Presidenciais II Disse no post anterior que estas foram as eleições mais estranhas de Portugal desde o 25 de Abril e penso que esta ideia é consensual. Não foi devido ao elevado número de abstenção que infelizmente, no que a presidenciais diz respeito bateu todos os recordes, mas sim devido às razões que levaram a estes resultados. Numa análise primária, sem conhecer todos os factos, poderíamos utilizar as conversas do costume, o desinteresse e desconfiança dos portugueses pela política, a provável reeleição e sentir que o dever de votar era desnecessário e até o frio, sim porque estava uma temperatura bem desagradável, mas a verdade é que este resultado apenas se deveu à incompetência do Governo em garantir umas eleições em condições. É verdade, Portugal teve umas eleições que em termos de organização só é comparável a um país de terceiro mundo, porque um país que não consegue garantir que todos os seus eleitores votem é simplesmente terceiro-mundista. Razão, a falta de informação aos eleitores que ao renovarem a sua identificação para o cartão do cidadão ficaram com a morada actualizada e portanto muitos mudaram de junta de freguesia e portanto não iriam votar no mesmo local de sempre. Depois porque o sistema informático não conseguiu dar resposta a todos os pedidos e por volta das 13 horas, estava simplesmente encravado. Ainda hoje estou à espera de um pedido que fiz por sms, felizmente a minha junta era a mesma e consegui dar com a cabine de voto, mas muitos portugueses não conseguiram, foram à sua junta antiga e não conseguiram saber onde deveriam votar, diz-se que em Lisboa as filas para as informações eram gigantescas ouvi até relatos que alguns funcionários de juntas diziam a pessoas idosas para irem ver o seu número na Internet, claro que estes enregelados velhinhos foram para casa mas não para ver o número na net para para ver o filme da tarde na T.V.I.. O Ministério da Administração Interna não conseguiu perceber o que poderia acontecer e não soube dar a informação devida aos eleitores, claro que para mim que não tenho nenhuma função é fácil falar, mas estes senhores são principescamente pagos para tomar estas medidas. Sinceramente esperava por demissões ou na Comissão Nacional de Eleições ou no Ministério, porque não conseguiram garantir que todos os eleitores conseguissem votar sendo um grave atentado aos princípios democráticos portugueses. Mas bem à portuguesa o Ministro veio hoje pedir desculpas e pronto, considera que está resolvido, como se tivesse dado um encontrão a uma pessoa na rua. Assim tivemos uma abstenção brutal, típica de terceiro mundo, cujos responsáveis não são os eleitores, são mais uma vez os incompetentes socialistas que nos desgovernam.
António Manuel Guimarães




