quarta-feira, junho 28, 2006


Traição

Ao som de “Shine on your Crazy Diamond” dos Pink Floyd, Arthur tentava acalmar. Não é fácil ser traído, após variadas juras de fidelidade. Palavras vazias, ocas, de sentido oposto, tinham sucessivamente sido proferidas. Arthur acreditara nas palavras. Construíra sua vida com base nessas palavras. Agora tudo ruíra. Os laços foram quebrados. O futuro de promissor e luzidio, foi superado por uma sombra de desilusão e incerteza.
Quando se fala em traição, invariavelmente ocorre ao pensamento, os relacionamentos humanos, como o amor, ou a amizade. Não deixando de partir duma relação humana, esta traição não se encaixa nesses moldes. Arthur era uma das duas mil vítimas da traição da Opel da Azambuja. Tinha como em muitas famílias assumido compromissos, com casa, carro, educação. De um momento para o outro estava desempregado. Deixava de ser útil à sociedade. Futuro? Na Azambuja a Opel era um oásis que alimentava toda a economia. Com o seu fim, toda a estrutura económica desabava num deserto completo. Tudo isto por via de um tal de capitalismo de empresas globalizadas, sem ética ou sentimentos. Agora Arthur não sabia o que fazer. Imigrar talvez fosse o "Breaking The Wall".

António Cipriano



domingo, junho 25, 2006

VIVA A SELECÇÃO NACIONAL

Ganhamos num jogo contra uma selecção da Holanda que mostrou que nada sabe de Fair Play e contra (digo contra por razões óbvias) um árbitro que faz o Paulo Costa parecer o Pier Luigi Colina! Será insano pensar que podemos ir ainda mais longe neste campeonato do mundo? Eu acredito na nossa Selecção! Força PORTUGAL, venha a Inglaterra à vontade porque não temos nada a temer de ninguém!

Uma coisa é certa, já entramos para a história dos mundiais, porque este jogo bateu o recorde de mais cartões mostrados em jogos de campeonatos do mundo! Tudo graças ao desprezível trabalho de Valentin Ivanov. Ainda bem que os árbitros portugueses não foram a este mundial, para não se misturarem com estes cromos, que vêem mostrando que afinal há árbiros bem piores que os portugueses!

António Manuel Guimarães

sábado, junho 24, 2006


Patriotismo

O mundial de futebol, é nos tempos actuais, um dos últimos refúgios para o conceito de estado nação, e um catalisador para o sentimento interior de patriotismo. Portugueses, holandeses, italianos, brasileiros, todos vibram, agitando bandeiras, e vestindo as cores nacionais. No entanto, uma questão me vem inquietando. Qual dos povos é o mais patriótico de todos? Os nossos Portugueses, com as suas bandeiras nas janelas? Os holandeses e as suas montanhas de t-shirts laranja? Os brasileiros e o seu samba endémico?

Não. Se de facto existe um povo patriótico, e é o povo da China. E estes, não são apenas patrióticos do seu país. São adeptos de todos os 32 países do mundial. Afinal não são eles que produzem as milhares de bandeiras, cachecóis e T-shirts das diferentes selecções!!. Mas vão mais além, incorporando no patriotismo externo, sinais do seu mundo. Veja-se o caso de muitos portugueses, que orgulhosamente agitam bandeiras nacionais com pagodes em vez de castelos!!!
António Cipriano

quarta-feira, junho 21, 2006

10.000 Visitas

E assim 3 anos 8 meses e 20 dias depois chegámos finalmente às 10.000 visitas, um marco importante para todos nós na Cumplicidade da Alma. Quero por isso agradecer a todos que nos visitam e que têm a “paciência” de ler os nossos “pensamentos duvidosos” e agradecer particularmente aqueles que comentam os nossos posts e que por isso nos ajudam a melhorar A Cumplicidade da Alma. Um abraço aos meus cúmplices deste blog e amigos de sempre, António Cipriano, Paulo Pinheiro e João Pedro, que dão vida à A Cumplicidade da Alma.
Agora venham as 20.000 visitas!

António Manuel Guimarães

terça-feira, junho 20, 2006

Gato por lebre!

Segundo o governo português, a partir do próximo ano, o imposto automóvel passará a ser pago via internet, medida que posteriormente será alargada a todos os serviços de pagamento ao estado. Medidas bastante “interessantes” e que vêm no seguimento do tão badalado plano tecnológico que o governo pretende implementar.
Como eu disse no parágrafo anterior estas são medidas muito “interessantes”, talvez por serem medidas que não se justificam a não ser para tapar o Sol com a peneira e que apenas demonstram que o nosso governo tenta vender uma imagem de modernidade de um país que é tudo menos moderno, ou pelo menos grande parte do país. Porque enquanto ainda existir em Portugal povoamentos que não têm nem rede eléctrica, saneamento básico ou telefone, parece-me a mim que é por aqui que deve passar a batalha tecnológica do governo, dotar os portugueses do mínimo dos mínimos. E para isto deve começar por pensar que Portugal também existe para lá de Lisboa. O nosso governo deve começar a olhar para o interior e não só para encerrar maternidades e mandar bebés nascer em Espanha, mas para verem as condições a que certas povoações estão condenadas e por conseguinte demonstram o quão hipócrita este plano tecnológico é.

António Manuel Guimarães

quinta-feira, junho 15, 2006

Caixotes abandonados

No quartel, foi recebida a notícia, que iria existir uma visita de um governante, munido da respectiva comunicação social. O Coronel, que há muito ansiava passar a Tenente-coronel, num ápice, colocou todos os soldados, sargentos e magalas, em agitação. Entre as tarefas agendadas estava a limpeza e arrumação dos armazéns contíguos à esquadra dos F-16. Os F-16, que consumiam 1000 litros ao 100Km, eram o brinquedo preferido dos tenentes. Não havia um, que não tivesse na carteira uma foto tirada junto a um F-16. Era uma arma infalível na conquista de qualquer mulher.
Aquando da chegada do ministro e da sua comitiva, as tropas aprumadas, alinhadas, em sentido, munidas de fardas novas, junto aos luzidios F-16, componham o quadro de forças militares modernas. Para o quadro ficar perfeito só faltava retirar da gare uns caixotes, com umas letras escritas em inglês e com uns símbolos americanos. Os jornalistas, figuras sempre com vontade de meter o nariz onde não são chamados, lá foram bisbilhotar o que eram essas caixas. Para grande bronca, nesses caixotes estavam uma esquadra de F-16 desmontada. De facto o Tenente-coronel tinha a impressão que deveriam existir mais umas tantas avionetas. Mas ao que parece, a rapaziada não era dada a Puzzles, mais à sueca, e os caixotes foram ficando a ganhar poeira no armazém.
O ministro, politico profissional, não se deixou atrapalhar. Informou de imediato a comunicação social, que o verdadeiro objectivo desta visita não era dar a conhecer as capacidades da nossa força área, mas sim, anunciar que esta, no espírito de sacrifício nacional, que a pátria exigia, no combate ao deficit tinha resolvido desmontar uma esquadra de F-16, de modo a que o governo da república pudesse vender os ditos aviões.

Por que raio esta estória não é apenas ficção?
António Cipriano

quarta-feira, junho 14, 2006

Borat's guide to wine tasting

Reparem que os senhores do Mississipi acham que o outro senhor (o Ali G, na realidade) é mesmo um empresário vinhateiro do Cazaquistão:

http://www.youtube.com/watch?v=q1gczVUBjec&search=borat%20wine%20

João Pedro
Concerto para a juventude

Alguém me consegue explicar como/porquê é que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha permitiu que uma "banda musical" (reparem nas aspas) chamada Ódio tenha actuado no Centro de Juventude, à porta fechada? Não é pelo nome da banda em si, obviamente, é mais pelo facto de ser uma banda cujas letras são proibidas pela constituição portuguesa. Algumas das pérolas musicais deles intitulam-se "Nazi Skin", "Mein Führer", "The Horrible Jew", "Skinhead Violence", "Criança Branca", e por aí fora.
O mais ridículo é que esta situação foi exposta numa reportagem da RTP, em que se explicou que a Câmara das Caldas acabou por permitir uma situação que a generalidade das outras câmaras municipais deste país não permitem (sejam de que cor política forem). Foi um belo destaque televisivo à Câmara das Caldas.
E, claro, já não falemos no "merchandising" que foi vendido dentro do Centro de Juventude, após o concerto. Digamos apenas que estes senhores dizem que o Holocausto é uma mentira.

João Pedro

terça-feira, junho 13, 2006

Duvida?

Se Santana Lopes tivesse ganho as eleições, ou durante o seu mandato tivesse feito metade das coisas que Sócrates já fez, o que será que lhe chamariam? Certamente fascista, inimigo do povo, opressor e ditador.
Infelizmente em Portugal parece que há certos totalitarismos que só se aceitam à esquerda, mesmo que seja uma esquerda falsa!

António Manuel Guimarães

segunda-feira, junho 12, 2006


O 25 de Abril de Saramago

José Saramago numa cerimonia de homenagem ao falecido antigo primeiro-ministro “Companheiro Vasco Gonçalves”, referiu em tom amargo que “que nada sobra do 25 de Abril”. Realmente, do 25 de Abril, das nacionalizações, da reforma agrária, da destruição da economia privada, que procurava a construção de uma sociedade socialista, nada restou. Para nosso bem, o projecto político de Otelo, Saramago e outros, que advogava a substituição do estado novo, por uma nova ditadura de esquerda, em tom cubano ou estalinista ,não vingou. A estes usurpadores da palavra democracia, apenas se espera que continuem amargurados, e vivam as suas fantasias delirantes numa qualquer ilha rochosa do atlântico.
António Cipriano

sexta-feira, junho 09, 2006

A morte de um terrorista conhecido

Al-Zarqawi, conhecido terrorista, líder da Al-Qaeda foi morto. Para todos aqueles que acham com razão que a vida humana é um bem precioso, deve ser um dia de celebrar, sem esquecer de que ele não representa pro si só o fim do terrorismo e que um outro líder irá tomar o seu lugar. Representa apenas a morte de mais um terrorista conhecido.
PP

segunda-feira, junho 05, 2006


Outros campeões

Numa altura em que o futebol domina todas as atenções, não devemos contudo, deixar de prestar a atenção a outras modalidades, e personagens desportivas, que tanto tem feito pelo nome de Portugal. Vanessa Fernandes no Triatlo, é o caso paradigmático. Este fim-de-semana, Vanessa Fernandes após 1500 metros de natação, seguindos por 40 km de bicicleta e 10km de corrida, venceu mais um prova, no caso, a etapa mundial de Triatlo em Madrid, passando a ocupar o patamar mais alto no ranking do Triatlo mundial.
António Cipriano

sexta-feira, junho 02, 2006

Será Ditadura?

A atitude do nosso Ministério da Educação e do nosso Governo, reflecte-se na reacção ao documentário apresentado pela RTP, na Terça-feira passada, que tinha como tema a violência nas escolas. Na peça ficou patente a violência de que alguns professores são vítimas no nosso país, tal como ficou demonstrado que o Secretário de Estado Adjunto e da Educação Jorge Pedreira, não conhece esta realidade e tem uma capacidade invulgar de fugir a questões “incómodas”. O Ministério da Educação ao invés de ficar sensibilizado com a situação, para de alguma forma acabar com este flagelo, está agora segundo a agência Lusa, a procurar “irregularidades” no documentário. Procurando ilegalidades da forma como foi conduzida a peça, pensando inclusivamente em possíveis processos. Até o conselho executivo e professores que autorizaram as gravações, correm o sério risco de verem ser instaurados processos disciplinares. Ou seja, mostra-se alguma coisa que o Ministério da Educação pretende manter na “sombra” e logo vêm tentar calar e fazer pressões ao estilo da PIDE-DGS, sobre quem tem razões reais para não se remeter ao silêncio. Se dúvidas havia, agora ficaram esclarecidas, este é o governo mais autoritário que temos desde o 25 de Abril. Um governo com tiques ditatoriais, que não aguenta a critica e não suporta quem os contraria. A continuar assim não demorará muito até vermos o infame carimbo de “visado” nos jornais!

António Manuel Guimarães
Lei da paridade vetada

O nosso presidente, até agora um pouco apagado, acaba de fazer o seu primeiro veto presidencial. Um veto inteiramente justo a uma lei inqualificável, uma lista de partido, seja ele qual for, não deve ser feito (até porque é sempre assim feito) com base em sexo, idade, amizades ou factor C e sim na capacidade que cada elemento proposto possuí, independentemente de todo o resto.
PP

terça-feira, maio 30, 2006

Noticia de última hora:

Ao que a central de notícias de A Cumplicidade apurou, o ministro da justiça prepara um diploma, que prevê que cada arguido passe a classificar o desempenho de cada Juiz logo após o julgamento.

António Manuel Guimarães

segunda-feira, maio 29, 2006

Professores Reféns de uma Ministra Alienada !

Até hoje tenho concordado com algumas das medidas tomadas pela Ministra da Educação, especialmente as medidas que colocaram um pequeno travão na extorsão praticada pelas editoras. Considerando apenas a medida que obrigava os professores a ficar na escola para lá do seu horário de aulas, absurda e infeliz, porque prejudica seriamente o rendimento dos professores. Visto que quando estes não estão na escola, estão a programar as aulas do dia seguinte, a preparar avaliações e certamente não lhes sobra muito tempo para recreio.
Mas agora a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues veio desempatar a minha visão do seu ministério, tomando a medida mais infeliz possível, agindo como alguém que nada percebe de educação, ou então uma distorcida visão sociológica do problema da educação, propondo que os pais passem a tomar parte da avaliação feita aos professores. Quando neste momento alguns pais apenas se dirigem à escola para “desancar” em alguns professores por estes não aprovarem os seus petizes, que na maior parte das vezes recebem um 2 por favor, apenas para evitar a deselegância do 1 valor (escala de 1 a 5). Já estou a ver o cenário, criança que todo o ano não estudou um pouco que fosse, não se esforçou o mínimo, nada fez para conseguir ter algum aproveitamento e obviamente reprova, os paizinhos desta nova sociedade, que pensam que as escolas são como nos “Morangos com Açúcar”. Que nada sabem do comportamento do filho, que apenas vão à escola para ver as notas, mesmo quando o director de turma tenta durante todo o ano falar com ele, para resolver o problema do “seu tesouro”. Mas quando o filho reprova atiram logo a matar ao elo mais fraco, o professor, sem querer saber de mais nada, parte-se logo do princípio que o seu “anjinho” não merecia aquela sorte, sem saber que este falta às aulas, ou quando vai anda por cima das secretárias não dando outra possibilidade do que a exclusão da sala, porque é preferível prejudicar 1 do que 21, sim porque o sistema não é perfeito.
Já agora porque é que não põem os pais a avaliar os filhos de vez, na sua totalidade, passando o encarregado de educação a ser o único responsável pela aprovação ou reprovação? Aceito que os professores sejam avaliados, mas por comissão no ministério, razão pela qual existem hoje os inspectores, acho até que o sistema possa ser aperfeiçoado, mas esta medida é do mais ridículo e absurdo possível, ideia macabra que só podia ter vindo de um devaneio socialista. Compreendo que os pais gostem desta medida, da mesma forma como sei à partida que eles não conseguem ser imparciais quando se mete na balança “o seu bebezinho” e aquele estranho que ganha um ordenado melhor, assim até podem tornar o professor seu refém. É um tiro no já débil sistema de educação nacional e o fim da alguma integridade que ainda conservava, tal como é o fim da parca autoridade que o professor ainda tinha.
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"Pergunto-me: mas os pais avaliam o quê? Se os professores são bonitos ou feios? Se as professoras usam ou não as saias curtas? Se vão à escola regularmente?"
Eduardo Prado Coelho, sobre a hipótese de os professores serem avaliados pelos pais dos alunos, PÚBLICO, 29-05-2006

António Manuel Guimarães

domingo, maio 28, 2006

Caça ao Cartel

Os leitores mais atentos deste blog, devem já ter reparado que muitas vezes utilizo este espaço, para criticar corrosivamente o comportamento e as atitudes do governo socialista de Socrates. É importante criticar, não é menos importante, deixar um elogio quando é caso disso. Efectivamente, a reforma profunda, que o governo anunciou no sector das farmácias, é um óptima iniciativa à muito necessária, que implica coragem e argúcia, para controlar o lobby fortíssimo da Associação Nacional de Farmácias.

O sector das farmácias segundo estudos, é mais rentável do que a banca. Com o agravante que a entrada neste negocio era até agora, praticamente impossível. Assim, trespasses de farmácias por valores de 500.000 Cts, 600.000 Cts, ou mesmo 1.000.000 Cts eram normais.
Com a liberalização da propriedade das farmácias, a abertura de farmácias nos hospitais utilizando o princípio da venda à dose dos medicamentos e a aceitação do fim do preço fixo, o sector passa a respirar muito mais saúde.
Pela coragem e iniciativa do governo, fica aqui o meu elogio.

António Cipriano

quarta-feira, maio 24, 2006


Congresso da JCP
Realizou-se este fim-de-semana em Vila Nova Gaia o oitavo congresso da JCP (Juventude Comunista Portuguesa) sob o lema “transformar o sonho em vida”.
De que sonho estará a JCP a falar? Dos campos de reflexão estalinistas da Sibéria? Da revolução Cultural de Mao? Das colónias de férias da STASI na RDA?
Nos sonhos de Pol Pot?

António Cipriano

terça-feira, maio 23, 2006

Um Ego Grotesco

O livro “Sob o Signo da Verdade” de Manuel Maria Carrilho foi ontem tema de discussão no programa Prós & Contras da RTP1. Manuel Maria Carrilho era em conjunto com Emídio Rangel defensor do tema do livro, já Ricardo Costa director adjunto de informação da SIC e Pacheco Pereira eram os que contestavam a verdade e qualidade do livro. A única conclusão a que eu cheguei vendo o Prós & Contras foi muito simples, o programa serviu para Manuel Maria Carrilho demonstrar a todo o país o porquê da sua derrota aquando das eleições autárquicas de 2005. Porque quando é pressionado, apenas se serve do insulto para se defender, faz acusações vãs sem nunca concretizar, rindo ironicamente aquando das intervenções dos que se lhe opunham assumindo uma atitude de arrogância como se a sua cabeça se tratasse da oitava maravilha, enfim um homem que já se viu que tem um péssimo perder, incapaz de perceber que é falível e erra como qualquer ser humano, numa atitude narcisista da pior espécie. Pode-se dizer que ele tem um vasto currículo, mas certamente esse imenso currículo corresponde proporcionalmente à educação que lhe falta e se quando recusou cumprimentar o seu adversário demonstrou bem a sua falta de educação, neste programa conseguiu fazer o impossível, descendo a um nível ainda mais baixo com insultos que um directo felizmente não consegue esconder.
É certo que os meios de comunicação têm muita força em Portugal e podem influenciar de uma forma profunda a escolha das pessoas, mas não é menos certo que não foram os meios de comunicação que forçaram Manuel Maria Carrilho a fazer uma campanha pela negativa, através da acusação barata, nem tão pouco foi a comunicação social que impediu Carrilho de apertar a mão ao seu adversário, infelicidade que mais tarde tentou corrigir com tal aparato que se via a falsidade do acto, que não passava de circunstância cheia de perfídia. Agora diz ele que as pessoas deram demasiada atenção a esse episódio, não percebendo o ex-ministro que esse episódio é a caracterização de toda a sua campanha. Basta de tentar justificar a sua derrota culpando os outros, ele derrotou-se a si próprio e prosseguindo neste caminho irá certamente desaparecer na bruma do esquecimento, onde as figuras antes valorizadas se tornam insignificantes por se atirarem voluntariamente para o campo do ridículo.

António Manuel Guimarães

sexta-feira, maio 19, 2006

Código Da Vinci

E ontem, a par de muitos milhares que leram o Código da Vinci de Dan Brown, lá fui ver o filme. Sem grande expectativas e acreditando na desilusão normal das adaptações e também por não conseguir imaginar Tom Hanks no papel de Robert Langdon. Puro engano, o filme acabou por nada ficar a dever ao livro e Tom Hanks interpreta o seu papel bem quanto baste, tal como Audrey Tautou no papel de Sophie Neveu.
Sendo uma adaptação fiel a um livro cujo enredo já era “Hollywoodesco” o suficiente. Recomendo o filme, para quem gosta de uma boa história e pretende ver as imagens que “leu” no livro. E a quem tem a capacidade de perceber que “a imaginação não é uma História alternativa”.


Concluo desejando melhor sorte do que a que eu tive, porque nada pior do que estar perto de súcia que não consegue resguardar os seu comentários durante o filme: e agora acontece istoe agora aquilo..., brutos sem o mínimo conceito do que é o respeito pelos outros.

António Manuel Guimarães

quinta-feira, maio 18, 2006

França

Durante séculos a França foi envolta de uma aura de luz, conhecimento e cultura. A França enquanto nação tem um papel iniludível na história. A França do século das luzes, do republicanismo, do ideário da revolução francesa de 1789, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, da Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão, dos grandes escritores, é bem a prova da importância desta nação, no concerto dos povos.

Contudo, há muito que a França, perdeu a aura de potencia modernizadora das sociedades. Todavia, a França e os franceses não perderam o orgulho e o nacionalismo, de quem ainda se vê como centro de um mundo que já não existe.

Se olharmos com atenção para a história, a decadência da França é evidente. Após o período de ouro do século XVIII, o percurso da França tem sido marcado por sucessivas derrotas. As guerras napoleónicas, apesar das batalhas heróicas, retumbaram numa imensa derrota, que ressuscitou a monarquia dos Borbons. Segue-se a guerra Franco-Prussiana de 1870, em que Bismark humilha a França. Excepção neste percurso de derrotas, somente a 1º guerra mundial, apesar de se tratar de uma vitória bem pequenina. Na segunda Guerra mundial, é ocupada, dilacerada, e humilhada pelos alemães. Por fim, vieram as guerras coloniais da Indochina e da Argélia, também estas, com finais penosos.
Com D´Gaulle, e o nacionalismo gaulês e a integração europeia, houve a tentativa de reafirmação do orgulho francês, que descambou no Maio de 68.
Como ultima derrota, o fim do predomínio da cultura e da língua francesa no mundo

Hoje, ano de 2006 a França é uma nação complexada, complexa, dilacerada por conflitos sociais, com uma estrutura económica rígida, sob um pano de um orgulho nacional um tanto autista. Agravado por uma má integração dos imigrantes, subjacente numa discriminação não assumida, em guetos suburbanos e desemprego estrutural.

Para completar o ramalhete, uma classe politica de baixa qualidade. Um Presidente, ultrapassado e patético, um governo com dois primeiros ministros em constante luta, e uma oposição de esquerda envolvida em lutas fratricidas sem um líder carismático.

O cenário da França não é risonho, ainda mais, quando se advinha como presidente o execrável Sarkozy.
Podem pensar que tenho algo contra a França. Nada mais errado. Espero que a França, como grande nação que é, se renove. Ainda mais, quando o futuro da União Europeia não dispensa uma França forte e competitiva.
António Cipriano

sexta-feira, maio 12, 2006


Aparição

Portugal foi ontem testemunha de uma aparição. Não se tratou de uma nova aparição de Fátima. Nem mesmo da aparição de um santo ou de um anjo celestial. No caso em questão, a figura em apreço era somente uma alma penada vinda directamente do purgatório do esquecimento. Falo de Manuel Maria Carrilho. Esta alma penada, voltou à terra para reafirmar ter sido vitima de injustiças varias. Ser um incompreendido, perseguido por jornalistas, comentadores e afins. No fundo, nas suas palavras é somente uma pobre alma injustiçada.
Todavia, num missal patético, na RTP, apenas demonstrou ser igual a si mesmo. Ressabiado, snobe, autista, invejoso e mau carácter.
Esperamos todos que esta alma penada volte depressa para o vazio do esquecimento, de onde nunca devia ter saido

António Cipriano

sábado, maio 06, 2006


Óleo Vegetal

Esta semana que terminou, o telejornal da RTP1, apresentou uma peça de extrema importância, que à maioria passou despercebida. Refiro-me a visita a Portugal de um cidadão holandês. E o que de tão especial teve essa visita? Bem, este senhor holandês, esta a realizar pela Europa uma viagem com vista à promoção de um novo combustível . Óleo Vegetal. Isso mesmo, este holandês utiliza no seu automóvel, não gasolina ou outro qualquer derivado do petróleo mas sim, Óleo Vegetal.
Querem solução mais simples para a alta do preço do petróleo? Para os problemas ambientais? Para o futuro da agricultura?
No entanto, por muito estranho que pareça, ninguém na Europa deu grande importância a este senhor. A razão é simples – Fortes e poderosos interesses económicos
As grandes companhias petrolíferas e muitos lobbies, estão a ganhar fortunas com o petróleo. Enquanto isso, o mundo qual drogado viciado em petróleo, corre desesperado, por mais e mais, ouro negro. No entretanto, a Repsol, a Galp, a Tottal e outras, actuando como dealers legais, vão se aproveitando das fraquezas de um mundo doente e viciado. Quanto um dia o petróleo deixar de ser um negócio interessante, repentinamente soluções como o óleo vegetal e outras, surgiram, deixando o ostracismo em que deliberadamente foram votadas.
António Cipriano

domingo, abril 30, 2006


Europa – Que Futuro ?
Durante séculos a Europa foi o centro civilizacional, que através do seu modelo económico e cultural, liderou todos os restantes continentes. A Europa do Renascimento, a Europa dos descobrimentos e da consequente colonização, a Europa das Luzes, a Europa do Capitalismo – dominou, pela positiva ou pela negativa o mundo que conhecemos.
Com as duas grandes guerras, e em particular a última, a Europa foi perdendo o seu lugar ao sol para os E.U.A e para a URSS. Todavia quer os EUA, como antiga colónia britânica, quer a URSS herança dos Czares, sempre eram produtos culturais e económicos da Europa. No pós guerra a Europa ocidental não mais alcançou a posição cimeira dos EUA na cena internacional. Em termos económicos a Europa por via do projecto de integração europeia voltou à sua posição de gigante económico. De 1945 até ao final do século assistiu-se a uma grande melhoria do nível de vida dos Europeus. Melhores salários, aumento exponencial do poder de compra., emprego, diminuição da jornada de trabalho, aumento da escolarização, mais direitos sociais, aumento da protecção social, reforço dos mecanismos de segurança social, acesso à saúde e à protecção no desemprego.
No novo século, dois gigantes adormecidos despertaram. A China (império do meio) e a Índia acordaram para o desenvolvimento. De lá para cá, ambas industrializaram-se, modernizaram-se a um ritmo incrível, o qual vem minando a competitividade Europeia. Efectivamente a China, a Índia e outros países asiáticos, economias ausentes de direitos sociais e com salários incrivelmente baixos, numa estratégia de dumping social, não deixam salvação à indústria europeia. Primeiro nos sectores do calçado, dos têxteis, para gradualmente irem avançado para sectores com mais valor acrescentado como a indústria automóvel.
Perante a conjuntura económica selvagem, a Europa passa por um dos seus momentos mais difíceis. Muitos argumentam que o caminho para a Europa é a especialização nos sectores e indústrias, do conhecimento e da tecnologia de ponta. Obviamente que tal aposta é fundamental, como elemento de diferenciação. Infelizmente no meu ponto de vista, tal estratégia é importante, mas não resolve todos os problemas. As indústrias do conhecimento apenas absorvem uma pequena parte da população activa de elevadas qualificações. O que se vai fazer da restante população activa? Que sectores, consumidores de mão-de-obra, irão absorver a população activa, sendo necessariamente competitivos?
Na minha opinião existem dois cenários possíveis:

Cenário 1

A Europa opta pelo proteccionismo. Opta por fechar as suas fronteiras por meio de pautas aduaneiras duras para com os produtos asiáticos (chineses, indianos, etc.). Toda a sua estratégia visa a produção e a satisfação do seu mercado interno de 300 milhões de consumidores. Por esta via, as suas indústrias tradicionais ou não, deixam de ter como adversário o dumping social asiático. Defende-se o emprego e a competitividade, ainda que artificialmente da economia europeia. Mantêm-se os direitos sociais, e os mecanismos de solidariedade do estado social. No entanto a sobrevivência do estado social implica uma politica de promoção da natalidade, em simultâneo com uma abertura controlada à imigração.
Perdem-se mercados, influência e posição geopolítica, e espírito competitivo

Cenário 2

A Europa mantém os seus mercados abertos e procura competir com as novas potências. Necessariamente, promove uma profunda reforma da sua política de emprego.
Flexibilização, aumento do horário de trabalho, facilidade de despedimentos, diminuição salarial, redução da despesa pública em encargos sociais, abertura à imigração, desregulamentação sectoriais, reforço das qualificações individuais, etc.
Ou seja opta-se pela perda de direitos e garantias do estado social em troca de competitividade.

Qual é o caminho correcto?
Espero sinceramente que exista uma terceira via, a bem de todos, apesar de não a deslumbrar.
António Cipriano

quarta-feira, abril 26, 2006


Ouro Negro

Recentemente o Ministro das Finanças, afirmou na comunicação social que não estava preocupado com o aumento do preço do petróleo. Obviamente que tais declarações apenas podem ser ignorância ou demagogia. Tendo em boa conta as qualificações do Prof. Teixeira dos Santos, só pode ser demagogia, bem ao sabor da rosa socialista.
Não é necessário ser um perito em economia para saber que o agravamento do preço do crude para valores periclitantes, tem graves consequências económicas. Os livros de economia nos explicam que um aumento do preço do crude tem com consequência primeira, um aumento da inflação que reduz o poder aquisitivo das famílias. Por norma os bancos centrais procurando estancar a inflação, aumentam as taxas de juro. O aumento das taxas de juro, torna o credito mais oneroso, dificultado o investimento das empresa, tornado o serviço da divida publica mais penoso, apertando ainda mais, o orçamento das famílias já endividadas, conduzindo a uma diminuição dos consumos públicos e privados. Menos consumo, menos produção, menos emprego – estagnação ou mesmo recessão económica.
Como se vê os efeitos da subida do ouro negro são bem negros!!!
António Cipriano

terça-feira, abril 25, 2006


25 De Abril

Comemora-se hoje o 25 de Abril, data da revolução que aconteceu em1974 e que pôs fim à ditadura perpetrada pelo regime conhecido por Estado Novo. Uma revolução feita por militares e mantida pelo povo, todos em conjunto fartos da hipocrisia e abusos que o regime praticava. A importância do povo é primordial, porque se não fosse a sua vontade a revolução nem um ano tinha feito e a 28 de Setembro teria soçobrado às mãos de quem queria reacender a ditadura. Revolução que viveu vários percalços, especialmente durante os dois primeiros anos, com lutas entre a extrema-esquerda, que queria substituir uma ditadura de direita por uma do “proletariado” e a esquerda moderada que pretendia impor a democracia, não falo de outras tendências porque nesta altura tudo o que não tivesse esquerda na designação era considerado fascista. Felizmente em 1976 as coisas acalmaram e começa a surgir a ideia que a democracia só pode vingar se apostar na diversidade democrática, dai em diante mais uns quantos percalços de menor gravidade e que foram ultrapassados, ajudaram a cimentar a ainda muito frágil democracia.
Muitos disseram que com a entrada de Portugal na então CEE em 1986, o 25 de Abril tinha morrido e que isso tinha marcado o fim da revolução, eu pessoalmente não acredito nisso, o 25 de Abril é mais do que uma comemoração com uns discursos bonitos e lembranças de um dia diferente, para mim é um estado de espírito, é acreditar em Portugal e na vontade de todos os portugueses em permanecer livres, falo de liberdade e não de libertinagem. Libertinagem em conjunto com inacção e conformismo são as únicas coisas que alguma vez podem pôr em perigo o 25 de Abril, cabe a todos os portugueses tomarem parte para que estes germes não prosperem e isto faz-se desde a participação na vida politica activa, até ao mais importante acto fundamental da vida democrática, o voto.
É certo que muitos erros foram cometidos com o mote da revolução, muito por culpa de alguns oportunistas e alguns governantes com algumas intenções não tão honestas quanto isso, falo das expropriações, roubos e nacionalizações, erros que não podem nem devem ser atribuídas à revolução, mas sim a alguns indivíduos, que com a desculpa do bem colectivo pretendiam ajudar-se apenas a si próprios num egoísmo estúpido. Estes erros não devem ser esquecidos, devem ser recordados para que não deixemos que se repitam, da mesma forma como não queremos que a ditadura se repita.
Concluo dizendo algo que me vai na alma em todos os 25 de Abril e que eu espero nunca perder: VIVA O 25 DE ABRIL! VIVA A LIBERDADE!

António Manuel Guimarães

sexta-feira, abril 21, 2006


Homenagem

É com tristeza que vejo ser prestada homenagem ao judoca Nuno Delgado. O sentido das palavras pode ser traiçoeiro, a tristeza não pela homenagem ser feita a ele, a tristeza é da altura em que ela é feita, afinal Nuno Delgado sendo tão jovem ainda teria muitos anos de carreira pela frente, infelizmente uma lesão assim não quis e terminou precocemente. Já que a vida continua, se não pode competir, que tenha futuros êxitos a ensinar a sua modalidade que, ultimamente tanto orgulho tem dado a Portugal, mostrando sucessores à altura de Nuno Delgado, como José Neto, José Pina, Renato Morais e outros. Por todo o sucesso além fronteiras, obrigado Nuno Delgado pela tua carreira.
PP

quarta-feira, abril 19, 2006

O Infiltrado

O Infiltrado de Spike Lee não se trata somente de um filme sobre um assalto a um banco. Vai bem mais além. O móbil do assalto não é o dinheiro, os bandidos não os maus da fita, os reféns não são reféns.
O realizador, profundo conhecedor da sua cidade de sempre - Nova Iorque, deslumbra com o correr dos minutos a Nova Iorque da riqueza suja, dos jogos de poder político dúbios, do trafico de influências e dos conflitos raciais.
Em Infiltrado nada é o que parece.
Tudo isto com um excelente elenco (Denzel Washington, Clive Owen e Jodie Foster), e bons planos, apimentado aqui e acolá, com pormenores deliciosos do realizador
António Cipriano

quinta-feira, abril 13, 2006


Justificação de falta

Na passada quarta-feira, na Assembleia da República não foi possível deliberar sobre um conjunto de diplomas, em virtude de não existir quórum. Cento e vinte Deputados, estavam ausentes do trabalho no parlamento. O presidente da assembleia, de imediato requereu a justificação de falta dos parlamentares.
As primeiras averiguações, apontam para ausências plenamente justificadas, por intenso e doloroso trabalho político, fora do parlamento.
Entre as justificações que devem ter chegado ao Presidente da Assembleia devem figurar algumas como:
-Contacto politico com as comunidades portuguesas do nordeste brasileiro
- Viagem de trabalho a Bangkok para analisar as potencialidades da massagem tailandesa, com vista à possível integração no SNS
- Analise e contacto com os problemas da indústria de restauração de Albufeira
- Participação, em representação do estado português no torneio internacional de golfe da costa alentejana
- Ausência nos escritórios da assembleia para analisar as potencialidades pedagógicas do Pro Evolution Soccer 5
- Recepção parlamentar da associação de Modelos de Moda Femininos
António Cipriano

sábado, abril 08, 2006

CP

Uma das causas endógenas dos défices orçamentais nacionais, são os sucessivos e já históricos, buracos financeiros de algumas empresas públicas. Muitos, resignados, argumentam que é o preço do serviço público. Não sou de forma nenhuma, favorável à extinção dos serviços públicos, ou à privatização total.
Todavia, algo pode e deve ser feito. A TAP, e a RTP eram exemplos de empresas com crónicos deficits, as quais, após uma reestruturação profunda, são hoje exemplos de razoável sucesso.
Tudo isto a propósito da apresentação de resultados da CP. A CP no ano de 2005, reportou um prejuízo de 197 milhões de Euros, ou seja, um prejuízo diário de 539.000, Euros, 22.458 Euros/hora, 374,3 Euros/minuto, 6,24Euros/segundo !!!!!! Gosto imenso de viajar de comboio, mas não estou disponível para continuar a subsidiar com os meus impostos este monstro.
Urge a reestruturação da CP. Esta será dolorosa, para as populações e para os 4409 funcionários, mas necessária e urgente. Mas também existem muitos mercados por explorar. A título de exemplo, da minha cidade Caldas da Rainha, para Lisboa existem 10 expressos diários, maioritariamente cheios. Já comboios na Linha do Oeste, para o mesmo percurso, existem três ou quatro, em carruagens ultrapassadas que param em todos as estações e apeadeiros, terminando o percurso em Meleças em cerca de 2 e duas horas e meia, custando o mesmo do Expresso. Perante este cenário, os comboios viajam vazios. Falta de mercado? Não!! Falta sim, visão e interesse da administração da CP. E este, é apenas um de muitos exemplos.
Enquanto assim for, lá continua a CP nos carris do défice....
António Cipriano

quinta-feira, abril 06, 2006


Trauma


Passaram mais de 30 anos desde o fim da guerra colonial portuguesa. Uma guerra desgastante, que tinha como único objectivo aguentar a miragem faraónica do Estado Novo. Uma guerra camuflada de policiamento militar contra grupos “terroristas”. Que matou muitos jovens, outros ainda hoje sofrem de outros males que a guerra trás, males como deficiências físicas e/ou psicológica. Mas para todos os efeitos, uma guerra que aconteceu e quer nós queiramos quer não, faz parte da nossa história. E esse tem sido um grande problema do Portugal democrático, pois andámos anos e anos a recusar esse marco negro da nossa história, escondendo a cabeça na vergonha como se nada disso merecesse ser recordado e estudado friamente.
Há uns dias, vi pela primeira vez um documentário no canal de história totalmente dedicado à guerra em Moçambique. Estava esperançado de ver um trabalho sério feito por historiadores. Mas infelizmente a esperança tornou-se em desilusão, quando vi que foi mais do mesmo. O documentário não foi mais do que os militares que combateram em Moçambique a recordarem a sua experiência de guerra, dando o seu testemunho. Embora esta faceta do documentário seja importante torna-o só por si incompleto, não é um trabalho válido dentro do quadro do documentário histórico, é quanto muito uma crónica, porque não existe o distanciamento necessário para fazer uma interpretação fria dos factos, de compreender os antecedentes e no fundo entender a guerra e o problema colonial na sua totalidade. Ou seja, o trabalho que compete a um historiador não foi feito, preferia ter presente um Fernando Rosas, que ainda se consegue distanciar um pouco da sua família politica e fazer um trabalho honesto no que diz respeito à história, a ver aquilo que todos sabemos, que a guerra faz sofrer e que é má. É certo que já é alguma coisa, porque ao menos já é permitido tocar na ferida, mas está na altura de fazer um trabalho honesto e estudar a guerra colonial tal como ela merece, uma análise fria que permita dar a conhecer a todos, toda a complexa questão colonial, sem estar preso a ideologias politicas e sem traumas.

António Manuel Guimarães

terça-feira, abril 04, 2006


Populismos


Existe uma certa intelectualidade que considera o populismo e a demagogia, um produto específico de alguma direita. Nada mais errado. O populismo, como tudo de mau na sociedade, existe em todos os sectores, e correntes políticas.
Caso paradigmático de populismo perigoso de esquerda ,vive-se na América do Sul. Evo Moralles, na Bolívia e Hugo Chavez na Venezuela são os mais recentes exemplos. Conhecem algum presidente que tenha um programa semanal de duas horas na televisão? Hugo Chavez tem!!! Hugo Chavez sob a capa de um socialismo igualitário vem destruindo a já débil economia venezuelana. Na Bolívia, Moralles, com um discurso patético de nacionalismo indígena, segue as mesmas pisadas.
António Cipriano

quinta-feira, março 30, 2006

Anti-natural

Não me considero machista, nem de perto nem de longe. Tendo dito isto, posso também dizer que não concordo minimamente com a proposta do PS (e apoiada pelo Bloco de Esquerda) que vai no sentido de impor quotas mínimas de participação de mulheres nas listas políticas.
"Afinal és machista!"
Não posso concordar porque, na política como em tudo na vida (pronto, talvez não seja em tudo, mas vocês percebem a ideia), os melhores devem ocupar os melhores lugares. Por um lado, temos discriminação positiva para as mulheres; mas as mulheres não são uma minoria (até pelo contrário), então qual a justificação para uma medida deste género? Por outro lado, acaba por haver discriminação (negativa) em relação aos homens. Concorrem em plano de igualdade com as mulheres, mas só até certo ponto, porque estas têm "vagas garantidas". As mulheres da política portuguesa passam a ser como a senhora grávida que não tem que ficar na fila para poder entrar na Expo 98 (ou então colocam uma almofada para fingir que estão grávidas, mas isso seria uma outra história).
Os governos de Guterres e de Durão Barroso (o Santana Lopes não teve tempo para isso, mas todos sabemos que ele gosta de mulheres) também tiveram este mesmo discurso, em que é preciso mais mulheres (grávidas ou não, tanto faz) na política portuguesa. E, em relação ao actual governo, o mais interessante é que tem muito poucas mulheres!

João Pedro

quarta-feira, março 29, 2006


Colisão

Tive esta semana a oportunidade de ver em DVD o filme Colisão, vencedor do óscar na categoria de melhor filme de 2005. Colisão, um filme de Paul Haggis procura ser um retracto das relações raciais e sociais de Los Angeles. A película, segue o esquema de cruzamentos de estórias aparentemente estanques, desenvolvido por Paul Thomas Anderson em Magnolia. Tudo gira em volta de doze personagens, tendo sempre como pano de fundo o racismo. Apesar do filme estar bem orquestrado, considero contudo, que este abusa em excesso do estigma do racismo. Acho mesmo, que por dar tanta ênfase à questão, esta ganha um ar artificial. Contudo não deixa de ser um filme interessante, que merece a pena ser visto.
António Cipriano

domingo, março 26, 2006



Nova Liderança

Na sequências das declarações de Pires de Lima de que o CDS/PP necessita de uma liderança mais sexy, o núcleo portista encontra-se em negociações com Soraia Chaves para a liderança do CDS/PP. Pretende-se que as propostas de fundo do CDS passem a ser publicadas mensalmente na revista maxmen, juntamente com as fotos da líder.
António Cipriano

quinta-feira, março 23, 2006


Energia Nuclear

O nuclear é um processo físico que visa a produção de energia através da manipulação do núcleo atómico do Urânio 235 (combustível) por via de um de dois processos: a fissão e a fusão. Na fissão um átomo de um elemento é dividido, produzindo dois átomos de menores dimensões de elementos diferentes. Na fusão dois átomos de pequenas dimensões combinam-se originando um átomo de maiores dimensões, constituindo um elemento diferente. Em ambos os processos, a massa dos elementos finais é inferior à massa dos elementos iniciais, sendo a diferença convertida em energia
Nas centrais nucleares procura-se controlar as reacções nucleares de maneira que a energia seja libertada gradualmente sob a forma de calor. Assim como nas centrais que funcionam com combustíveis fosseis, o calor gerado, é usado para ferver água de modo a produzir vapor, que por sua vez faz funcionar turbogeradores convencionais. Consegue-se assim obter energia eléctrica. O sucesso da operação implica o arrefecimento do reactor nuclear da central, (algo que não aconteceu em Chernobyl) utilizando-se agua para esse efeito, sob pena de trágicas consequências. No entanto e como não há bela sem senão, as centrais nucleares para além de energia, produzem resíduos radioactivos. Estes serão perigosos durante muitos milhares de anos, sendo geralmente armazenados em cemitérios nucleares em grandes profundidades, no subsolo.
Já identificamos dois problemas. O risco de acidente, por muito baixo que seja a sua probabilidade, as suas consequências são devastadoras (Sellafield, 1957 – Reino Unido; Three Mile Island, 1979 – EUA; Chernobyl, 1986 – Ucrânia). E o problema dos resíduos. Mas não ficamos por ai. A vida útil de uma central nuclear é cerca de 30 anos. Após este período há a necessidade de desmantelar a central. A limpeza do local, com o consequente tratamento ecológico é um processo moroso e economicamente dispendioso. Como agravante as centrais nucleares apenas produzem energia eléctrica, não resolvendo o problema central – a locomoção automóvel.
Os defensores da energia nuclear argumentam que esta produz energia a baixo custo. Confesso que não sei se será verdade, sobretudo se tivermos em conta os custos da desmantelação da central. Mas mesmo que seja economicamente favorável, tendo em conta os riscos e os perigos, será que compensa? Acho que não, muito menos para um pequeno país como Portugal. Ainda mais, num momento em que a energia nuclear já caí em desuso no mundo ocidental.
O futuro são as energias renováveis, o hidrogénio e nunca o nuclear!!!
António Cipriano

quarta-feira, março 22, 2006

Problema Energético

Neste momento Portugal vive uma difícil questão, uma questão que se torna fundamental, porque quer nós queiramos quer não, irá afectar o nosso futuro mais próximo. O mundo vive um clima de instabilidade, que resulta de questões directa ou indirectamente relacionadas com o petróleo, que é a “grande droga” do mundo ocidental. Seja devido aos problemas do médio oriente, seja devido às constantes intrujices e mentiras das grandes companhias petrolíferas, que fazem os preços do barril de petróleo disparar e tudo isto leva a que países como Portugal, com extrema dependência energética, vivam ao sabor de todas estas variações. De qualquer forma já demos um pequeno passo, e tomamos consciência de que o petróleo afinal não vai estar sempre ai e que nos temos que libertar dos seus grilhões. Agora o problema está no grande passo a seguir e qual a solução e aqui começam os problemas. Na minha opinião o nuclear é fundamental para resolver este problema. As razões são muito simples, se não vejamos, em primeiro lugar o facto de sermos o 5º maior exportador de urânio do MUNDO, demonstra a quantidade de urânio que temos, ou seja uma quantidade que nos aumenta sobremaneira a independência energética. Depois devido às grandes quantidades de energia que uma central nuclear de 3ª geração consegue produzir, porque para igual massa utilizada, o urânio produz cerca de 2500000 vezes mais energia por fissão que o carbono por combustão, o que faz com que apenas uma central nuclear desse para alimenta todo o nosso grande “cluster” industrial do norte. Podemos sempre falar do problema ambiental, mas o facto é que neste momento uma central termoeléctrica constitui um problema ambiental que é pelo menos, tão grave como o nuclear, e nós usamos e abusamos da energia em Portugal sem sequer termos consciência da gravidade da poluição libertada, efeito de estufa, problemas respiratórios devido à existência de hidrocarbonetos na atmosfera, etc…. Infelizmente esta falta de consciência encontra-se noutro ponto, pois Portugal importa 80% da energia que consome e grande parte dessa energia vem de Espanha e é produzida nas centrais nucleares da Iberdrola. Podemos sempre dizer hipocritamente que o problema “não é nosso”, mas não sei até que ponto é que não será nosso quando uma das 3 centrais espanholas está a poucos kilometros da fronteira. Além de que acho curioso, as pessoas evocarem razões ambientais, quando nunca se questionaram sobre os caminhos que o Urânio faz para sair do nosso país, algo inevitável para quem exporta.
Podemos falar dos acidentes como Chernobyl em 1986, um acidente que ensina tudo o que não se deve fazer, ao contrário do que aconteceu em Idaho Falls nos EUA em1961 que foi resolvido com sucesso e que talvez por isso não se fale dele. Embora para cada um destes desastres à dezenas de acidentes com o petróleo que os ultrapassam e se dúvidas há, então 30 milhões de toneladas de crude despejados nos oceanos todos os anos devem ajudar a dissipar.
Deixemos de ser “velhos do Restelo”, com medo de avançar de dar este passo decisivo e fazer aquilo que os nossos parceiros Europeus já começaram a fazer à muitos anos, porque se algo mais objectivo for preciso então estabeleçamos a comparação com os grandes centros industriais Europeus e vejamos que energia é que eles consomem. Acho estranho eles estarem todos tão equivocados à tanto tempo e nós pobrezinhos e ultra dependentes é que estamos certos, especialmente quando a nossa razão principal para negar o nuclear passa por questões sentimentais e de orgulho, mas não por razões objectivas e concretas
Não ponho de lado a utilização das energias renováveis, embora tenhamos que reconhecer que o conhecimento do seu aproveitamento é muito escasso ou seja, necessita de mais investigação e tempo não é factor de que disponhamos neste momento, sim porque o relógio de Quioto está a andar. A única alternativa que se apresenta como mais praticável é a energia eólica, mas sinceramente não me parece que ver o país atravancado com milhões de ventoinhas seja a solução, porque era necessário uma grande quantidade de moinhos para tornar este meio uma alternativa adequada.
Concluo dizendo que a energia nuclear é hoje considerada como uma energia limpa e económica e não perigosa desde que usada com cuidado. E talvez por isso, a sua utilização não é condenada por nenhuma organização internacional desde que seja utilizada para fins pacíficos, ou por nenhum tratado sobre poluição, como o de Quioto por exemplo. E a menos que os detractores da utilização do nuclear não acreditem que em Portugal existem pessoas competentes, capazes de fazer uma central nuclear funcionar em segurança, não vejo que razões podem ser evocadas para negar a sua prática.
António Manuel Guimarães

segunda-feira, março 20, 2006

30 anos de Não ao Nuclear

Comemoraram-se, ontem, 19 de março, os 30 anos do Não ao Nuclear em Portugal.
Em 1976, num projecto cheio de raízes do marcelismo, pretendia-se construir uma central nuclear em Ferrel, concelho de Peniche. Os defensores do projecto tal como hoje, falavam das maravilhas da energia nuclear. Argumentavam que a central nuclear iria contribuir para o aumento do turismo, visto por um lado, esta aquecer às aguas das praias das redondezas, trazendo assim mais visitantes, e por outro, por todos aqueles que se deslocariam para visitar a referida central.
Ao contrário do que alguns pesavam a população de Ferrel não era ignorante, e não foi em cantigas. No dia 19 de março de 1976, ao toca a reunir sob os sinos da igreja, a população munida de enxadas e paus destruíram os trabalhos preparatórios para a construção da central nuclear.
Deixo aqui a minha homenagem ao heróis de Ferrel.
António Cipriano

sábado, março 18, 2006


Déficit de Oposição

O governo apesar de longe de excepcional, brilha intensamente ao olhos dos eleitores, como única alternativa no universo político Isto em grande medida em virtude de um déficit de oposição. De um lado temos, Equivoco e Castro, cada vez mais isolado, trapalhão, ingénuo, ao ponto de se deixar levar nas sucessivas armadilhas da Banda Portistas. De outro lado, um Marques Mendes, pouco solto, vitima de uma apagamento estratégico, via presidenciais, não tem sido capaz de fazer uma oposição firme. Onde estão as propostas do PSD, para os problemas do desemprego, da justiça? Quanto o governo põe o pé na poça, onde está Marques Mendes para criticar, apontar a dedo as inconsistências governativas? Na verdade ninguém no PSD acredita que Marques Mendes dure até às legislativas de 2007. No entanto, os verdadeiros candidatos à liderança do PSD vão-se guardando, deixando a Marques Mendes a tarefa ingrata da travessia do deserto.

Enquanto a oposição vai se perdendo em guerras fratricidas, Socrates vai sorrindo...........
António Cipriano


Desafio aceite!

Primeiro que tudo, devo referir que ao aceitar o desafio em primeiro lugar, em vez do desafiante, acaba por me caber a tarefa mais fácil visto que nada ainda foi escrito no blog, pois de certeza absoluta que o que irei deixar referenciado não será certamente novidade para ninguém.
Portugal é um país pobre no que se refer à produção de energia própria, o que é algo inadmissível para um país com os recursos naturais que possuí como o vento e uma das maiores costas marítimas da Europa. Não sei precisar mas decerto não será exagerado dizer que 80% da energia em Portugal é importada e de origem fóssil, em alturas de crise económica como esta que está a acontecer na actualidade mundial, torna-se mais visível a falta de investimento feita ao nível de energias renováveis. Como disse não indiquei nada de novo deixo, no entanto, uma questão:
Qual a razão que levou os diversos governos que passaram pela cadeira do poder a negligenciar a produção de energias renováveis?
PP

sexta-feira, março 17, 2006

Desafio!

O País nos últimos dias tem assistido a uma discussão que todos certamente consideramos. Falo da discussão sobre a questão energética e em particular da utilização ou não, da energia nuclear no nosso país. Penso que estas matérias devem ser debatidas para todos poderem avaliar os prós e os contras, para todos poderemos ajudar o nosso país nesta decisão que tão importante é. Com este post venho lançar o desafio a todos os quatro colaboradores deste blog, para que digam o que pensam sobre este tema, e a todos os leitores que comentem, para fazermos desta discussão o mais geral possível!

António Manuel Guimarães

quinta-feira, março 16, 2006

Congresso


Com todas as coisas que nos últimos têm sido ditas, sobre o congresso extraordinário do PSD e sobre a atitude a tomar pelo Presidente do partido, caso a sua moção seja chumbada, eu apenas posso chegar à triste conclusão que existem pessoas no PSD, que sofrem de uma grave obsessão pelo poder. Luís Filipe Menezes que foi derrotado no último congresso, parece andar a mexer os cordelinhos para subverter a razão de ser deste congresso, que é a alteração dos estatutos para permitir a eleição directa do líder. Uma decisão que peca por tardia, algo que já deveria estar feito e que é essencial para o partido, e este senhor arrisca-se a fazer perigar algo tão importante por motivos pessoais de ambição desmedida, de obsessão pelo poder, que não passam de uma tentativa de retorno ao passado recente, em que Santana tanto prejudicou a imagem e razão de ser do partido.
Espero sinceramente que a moção de Marques Mendes vença e se apaguem de vez os últimos restos dos tiques santanistas, que tão prejudiciais são para o partido e por conseguinte para Portugal.

António Manuel Guimarães

segunda-feira, março 13, 2006

Um ano de governo

O governo de José Socrates, completou ontem, um ano em funções. Não sendo este o meu governo, também não sou adepto da política do “bota abaixo”. Houve muita coisa negativa, mas também alguma coisa de bom
Comecemos pelo positivo. Antes de mais, este é um governo mais credível e francamente melhor do que o de Santana Lopes, o que diga-se de passagem, não seria difícil. Destaco como positivo três pontos. Em primeiro, aliás o que mais gostei, foi a capacidade, a coragem, e mesmo a teimosia, apesar de algumas inconsistências, em agitar os interesses instalados. Ao nível da função publica, este governo soube terminar como muitos regimes de excepção, incompreensíveis ao olhos do mundo actual. Soube afrontar alguns lobbys como a industria farmacêutica, os sindicatos, os juizes, etc. Apesar de francamente positivo, muito falta fazer ao nível da reforma da administração publica. Em Segundo lugar, destaco o esforço feito na desburocratização. O processo da empresa na hora, o fim dos livros comerciais obrigatórios, o fim de um sem numero de escrituras publicas obrigatórias, são medidas importantes para a competitividade nacional. Como terceiro aspecto positivo, o facto de Socrates ter dado razão a Manuela Ferreira Leite. Apesar do discurso minimalista eleitoral, o governo tem de uma forma geral, dado a atenção correcta para o problema orçamental.

Como aspecto negativo, obviamente o desemprego. Apesar dos 150.000 empregos prometidos o desemprego está bem próximo dos 500.000. Se é verdade que programas como o de estágios para licenciados na função publica foram benéficos, tal não chega para colmatar as falências sucessivas e quotidianas de empresas têxteis, e as deslocalizações de multinacionais. Estagnação económica (crescimento económico de 0,3% em 2005), envés das taxas de 3 % prometidas em campanha, mancham a imagem do governo. Pode-se sempre dizer, que outro governo em termos económicos não faria melhor. É correcto, mas quem manda prometer crescimentos de 3% em campanha?
Por fim, como aspecto negativo realço a propaganda. De alguns meses para cá o governo passeia em colóquios, conferências, anunciando investimentos e mais investimentos. Estou cá para ver. Mas o teor do cerimonial envolvido e da pompa, dá um ar oco, falso, de vendedor de “ banha da cobra”, que retira muita da confiança e credibilidade que tais anúncios possam vir a ter.
Já me a esquecer - a Justiça. O sistema de Justiça bateu no fundo. Essa é um dos cancros da nossa democracia. O ministro também não ajudou. Mas é urgente que no próximo ano algo de novo aconteça.

Comecei por dizer que este não é o meu governo. No entanto, desejo a bem de Portugal muitos sucessos e decisões sábias para os próximos três anos.
António Cipriano

sábado, março 11, 2006


O Inverno do Patriarca

E quando todos pensavam que era impossível ele descer mais baixo e ser mais descortês, eis que ele volta a surpreender. Mário Soares como que a reafirmar a péssima imagem que deixou durante a campanha, não cumprimentou Cavaco Silva, o Presidente da Republica na sua tomada de posse. Esta atitude de birra de Mário Soares foi o golpe de misericórdia sobre qualquer possibilidade de ser recordado no futuro como um politico triunfador e com prestígio.

António Manuel Guimarães

sexta-feira, março 10, 2006

Com que direito….

Li eu ontem no jornal “Público” que, os norte-americanos dotados da sua habitual lata descomunal, decidiram apresentar um documento sobre o respeito dos direitos humanos em diversos países. Um documento onde Portugal aparecia destacado. Curioso com sempre, decidi dar uma vista de olhos sobre o dito documento e descobri que os “senhores do mundo” fazem umas afirmações bastante pesadas sobre o nosso sistema prisional. Começam com paninhos quentes a dizer que temos um regime democrático, com um Presidente da Republica e um primeiro-ministro eleitos em eleições livres. Depois afirmam que o governo respeita geralmente os direitos humanos (e aqui começa a parte curiosa), quando eles dizem que foram detectados alguns problemas de direitos humanos. Problemas como: “A polícia e os guardas prisionais agridem e abusam dos detidos; as prisões não apresentam condições; a prisão preventiva é demasiado longa e no país existe tráfico de homens e mulheres estrangeiros para trabalho ilegal”. Partindo depois para uma vasta investigação sobre o nosso sistema politico, que demonstra um bom trabalho dos sistemas de informação dos Estados Unidos da América. Tudo isto é de uma hipocrisia do tamanho do mundo, mete nojo e apenas pode servir para piorar a fraca imagem que eu tinha dos americanos. Com que direito dizem os americanos que os nossos policias e guardas prisionais batem e abusam dos detidos, quando todos os dias nós vemos nas noticias perseguições e espancamentos perpetrados pelos policias americanos. Com que direito dizem que as nossas prisões não apresentam condições, quando eles apenas apresentam imagens das suas prisões em vídeo clipes bem preparados como “St. Anger” dos Metallica, onde apenas podemos apreciar o pátio de St. Quentin, uma prisão onde os presos desejam morrer e ir para o inferno, que certamente lhes parecerá o paraíso. Já para não falar das prisões militares como Abu-Ghraib e Guantanamo e isto porque não se pode falar das prisões que os EUA, não confirmam nem desmente a sua existência, como a “prisão negra de Kabul”. Com que direito falam da prisão preventiva demasiado longa, quando eles prendem pessoas sem formular acusação, sem presunção de inocência e com a utilização de tortura e abusos sistemáticos e se dúvidas existem, falemos mais uma vez nos casos anteriormente citados e que são do conhecimento publico. E por fim, com que direito falam do trabalho ilegal, quando são as suas grandes indústrias as principais beneficiarias de trabalho ilegal por esse mundo fora, utilizando o neocolonialismo como o meio de obter lucros à custa de trabalho quase escravo. Isto para não falar na utilização sistemática da pena de morte e de tantos outros casos descritos pela “Human Rights Watchhttp://hrw.org ou pela Amnistia Internacional (www.amnistia_internacional.pt). Curioso é também o facto de não ter encontrado referência a estudos feitos às prisões de Israel, da Arábia Saudita e do Kwait e outros países conhecidos por serem respeitadores dos direitos humanos e que por tanto não merecem que os seus amigos americanos percam tempo com eles.
Com este post não pretendo justificar os erros do nosso sistema por comparação com o sistema brutal praticado pelos EUA. Porque para estes abusos não existe desculpa possível, mas para dizer que este estudo é feito por gente sem capacidade para julgar quem quer que seja sobre este tema. Para mim este estudo tem tanta validade como se o Pinochet, o Idi-Amin, o Noriega ou qualquer outro ditador tivesse ordenado um estudo para condenar qualquer ditadura neste mundo. É a hipocrisia na sua forma mais perversa e infame, que só podia ter o carimbo “MADE IN USA”.

António Manuel Guimarães

quarta-feira, março 08, 2006



Dia Internacional da Mulher

No dia internacional da mulher, uma simples rosa, bela, sensivel e fascinante, mas tambem espinhosa, e quantas vezes dificil de colher, para representar a mistica feminina.

António Cipriano

Xanax

A farmacêutica alemã Merk anunciou esta semana um aumento exponencial nas encomendas do seu farmaco Xanax, para o mercado português. Ao que parece, este aumento fica a dever-se a dois novos clientes, ambos, com confessos problemas em dormir descansados, devido a uma “cavaquite”. Estes novos clientes são: a Fundação Mário Soares e a o operário deputado Jerónimo de Sousa.
António Cipriano

quinta-feira, março 02, 2006

Caixa Geral de Depósitos, não!

Ontem enquanto passeava pelas ruas das Caldas com um amigo, este teve de ir depositar um cheque na Caixa Geral de Depósitos, antes dele estava uma senhora que não conseguia fazer a operação que queria, pois a caixa recusava a caderneta dela, o meu amigo não teve tanta sorte e ao anular a operação, a caixa registou o depósito de um cheque no valor de zero euros e zero cêntimos, ficando com o cheque no seu interior. De pronto foi feita a reclamação junto das pessoas que trabalham do banco mas a resposta está longe de ser satisfatória, a manutenção das máquinas é feita por uma equipa que vem de Lisboa todos os dias, a reclamação segue, ficando o assunto sanado lá para o fim-de-semana, após o qual o cheque ainda ficará retido mais cinco dias. No meio daquilo tudo, dei por mim a sorrir e a pensar: "ainda bem que dei ouvidos ao meu pai quando me disse para nunca utilizar como banco a Caixa Geral de Depósitos!"
PP

Violência de última geração

Hoje enquanto bebia o meu café depois do almoço, falava com alguns colegas sobre filmes. Filmes que representam uma moda, que se tem vindo a alargar nos últimos tempos, são os filmes que mostram o expoente máximo da perversão humana. Filmes que retratam o fenómeno da psicopatia com todos os requintes de malvadez e sofrimento. Onde não basta sugerir o que se fez, o que se faz tem que ser visto e da forma mais explicita possível. Com este post eu gostava de lembrar aquilo que se dizia dos filmes dos anos 80 e 90 interpretados por Jean-Claude van Damme, Chuck Norris, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, entre muitos outros. Em que a violência era o mote e a brutalidade uma constante e que todos diziam que eram demasiado brutais para sem vistos. O que é certo é que agora esses filmes são para crianças, porque têm o escalão mais baixo de violência que a televisão tem para “oferecer”. Vivemos numa triste sociedade onde os acontecimentos violentos já se tornaram de tal forma banais, que passámos a fazer histórias disso. Onde a malvadez máxima é vista como originalidade e não como o reflexo de uma mente perturbada de um realizador doente, que não consegue fazer um filme sem utilizar quantidades infinitas de sangue e imagens o mais perturbantes possíveis. Compreendo que cada um tem a liberdade de ver aquilo que quer e que dentro deste plano só quem quer é vê esses filmes. Mas penso que não faz mal a ninguém parar para reflectir um pouco e ver o caminho que as coisas levam e que diagnostico é que podemos tirar da nossa sociedade através da doença que a violência brutal gratuita que temos no acervo cinematográfico actual indicia.

António Manuel Guimarães

terça-feira, fevereiro 28, 2006


Não!! Não é uma brincadeira de Carnaval !!!

O Ministro Boliviano das relações exteriores David Choquehuranca, declarou recentemente que as escolas bolivianas deviam passar a servir aos alunos, folhas de coca, em vez de leite. Segundo o ministro, as crianças precisam de cálcio, e a folha da coca contém mais cálcio do que o leite. Servindo-se de um estudo "duvidoso” afirma, que em cada copo de leite existem 300 miligramas de cálcio, enquanto que em 98 gramas de folha de coca, existem 1540 miligramas de cálcio.

Agora entendi!! Os toxicodependentes são apenas pessoas preocupadas com a saúde dos seus dentes e ossos!!

António Cipriano

sábado, fevereiro 25, 2006


Colonialismo Negro

Fez no passado dia 22 de fevereiro, quatro anos sob a morte do líder da UNITA Jonas Savimbi. Apesar de todos este tempo, ainda não foram marcadas as eleições legislativas e presidenciais em Angola, nem anunciado o inicio do recenseamento eleitoral.
Enquanto isso, José Eduardo dos Santos e uma nomenclatura cleptómana vem delapidando os imensos recursos angolanos, em futilidades, luxos excessivos, contas na Suíça, enquanto o povo angolano vive em condições deploráveis, passando mesmo fome, e dificuldades.
Angola não uma excepção ou um caso particular da África pos-colonização. Efectivamente, grande parte dos países africanos, depois de séculos de opressão europeia, passaram directamente para um novo colonialismo. O colonialismo negro, de uma oligarquias de elites corruptas, maquiavélicas, que vêem o seus povos como meros escravos dos seus desejos de opulência e poder sem limites.

Para quando a libertação de África?

António Cipriano

terça-feira, fevereiro 21, 2006


Teorias Iranianas

Segundo o Embaixador do Irão em Portugal, Mohammed Taheri, para incinerar 6 milhões de judeus seria necessário 15 anos, logo toda a história do Holocausto estava ferida de morte! Só esta infeliz afirmação diz tudo quanto é necessário saber sobre as teorias de Teerão. Primeiro acho que alguém devia explicar a este senhor, que nunca ninguém disse que foram incinerados 6 milhões de judeus durante a segunda guerra mundial. O que foi dito foi que morreram 6 milhões de judeus e que muitos milhares foram incinerados. Outro ponto curioso é que o nosso país protestou, chamando inclusivamente o senhor em questão ao MNE para lhe dar conta do protesto. Mas o protesto quanto eu sei foi insuficiente, deveria ter sido extensível ao ponto de pedir ao cabeçudo diplomata, que pedisse desculpa a Portugal, porque se no Irão, eles conseguem vender estas teorias tudo bem, é lá com os iranianos. Mas pensar que os Portugueses são burros como, por exemplo……os iranianos (só assim por acaso), é um insulto muito grave.

António Manuel Guimarães

O Estúpido da Liga do Norte

Da próxima vez que sentirmos a tentação de falarmos mal dos nossos políticos e do nosso sistema politica, lembremo-nos que em Itália andam ministros a fazer propaganda da sua estupidez, vestindo t-shirts com os polémicos cartoons de Maomé. Certamente que depois de nos lembramos disso a nossa politica vai parecer digna, inteligente e sensata.

António Manuel Guimarães

Ocidentais Versus Islâmicos

Mais uma vez, o mundo vive um momento conturbado no que diz respeito, as relações do mundo ocidental com o mundo islâmico. Primeiro devido à guerra do Iraque, que embora agora não seja demagógicamente considerada uma guerra pelos americanos, continuam a morrer pessoas, tanto civis como militares, o que promove uma grande instabilidade no Iraque, que cada vez mais, parece permanente. Seguidamente temos a saga do Irão, que pretende continuar o seu programa nuclear, segundo o presidente Iraniano esta utilização da energia nuclear é para fins pacíficos. Curiosamente este foi o homem que quando subiu ao poder, disse que Israel deveria ser “riscada do mapa”. O que deixa muito a desejar no que diz respeito aos seus ideais pacifistas.
Depois o Hamas ganhou as eleições na Palestina, um resultado democrático, que não funcionou segundo os desejos ocidentais, que ameaçam já boicotes. Ou seja, depois de anos e anos a exigir eleições democráticas na Palestina, depois destas terem sido feitas e declaradas legais pelos observadores internacionais, liderados pelo antigo presidente americano Jimmy Carter, o mundo ocidental prepara-se para castigar os Palestinianos por estes terem feito o que se lhes exigia. O que não faz muito sentido, porque se o mundo ocidental não queria resultados inesperados, então não andava a “chatear” para fazer eleições, só porque para nós é o mais que certo. Especialmente sabendo que a escolha poderia recair sobre quem prometia vingança e expulsão dos "invasores Judeus".
Por fim, temos a infeliz ideia de um jornal Dinamarquês que decidiu fazer caricaturas do profeta Maomé. Uma ideia infeliz, porque incendiou ainda mais as relações entre os nossos “dois mundos”, muito devido a uma jogada de aproveitamento feita pelos alguns lideres islâmicos fundamentalistas. Este jornal diz que apenas aplicou a liberdade de imprensa e que não “desarma” da sua atitude em defesa da mesma liberdade, ou seja, este jornal tem o mesmo conceito de liberdade de imprensa que a TVI e o 24 Horas, que é a libertinagem no seu sentido mais perverso. Para piorar o problema a Noruega e a França decidiram reproduzir as caricaturas nos seus jornais, o que levou a um aumentar da revolta. Este último acto foi sem dúvidas para mim, um lançar de gasolina para uma fogueira que já estava ateada quanto baste. Até quando é que temos que viver estes tropeções e encontrões de dois mundos tão diferentes, com contextos históricos tão diversos. E até quando, “nós” ocidentais, temos que passar até percebemos que quanto mais metermos o nariz, mais as coisas pioram, pezinhos de veludo e grandes doses de diplomacia se exige, para que isto não descambe num conflito mais grave do que aquele que se pressente.

António Manuel Guimarães

sábado, fevereiro 18, 2006

Ridículo

Ao folhear hoje um tabeloíde português bem conhecido, Correio da Manhã, deparei-me com grandes "notícias", uma o regresso de um reality show com o habitual paneleiro de serviço e com a tia de Portugal, passando-se tudo agora num circo. Aos interessados a participar estão abertas as inscrições para os papéis humanos (chefe de cerimónia, trapezistas, contorcionistas, domadores e até palhaços) pois como se pode perceber, os lugares para animais já estão ocupados.
A segunda notícia é do ex-participante do Big Brother 1 Mário, que foi preso devido a ser suspeito de assaltos à mão armada e fogo posto. Conhecido pela sua frase altamente criativa, genial e original "Tás a ver?", é caso para responder que pelos vistos a polícia estava, mesmo assim custa-me a crer que um rapaz que mal se levantava da cama não tenha preguiça de levantar uma arma.
PP

Nova Lei das Rendas

Não sendo uma lei perfeita a Nova Lei das Rendas é manifestamente uma boa lei. Antes de mais, por dar cobro a uma conjunto de injustiças e situações caricatas que vinham à muito, a minar o mercado de arrendamento em Portugal. Primeiro, pela política do Estado Novo de congelamento das rendas, depois, face às pressões inflacionistas da primeira década do pós revolução, o mercado de arrendamento estava anacronicamente moribundo. Rendas de 10 Euros, ou menos, abundavam no país, impedindo a reabilitação urbana das cidades, em especial dos centros, e empurrando os mais jovens para as periferias das mesmas.
Com a nova lei passa a ser possível uma actualização faseada das rendas, não descurando a parte social, devolvendo justiça ao sistema. Mas mais importante do que isso, com o novo enquadramento legislativo, o arrendamento passa a significar a cedência de um prédio urbano ou comercial, por um período de tempo convencionado. Até agora o arrendamento não era mais do que uma venda encapotada, paga em prestações mensais cada vez mais desvalorizadas.
Outro contributo fantástico da nova lei é o fim dos trespasses. Até então muitos oportunistas em operações especulativas “vendiam” as lojas dos senhorios por valores astronómicos. Com a nova lei esta pouca vergonha termina.
Ai está uma boa medida deste governo.
António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 17, 2006


A misteriosa chama da Rainha Loana

Foi com tristeza que acabei de ler este maravilhoso livro de Umberto Eco. Tristeza pelo que foi dito de que este seria o seu último romance. Espero sinceramente que não seja o caso, pois um romancista como Eco escasseia nos tempos que correm. A todos lanço o desafio de lerem este livro.
PP

terça-feira, fevereiro 14, 2006

“Corpse Bride”
Este fim de semana tive a oportunidade de ver a “A Noiva Cadáver” de Tim Burton. Trata-se de um filme excelente, na senda do “Estranho Mundo de Jack” de 1993.
Nos últimos anos temos assistido a uma sucessão de filmes de animação computadorizada, alguns demasiados frios ou mecânicos. Nada disso ocorre em “Corpse Bride”. Tim Burton na sua genialidade, numa simbiose entre a animação via plasticina e as novas técnicas, traz-nos um espectáculo visual notável. O argumento baseia-se num conto popular russo, numa Inglaterra vitoriana sombria. É a estória de Victor Van Dort (na voz de Johnny Depp), que casa por interesse dos pais, e que por acidente, se vê perseguido por uma noiva vindo dos confim do além.
Humor negro, comedia jocosa, sob o pano de fundo de uma bela estória de amor, pode ser uma óptima sugestão para inicio de noite de S. Valentim.
António Cipriano

domingo, fevereiro 12, 2006

Burocracia

O código do IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares), prevê no artigo n.º 89-A, a obrigação dos contribuintes declararem aquisições de imóveis ou automóveis, por valores superiores a 250.000 e 50.000 Euros respectivamente, no âmbito das manifestações de fortuna. Pretende o fisco ter um maior controlo, e assim fiscalizar eventuais fugas fiscais. Num país de impunidade e de evasão fiscal genética, trata-se a meu ver, de uma medida correcta.
Pena é não se ter ficado por aqui. Mas não, o fisco resolveu borrar a pintura. Apesar de a lei apenas prever a obrigação de declaração de compra de casas e carros, superiores aos tectos acima apresentados, exigiu até à passada sexta feira, que os contribuintes declarassem qualquer aquisição, independentemente do valor. Ou seja o fisco, não respeitando a legislação em vigor, abusando do seu poder e praticando uma ilegalidade, estava no caricato a exigir que o contribuinte declarasse a aquisição de carros por valores de 500 Euros, motas de valor de 200 Euros, etc. Actos certamente indutores de fuga ao fisco!!!!
Para além de caricato, esta medida criou confusão ao contribuinte, aumentando a burocracia e o tempo necessário ao processamento da informação. Depois de muitas queixas e azedume dos contribuintes, o secretário de estado dos assuntos fiscais, veio na passada sexta feira dar a mão à palmatória. Ainda bem que o fez. No entanto durante 10 dias, a confusão e a indignação. desnecessariamente invadiram as repartições de finanças.
Mais uma vez o estado português deu uma imagem mesquinha, e de uma mentalidade pidesca. No meu caso pessoal e como nada tenho a esconder vou declarar todas as aquisições, nomeadamente: 5 camisas, 2 blasers, 1 fato, 2 camisolas, 3 DVD, 12 livros.......................................
António Cipriano

sexta-feira, fevereiro 10, 2006


O profeta com a bomba na cabeça

Sinceramente, acho que está tudo maluco. Estava maluco o senhor que fez os cartoons que despoletaram tudo isto (mas qual é o objectivo de uma coisa daquelas, se não a simples ofensa barata?). Estão malucos (são fanáticos, portanto) aqueles que estão a causar distúrbios por causa de uma coisa destas. São malucos (provocadores, acima de tudo) todos aqueles que resolvem voltar a publicar esses cartoons (mas porquê? para quê? para vender mais jornais? para provar que têm o direito de o fazer?).
É claro que a liberdade de expressão é uma coisa fundamental nas nossas democracias, e com a liberdade de imprensa à cabeça. Mas será que a liberdade de uns não acaba quando começa a liberdade de outros? E o que é que isto tem de jornalismo, afinal? Jornalismo não é informar, da forma mais isenta e mais objectiva possível? Veja-se a capa de hoje de O Independente... o que há de jornalístico naquilo?
E, claro, só faltava a comunidade islâmica em Portugal também decidir partir umas montras na baixa lisboeta...
Uma coisa é liberdade de imprensa, outra é bom senso (porquê provocar e dar um pretexto aos fanáticos?). E, afinal, o próprio cartoonista até já pediu desculpa.
João Pedro

segunda-feira, fevereiro 06, 2006


Elefante Branco


Durante décadas, o Alentejo, zona esquecida, e muitas vezes abandonada pelo poder político, pediu insistentemente a construção da Barragem do Alqueva. Esta, era vista como o projecto redentor, que iria contribuir decisivamente para uma agricultura de regadio competitiva e de elevada produtividade, no Alentejo. Para os alentejanos o Alqueva era sinónimo do desenvolvimento que tanto ansiavam, e que iria erradicar a fuga de gente, que vem esvaziado as planícies alentejanas.
Finalmente foi construído !!!!
Mas ao contrario do espirito alentejano, o Alqueva tornou-se somente, em mais um Elefante Branco. O objectivo do Alqueva era a agricultura e o regadio. Mas a realidade é um imenso lago para turistas, maioritariamente castelhanos, que se dedicam à pesca, ao JetSki, e a passeios em mota de agua.
O projecto inicial do Alqueva previa em 2006 investimentos na ordem dos 143 milhões de Euros, para a edificação do subsistema de rega. No entanto, o orçamento do estado apenas consagra 56 milhões. Por este andar o sistema de rega anteriormente previsto para estar concluído, já tardiamente em 2015 só estará finalizado lá por 2030.
Até lá fica, o Alqueva é mais um lago para "camones".
António Cipriano

quinta-feira, fevereiro 02, 2006


Dura Lex Sed Lex

Parece-me a mim, que está na altura de acabar com as brincadeiras e palhaçadas com a justiça em Portugal. Estou farto de ver notícias nos jornais, de pessoas que tentam levar a melhor contra a justiça, indo para tribunal para apelar a que o tribunal autorize ilegalidades e “jogue” a favor dos que pretendem cometer um crime. Estas pessoas parece que não percebem, que a lei é dura mas é a lei. As leis não foram feitas para que todas as pessoas gostem delas, mas para regular o funcionamento da sociedade. Mais grave se torna, quando um advogado diz que vai interpor um recurso contra a decisão do Juiz, quando este se limitou a aplicar a lei. Esperava este senhor que um Juiz fosse contra a lei e autorizasse o casamento de duas mulheres, quando isto é um crime. Que bonita seria a nossa sociedade se funcionasse dessa forma cometia-se um crime o tipo era considerado culpado e ia interpondo recursos, até apanhar um Juiz que lhe fizesse o jeitinho, um Juiz “à maneira”. Assim à laia da republica das bananas, ou de um pais governado por blocos de esquerda. Meus amigos, nós podemos não gostar das leis, podemos considerar as nossas leis injustas, mas a lei é a lei e deve ser respeitada como tal.

António Manuel P. S. Guimarães