se ouvir alguma solução, aos professores são pedidos relatórios periódicos, mas nunca lhes é dado um feedback que seja. Os pais são chamados, depois existem vários tipos de pais, os que aparecem e dizem que já não sabem o que fazer, os que culpam o agredido, os que culpam os professores e os que simplesmente não aparecem, não atendem o telefone, se não fosse por condição natural e aquela criança não poder ter surgido por geração espontânea, poder-se-ia dizer que os paizinhos não existiam. Mas com tudo isto o aluno permanece na escola, em contacto com o agredido que se arrisca a apanhar ainda mais por ter feito queixa.
A solução, no meu ponto de vista, passa por algo que eu defendo há muito tempo, passar a responsabilizar os pais do agressor judicialmente, apurar rapidamente o caso na escola, entre Professores da turma, caso seja dentro de uma turma, Director de Turma e Conselho Executivo, informar a comissão de menores e caso a situação seja complicada agir logo judicialmente sobre os pais, que rapidamente teriam que explicar a um juiz que deferia ou indeferia a sugestão da escola e pagariam uma multa. Porque nada pior do que ter que passar pela vergonha de ser presente a um juiz por causa do filho e nada mais mexe do que tocar no bolso destes encarregados. Caso seja um aluno com escalão perdia logo direito ao mesmo, caso os pais sejam subsidio-dependentes o subsídio teria que ser revisto e enquanto fosse revisto estaria suspenso, sem direito à retroactividade. Certamente os casos tanto de bullying como os de indisciplina diminuiriam drasticamente. Posso ser acusado de radicalismo, não me incomoda, até porque todos os dias assisto a pequenos casos de indisciplina, já tive que intervir em situações de bullying e sempre achei que se tratava de algo que estava a crescer, infelizmente também disse que estavam à espera da tragédia para resolver o problema. A tragédia aconteceu, uma criança está morta, espero que não esperem pela próxima para ter a certeza e que tomem medidas, mas medidas reais, bem sei que é difícil Sócrates fazer algo porque isto mexeria com votos e faria bem à educação duas coisas inadmissíveis para os governos socialistas.
António Manuel Guimarães