quarta-feira, junho 30, 2004

100 Post

È verdade aquilo que começou como uma mera brincadeira, inconsequente com poucas perspectivas de grandes futuros ou continuidade, já ultrapassou os 100 Post e as 500 Visitas.

Há que começar por agradecer todos aqueles que tem tido a paciência de nos ler. A todos bem o meu agradecimento especial.

Igualmente não posso deixar de agradecer os meus dois companheiros desta aventura. Ao António Guimarães que apesar de nos ter brindado com poucos Post, foram apontamento concisos, pragmáticos, inteligentes e que tocaram no cerne das questões. Ao Paulo Pinheiro, detentor de um enorme talento para a escrita, irónico quanto baste, frontal às vezes até em demasia, nos tem deixados Post mais literários idiossincráticos e metafísicos, aqui e ali tocados com uma pitada de crónicas desportivas.
A eles os dois o meu muito obrigado.

António Cipriano
E O Diabo Que Governe

E pronto, Durão Barroso já foi apresentado como Presidente da Comissão Europeia indigitado, já respondeu às perguntas dos jornalistas europeus sobre os seus planos e posições. E nós por cá continuamos a viver uma crise politica provocada por esta situação, uma situação que tenha o desfecho que tiver será sempre algo parecido com um desastre, que poderá ter as mais diversas consequências, mas essas só poderão ser analisadas no futuro. Mas para já temos alguns quadros em que um será certamente aquele que se apresentará nos próximos dias.
Um deles é sem duvida a nomeação do actual Vice-Presidente do PPD/PSD, Pedro Santana Lopes, para o cargo de primeiro-ministro, dizendo quem defende esta teoria, que ela é para o bem do estado, para manter as reformas em curso e a estabilidade do governo. Argumentos um pouco estranhos, visto que é publico que no momento em que for nomeado o novo primeiro-ministro, uma grande quantidade de ministros abandonam o governo, alguns deles com bastante importância a todos os níveis, sendo a principal, aquela que o Presidente do Governo Regional da Madeira chamou no dia 29 de Junho, de idiota, falo da Doutora Manuela Ferreira Leite, que é a ministra das finanças, que aplicou uma série de medidas (boas ou más só o tempo o diria), que correm um sério risco de ficarem a meio, com tudo de mau que isso implica e com todas as outras eventuais saídas, a estabilidade é o ultimo argumento que deve ser aplicado, além de todos sabermos qual a posição de Santana Lopes sobre a coligação e que ela eventualmente estaria a prazo no momento em que ele fosse nomeado.
Outro cenário possível seria, aquele que eu considero mais provável embora tão desejável como o anterior, que é o de eleições legislativas e que de acordo com a lógica teria como vencedores os meninos do P.S. (que já só por si é mau quanto baste), que como é tradição, assim que os novos ministros se sentassem nas secretárias iriam fazer as suas reformas, partindo tudo quanto tinha sido feito, e fazendo tudo de novo e como também é tradição, o mais provável era ficar tudo mal feito.
Entre estes dois tristes cenários possíveis, eu poderia dizer algo como: entre estes dois cenários venha o diabo e escolha, mas não, o que eu digo é mais simples: com estes dois cenários venha o diabo e……….governe.
Termino desejando que todos os políticos em Portugal apoiem Durão Barroso, e as maiores felicidades para o novo cargo que vai desempenhar e que prestigie Portugal na Europa

António Manuel P. S. Guimarães

segunda-feira, junho 28, 2004

Perplexidade

Perplexidade, surpresa, confusão foram os primeiros sentimentos que me surgiram após a noticia da partida de Durão Barroso do governo. Durante toda a semana li diversos noticias prevendo este desfecho, mas confesso que nunca deu muita importâncias às mesmas, especialmente depois de o próprio Durão Barroso ter referido que não era candidato à Presidência da Comissão Europeia. Mas como em política a única certeza é a incerteza, tudo mudou.

Durão Barroso durante tanto tempo lutou para ser primeiro ministro, tomando mediadas impopulares mas necessárias, e agora que a retoma já vinha ai............. vai-se embora, deixando o país órfão. E porque? Sim Porque?
Em termos pessoais compreendo, um cargo de muita visibilidade, protagonismo, possibilidade de entrar nos livros de história, 5 anos de estabilidade profissional. Mas e o país? De que necessita o País?
O país precisava de Durão para rumar a bom porto, não de mais um emigrante de luxo que sobre a capa de ir defender Portugal, entregue o leve a marinheiros de segunda. Estou desiludido com Durão.........

E agora? Bem agora, no meu ponto de vista e apesar de tudo aquilo que Portugal não necessitava ser de eleições, penso que estas são inevitáveis e necessárias. Um Governo da parelha de Santana Lopes/Paulo Portas sem ser sufragado sofre de falta de legitimidade pois todos votaram em Durão e não no PSD/CDS. Um governo assim, seria inevitavelmente alvo de criticas constantes, e motivo de instabilidade. A sua queda seria uma questão de poucos meses. Entre dois valores o da Estabilidade e o da Legitimidade Democrática do Poder deve prevalecer a Legitimidade Democrática, logo nada a fazer. Só nos resta Eleições!!!!

António Cipriano
Euro 2004 – Quartos de final


O primeiro jogo dos quartos de final foi, sem dúvida, o melhor jogo dos quartos e do Euro 2004, correndo riscos de ser mesmo o melhor. A Grécia venceu uma sub- França que deu a entender que a sua participação nos quartos de final, foi obra do ocaso, do que algum mérito. Após sofrer o golo grego, só teve uma arrancada através do suplente, Rithen, muito pouco em cerca de meia-hora que tinha para inverter a tendência do jogo. A Suécia, que começou muito bem o Euro, acabou por ir baixando o seu nível exibicional até se mostrar uma equipa receosa durante 105 minutos do seu jogo com a Holanda, fazendo ambas as equipas 15 minutos muito agradáveis durante a segunda parte do prolongamento. Venceu a Holanda, deixando para trás a malapata das grandes penalidades. No derradeiro jogo, a Dinamarca resistiu durante 48 minutos a uma grande selecção checa, que todos esperam ver na final dia 4 de Julho com Portugal, querendo uma vingança portuguesa pela eliminação no Euro 96.

PP

sexta-feira, junho 25, 2004

Portugal

Portugal é um país curioso, de traços atípicos, mas são estas características muitas vezes contraditórias que fazem de Portugal uma grande Nação.

Portugal vive ou numa angustia, numa falta horripilante de autoconfiança ,de descredito em si ou num estado de delírio e euforia.

Hoje Portugal vive mais uma onda de euforia, de patriotismo, de autoconfiança, e tudo devido a um jogo de futebol. Ontem no campo os portugueses demonstraram que quando se unem, trabalham, lutam e acreditam, nada é impossível. Que Portugal é um país capaz de ombrear com os chamados países do primeiro mundo.

Espero que este entusiasmo, esta vontade de vencer, de trabalhar, estravasse os campos de futebol e se torne num sentimento geral da sociedade, que contamine empresas, repartições publicas, escolas, universidades e em ultima analise o mais intimo dos portugueses. Se assim for, os desafios da produtividade, da globalização, do desenvolvimento sustentável serão uma conquista certa.

António Cipriano
Portugal, Portugal, Portugal


É com a voz rouca e o cabelo rapado devido a promessa feita de que se Portugal ontem ganhasse, ficaria com ele a pente um. Mas feliz e satisfeito. Crente de que a época das vitórias morais não tarda a acabar. Portugal ganhou porque foi melhor. Ponto final. Nem o deslize de Costinha tira o brilho ao melhor e mais emocionante jogo do Europeu. Mais uma vez fomos carrascos dos ingleses, algo a que não estamos habituados, mas que urge mudar essa mentalidade. Temos selecção. Temos um apoio fantástico nas ruas. Temos orgulho de sermos portugueses. E, nesta hora, lembrem-se os detractores de que temos um grande seleccionador, que acredita nos seus jogadores e arriscou em termos atacantes, quando o Eriksson, ao invés, trocava o médio Paul Scholes pelo defesa Phil Neville. Sofremos a bom sofrer, é certo, mas é no calor destes jogos que se forja o espírito de campeão. Portugal é um país pequeno, mas ontem teve uma alma do tamanho do Mundo.


PP

quinta-feira, junho 24, 2004

Euro 2004 – Terceira jornada


O grupo A de Portugal abriu as portas da terceira e última jornada. E bem, diga-se. O Portugal – Espanha acabou por ser o melhor jogo depois do Holanda – Rep. Checa. A Rússia veio provar o que eu anteriormente tinha referido, a selecção grega é banal, apesar de ter passado às custas de uma Espanha que já tinha sido relegada para os play-offs pela Grécia na fase de apuramento.
A França ficou em primeiro no Grupo B, com um futebol pouco convicente e que assim sendo terá mais dificuldades perante a defesa grega do que teve até agora. Croácia e Suiça sofreram seis golos, enquanto os gauleses e ingleses sofreram quatro golos, o que é muito para condidatos ao título. Rooney está a ser o goleador, mas não há razões para alarmes para as cores nacionais.
O Grupo C, acabou por ser o grupo da conspiração nórdica que derrubou a Itália, que se apresentou com o seu esquema defensivo habitual, em que nenhum adepto ainda tem paciência de ver. Apesar de tudo, ironicamente, acabaram por fazer os melhores três jogos da primeira fase de que eu tenho memória. O golo nos descontos, ainda fez sonhar, mas muito pouco. Segundos antes a Suécia havia feito o dois igual necessário e acabava o jogo com uma vergonhosa troca de passes entre o seu guarda-redes e defesas, sem que nenhum dinamarquês se aproximasse.
No Grupo D passaram as duas melhores equipas, Holanda e Rep. Checa, que venceram respectivamente a Letónia e a Alemanha, que pelo segundo europeu consecutivo, não passou aos quartos de final.
Hoje é dia de sonho para todos os portugueses, bem mais esperançados na vitória sobre a Inglaterra, do que na de domingo passado sobre a Espanha. E com legítimas esperanças, com mais moral e menos ais.

PP

terça-feira, junho 22, 2004

Reviravoltas

No passado domingo na 2:, talvez devido a ser uma personagem atípica, em vez de ir para as ruas comemorar a vitoria da selecção, isto apesar de ter ficado bastante contente com a vitória, fiquei em casa a ver o programa de entrevistas “Diga lá excelência” na 2: O convidado do dia era o Dr. João Soares.

Ao longo de 45 minutos de entrevista João Soares limitou-se a posições prevísiveis reafirmando a sua candidatura a líder do Ps. Mas a razão deste Post é outra. A certa altura a questão das presidenciais vem ao lume. João Soares reafirmou o apoio a candidatura de António Guterres. No entanto caso este não se candidate, João Soares apresentou um outro nome – Freitas do Amaral.

João Soares justificou que se trata de um homem com currículo, que defende a despenalização do aborto, que é conta a guerra no Iraque, no fundo um homem de esquerda. Um homem que tal como Sousa Franco fez o caminho da direita para a Esquerda.

Quem diria que Freitas do Amaral, de ex-lider do CDS, e ex-candidato presidencial da direita era agora um militante da esquerda, quase BE, e que poderia ser referenciado pela esquerda como possível candidato presidencial.

As voltas que a política dá.


António Cipriano

segunda-feira, junho 21, 2004

Parabéns Portugal


Não escondo que foi um daqueles velhos do Restelo que nunca acredito na selecção e em particular no senhor Scolari. Aliás no Scolari ainda não acredito, já na selecção tudo mudou. De uma equipa apática frente à Grécia passamos para uma equipa confiante batalhadora que joga um grande futebol.

De toda equipa que jogou bem, á que destacar o grande jogo do Deco, do incrível Ronaldo e do Imperador Ricardo Carvalho.

Força Portugal

António Cipriano

sábado, junho 19, 2004

O Euro 2004 de tanga

Este europeu de futebol, finda a segunda jornada tem sido até agora uma desilusão a nível geral. Três jogos acabaram em nulos, muito por culpa da rigidez táctica que as equipas apresentam e a falta de brilho das suas supostas mais valias. Começando pelo Grupo A, a Rússia e uma sombra ridícula de outras gerações anteriores e é juntamente com a Bulgária, as duas piores selecções. Portugal e Espanha, apesar dos craques foram medíocres, pois ambas foram incapazes de ultrapassar uma Grécia bem organizada, mas rígida de criatividade.
Passando ao Grupo B, lidera a equipa que pelos dois jogos, merecia zero pontos. Só um golpe dos deuses do futebol permitiram a vitória contra a Inglaterra e o empate contra a Croácia e o apuramento quase certo de uma França que é um equívoco, pois jogou pior que os adversários mas ganhou pontos. A Suiça é fraca. Inglaterra proporcionou dois bons espectáculos e a Croácia alternou o mau com o bom.
No Grupo C, a Suécia apresenta um futebol muito agradável, diria quase o melhor futebol, se exceptuarmos o mais espectacular jogo da segunda jornada o Holanda – Rep. Checa. A Bulgária já foi referida com das piores selecções, a Itália apresenta o seu futebol pouco apelativo, jogando com carroceiros como Gattuso e deixando no banco os virtuosos. A Dinamarca é descomplexada e está a fazer um europeu ao nível das suas potencialidades.
No Grupo da morte, a Alemanha não faz jus ao seu passado brilhante em Europeus e Mundiais, com doze finais e seis títulos, três europeus e três mundiais. Apresenta um grupo de jogadores banais, longe da qualidade de Mathaus, Klinsmann, Voeller, Brehme, entre outros. A Rep. Checa fez uma excelente recuperação contra a Holanda depois de estar a perder por dois golos de diferença, devendo ser estas as duas selecções a passar a fase seguinte. A Letónia surpreendeu na sua estreia, mas a Alemanha, como foi dito esta a procurar melhores dias.
Concluindo, este europeu está de tanga, ou seja, nivelado por baixo, mas espera-se que ainda possa melhorar se deixarem a rigidez táctica de lado (apenas três jogos tiveram golos marcados antes dos vinte minutos, a saber: Portugal – Grécia, Portugal – Rússia e Holanda – Rep. Checa) e deixarem a magia dos criativos fluir.

PP

quinta-feira, junho 17, 2004

Portugal -Espanha

Desde a sua fundação até aos dias hoje, Portugal tem vivido em constante luta e competição com Castela primeiro, e agora Espanha. Primeiro pela independência e autonomia política, depois pela colonização dos novos mundos e agora pela independência económica.

Sobretudo a partir de 1986 com a entrada de Portugal e Espanha para a então CEE, e com a consequente abertura dos mercados, os diferentes sectores económicos, nomeadamente a industria, as pescas e a agricultura tem vivido uma autentica guerra, quase sempre favorável a Espanha.

Assim temos vindo a ser invadidos pelos produtos espanhóis e pelas empresas espanholas, de tal forma que em certos casos Portugal parece um província de Espanha. Basta deslocarmo-nos a qualquer centro comercial, para encontramos uma imensidão de lojas castelhanas (Zara, Don Algodon, Mango, etc.) Para completar o cenário, empresas importantes como o Grupo Totta, a Somague, o BNC tem sido adquiridas pelos espanhóis.

Mas a culpas não é de Espanha, mas sim da falta de dinamismo da economia e dos agentes económicos portugueses.

Pois bem, é perante este cenário de competição com Espanha que no domingo vamos ter o confronto futebolístico Portugal-Espanha.

Uma vitória de Portugal seria importante para o reafirmar da confiança e auto-estima nacional e para demonstrar ao mundo e a Espanha que somos fortes e autónomos. É certo que não passa de um jogo de bola, mas o caracter simbólico ultrapassa em muito as fronteiras do futebol.

Só me resta desejar: Força Portugal


António Cipriano

quarta-feira, junho 16, 2004

Ainda as Eleições Europeias

O Partido Socialistas conseguiu uma vitória inequívoca e sem margem para questões. Pergunto-me se esta terá sido a vitoria que o PS precisava. Com esta vitória expressiva, a margem de manobra e a força de Ferro Rodrigues saíram reforçadas. No entanto todos sabem, especialmente os socialistas de que com Ferro Rodrigues a secretário Geral será quase impossível vencer as eleições legislativas, só mesmo se Durão Barroso cometer erros patéticos. Aquilo que o PS precisava era de uma vitória à tangente em que Ferro Rodrigues ficasse numa situação periclitante e abrisse alas para novos delfins (José Socrates, Gama ou o António Vitórino)

Com a vitória nas Europeias o PS não se irá livrar da sua peste, e com isso deu mais um trunfo á coligação.

António Cipriano

segunda-feira, junho 14, 2004

VENCEDOR

O Grande vencedor das Eleições Europeias foi o partido da andorinha, o partido da nova democracia de Manuel Monteiro. Manuel Monteiro tinha durante a campanha afirmado por mais de uma vez, que era o lider dos abstencionistas, dos que não acreditaram no sistema. O PND e Manuel Monteiro tiveram assim 61% das preferencias dos eleitores.

Estranho mesmo é o PND não ter eleito nenhum deputado !!!


António Cipriano

domingo, junho 13, 2004

Bandeiras ao vento


Na ultima semana, Portugal foi alvo de um fenómeno curioso. Uma onda de nacionalismo subjacente num mar de bandeiras nacionais percorre varandas, montras alpendres, ruas, carros e cidades. Portugal e os portugueses mobilizam-se, unem-se em torno de um objectivo, uma esperança ainda que ilusória de uma vitória futebolística, como se isso fosse resolver o desemprego ou a crise económica.

Toda esta onda de patriotismo é positiva. No entanto estranho que os portugueses apenas se mobilizem em volta do futebol. Afinal, batalhas mais importantes como a produtividade , o desemprego e a justiça não cativam os portugueses.

Portugal continuam a viver em torno de sonhos de grandeza, de gloria, preferindo-se aliar da realidade.

Deus queira que agora seja diferente. Que a mobilização em torno da selecção seja o primeiro passo para a mobilização de todos, para os reais problemas do país

António Cipriano


quinta-feira, junho 10, 2004

Homenagens

Esta semana fica tristemente marcada pela morte de dois homens de convicções: Sousa Fraco e Lino de Carvalho

De Sousa Franco, que apesar de ter tido um percurso incaracterístico (CDS, PSD, PS), e um feitio especial,era alguém intelectualmente superior, um grande académico, um homem que muito deu a Portugal. Triste mesmo foi as circunstancias da sua morte

Lino de Carvalho, um camarada, um comuna à antiga de convicções fortes, um grande parlamentar, um homem de abril.

A Sousa Franco e a Lino de Carvalho, as minhas homenagens

António Cipriano

terça-feira, junho 08, 2004

Eleições Europeias - 4º Parte
CDU


Sempre que penso na CDU uma duvida me assombra os pensamentos? Que partido é este? Afinal só nas eleições é que se ouve falar dele. Mas mais grave, por algum fenómeno tipo “EX-Files” os seus deputados, no dia seguinte às eleições deixam as cores da CDU e passam-se para o PCP, remetendo a CDU para os esquecimento.


Mas agora mais a serio. Nesta campanha a CDU, continua o seu percurso, traulitando o discurso de sempre, “a Cassete”, vulgo documento histórico, mas que obviamente já não passa de uma ladainha. De novo no discurso só mesmo os cartões vermelhos.


Facto Positivo – A postura lutadora da cabeça de Lista, Ilda Furacão, desculpem, Ilda Figueiredo, que desde há 3 meses vem fazendo campanha por todo o país

Facto Negativo – Discurso anacrónico, ultrapassado, agravado nestas eleições pela estratégia dos cartões vermelhos

António Cipriano

segunda-feira, junho 07, 2004

Eleições Europeias – 3º Parte
Partido Nacional Renovador


Poucos saberiam que existe o Partido Nacional Renovador (PNR). Alias só descobri a existência de tal partido, após ter visionado o sempre pedagógico tempo de antena.
Pois bem o PNR, caracteriza-se a si próprio por ser um partido defensor de Portugal, da independia nacional, que defende o encerramento das fronteiras e a expulsão dos imigrantes.

O PNR apresenta como principal imagem de marca da sua campanha, a imagem do seu líder dando um vigoroso abraço na figura “democrática” de Jean Marie Le Pen.

Com o PNR, partido Racista, de extrema–direita entramos no pelotão europeu dos países desenvolvidos como a Áustria, a França, a Holanda.

Por que será que só temos as coisas más da Europa ?

António Cipriano

domingo, junho 06, 2004

Eleições Europeias – 2º Parte
Partido Socialista


Ao analisarmos a lista socialista encontramos nomes como Sousa Franco, António Costa, Capoulas Santos, Elisa Ferreira e outros como Jamila Madeira e Edita Estrela, o que facilmente nos traz à recordação o período guterrista e os seus efeitos patológicos (défice, despesa publica desvairada, descontrolo, etc). A impressão que dá é que os ex-ministros de Guterres não acreditando na volta do PS ao poder para breve, procuram um “Tacho” nas galerias sempre simpáticas de Estrasburgo.

Relativamente a campanha propriamente dita, esta tem sido marcada pela futebolização, pela ausência de ideias sobre a Europa e mesmo sobre os país resumindo-se aos apitos e aos cartões amarelos. Sousa Franço, Pai do Défice, personagem de elevados créditos intelectuais tem vindo a fazer um campanha tradicional de mercados e feiras limitando-se a ser mais uma personagem do Show-off, sem trazer algo de novo.

Facto Positivo: A luta constante contra a abstenção
Facto negativo: Discurso vazio, entrada na corrida pelos insultos e argumentação baseada no Cartão Amarelo

António Cipriano

sábado, junho 05, 2004

Morreu um Senhor


Foi com tristeza que há poucos minutos vi a notícia no Jornal 2 da morte do ex-Presidente dos EUA, Ronald Reagan. Este foi o primeiro presidente que me lembro de ver na televisão, quando eu era ainda uma criança, resaltando-me na memória o atentado à sua vida na década de oitenta. Fiquei sempre com a imagem de que seria um grande senhor, pelo menos é a imagem com que ficarei dele.

PP

sexta-feira, junho 04, 2004

Eleições Europeias

Vai bonita a campanha eleitoral para as europeias. Tem sido curioso ver como os cabeça de lista tem sido combativos, especialmente nas apresentações de propostas e iniciativas no caso de ganharem, tal como a cordialidade que tem sido o mote das campanhas, o alto nível dos intervenientes e tudo o resto.... curioso, muito curioso, especialmente porque ainda não vi nada disto! Que campanha... que tristeza, onde o insulto, a baixeza de nível, os ataques pessoais, as afirmações infundadas sobre os outros candidatos e a utilização do futebol como meio de caça ao voto como se a política portuguesa fosse como o Big-Brother ou tivesse a importância de um jogo de futebol. O pior é que no meio de tudo isto, o que vai acontecer, é que os portugueses, que ao contrário do que alguns acreditam não são burros nenhuns, vão dar aos nossos políticos a resposta que eles merecem, e essa resposta será dada no dias das eleições, com uma das maiores abstenções de sempre em Portugal. Tenho pena que assim seja, porque eu sou contra a abstenção, porque decididamente essa é a pior solução, mais vale a pena votar em branco, mas marcar presença, do que não aparecer e deixar que os outros decidam por nós. Mas este é o triste caminho que a nosso jovem democracia leva. E percebam que estas eleições são demasiado importantes para Portugal, porque se nós ainda somos hoje uma democracia, então devemo-la à União Europeia, porque se não fosse a U.E. já hoje teríamos caído no abismo, um abismo de onde levaríamos mais 48 anos a sair.

António Manuel P. S. Guimarães
Eleições Europeias – 1º Parte
Coligação Força Portugal


Começo hoje uma serie de posts sobre as diferentes listas ao Parlamento Europeu.

A lista do PSD/CDS-PP começa necessariamente por resultar de um equivoco, de uma não vontade, fruto das circunstancias. Todos conhecemos as diferenças de opiniões e de posições face a Europa do PSD e do CDS.

O PSD é e sempre foi, um partido defensor do projecto europeu, o qual teve presente em todos os momentos cruciais (adesão a CEE, apoio ao alargamento, defensor da moeda Única) . Já o CDS-PP de adversário do projecto Europeu, critico constante da Europa passou agora para uma posição dúbia de eurocalmo. Mas afinal o que é um partido Eurocalmo? Duvido eles próprios saibam. No fundo o CDS continuo o mesmo partido radical e populista de sempre. De resto a coligação “Força Portugal” tem, ficado negativamente associada à estratégia de insultos e baixa política que Paulo Portas e seus muchachos tem realizado. Mas também o que se poderia esperar de tais figuras.

Quanto ao PSD propriamente dito, nomeadamente o Prof. Deus Pinheiro tem feito uma campanha correcta, com algumas tentativas de chamar as questões europeias para o debate, numa postura integra e demonstrado facilidade no contacto com as massas, apelando constantemente à não abstenção

Facto Positivo: Postura aberta e responsavel do cabeça de lista, qualidade humana da lista

Facto negativo: Política de insultos dos membros do CDS e excessiva futebolização da campanha


António Cipriano

quarta-feira, junho 02, 2004

Bush

Segundo declarações publicadas no Público de hoje, Bush terá dito: “Eu não tive qualquer papel, zero”, quando se referia à escolha do governo do Iraque. Não se preocupe Sr. Bush, ninguém acredita que tenha algum papel no que quer que seja, excepto nas casas de banho da Casa Branca.

PP
Nalgum lugar

A transpiração corre pela minha fronte. A minha garganta seca repentinamente, amarrotada num nó invisível de tensão. Quero falar-te e não consigo. Dizer-te por palavras, o que és. Mas és mais do que palavras. És tudo para mim. Gabriel Garcia Marquez dizia podes ser o mundo de alguém. E és. Todo o meu mundo. O amor colorido a arco-íris, pintado na tela que é a minha alma. Se a alma é imortal, então deves ser a minha. Congela o tempo nas asas da saudade que sinto. Saboreio o momento como o vento que toca os meus lábios. Simplesmente adoro-te. E tu não sabes. Não desconfias. Não mostras sentimento algum por mim. Eu voo no teu pensamento, mais rápido que um Concorde. Também andas triste, mas és cega. Eu aqui ao teu lado suando de emoção e tu dizes que te sentes só. Eu gosto de ti. É apenas o que me sai da boca. Tu sorris e beijas a minha face rubra, como se eu fosse teu irmão. Interpretaste mal as minhas palavras, vagas e vãs, enfim. E partiste. Até à próxima.

PP

terça-feira, junho 01, 2004

Léxico de campanha

Todos já conhecemos o pouco interesse que as eleições europeias suscitam nos portugueses. Assim era de esperar por parte da classe um política, um comportamento proactivo, que visasse debelar o mal da abstenção, através do esclarecimento cabal da importância da Europa e das questões europeias para o quotidiano de todos.

Mas ao envés, temos assistido a um espectáculo triste , de picardias sem sentido, de um discurso vazio de ideias e cheio de futeboles (cartões amarelos, vermelhos), acabando mesmo nos últimos dias na mera troca de insultos.

Que grande exemplo que as nossas pseudo-elites estão a dar.

E depois admiram-se que as pessoas pensem mal da política e dos políticos

António Cipriano

quinta-feira, maio 27, 2004

Porto


Todo o país acordou satisfeito com o feito do Porto. Não é para menos. O Porto só chegou onde chegou, a sua equipa foi a melhor ontem, como tinha sido anteriormente. Deco mostrou a sua rebeldia, marcando um golo, quase a gozar com os adversários tal a sua calma ao marcar o segundo golo. Estão todos de parabéns, excepto Mourinho, cujo comportamento é reprovável. Quem ganha cem mil contos num país como o nosso, com tanto desemprego deveria ter mais respeito pelos adeptos e sócios do clube que o acolheu, quando era o treinador de uma equipa portuguesa mediana.

PP
PORTO - PORTO - PORTO


Ontem 26 de Maio, apesar de Sportingistas dos quatros costados, transfigurei-me por completo num dragão tripeiro, 100% azul e Branco.

Apesar do jogo ter deixado muito a desejar, à que dar os parabéns ao Grande Porto. Como facto negativo só mesmo o comportamento do Mourinho.

E Viva ao Futebol Clube do Porto


António Cipriano

domingo, maio 23, 2004

Viva à Republica

Ontem num fenómeno inexplicável, Portugal viveu a euforia do casamento real. Ruas, lojas, ficaram semi-vazias, visto todos terem ficado pregados ao televisor sob pena de perder picada. Até mesmo o XXV Congresso do PSD na parte da manhã se encontrava semi-vazio de congressistas.

Mas afinal que fenómeno é este? Estaremos todos sobre o síndroma da imprensa cor-de-rosa? Sermos interiormente monárquicos?

Afinal a monarquia é meramente um processo de violação dos Direitos do Homem. Senão vejamos: Segundo a Declaração dos Direitos dos Homem todos quando nascemos somos iguais perante a sociedade. Na Monarquia tal não acontece. D. Filipe quando nasceu tornou-se imediatamente futuro Rei, representante do poder temporal. E baseado em que méritos? Nos seus 36 anos, o que D. Filipe fez pela Espanha, para além de ajudar a lapidar os cofres do estado e sorrir?

É por estas e por outras, que dou graças à Republica em Portugal.
Com a capacidade de D. Duarte fazer filhos, decerto que nunca mais controlávamos o défice.

António Cipriano

sexta-feira, maio 21, 2004

Fim de um Equivoco

À pouco mais de um ano, uma figura cinzenta, a lembrar nas suas acções “Mr. Bean” assumiu o Ministério das Cidades e Ambiente.

Logo no dia seguinte à sua posse, foi possível ver o equivoco, o erro de casting que este tinha sido a nomeação deste senhor.

Pena é que tenha sido necessário mais de um ano para corrigir o equivoco.............


António Cipriano

terça-feira, maio 18, 2004

Tróia

Foi com grande expectativa que eu esperei por este filme. Confesso que Aquiles é a minha personagem mitológica favorita e achei que o filme seria bom. Engano redondo e total. Quem adaptou a Ilíada e toda a mitologia que circunda a Guerra de Tróia, não teve o mínimo respeito pelos fâs e muitas vezes durante o filme, não teve respeito por si próprio, ao escrever coisas completamente absurdas, como mais à frente passarei a expôr.
1- Retiraram os deuses do filme, então porque passam o filme a falar deles?
2- No início Aquiles aparece como o melhor guerreiro de Agamémnon, quando ele estava na corte do rei Licomedes.
3- Não fazem referência ao nome da mãe de Aquiles, a ninfa Tétis, que sendo imortal aparece no filme como uma velha.
4- Briseida não era prima de Heitor e de Páris.
5- Ájax suicidou-se, não foi morto por Heitor.
6- Menelau não foi morto por Heitor.
7- Pátroclo partiu para a batalha com o consentimento de Aquiles, que lhe emprestou a sua armadura e armas.
8- Quando se tem um exército de 50 mil homens, que diferença fazem menos de 50 guerreiros comandados por Aquiles, quando este nem é invulnerável no filme?
9- Onde esta a personagem Cassandra?
10- Tróia só tinha um guerreiro digno desse nome? Eneias, Sarpédon e Mémnon não combateram? Aliás Eneias aparece como um adolescente.
11- Se retiraram a invulnerabilidade a Aquiles, porque é que Heitor tinha tanta certeza de que ia ser morto, se ele era também um grande guerreiro? (estupidez do argumentista)
12- Toda a acção da Guerra de Tróia narrada na Ilíada passa-se no décimo e último ano dela, enquanto que no filme passa-se logo a seguir à chegada dos Gregos e numa questão de dias.
13- Aquiles nunca participou no Cavalo de Tróia, pois nessa altura já estava morto.
14- Aquiles foi morto com uma seta envenenada no calcanhar e não com três setas no peito.
No fundo, apesar dos efeitos especiais e dos bons actores que apresenta, não são bons argumentos suficientes para um argumento completamente desastroso. Obvimente que esta é a minha opinião pessoal, de quem esperava um filme melhor, que estivesse ao nível de um Senhor dos Anéis, e não um filme apenas feito a pensar no lado comercial, que desrespeita todos os que compraram o bilhete para assistir a um filme, saindo outro totalmente diferente.

PP

quinta-feira, maio 13, 2004

Acorda-me


Ontem fui à ante-estreia da peça de teatro "Acorda-me", no Teatro São Francisco em Lisboa. Esta peça baseada em duas peças do meu amigo Luís Costa Pires, vai estar em cena de amanhã a 26 de Junho, de quinta a sábados pelas 21h30. Quem puder vá ver, é o meu conselho. Não por ser a peça de um amigo, mas pela qualidade não só do guião, como dos actores e do encenador. Luís, estás de parabéns! Boa sorte em projectos futuros.

PP
Hoje


O dia está belo. Céu em tons de azul, os pássaros anunciam a felicidade da Natureza. Tenho sono, adormeço a ouvir as aves, sonho a pensar em ti. Um sono suave, de veludo, não em cor de rosa, como se diz na gíria, mas em todas as tuas cores. A cor dos teus olhos, dos teus lábios, a cor do teu sorriso. Tu és o meu arco íris. Ou talvez não. Quem sabe se não serás o pote de ouro no fim do arco íris.
Sinto-me feliz. A natureza é mágica, a realidade é linda. Como tu. Tu és um gesto, uma palavra, um momento. És mistério. Bruma que me envolve a mente e fascinas-me. Hoje está um belo dia. E eu estou embriagado. Não por álcool, não pelo assombro da beleza deste dia, mas por ti. Por ti. Não ser definido, mas pelo teu gesto, pelas tuas palavras, pelo momento, por ti....

PP
António Champalimaud


Fica aqui a homenagem a um grande homem que muita falta vai fazer a Portugal. António Champalimaud foi desde cedo um visionário que acreditou em Portugal, nas suas capacidades e em sectores como a industria, em que muitos ainda hoje duvidam.

Com o 25 de Abril foi espoliado de muito do seu património. Mas não esmoreceu. No Brasil, apostando na Agricultura e na Industria reconstruiu o império, voltando a Portugal na década de 90, tendo comprado ao estado os seus antigos Bancos.

Agora que faleceu, surpreendeu-nos com mais um acto de grandiosidade. Deixou 500 Milhões de Euros (100 Milhões de Contos), o equivalente a 0,4% do PIB português, metade da riqueza que se espera criar no país só este ano, para a criação de uma Fundação para Investigação Cientifica no âmbito da Medicina.


António Cipriano

terça-feira, maio 11, 2004

Existência

Frustração, Amor, Paixão, Inveja, Vingança, Compaixão, Pena, Medo - sentimentos que entrelaçam a alma, num novelo de dias e dias de existência terrena e que condicionam o nosso caminho e tudo o que vive em nos.

É por este caminho, ora solitário ora de relações mais frias ou sentimentais, de dias, anos, décadas que a nossa personalidade se vai moldando num de dois sentidos de uma Bifurcação:
- O caminho da luz, realização pessoal e humana

- O Caminho da solidão, das trevas, das fraquezas humanas

Oxalá que tome o caminho certo.............


António Cipriano

segunda-feira, maio 10, 2004

Democracia Americano no Iraque

Ao ver as Fotos chocantes e horríveis que tem invadido os jornais e telejornais nos últimos dias, dos prisioneiros iraquianos pergunto-me:

É esta a democracia que os Sr. Bush tanto apregoa?

António Cipriano


sábado, maio 08, 2004

Privatização da Galp

No momento presente, encontra-se em fase final de concurso, a privatização de parte do capital social da Galp. Devido à importância e dimensão da empresa, o apetite pelo assumir do controlo da empresa é grande, existindo quatro candidatos à privatização da mesma.
Uma das empresas concorrentes trata-se da Luso-Oil, consorcio de varias empresas, representado pelo Eng. Angelo Correio, a qual é detida em 60% pela Carlyle. A Carlyle é uma empresa especializada em gestão de fundos tendo como principais investidores, altos membros do Partido Republicano Americano, entre os quais a Família Bush, e o antigo Embaixador Americano em Portugal, no Período do PREC, Frank Carlucci.

Acontece que no âmbito da estratégia da Carlyle a Luso –Oil, constituiu a Caixa Geral de Depósitos como Consultor primeiro, e depois como Financiadora da Operação.

A Caixa Geral de Depósitos é um Banco 100% Publico. A decisão de financiar a Carlyle, a qual envolve elevadíssimos recursos, aos olhos de qualquer mortal, dificilmente poderia ser tomada exclusivamente pelo Concelho de Administração sem consultar o accionista, neste caso o estado, ou seja o Governo.

Obviamente que a conclusão natural, seria que o governo deu aval a operação. E se deu aval a operação, isto implica que o governo já tomou uma decisão final do vencedor do Concurso.
Teríamos então um concurso viciado, só para o Zé ver............

No Parlamento Primeiro ministro visivelmente perturbando negou por completo que a Carlyle esteja a ser beneficiada.

Pode ser que todo este raciocínio, que apesar de lógico, não tenha nada de verdade. Que o governo ainda não tenha tomado uma decisão. E que a escolha do parceiro estratégico para a Galp seja escolhido com base nos interesses da Galp e de Portugal.

Vou dar o beneficio da duvida a Durão Barroso e confiar na sua honestidade. Mas mesmo que assim seja, lá diz o Povo: “ A mulher de César não basta ser seria, é também preciso parecer”

António Cipriano

quinta-feira, maio 06, 2004

Prémio Mística 2003/04



Se alguém merece este ano o Prémio Mística, esse alguém é o Sporting. Depois de tentar, tentar e tentar, a 3 minutos do fim conseguiu garantir o terceiro lugar na SuperLiga.



PP
Debate na Assembleia da República

Gostei, no dia 30 de Abril, (este post foi escrito nesse dia, mas só hoje dia 6 de Maio é que consegui publicá-lo), de ver, de manhã, o debate na Assembleia da Republica. Este debate, onde o nosso 1ºministro estava presente, servia para debater a entrada dos novos 10 membros da União Europeia. Mas curiosamente ou talvez não, serviu para tudo menos isso.
Para começar, ouvi uma comunicação do deputado do PP Telmo Correia, que foi nada mais nada menos, do que uma bajulação publica ao governo e um ataque serrado a todos os partidos da oposição, não referindo nada sobre a entrada dos novos membros da U. E. Isto foi seguido, claro está, de um agradecimento do 1º ministro a este deputado e depois de um breve comentário de Durão Barroso sobre factos das comemorações do 25 de Abril, dizendo que pela 1º vez havia sido atribuído aos ex-combatentes uma “manifestação governamental” pelos serviços prestados (acredito que ele estava r da sua visita a Moçambique, quando deu vivas aos “ heróis da independência nacional de Moçambique...........pois, aqueles heróis que mataram soldados portugueses, porque embora sejam heróis, foi à custa dos nossos militares e do nosso País, País de onde ele é 1º ministro, mas enfim....). Depois falou um pouquinho da União Europeia e criticou o PCP pelo seu radicalismo (hehehehe). E (espantem-se os que me conhecem, porque pela 1ªvez vou falar bem do Carvalhas) logo levou a resposta de Carlos Carvalhas, que no seu inconfundível sotaque beirão, lhe recordou da sua antiga militancia no PCTP/MRPP e das suas antigas convicções e atitudes.
Isto tudo para dizer, que mesmo de estar à um tempo sem ver AR/TV, continuo a par do que por lá se passa, está tudo igual, ou seja, não se fala dos temas propostos, ou são remetidos para segundo plano, serve para fazer ataques partidários e para politiquices baratas, e para não discutir o que interessa.
Até quando é que isto vai continuar assim...............


António Manuel P.S. Guimarães

segunda-feira, maio 03, 2004

Azia

Confesso que não estava com grandes esperanças para o jogo de ontem. Talvez devido as ultimas duas exibições, acreditava pouco no meu Sporting.

Sporting lá perdeu pela 3 vez consecutiva, mas não é menos verdade que o Sporting fez uma óptima exibição, em que não é possível apontar nada aos atletas.

Talvez por isso terei ficado com uma sensação de azia, provocada essencialmente pelo Moreira.

Mas enfim, é futebol.............. Ganha não o Justo mas, quem tem a sorte de seu lado...........

E ontem a sorte foi do Benfica....

A nos adeptos do Sporting, resta-nos sofrer como é nosso apanágio, e esperar pela vingança no próximo ano.

António Cipriano

sábado, maio 01, 2004

Notas dispersas


Nada de especial se tem passado comigo, logo não publiquei posts. Hoje apeteceu-me escrever algumas notas sobre os meus gostos pessoais. Uma da manhã de terças e quartas, não perco no canal AXN, os epiódios do CSI e CSI Miami, duas séries excelentes. Quintas-feiras antes de sair de casa, a série telvisiva que não perco passa na Fox, o Sete palmos de terra. Gosto da nova publicidade da Nike. Se o Futebol fosse sempre assim era mais divertido, infelizmente a selecção portuguesa marca quatro golos e empata dois a dois.

PP

terça-feira, abril 27, 2004

25 de Abril

Nas cerimonias evocativas do 25 dos 30 anos do 25 de abril, foi agraciada com a grande cruz da ordem da Liberdade a Dra. Isabel do Carmo.
Para quem não sabe, a Dra. Isabel do Carmo, no chamado PREC (Período Revolucionário em Curso) foi a representante e voz política dos FP 25 de Abril (grupo terrorista). No âmbito da sua actividade política de defesa dos seus ideais perfeitamente legítimos, a Dra. Isabel do Carmo, não se limitou a troca de argumentos, optando pelos meios violentos (assaltos a bancos, atentados).
Pois bem hoje essa senhora com as mãos manchadas de sangue, não de membros do regime fascista mas de defensores da democracia foi agraciada pela grande cruz da ordem liberdade !!!!

Para completara o ramalhete a Dr. Isabel do Carmo é hoje medica dietética tendo como mercado alvo as meninas ricas de Cascais !


António Cipriano

quarta-feira, abril 21, 2004

Equador

Acabei ontem de ler o romance Equador de Miguel Sousa Tavares. Não gosto do homem. Acho-o extremamente embirrante, e raramente concordo com a sua opinião. Mas, sei ver que o seu livro além de estar muito bom, é corajoso, visto que no nossos país pouco dado a leituras, 527 páginas é obra!
Segue-se agora o Ensaio sobre a Lucidez, que pelas indicações dos primeiros três capítulos já lidos, mostram que a literatura portuguesa está bem e recomenda-se.


PP
Submarinos

Portugal por intermédio do Ministro da Defesa, Paulo Portas assina hoje o contrato para a aquisição de dois submarinos com a empresa francesa DCNI pela módica quantia de 770 milhões de Euros pagos através de um sistema de leasing. Igualmente ficou-se a conhecer o parecer da NATO sobre a necessidade da compra dos submarinos. Em comunicado a NATO criticou a opção em investir milhões em submarinos, quando a Marinha Portuguesa tem tantas lacunas. A titulo de exemplo a NATO refere que a Marinha Portuguesa apenas pode satisfazer 3 dos 19 compromissos navais com a NATO.
Mas mais acrescento eu: Serão assim tão necessários submarinos em Portugal quando existem graves problemas no sistema de saúde e de Educação? Serão os Submarinos uma arma de ataque ao deficie?

Não. Os submarinos são somente mais um brinquedos para as nossas Forças Armadas defenderem as Berlengas !!!!!!!!!!!!!!!!


António Cipriano

terça-feira, abril 20, 2004

Uma questão

Operação Apito Dourado?! Por acaso, ficava melhor Operação Apito Azul, devido aos sacos azuis. Apito Dourado soa a filme porno. Não acham?

PP
Novamente, O Homem da Conspiração


Este programa é daquele tipo de programas que nem tem definição. Muito mau, muito mau mesmo. Um dia destes tentei escrever um texto tipo HdC. Foi impossível. Nenhum dos textos eram tão maus, quantos os apresentados por João MacDonald e Luís Guerra, os argumentistas que aparecem no genérico final.

PP

sexta-feira, abril 16, 2004

E então cá vai a apresentação de António Guimarães


António Guimarães, 25 anos, estudante do 3º ano do curso de História na Universidade dos Açores. Nos tempos livres gosta de cinema, ouvir música, ler e conversar com os amigos. Mais um sofredor Sportinguista.

António Guimarães

quinta-feira, abril 15, 2004

Selecção Nacional


Segundo Noticia do DN de hoje, na mais recente ranking da FIFA sobre as selecções nacionais Portugal manteve a 17º posição, tendo sido apanhado pelo IRÃO. Pelo IRÃO perguntam vocês? Sim Por essa Potência mundial do futebol de Bolas de Pano, de jogadores de Barba Islâmica e de claques de mulheres de burka?

A que ponto chegamos................

E ainda falam na vitória no Euro2004.


António Cipriano

quarta-feira, abril 14, 2004

Ensaio sobre a Insensatez

Recentemente o Nobel e “mui patriótico” José Saramago lançou mais um livro, desta vez intitulado “Ensaio sobre a Lucidez” o qual apela sugestivamante aos eleitores para o voto em branco.

O Povo, palavra tão cara, aos comunas como o Nobel José Saramago, costuma dizer: “Faz o que eu digo e não o que eu faço”. E mais uma vez o Povo é sábio. Por mais paradoxal, ridículo e caricato, o Senhor Saramago o qual apela abertamente ao voto em branco é candidato nas listas da CDU ao Parlamento Europeu. Estranho? Confuso ? Insensato!!!

Talvez não. Afinal Não é este mesmo senhor que defende o regime “democrático” de Cuba que interpreta magistralmente as opinião e desejos do Povo, sem necessidade de eleições?

Não é este mesmo senhor que no PREC, defendia o Socialismo, a ditadura do Proletariado, e que como membro do partido Comunista Português tentou adiar “sine die” as primeiras eleições pois afirmava que estas não seriam necessárias pois o PCP interpretava os desejos do Povo de forma integral?


António Cipriano

terça-feira, abril 13, 2004

Novo Visual


A Cumplicidade da Alma está de cara lavada. Numa tentativa de tornar este blog mais apelativo, foi alterado para um visual mais jovem e moderno. Espero que gostem.

PP

segunda-feira, abril 12, 2004

Citação II


Quero deixar uma citação do último livro que li, de António Botto.

“A tudo quanto me pedes
Porque obedeço não sei:
Vês? – quiseste que eu cantasse...
Pus-me a cantar, e chorei.”



PP

domingo, abril 11, 2004

Religião e Fanatismo

Nesta quadra pascal, um pouco por todo o Mundo cristão ocorrem procissões e outras manifestações de carácter religioso, comemorativas da quadra. Como uma pessoa não praticante, aceito todas estas manifestações religiosas. Ou quase todas. É, por esta altura, que nas Filipinas existe uma manifestação, não religiosa, mas sim fanática, que consiste na auto-flagelação dos corpos, através de chicotes e posteriormente, existe a crucificação de fiéis. Estas crenças, a meu ver, nada têm de religioso, mas sim de pura barbárie, mostrando o quão pouco a humanidade evoluiu em tantos séculos. Até quando vamos ver, ano após anos, estas manifestações estúpidas durante a Quaresma?

PP
O “Slogan”


È bonito ver que o que realmente preocupa os nossos responsáveis políticos em Portugal são coisas realmente importantes, que podem influenciar a vida de todos os portugueses, como por exemplo, as mensagens de campanha que cada um põe nos seus cartazes, os chamados “Slogans de Campanha”. Isto porque a coligação escolheu a seguinte mensagem: “Força Portugal” e isto, segundo o secretário-geral do PS pode levar a confusões aos eleitores, porque estes podem fazer confusão entre este Slogan e a defesa da Selecção Nacional no Europeu………….sim é verdade, este “responsável”, mais uma vez demonstra o estado em que anda a politica deste Pais, em vez de falar de problemas como a iletracia (que até está relacionado como este caso do Slogan), ou de todos os problemas da Educação em Portugal, ou da Saúde, ou dos problemas da economia nacional, …………este tipo acha que não, acha que o grande problema nacional, que tem que ser fortemente combatido e que merece a sua sapiente atenção é, nada mais nada menos que o Slogan de Campanha dos rivais políticos. E para piorar tudo isto, está já se prevê que isto vai ser discutido no Parlamento e por isso aqui apelo a este (ir) responsável político: Senhor Doutor Ferro Rodrigues, não tire ainda mais crédito às discussões no nosso parlamento, centre a sua atenção nos problemas reais deste Pais (que não são poucos), em vez de criar estes folhetins que animam os pasquins nacionais e que vão minando a já fraca confiança e interesse dos Portugueses pela política nacional.




António Guimarães
Novo Membro

é com enorme prazer que anuncio que neste dia de Páscoa, este blog passa a ter a colaboração de um novo membro, António Guimarães. Em breve será feita um post de apresentação, mas para já fica aqui o seu primeiro post e o contacto dele.

PP

quarta-feira, março 31, 2004

Futilidade

À muito que sabia que a incultura, o individualismo e futilidade eram cancros que devassavam a nossa sociedade. No entanto, talvez por ser um idealistas sempre pensei que estes pecados mortais ainda não eram pecados da minha geração.

No passado sábado, num jantar de aniversario de um amigo, fiquei abismado com o grau de futilidade, com o qual jovens da minha geração podem viver. No dito jantar fiquei junto a dois jovens na casa dos seus 23 anos, um deles com frequência universitária. Ambos, como part-time são modelos. Como não só aberto a estereótipos, não os julguei pela sua actividade ou aspecto. Os dois se apresentavam com uma farta cabeleira, corpos cuidados num estilo muito fashion. Mas não os julguei por isso. Dei obviamente o beneficio da duvida.
No entanto, com o desenrolar do jantar fiquei estupefacto, pois o tema único, de conversa e discussão de todo o jantar (cerca de 3 hora) centrou-se somente na importante problemática das dietas, das festas, das passagens, e para cumulo a grande questão e dilema da noite, que norteou profundos raciocínios filosóficos – Usar ou não maquiagem, para sair à noite?

António Cipriano

quinta-feira, março 18, 2004

Cronica de uma Ida aos CTT

Seguindo a rotina normal de uma qualquer segunda-feira, sou levado pelos afazeres profissionais a entrar na estação de Correios das Caldas da Rainha. São para aí umas 10h30m, e o clima aí vivido é no mínimo insólito.

Várias dezenas de pessoas munidas de uma senha de cor branca, aguardam vagarosamente por serem atendidas. Um burburinho de vozes, conversas, queixas, falta de paciência, em português, brasileiro, moldavo, ucraniano, somado ao sinal sonoro do Placard Electrónico desespera o mais paciente dos cidadãos.

Na entrada uma senhora idosa, decerto de alguma aldeia do concelho, de cabelos brancos envoltos num lenço negro, condizente com o resto da indumentária encontra-se de “candeias às avessas” com a máquina das senhas. Pragueja que já nada é feito a pensar nos “velhos” como ela. Aproximo-me, e ajudo-a na referida máquina informando-a que apenas tem 30 números à sua frente. Surpresa, mas conformada, procura um lugar sentada para que a espera não seja tão penosa. Mais à frente, uma mulher jovem dos seus 28, 29 anos com duas crianças gémeas dos seus 4 ou 5 anos, tenta sem sucesso apaziguar a rebeldia das mesmas.

O som do Placard Electrónico, continua a marcar os minutos da espera. Quanto a mim, vou torneando a espera, folheando os livros, os postais, vendo as canetas, os telemóveis, as newslettres informativas dos certificados de aforro, etc. Afinal, a Estação dos CTT é cada vez mais um centro comercial, “consentâneo com a rapidez do seu serviço”. Quanto aos funcionários, vão na medida do possível atendendo os utentes, simplificando os processos, mas a verdade é que apesar de ser apenas segunda-feira de manhã, em muitos já é visível o cansaço. Ao fim de muita espera lá fui atendido, saindo rapidamente daquela “Torre de Babel”, desejando um retorno o mais longínquo possível.

Caldas da Rainha apesar de não ser uma metrópole, é já uma cidade de média dimensão. Não se justificará duas Estações de Correios? Porque não abrir mais uma delegação na cidade, agora na freguesia de Santo Onofre?

No entanto, a estratégia preconizada pelos CTT, tem vindo a apontar para a redução do número de postos de correio, nomeadamente através da contratualização de serviços com as juntas de freguesia. Os CTT, tem vindo a optar por uma via economicista em detrimento da qualidade de serviço. Assim sendo, a abertura de um novo Posto de Correio em Caldas da Rainha dificilmente estará nas prioridades dos CTT. Neste contexto a iniciativa terá de partir da comunidade civil e da autarquia.

Assim sendo, faz todo o sentido a constituição de um pequeno lobby, encabeçado pela autarquia e pela Assembleia Municipal que reivindique um novo posto dos CTT na cidade. Afinal, a constituição de um novo posto dos CTT é uma necessidade imperiosa para a cidade, para a população e mesmo para os seus funcionários.


António Cipriano

segunda-feira, março 15, 2004

Camacho


Em dois dias seguidos, o treinador do Benfica aparece ligado ao jornal Record, como um agitador dentro do clube da Luz, onde segundo os jornalistas e repito, segundo os jornalistas, manifestou-se contra José Veiga e depois, segundo (e desculpem exagerar) os mesmos jornalistas veio dar o dito pelo não dito. Eu li ambas as declarações e nada do que os jornalistas do referido metem em título me pareceu coerente, antes sendo uma forma de vender jornais, com títulos relacionados com o Benfica. Como leitor assíduo do jornal, é óbvio que eu fico desiludido com o referido jornal, além do mais é bom lembrar que poucas semanas antes, este meio de comunicação já vinha referindo que gostava de ver José António Camacho treinar o Futebol Clube do Porto na próxima época.
O referido treinador, revelou na altura a sua total disponibilidade para discutir um projecto de renovação com o seu actual clube. Vem daí este ataque jornalístico. É pena que cada vez mais, os jornais se transformem em meios de desinformação, em tablóides, que procuram as vendas através do sensacionalismo barato.

PP
Quatro dias que abalaram Espanha


No início do século passado foi publicado um livro sobre a Revolução de Outubro na União Soviética, intitulado “Dez dias que abalaram o Mundo” de John Reed. Estes últimos dias, existiu um abalo na nação espanhola, que levou a um novo rumo não esperado. Um atentado e centenas de mortes, num gesto bárbaro, a lembrar que a História é feita de ciclos e que a tudo dá uma sensação de “déja vu”. A História é uma repetição da História e a Humanidade não aprende. A Espanha virou à esquerda, tendo sido eleito Primeiro-Ministro, o quase desconhecido, José Luis Zapatero. O futuro dirá as diferenças ou semelhanças, após este abalo político, que como outros acontecimentos abalou todo um Mundo civilizado.

PP

domingo, março 14, 2004

11 de Março
Quantos de nós ao analisarmos a História da Humanidade, não damos graças à superioridade da nossa civilização, não falamos do esplendor da nossa cultura, do brilhantismo da tecnologia que nos permite incurtar distancias, aproximar conhecimentos. Mas a Verdade é que toda esta visão de superioridade da nossa civilização é demasiada efémera e ilusória. E que prova melhor do fracasso da Humanidade do que o 11 de Março. O inexplicável, o horrendo, a barbárie o comportamento animal de alguns, provou mais uma vez, que a distancia que separa o Homem aos animais ainda é muito curta.
Alias se reparamos, ao contraio do que se anunciava pelos jornais deste mundo, o quebrar da “Guerra Fria”, não nos trouxe o Paraíso, quanto muito o Purgatório.

Hoje escrevo estas palavras com o sabor da revolta da angustia, para com a Raça Humana. Afinal séculos e séculos nada nos ensinaram !!!

António Cipriano

quinta-feira, março 11, 2004

O Sonho

Deito-me na cama, o quarto está inundado por uma escuridão impenetrável. Ao longe, ouço o ruído de vozes, tão perto e ao mesmo tempo longe, falando numa linguagem conhecida, mas que apesar de tudo parece tão indecifrável. Uma moleza que invade o corpo, torna os sentidos torpes, dormentes e adormecidos, tendo entrado na fronteira do reino de Morfeu. Sonho e tu apareces-me, em todo um esplendor que não te pertence, que ilude. Aqui, és o símbolo da perfeição. Até és mais que isso. És o que o meu sonho determinar, és a irrealidade sem limites. Acordo. Não sei quanto tempo passou, as forças estão retemperadas, mas estou só. Não te tenho, mas prefiro ver-te por um segundo, do que sonhar contigo a toda a hora.


PP
UEFA

Mais uma vez, o futebol tem de vir à baila. Infelizmente este é pelos piores motivos. Acabo de ver na Sic Notícias, que a UEFA foi insensível perante o pedido das quatro equipas espanholas (Barcelona, Maiorca, Villarreal e Valência) que hoje jogam a primeira mão dos oitavos de final da Taça UEFA. Mais uma vez, as instituições que orientam o futebol querem sobrepor um jogo em relação à tragédia humana.

PP
O anúncio do licor Malibu


Após os acontecimentos, é difícil ter outro assunto de conversa que não vá parar a Madrid, mas este post já era para ter sido escrito ontem e não foi, então cá vai. Uma das coisas que me revolta neste país membro da União Europeia é definitivamente o estado da saúde em Portugal. Para mim é inconcebível uma pessoa ter de se deslocar ao Centro de Saúde às tantas da manhã, se não tiver ninguém para ir marcar a consulta tem de se levantar cedo e está doente, para então gritar a plenos pulmões quando chega: “ Está aí alguém para o Dr. Fulano?”, ao que respondem “Sou o seis.” E assim, as pessoas têm de recorrer aos Hospitais, pois foram atingidos o número limite de pacientes.
Não pretendo dizer que o mal é só do Governo, o mal é de todos, incluído médico que podem ser excelentes profissionais, mas pouco escrupulosos que usam os recursos hospitalares para fazer operações a nível privado.
Outra situação deu-se ontem comigo, quando depois de retirar o gesso me deram um papel referente a uma consulta de fisioterapia no Hospital Termal, consulta essa sem a qual não podia começar a fazer a referida fisioterapia. O tempo estimado de consulta, mínimo foi de quinze dias. Como achei e acho, esse tempo de espera exagerado, decidi em conjunto com o meu pai, saber se era possível a partir do Centro de Saúde ter uma credencial que permitisse uma consulta mais rápida, ao que a funcionária respondeu: “Quinze dias? Isso é muito bom! Aqui não consegue nada mais rápido!”.
Bom, o post já vai longo e só para juntar o título ao conteúdo, a saúde em Portugal lembra-me um dos mais giros anúncios que passou na televisão, o do licor Malibu, em que um homem está com uma mão dentro da boca de um peixe e vai ao Centro de Saúde, onde tem de preencher uns papéis em triplicado e mesmo sendo o único paciente, a espera estimada é de seis horas. Acabava com uma frase do gênero, “se a vida fosse mais séria, não existia Malibu”. Pois bem, acho que se fossem menos sérios (como se isso devesse ser possível), seriam o sistema de saúde em Portugal


PP
Atentado em Madrid

Esta manhã de 11 de Março ficará marcada na História da Humanidade como o maior atentado perpetrado no nosso país vizinho, com cerca de duzentos mortos e mais de seis centenas de feridos, algo a lembrar numa escala mais pequena outro dia 11. Depois de mais uma demostração de irracionalidade apetece perguntar, quem é capaz de fazer uma coisa assim? Sinceramente acho que os autores deste acto cobarde não merecem viver, quem engendra este ataque não é civilizado, não são seres consciente, são algo abaixo de todos os seres vivos que existem à face do planeta. As cenas que vejo, e que nunca ninguém deveria ver, merece uma morte lenta e dolorosa. Posso estar a ser extremista, mas casos destes não têm perdão, não têm julgamento possível.


PP

quarta-feira, março 10, 2004

Silencio. No hay gesso.


Este título foi tirado directamente do meu gesso. Explicando melhor, a dedicatória que um amigo meu escreveu no gesso assim dizia: "Para que possas dizer Silencio. No hay gesso." Decerto que ele não se importará minimamente de me ver utilizar esta frase hoje, dia em que após seis semanas e meia (por pouco dava um nome de filme erótico) tirei o gesso. Foi uma situação difícil que passei, esta de ter partido a perna, mas encarei como uma aprendizagem. Ainda me lembro da sensação de alegria que senti quando o meu pai apareceu em casa com duas muletas novas, comecei a dar mais valor a certas certezas que tinha, para não me alongar posso dizer que serviu como uma lição de modéstia e humildade, que agora vejo algumas vezes me faltou. Uma estranheza que ocorreu, foi ao pôr o pé no chão, após uma imensa inactividade, os meus próprios sentidos me enganavam, pois todo o terreno que pisava, parecia estranhamente inclinado. A terceira fase, ou seja, a recuperação começou hoje, a lição de vida essa começou no dia 24 de Janeiro.
A todos os meus amigos, quero desde já desejar o meu mais sincero Obrigado. Quando eu precisei de vocês, pude contar com o apoio de todos. Não vou citá-los, são muitos e apesar de dizer que os colocaria numa ordem aleatória, prefiro dizer apenas: vocês sabem quem são.
Para finalizar, se este post fosse falado bradaria aos quatro ventos: NO HAY GESSO.


PP

quinta-feira, março 04, 2004

A nova desilusão


Prometi que deixava de escrever sobre Futebol. Mas como o blog afinal é pessoal, depois de alguns meses, volto a escrever sobre o assunto. Mas é mais para me retratar. Depois do jogo de ontem, com o Rosenborg, o jogador Miguel, apesar das suas evidentes falhas ao nível do passe e da recepção, não pode por mim ser considerado o pior jogador do Benfica. Esse jogador, depois de inúmeras falhas inadmissíveis num defesa (tempo de salto, marcação, poder de desarme) tem de ser considerado o pior jogador do Benfica actual: Luisão. Quem tem 1,91m não pode ser assim tão mau, como ele. Depois dos jogos contra o Nacional e contra o Rosenborg, não existem palavras para descrever tal as fracas exibições de um jogador que supostamente era craque.


PP

sábado, fevereiro 28, 2004

Santa Ignorância

Uma Jovem mulher dos nos seus 30 anos, Licenciada em Economia, quadro de uma reputada empresa da nossa praça, apresentou-se como concorrente ao concurso televisivo da RTP1 – “Um contra Todos”

Com o desenrolar do concurso, fomos presenteados por um momento televisivo surrealista próprio de um qualquer filme de terror, tendo como tema o Grau de Conhecimento e Cultura em Portugal.

O dito momento inimaginável ocorreu na terceira questão, isto depois de duas perguntas aos quais a dita Senhora Economista, já tinha gasto duas das três ajudas.
A Terceira Questão era a seguinte:

Qual o Poder Exercido pelo Tribunais:

A) Poder Judicial
B) Poder Executivo
C) Poder Legislativo


Inexplicavelmente, a jovem, recordo Licenciada em Economia, ficou deveras atrapalhada com a pergunta, cheia de duvidas, apresentando contudo uma inclinação na resposta B) Poder Executivo !!!!

Perante este cenário, o apresentador com um rosto de espanto e preocupação, sugeriu à concorrente, recordo Licenciada em Economia, quase implorando, que utiliza-se a ultima ajuda, no caso comprar a resposta com 75% do valor já ganho (cerca de 3000 Euros). Após alguma relutância acabou por optar por utilizar a ajuda, isto apesar da sua convicção na resposta B) Poder Executivo.

Isto é triste, mas este episódio é mais do que um simples episódio, é o imagem correcta da maioria dos nossos Licenciados.

António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Vale e Azevedo


O ex-presidente do Benfica, Vale e Azevedo foi ontem libertado do estabelecimento prisional da Polícia Judiciária. Quando os seus pertences estavam já colocados no interior do seu automóvel, chegou um novo mandato de detenção, que o deixou como homem livre aproximadamente apenas vinte segundos.
Ainda relembrando o dia 14 de Fevereiro, Dia Mundial do doente com disfunção sexual, é caso para dizer que a nova prisão de Vale e Azevedo foi mais rápida, do que alguém que sofra de ejaculação precoce. Existem casos em que a Justiça Portuguesa funciona de maneiras em que estamos pouco habituados, face ao espírito bem português do deixa andar. Mas espero, que esta nova velocidade seja para todos.


PP

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Prémio Nobel da Paz



Há alguns dias atrás foram conhecidas as nomeações do ano para o Prémio Nobel da Paz. Qual não foi o meu espanto, pensei tratar-se de uma brincadeira de mau gosto. Obviamente que sei que neste tipo de prémios, a política está por trás das nomeações e dos vencedores, mas nomear George W. Bush e Tony Blair, é no mínimo horrível. Resta-nos esperar que Sua Santidade, o Papa João Paulo II, seja indiscutivelmente o vencedor, pois perante tão fraca concorrência só esse pode ser o resultado. Outros nomeados são o ex-presidente da República Checa, Vaclev Havel e o Exército da Salvação.
O que dizer de George W. Bush? O pior Presidente da História dos Estados Unidos da América, um sujeito pouco inteligente, adepto da pena de morte e causador da Guerra do Iraque, por alegadas armas químicas.
Tony Blair, neste momento é o maior apoiante na Europa de Bush .
Com estas nomeações, outras personagens da nossa História actual fazem falta ao lado de Bush e Blair, como Saddam Hussein, Milosevic, Ossama Bin Laden, pelo muito que contribuem para um mundo pacífico.
Perdoem-me o mau português, mas só me apetece dizer foda-se.


PP

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Deixa para Amanhã o que podes Fazer Hoje

Nada mais tipicamente português, do que uma fila de espera no ultimo dia do prazo para o cumprimento de uma qualquer obrigação. Quer seja para obrigações fiscais (IRS, IVA, IRC), pagamento de serviços (agua, luz, telefone), ou mesmo quando se trata de uma ida ao teatro ou exposição.

No fundo os portugueses são um Povo do Amanhã - Pessoas que acreditam, que não hoje, mas sim Amanhã, os problemas acabam por se resolver por si próprios, ou em alternativa, no ultimo instante improvisa-se.

Isto vem a propósito do meu dia de segunda feira. Efectivamente, esta segunda, 16 de fevereiro, ultimo dia para o pagamento do IVA, a minha digníssima pessoa, dando cumprimento às tradições nacionais chegou à repartição de finanças exactamente dois minutos antes do fecho das portas. Mas, não foi o único. À minha volta, muitas dezenas de pessoas, na ânsia de manter a tradição nacional, deixaram o dito pagamento do IVA para o ultimo dia, para a ultima hora. Efectivamente, só tinha 90 pessoas à frente, o que me custou Duas Horas de Espera. A maioria dos meus companheiro de purgatório desesperavam à medida que os números do Placard electrónico demoravam a passar, muitos procurando refugio nos vícios da pastilha elástica ou no tabaco. Para min, que não partilho tais vícios, a espera acabou por não ser tão angustiante, visto ter reencontrado duas colegas de faculdades que à muito não revia. Graça a longa espera, fruto do nosso sentido patriótico de deixar tudo para o fim, podemos conviver, e por os assuntos em dia.

A verdade é que se não fosse essa bela tradição do “Deixa Andar” não tinha reencontrado a Helena e a Elizabete, demostrando-se mais uma vez a importância das tradições portuguesas.

António Cipriano

domingo, fevereiro 15, 2004

Cinema e Política – Suas Coincidências

Ontem sábado numa tentativa, de completar e terminar o dia sob o reinado da boa disposição foi ao cinema ver o Scary Movie 3.Obviamente que a expectativa passava por 90 minutos de boas gargalhadas capazes de espantar quaisquer tristezas ou angustias.

Que engano, meu deus!!!! Nada mais do que uma sucessão de cenas de humor fácil, previsível, demasiadamente vistas, sem objectividade ou criatividade, a anos luz dos Obras Primas do género - “American Pie” ou mesmo a primeira sequela de Scary Movie. Mas também o que é que se podia esperar quando o fio condutor do filme se baseava no “Sinais” do Mel Gibson, o qual já era de mau de mais para ser deste planeta. De salvar no filme só mesmo a participação de Pamela Anderson e dos seus saudosos decotes.

Inadvertidamente o momento cómico do fim de semana não teve como protagonistas nenhum actor americano, ou mesmo um dirigente do futebol nacional, mas sim Pedro Santana Lopes. Pedro Santana Lopes em Entrevista ao Expresso, anunciou a sua proto-candidatura à Presidência da Republica, alegando como fundamento da mesma o potencial de destruição da coligação governamental, de uma Candidatura de Cavaco Silva.
Aqui sim, motivo para uma grande gargalhada.
Santana Lopes profissional das candidaturas ora a presidência do Sporting, do PSD, do Câmara de Lisboa, ou mesmo num futuro próximo à Presidência do FCP, do Comissão Europeia, de Secretario Geral da ONU!!!! ; a por em causa a postura de seriedade de Cavaco Silva. Mas enfim todos sabemos que para Santana Lopes o importante não é o cargo, mas sim o Protagonismo.

António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

14 de Fevereiro

O Dia de São Valentim – Dia dos Namorados é para min um momento de particular reflexão e mesmo introspecção, ainda mais quando me encontro demasiadamente sozinho, no mar das emoções. Talvez por isso um tristeza imerge sugestivamente como que perguntando o porque dessa solidão, e o porque do amor.
Esta semana li um pequeno trecho sobre o amor de “Alain de Botton” que gostei particularmente. Fica aqui compartilhado convosco


“Talvez seja verdade que não existimos enquanto não houver quem veja que nós existimos, que não falamos enquanto não houver quem ouça o que estamos a dizer, no fundo, não estamos completamente vivos enquanto não formos amados.

Poucas coisas são tão estimulantes e simultaneamente aterrorizadoras como saber que somos o objecto do amor de alguém, já que para quem não está completamente convencido de que merece ser amado, ser alvo de carinho é como receber uma grande honra sem perceber bem porquê.

Assim que se resolve descobrir sinais de atracção mútua, tudo o que o ser amado diz ou faz pode ser interpretado como significando praticamente o que se quiser.

Só nos apaixonamos quando não sabemos por quem estamos apaixonar-nos.
Se nos apaixonamos com tanta rapidez, talvez seja porque a vontade de amar precede o objecto do amor.
Apaixonamo-nos na esperança de não encontrarmos no outro aquilo que sabemos existir em nós - cobardia, fraqueza, preguiça, desonestidade, acomodação e estupidez. “

Alain de Botton -" Ensaios sobre o amor"

António Cipriano


sábado, fevereiro 07, 2004

Cassandra



A Cassandra é a minha gata, dada pelo meu amigo Luís Costa Pires. Ela ainda é muito nova, faz no Dia de São Valentim apenas quatro meses. A vida dela é muito simples, faz as necessidades fisiológicas, brinca, come e dorme. Mas mostra a sua felicidade através do ronronar. Se eu tivesse a capacidade de ronronar como ela, de certeza que não conseguiria ronronar tanto.


PP
A Acessibilidade

A Acessibilidade é uma palavra cara, que se popularizou em meados do século passado, finda a Segunda Grande Guerra. Os avanços tecnológicos ajudaram a Medicina e com isso temos uma maior longevidade, tornando assim a espécie humana a excepção que confirma a regra da sobrevivência do mais apto.
Antigamente, a esperança média de vida era drasticamente reduzida para os amputados, por exemplo, o que levou à criação de leis, que protegem pessoas portadoras de deficiência e de necessidades especiais. Portugal neste momento tem das melhores leis ao nível da Acessibilidade, mas da criação das leis à sua aplicação prática vai um bom caminho.
Admito que pessoalmente, pouco pensava neste aspecto, embora o soubesse desde os tempos de estudante universitário, pois tive de fazer um trabalho sobre o tema, mas só quando sofremos durante um determinado tempo uma incapacidade temporária é que valorizamos estes aspectos. No dia 24 de Janeiro, um infeliz acidente a jogar Futsal com amigos, levou a uma fractura do perónio da minha perna direita, o que me leva à utilização de muletas para me locomover. Na minha casa, as dificuldades são as normais, numa casa construída há duas décadas e em que não se prevêem este tipo de situações: escadas, a entrada na banheira para tomar banho e algumas portas estreitas não facilitam nada. Mas em minha casa é o menos, pois não representa percursos demorados. Mas pessoas que, por exemplo, precisam de se locomover através de cadeiras de rodas, podem sem exagero ser consideradas verdadeiros “Ulisses”, pois encontram passeios estreitos, sujos, mutilados com sinais de trânsito que não permite a sua passagem e frequentemente são “habitués” no asfalto que deveria ser dos automóveis.
É pena que as pessoas só se lembrem disto quando passam pela situação, como desde já admito ser o meu caso, mas valendo o que vale, admito a minha anuência por inércia.

PP
Twin Peaks



Acabei de ver na Sic Radical, o episódio desta semana da série de culto, Twin Peaks, o sétimo episódio da segunda série. Muito bom este episódio. Findos os oito episódios que compõem a primeira série, seguiu-se uns episódios sensaborões na segunda série, este foi diferente, para melhor. Ao nível da primeira série.

PP
Ontem no Correio da Manhã



Na edição de ontem (5/2/2004) do diário Correio da Manhã, existe uma notícia no mínimo insólita, e quem me provocou mais risos, do que qualquer episódio ou anúncio ao Homem da Conspiração. O título dizia assim:

“Azarado - passou uma noite sem assistência médica

CORTOU PÉNIS A ABRIR PACOTE”

Logo no título, nota-se por parte do autor da notícia, um irônico sentido de humor, pois podia perfeitamente ter escolhido a palavra embalagem para substituir o ambíguo pacote, de significado mais amplo e com associações em termos de gíria ao ânus. E findo o título continua a notícia:
“Um homem de 27 anos perfurou o pénis de um lado ao outro, com uma navalha, quando tentava abrir um pacote de vinho, no final de um jantar com dois amigos realizado na Chamusca.
Apesar de se ter dirigido a duas unidades de saúde, Vítor Carapinha não conseguiu ser assistido por um médico e precisou que um polícia lhe emprestasse dois euros para voltar a casa, sem curativo.”

Mesmo tendo visto a reconstituição fotográfica do acontecimento, em que ele mostra uma embalagem de vinho entre as pernas e uma navalha na mão, confesso que continuo sem perceber como é que ocorre tal acidente, a não ser que o infeliz acidentado tenha uma haste de bandeira, no lugar onde deveria existir o dito pénis.
“Foi um acontecimento insólito e uma noite azarada, que recorda com o sorriso próprio de quem sabe rir da infelicidade, mas reconhece que apenas por milagre não sofreu lesões incapacitantes.”
Bem, palavras para quê?
“A navalha ficou mesmo junto à artéria principal. Se fosse um dedo ao lado eu apagava, batia a bota”, afirmou ontem ao Correio da Manhã.
Um dedo ao lado? Bom neste momento acho que me começo a sentir inferiorizado, pois parece-me que o meu plenamente inchado pouco mais tem do que dois dedos.
“O acidente ocorreu a 23 de Janeiro, pelas 23h00, quando Vítor Carapinha, que já “tinha bebido um copo a mais”, pegou num pacote de litro de vinho e o colocou entre os joelhos, para abrir com a navalha. “O braço escapou-me”, explicou.”
O braço escapou? E eu a pensar que os ferimentos tinham sido causados por uma navalha.
“Após estancar os ferimentos no pénis e numa perna com uma camisola, Vítor caminhou uma hora até ao Centro de Saúde da Chamusca, apoiado por um tio e um amigo. Mas a unidade estava encerrada.”
Com uma camisola? Bom, já ouvi chamar muitos nomes: chapéus, toucas, agasalho, camisas de Vénus, mas camisolas, confesso que ainda não tinha.
“O azar continuou depois de chamados os bombeiros para levarem o ferido ao Hospital de Torres Novas. A viagem, que deveria demorar 15 minutos, excedeu a duração habitual, porque a ambulância ficou retida na passagem-de-nível de Riachos grande parte do tempo.
“Senti-me a apagar”, referiu Vítor Carapinha, explicando que chegou a perder os sentidos. Já depois da 01h00, o ‘Botas’, como é conhecido, deu entrada na urgência do Hospital de Torres Novas, mas as coisas voltaram a dar para o torto: “Disseram-me que tinha de esperar até de manhã”.

Pois, para falhar a navalha e cortar o pénis, tendo a embalagem de vinho entre as pernas, só pode mesmo ser chamado de Botas. Uma pergunta: Vitor, és ribatejano ou africano? E já agora, deu para o torto? É normal, pá...
“Sem paciência e sem querer pagar o regresso de ambulância, Vítor dirigiu-se a uma cabina para telefonar, mas verificou que não tinha dinheiro. Irritado, danificou o aparelho. E foi isso que lhe valeu. Minutos depois a Polícia chegava e um agente emprestou-lhe dois euros para ligar à mãe, que o levaria a casa.
Na manhã seguinte, foi enfim assistido, no Centro de Saúde da Chamusca, onde tinha começado uma das noites mais azaradas da sua vida.”

Sem comentários...


PP

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Miklos Féher


O momento é de grande tristeza. Não o é para menos, não só para benfiquistas, mas para todos aqueles que amam a vida e vêem partir um jovem desportista. Ainda nem doze horas já se passaram e já muito se disse, mas queria ser diferente e contar um episódio recente.
Como foi amplamente comentado na Imprensa Nacional, o Benfica estagiou a semana passada em Caldas da Rainha, preparando o difícil jogo como o Boavista. No sábado, dia 18 de Janeiro, um pai acompanhado do seu filho que fazia catorze anos nesse dia e apresentava um ligeiro grau de deficiência, dirigiu-se ao Hotel onde estavam hospedados os jogadores e dirigentes do já citado Benfica, pedindo na recepção, se podia ser recebido por algum jogador do clube. Da recepção foi feito um telefonema para o quarto de Shéu Han, que informou a que horas os jogadores desciam para jantar. A estória espalhou-se e todos os jogadores fizeram questão de baixar mais cedo e proporcionar uns momentos de alegria a um jovem aniversariante, que considerou aquele um momento especial. Nuno Gomes beijou o garoto, Simão ofereceu uma camisola do Benfica. O garoto conhecia todo o plantel pelo nome e a todos quis dirigir uma palavra. A Camacho pediu para tornar o Benfica campeão, Camacho chorou, algo que infelizmente já vimos ontem, contrariando a sua imagem de homem duro que exibe. A Féher, o miúdo pediu para marcar mais golos. Quem me contou esta estória, não me disse a expressão que o Féher fez, mas presumo que tenha sido um sorriso como o de ontem, um sorriso inocente, simples, de quem tem esperança no futuro, perfeitamente inconsciente do que estava a segundos de acontecer.

PP

domingo, janeiro 11, 2004

O nosso percurso


Onde estou? No bom caminho? Não. Estou no percurso que eu próprio vou construindo, a cada dia que passa, a cada decisão que tomo, a cada escolha que faço. Nem sempre esse caminho é feito de bases sólidas. Por vezes, encontramos areias movediças, que nos afogam no meio da nossa inércia, mas é o nosso caminho. A estrada da nossa vida.


PP

sexta-feira, janeiro 09, 2004

2003, o ano da crise?



Para muitos 2003 é chamado de um ano de crise. A crise existiu de facto para alguns, eu, por exemplo, considero que foi o pior ano da minha vida, porque foi um ano difícil a nível pessoal, mas será que a crise afectou assim tantos portugueses? Não sei, o que sei é que vi muitos miúdos de catorze, quinze anos com telemóveis cujo valor comercial está situado acima dos 500 €. Pode ter sido de crise, mas o despesismo do povo português está em níveis alarmantes, basta verificar que da década de oitenta, para esta época em que vivemos, que Portugal passou de um dos países mais poupados para o topo dos países mais gastadores. Historicamente, podemos colocar esse ponto de ruptura após 1986, ou seja, a entrada de Portugal na União Europeia.
Antes de começar a culpar a Manuela Ferreira Leite, o Durão Barroso, olhemos todos para nós próprios e saibamos assumir a nossa quota-parte de culpa.

PP

quarta-feira, dezembro 31, 2003

O Fim da Trilogia


Foi com grande satisfação, que depois de vinte e quatro longos meses, vi o fim da trilogia do Senhor dos Anéis, uma verdadeira trilogia, pensada como tal, e tendo um realizador que mereceu todos os aplausos dos críticos. Os actores souberam encarnar as suas personagens, a adaptação dos livros foi excelente. As Duas Torres foi considerado o mais fraco dos filmes, concordo em absoluto, mas acho que foi necessário assim, pois para quem leu os livros sabe que As Duas Torres, acaba com a captura de Frodo pelos Orcs, depois de ter sido picado por Shelob. Se esta parte fosse incluída na segunda parte da trilogia, melhorava imenso, mas a derradeira parte deixava de ter o brilho que teve, como grande final.
Em termos de personagens, a minha preferida na saga acabou por ser o Gollum, a personagem mais complexa, que leva os espectadores a vaguearem entre a pena pela sua maldição e estado e a raiva pela falta de escrúpulos na procura do seu “precioso”.
A finalizar, um Bom Ano de 2004, para todos, com tudo de bom.


PP

terça-feira, dezembro 30, 2003

Analisando este ano

De alguns anos para cá, tenho o hábito de analisar o ano que passou ou está quase a passar, a rever os acontecimentos do já distante Janeiro até ao frio Dezembro. Lembrar os que partiram, os que acolhecemos entre nós com o seu nascimento e a actualidade pessoal e do Mundo. É uma retrospectiva que gosto de fazer, e este ano não sendo diferente cheguei à seguinte conclusão: Continuo a esquecer que ao contrário do ditado popular, “a prática faz a perfeição”, que isso não é verdade, a prática cria novos erros, que devemos corrigir, e acabamos por interromper esse ciclo de aprendizagem, achando-nos sábios e esquecemos que a ignorância é infinita e a sabedoria ínfima. Vou tentar mudar esta minha mentalidade sabendo de antemão que não será certamente fácil, mas essa análise ficará para Dezembro de 2004.


PP
Na Actualidade



Desde que me lembro, em épocas festivas existem sempre tragédias a ensombrar as celebrações. Este ano é o sismo no Irão, onde mais de vinte mil pessoas pereceram. Que os que pereceram sejam chorados, mas por outro lado que o futuro da humanidade seja mais radiante, pois este país do Médio Oriente esta a receber ajuda da Europa e dos Estados Unidos, que apresentam mentalidades de vida e religiões distintas. Que da tempestade se faça a bonança e desta tragédia se faça um novo entendimento entre os povos. Apenas a ajuda israelita foi recusada. Como em tudo, ódios antigos são difíceis de ultrapassar, assim como o orgulho de receber ajuda de quem representa o inimigo, mas se aceitam ajuda dos Estados Unidos, já são ventos de mudança.


PP

sábado, dezembro 20, 2003

Conto de Natal


22 Horas, noite de Natal, Olavo um homem jovem de 28 anos, estatura
media, postura elegante, cabelos louros escuros, cara sardenta, olhos doces, escuros, mas amargos e tristes, engenheiro de profissão numa multinacional em Lisboa, vivia o seu primeiro Natal na solidão da Noite. Faziam seis meses que a sua única familiar, sua mãe falecerá. Ainda no ano passado o Natal foi tão diferente, uma simbiose de reencontro às origens e com o amor da sua Mãe.

Hoje, tudo mudou, mesmo assim Olavo, teimou em passar o Natal não em Lisboa com algum dos seus poucos amigos, mas sim, no local de sempre - a casa de sua Mãe – em Caldas da Rainha. No entanto, talvez já se arrependerá, pois afinal, a casa de sua mãe, berço da sua infância, que se situava no centro histórico de Caldas da Rainha encontrava-se agora tristemente vazia, fria, sem o calor do sorriso de sua Mãe, ou das suas palavras, que adocicavam o coração de Olavo.

No meio de tanta angustia, de tanta nostalgia no olhar, Olavo resolveu rumar à Foz do Arelho. O Mar da Foz, sempre tinha sido na sua juventude a testemunha dos seus primeiros amores e desilusões, enfim o Porto de abrigo para a reflexão.
Ao chegar à avenida da praia da Foz, agora rebatizada de Avenida do Mar, Olavo saiu do carro, olhou para os lados e apenas contemplou o vazio, de uma noite de natal, mas mesmo assim, rumou em direcção ao extenso areal. Estava uma noite fria, cinzenta, com um tom de vento ligeiro, a contrastar com um luar resplandecente e um céu coberto de estrelas vistosas, decerto de Natal, que serviriam de companhia para os solitários como o Olavo.

Olavo, caminhou adentro do areal até perto do mar. Olhou mais uma vez em volta, sentiu o cheiro da maresia e calmamente sentou-se.
Subitamente o imenso vazio e magoa que lhe percorria o pensamento, cresceu de forma exponencial tendo como resultado Lagrimas, sim Lagrimas. Olavo sentia-se sozinho, abandonado, o mais sozinho dos Homens.
Afinal o que era a sua Vida? O que tinha conseguido Construir em 28 anos?

Uma mera rotina de procedimentos frugais, de uma sociedade materialista e individualista, em que ele Olavo tinha sido cúmplice. 28 anos em que construiu meros bens materiais. Relações? Sentimentos? Bem, para alem de uma ou duas amizades relativas, somente uma sucessão interminável de namoradas que nada tinham significado, para ele, visto nunca se ter entregue verdadeiramente – talvez por medo, talvez por excesso de individualismo.

De um momento para o outro, e no meio deste conflito interior, que devassa a personalidade de Olavo, surgiu do nada, uma luz intensa, incandescente, forte, junto ao mar. Olavo ao contrario do que seria de esperar não sentiu medo. Olhou fixamente para essa luz, e para seu espanto, dessa luz, surgiu do vazio do mar, um ser uma mulher, alta, de cabelos sedosos, de um olhar intenso, misterioso, mas que inspirava confiança, vestida de branco, envolta de uma aura dourada. À medida que se aproximava de Olavo, seus cabelos baloiçavam ao sabor do vento, seu vestido branco comprido, escondia seus pés nus que calcavam a areia, deixando atras de si um rasto de flores – pétalas de rosas. Mais uma vez e perante este cenário, Olavo não teve medo.
Ao chegar junto a Olavo esta mulher misteriosa disse:

- Não tenhas medo, sou meramente uma alma perdida dos mares, que hoje subiu à superfície para debelar essa tua solidão. Sou a tua companhia de Natal. O presente dos deuses para que despertes para a vida.

- Olavo, nada disse.

Subitamente esta mulher, ninfa, deusa, ser mitológico, sei lá - sentou-se junto a Olavo agarro-lhe a mão. Nesse momento, Olavo sentiu por todo o seu corpo um enorme calor, uma energia fantástica que lhe inundou, não apenas o corpo mas também os pensamentos.

Por estranho que pareça, Olavo, sentiu confiança nesta mulher cujo olhar era hipnotizante.
Sem Perguntas, passaram a noite a conversar, a rir, sim a rir e a beber um vinho que segundo essa mulher era a formula magica para a felicidade. Estranho, de facto, mas a partir do momento em que provou esse vinho, Olavo, nunca mais se lembrou dos seus problemas, da sua solidão.
E assim a noite foi passada, entre gargalhadas, sorrisos ............................................... até Olavo adormecer.

De manhã, Olavo quando acordou no meio do areal da Praia da Foz, pensou que tudo decerto, não tinha passa do de um sonho. Mas ao analisar melhor, verificou que se encontrava tapado com uma manta de lã que nunca tinha visto, e mais do que isso, tinha a seu lado um Cristal Branco luzidio Com Um Nome gravado - Leonor


A partir desse dia Olavo, mudou radicalmente de vida, deixou Lisboa, e abriu um bar concerto na Praia da Foz.. Sempre que pode, caminha à noite pelo areal em busca dessa mulher mistério que apenas conhece o seu olhar fascinante e o seu Nome - Leonor

Um bom Natal

Antonio Cipriano da Silva

terça-feira, dezembro 16, 2003

Nada mais há a fazer


Hoje, escrevo este post no momento que considero mais oportuno, não em disponibilidade, mas em frieza de espírito. Ontem fui um dia muito doloroso, a partida deste mundo de uma jovem de vinte anos e sempre muito doloroso, mas esta em especial, quando a consideramos uma amiga. Depois de seis semanas de sofrimento, quer dela, quer da sua família, o sopro da vida esvaiu-se.
Não escrevi sobre isso antes, pois não sou daquelas pessoas abençoadas por acreditar no que não vêem, a mim, a dureza da realidade tem de bater à porta para me aperceber do absurdo da vida, como neste caso a sua extinção pouco depois de ter completado vinte anos.
Era amigo, não o melhor, nem decerto um dos melhores, mas respeitava uma amiga alegre, trabalhadora, simpática, enfim uma infinidade de atributos, que demoraria muito a enumerar. Ontem o absurdo da realidade batem-nos na cara, com a realização do seu funeral, onde um grande aglomerado de pessoas prestou os últimos tributos a esta jovem, a quem um dia um amigo meu disse que tinha um alma muito antiga. Espero que seja verdade, pois o tempo entre nós foi por demais breve. Resta-nos a sua lembrança do tempo que passou entre nós, pois de resto nada mais há a fazer.
Fiquem com a citação de um poema sem título, datado de 23/5/32 de Fernando Pessoa:

"A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho."



PP

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Citação

Hoje quero apenas deixar uma citação do último livro que li, Onze Minutos de Paulo Coelho.
“Todos sabem amar, pois já nascera com esse dom. Algumas pessoas já o fazem naturalmente bem, mas a maioria tem de reaprender, relembrar como se ama, e todos – sem excepção – precisam de arder na fogueira das suas emoções passadas, reviver algumas alegrias e dores, quedas e subidas, até conseguirem ver o fio condutor que existe por trás de cada novo encontro (...)”


PP
Messias


No estúdio, o Notícias da Noite ia já no seu términus, faltando apenas uma última entrevista a uma pessoa que se dizia a reencarnação de Jesus Cristo. O director-geral do canal de televisão pediu ao pivot para provar inequivocamente de que o homem era uma fraude. Assim, começou então esta entrevista para Eduardo, jornalista experiente, pois já apresentava o Notícias da Noite há dois anos.
- Boa noite, senhor… Nem sei bem como tratá-lo…
- Pode tratar-me por Jesus Cristo, afinal esse era o meu nome original.
- Pois, mas não me diga que não um nome desta sua “reencarnação”. – responde Eduardo, com um ar de irónica gozação.
- Tenho sim, mas prefiro não divulgá-lo, como há-de compreender.
- Pois bem, o senhor é casado?
- Não, sou divorciado.
- Então, como reencarnação de Jesus, não previu que ela não era a mulher indicada para si? – enquanto diz isso, Eduardo mal consegue disfarçar uma pequena risada, ele está muito auto-confiante de si e acha-se o melhor, as sondagens que aparecem sobre quem é o melhor pivot de telejornais assim o indicam também.
- Para dizer a verdade, foi depois de descobrir a minha origem, que me divorciei. Eu simplesmente não a podia pôr em perigo, nem a ela, nem à minha filha. Mas tenho uma missão a cumprir.
- Posso saber que missão é essa, decerto que os teleespectadores estão desejosos de saber qual a sua missão?
- Os telespectadores não estão desejosos de saber, pois eles sabem qual é a minha missão, tu é que pelos vistos esquecestes os ensinamentos de Meu Pai. A minha missão é novamente morrer pelos pecados da humanidade.
- Sabe uma coisa? Acho que você não tem noção da realidade…
- E você têm? Tirou um curso de Direito, em que nunca exerceu nenhuma profissão relacionada com ele e actualmente é pivot de televisão. Presumo que ganha bem na vida pois o A4 que está estacionado lá fora assim o indica. Você vem trabalhar, senta-se confortavelmente numa cadeira e começa a ler o teleponto, fala da Guerra no Iraque, da fome em África, e em algum momento tem a noção dessas realidades? Já passaste fome? Já estiveste em alguma guerra? Tu, Eduardo, nem sequer foste à tropa para saber o que é essa realidade e achas que eu não tenho noção da realidade, apenas por dizer que sou a reencarnação de Jesus Cristo. Se eu acreditasse que era um polícia, ou um bombeiro já era fácil acreditar em mim, não era? Pensa nisto, muitas vezes a verdade não é assim tão simples e linear. O que pode parecer absurdo tem uma verdade oculta.
- Ah…
- Espera, agora quem conduz a entrevista sou eu… Desde quando é que tornastes assim tão hipócrita e céptico, Eduardo?
- Eu…
- Tu não eras assim… Agora só porque o teu director-geral pede-te para me expôr como uma fraude, tu pensas logo que eu sou uma fraude? Lembra-te que houve uma altura em que acreditavas no Meu Pai. Lembras-te de quando partiste o braço? Tinhas o quê, catorze anos? O que tu adoravas aquela menina da tua turma. Para impressioná-la decidiste subir à árvore e caíste.
- Como sabes isso tudo?
- Ainda perguntas… Bem, se não tens mais perguntas para me fazer, acho que a entrevista acabou.
Então levanta-se e caminha em direcção da saída perante o silêncio e a estupefacção de todos os presentes no estúdio.


PP

domingo, novembro 30, 2003

O Homem da Conspiração

Cada vez que vejo na Sic Radical, o anúncio do Homem da Conspiração, sinto uma irritação. Acho que são os piores cinco minutos que vão para o ar. O script não tem piada nenhuma, nem nexo e não se percebe como Nuno Markl dá a cara a tão triste programa, um programa que podia ser bom, se fosse influenciado por programas como a Contra-Informação ou o Daily Show. A questão que pergunto é: Como é possível continuar com este programa?
Já agora, em termos de irritação, relembro o anúncio da Playstation 2, em que uma garota está a cantar: “Oh, get on board!”. Depois de um anúncio brilhante, em que um bebé saía da barriga de sua mãe e ia envelhecendo rapidamente até cair na cova, para este, é definitivamente um passo atrás.
Mas nem tudo é mau neste canal, que tem séries muito boas, mas neste momento, as que mais aprecio são definitivamente séries bem pensadas e interpretadas: as regressadas Babylon 5 e Twin Peaks.

PP

sábado, novembro 29, 2003

Participação Cívica - 50 Euros
Nos dias 13, 14 e 15 de Novembro realizou-se na nossa cidade, a segunda edição do Congresso do Oeste sob o Tema: “O Ordenamento do Território como Factor de Desenvolvimento Estratégico”. O Congresso do Oeste foi apresentado pelos seus responsáveis, a ADRO (Agência para o Desenvolvimento Regional), como um momento de importância fulcral para a reflexão, e partilha de ideias que consubstanciassem a afirmação de uma estratégia comum para o futuro da Região. Mas os seus objectivos eram ainda mais ambiciosos, pois pretendia-se lançar no Congresso a “Primeira Pedra” da Futura Comunidade Urbana do Oeste, enquanto instrumento de aglutinação das forças da região num projecto de desenvolvimento comum.

Neste contexto apelou-se a uma ampla discussão que englobasse todos os quadrantes da sociedade civil, de modo a que as conclusões do Congresso efectivassem soluções o mais abrangente possível. Perante este objectivos, obviamente que todos aplaudíamos o esforço e a iniciativa desenvolvida por todos aqueles que organizavam o Congresso do Oeste.

No dia 13 de Novembro, enquanto cidadão interessado no futuro da nossa região lá me dirigi a Expoeste no sentido de assistir a este encontro. No entanto ao lá chegar sou absolutamente surpreendido pelo facto de me pedirem a quantia de 50 Euros para poder assistir ao Congresso. Não, não eram 1, 5 ou 10 Euros mas sim 50 Euros !! Obviamente perante este facto fiquei estupefacto, especialmente depois de se ter apelado à participação da sociedade civil. Decerto que a organização do Congresso esqueceu-se do nível de remunerações do nosso país? Da crise económica que o país ainda vive? Acresce o facto, de nunca ter sido comunicado na imprensa, a qual deu amplo destaque a este evento, que o referido congresso tinha um custo de 50 Euros para a sua participação. Mas, mais ainda, não nos esqueçamos que os meios financeiros da ADRO, e que a remunerações de muitos dos intervenientes no congresso advém do erário publico logo resultado do esforço contributivo de todos nos. Então porque será que o comum dos cidadãos que se preocupa com a cidade, região e consequentemente com o seu futuro, é abertamente afastado? É assim que se dilui a imagem negativa dos políticos? É assim que se reforça os mecanismo da Democracia? Obviamente que não.

Neste contexto o Congresso do Oeste foi infelizmente um evento marcadamente elitista, hermeticamente fechado, em que as suas conclusões são sobretudo, o resultado da visão da nomenclatura do costume. É pena, mas enfim, é o sistema que temos..........................

António Cipriano da Silva
antonionetsilva@hotmail.com