segunda-feira, abril 24, 2017

Liberdade




Comemoramos mais um aniversário do 25 de Abril, data história e de grande importância enquanto marco que iniciou o caminho para a democracia e estabilidade democrática definitivamente concretizada com o 25 de Novembro de 1975 e as primeiras eleições em 25 de Abril de 1976.
Porém, a democracia não é um bem que devemos dar por garantido. Perigos, populismos, e derivas autoritárias encontravam-se sempre  presentes nas sociedades.
A forma de garantirmos a democracia é desenvolvermos uma cidadania participante, atenta e proactiva,  não esquecendo de exercer o direito mais importante – o Voto.

Na hora de comemoramos a liberdade, não devemos esquecer aqueles que no globo ainda vivem sob o jugo de tiranos que sacrificam os povos e as liberdades. Neste momento face ao número de portugueses residentes, uma palavra de solidariedade para com o povo da Venezuela.
A Venezuela, e os venezuelanos deixaram-se enredar numa esquerda populista, anti -democrática e totalitária, primeiro de um Chavez e depois de um Maduro. Hoje, na Venezuela, existem presos políticos, milícias armadas pelo governo de Maduro, órgãos de comunicação que são encerrados, forças militares e policiais que reprimem  de forma violentos protestos populares, órgãos legitimamente eleitos esvaziados de competência. Venezuela e Maduro, passaram, a ser sinónimos de tirania e ditadura.
Estranho é 43 anos depois do 25 de Abril é ainda existirem por Portugal forças políticas da libertária “geringonça” como o PCP que defendem o regime Venezuelano demonstrando que bem lá no fundo os tiques soviéticos ainda existem.
Viva a Liberdade!!
Viva a Democracia!!!
Bom 25 de Abril para todos!!!
António Cipriano

terça-feira, abril 18, 2017

Mudança de Morada Fiscal



Nos termos do artigo 19º nº5 da Lei Geral Tributária o contribuinte têm o dever e obrigação de num prazo de 60 dias comunicar a alteração da sua morada de residência.
Dever que se compreende. Era expectável que simples mudança de residência fiscal fosse uma operação burocrática simples, do género ir ao site das finanças e alterar a morada
Pois desenganem-se.
Não fosse Portugal um país de burocracia, mudar a residência fiscal não é um processo simples.
Antes de mais a mudança de residência fiscal não é feita na repartição de finanças.
Hoje o cidadão tem de ir a uma loja do cidadão ou à Conservatória do Registo Civil.
E mais interessante. Mudar a residência fiscal implica pelos menos a ida  de duas vezes à loja do cidadão ou à Conservatória do Registo Civil. Na primeira visita ao serviço publico, o cidadão começa por pagar 3€ e indica a sua nova  morada. Depois, é enviada para a nova morada uma carta atestando o pedido. Com essa carta, o contribuinte tem de fazer uma segunda visita ao serviço público, a fim de confirmar a nova morada. Em ambas as deslocações é essencial levar o PIN de autenticação do cartão de cidadão e o PIN de morada. Estes códigos são entregues depois de fazer o cartão, juntamente com a carta que recebeste avisando da disponibilidade para o levantar. Se os perderes, terás de pedir a emissão de um novo cartão, com o custo de 15 euros.
Fantastico!!!!
António Cipriano





Futuro Incerto


Há épocas em que a humanidade vive sob o sopro da confiança, esperança liberdade, da vontade de descobrir o mundo. Porém há épocas em que o sopro do medo, resvala em sociedades que se querem fechar, esconder do diferente, esquecendo o próximo.
Parece-me que tragicamente estamos a enveredar pela segunda hipótese.
O Brexit, o reforço dos nacionalismos, o pré-fascimo da Turquia, o fenómeno Trump.
Porém, o medo o fechar ao mundo nunca trouxeram nada de bom à humanidade.
O futuro, a confiança, o desenvolvimento das sociedades sempre vieram da abertura de espírito, da consagração da liberdade e da valorização do ser humano.
Este fim de semana que decorrem a primeira volta das eleições presidenciais francesas, oxalá os eleitores tenham a serenidades e bom senso de não voltarem as costas aos valores do humanismo, sob pena dos ventos sombrios do medo soprarem fortemente na Europa.
António Cipriano

quarta-feira, abril 05, 2017

Ghost in the Shell - Agente do Futuro


Em finais dos anos 90, do século passado, um amigo trouxe-me a conhecimento o universo japonês da “manga/anime” recomendando-me a película de animação “Ghost in the Shell”, emprestando-me  para o efeito a cassete de VHS (ainda só do tempo do VHS) do filme.
Na ocasião finais do anos 90, Ghost in the Shell mostrava-se um história inovadora, de dimensão futurista, com um enquadramento filosófico sobre a questão da inteligência artificial e das suas possíveis consequências naquilo que é a vida e o ser humano.
Ghost in the Shell foi de imediato um grande sucesso não apenas no mercado nipónico, mas um pouco por todo o nicho de mercado de pessoas que gostavam de histórias inovadoras, tendo sido fonte de inspiração para películas como “Matrix”, “Inteligência Artificial” , ou mais recentemente “Ex-Machina”
Em 2017, chega agora ao cinema a versão americana com actores reais de Ghost in the Shell, com a presença de  Scarlett Johansson.
Scarlett Johansson  protagoniza a personagem central – Major um ser híbrido, com corpo mecânico e cérebro humano, agente de uma força de segurança do Estado que têm por missão perseguir e capturar um ciber-terrorista. A medida que a história vai avançado Major, vai sendo assombrada por imagens de um passado que desconhece, questionado a sua origem,  o papel da alma, sua natureza, o seu papel no mundo, a dimensão política e existencial da vida. O filme têm um excelente trabalho visual lembrando um pouco o ambiente de “Blade Runner” actualizado.
Não obstante a versão de Hollywood não seguir à risca a manga dos anos 90, é uma boa película que merece a atenção de todos aqueles que gostam do universo da ficção científica.

António Cipriano


terça-feira, março 07, 2017

Este país não é para velhos nem pobres


Presentemente,  qualquer contribuinte que pretenda usufruir de deduções à colecta em sede de IRS, nomeadamente por despesas de saúde, despesas de educação, despesas com veterinários, despesas com mecânicos ou cabeleireiros, ou mesmo com despesas gerais, para além de pedir que em cada factura conste o seu numero de contribuinte, têm até 15 de Fevereiro de cada ano que confirmar as facturas, e proceder a algumas correcções no site das finanças na plataforma e-factura. Sendo que no período até 15 de Março terá ainda oportunidade, uma vez mais, no site das finanças de confirmar ou proceder a alterações nas deduções pessoais e familiares.
Ou seja, o sistema fiscal obriga o contribuinte a ter de utilizar meios informáticos, acesso ao site da finanças.
Poder-se-à dizer que Portugal esta numa lógica de inovação de novo futuro.
De facto tudo isto é muito bonito.
Porém esquecem-se que existem muitos milhares de portugueses info-excludidos.
Desde logo os mais idosos, muitos que nem sabem o que é um computador.
Mas também muitos portugueses das classes mais baixas que não têm acesso directo à internet nem a meios informáticos.
Sob a premissa errada de um país do século XXI, esquecemos os mais frágeis e desfavorecidos da sociedade. Assim muitos portugueses por não ter acesso as meios informáticos, deixam de beneficiar das deduções fiscais que tem direito (aumentando por esta via a cobrança  de impostos por parte do estado). Trágico uma vez mais, serem os mais frágeis e desfavorecidos os sacrificados. Mas pelos vistos, é esta justiça fiscal que temos.

 António Cipriano

segunda-feira, março 06, 2017

O Hotel com Pior vista do Mundo


Numa altura em que tanto se fala da construção de Muros, o artista “Banksy” resolveu abrir o “hotel com a pior vista do mundo”. Trata-se de um hotel na Cijordânia –Palestiana encostado ao Muro da Cisjordânia construído por Israel.   O Muro da Cisjordânia  é um muro com mais de 700KM de extensão (com alguns pontos com altura de 8 metros), que foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Haia em 2004 e que coloca os palestinianos numa espécie de apartheid, isolando território palestinianos.
“O Hotel com pior vista do mundo”,  com sarcasmo recorda-nos não só o drama da Palestina, mas também os projectos loucos dos muros com o muro de Trump na Fronteira com o México.
 António Cipriano

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

União Monetária


Vivemos de há uns anos para cá crises, problemas, e mais problemas dentro da Zona Euro. Países do Norte que querem controlo das contas públicas, politicas monetárias restritivas, e baixa da inflação. Países do Sul que desejam politicas expansionistas, redução da divida. Enfim, choques de visão estratégica no cerne da Zona Euro.
As vezes esquecemo-nos que a Zona Euro, enquanto união monetária é um  processo muito recente, de inicio da década.
Mas será que existem experiências históricas de União Monetária?
Um exemplo claro de união monetária é o EUA.                                   .
Muitos pensaram que o dólar americano surgiu de um momento para o outro, e tudo ficou bem. Pois bem a história da união monetária nos EUA e do dólar, é tudo menos uma história pacífica e rápida.
Os EUA só tiveram uma moeda nacional eficaz 75 anos depois da entrada em vigor da constituição. No século XVIII existiram graves conflitos monetários entre os estados que compõem os EUA. Os estados do norte pretendiam restrições ao crédito, pouco endividamento. Os estados do sul dos EUA desejam expansão do crédito, inflação, baixas taxas de juro.
Na década de 1820 existiam várias moedas nos diferentes estados — todas se chamavam dólar, mas tinham valores de mercado diferentes, em função da fé existente nas garantias de cada estado.
Graças as diferentes políticas monetárias dos diferentes estados (muitas vezes contraditórias) por volta de 1837, variados estados do sul entram em incumprimento, entrado em situação de bancarrota. Por esta altura oito estado do sul faliram. Os que não faliram, liderados por Nova Iorque e Massachusetts, resistiram fortemente às tentativas de resgatar os incumpridores — e a sua vontade prevaleceu. O resultado foi que a maior parte das dívidas foi eventualmente reestruturada, e algumas foram completamente canceladas. Os credores dos estados em falência incorreram em perdas substanciais.
Veja-se ainda que durante muito tempo nos EUA as resistências a existência de um Banco Central foram muito elevadas, sendo que desde a independência até aos dias de hoje, existiram três tentativas de banco central, fixando-se a Reserva Federal como verdadeiro Banco Central apenas em 1913.
Mark Twain dizia que a “história não se remete, mas rima”.
Talvez a Europa deve olhar para a história americana da união monetária.
António Cipriano

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Deficit ilusório


Concluímos o ano de 2016  com um deficit publico num valor histórico de 2,3% do PIB.
Valor excelente. Segundos danos do ministério das finanças o deficit de 2016 terá ficado em 4.256 milhões de euros, valor inferior em quase 500 milhões de euros face aos resultados de 2015.
Numa abordagem simples poderia se afirmar que o actual governo e ministro das finanças teria feito um trabalho extraordinário.
Mas para percebermos a realidade dos números temos de ir mais fundo e comprender como foi atingindo esta valor histórico de 2,3%.

Em 2016, o estado recebeu por via do PERES (programa de perdão fiscal de) 500 milhões de euros. Ou seja se não tivesse existido esta receita extraordinária do perdão fiscal, o deficit de 2016 seria igual ao deficit de 2015.

Mas existem mais dados. Este foi o ano em que existiu um maior corte no investimento público. Só face ao orçamentado foi efectuado um corte de 956 milhões de euros no investimento público.
Em conclusão o resultado obtido resulta não de uma política mais eficiente dos recursos, mas tão-somente de receita extraordinária e do corte brutal do investimento. Sem estas medidas o deficit de 2016 teria sido pior do que o de 2015.
Pois é, o que parece nem sempre é!!!!

António Cipriano

sábado, janeiro 07, 2017

Mário Soares 1924-2017





Mário Soares faleceu hoje dia 7 de Janeiro de 2017 aos 92 anos. É evidente e é justo reconhecer a Mário Soares um papel de extrema importância na democracia e na política portuguesa. Começa a sua acção política na juventude aos 19 anos em que se junta a um grupo de esquerda organizado pelo PCP e portanto de oposição ao Estado Novo. Já depois de ter sido afastado do PCP, em 1958 faz parte da comissão de candidatura de Humberto Delgado à presidência da república.
Defendeu vários presos políticos em tribunal e acabou também por ser preso 12 vezes cumprindo um total de 3 anos de prisão, sendo deportado para São Tomé e por fim partiu para o exílio em França.
Volta a Portugal logo após o 25 de Abril e íntegra os primeiros governos provisórios assumindo a pasta dos Negócios Estrangeiros entre Maio de 74 até Março de 75 tendo um papel determinante na independência das colónias portuguesas. Neste processo Mário Soares em divergência com Spínola, que procurava ganhar tempo e queria salvar o que fosse possível salvar, quer também dar tempo a quem estava nas colónias para poder vir embora, viaja com Otelo Saraiva de Carvalho para a Zâmbia e assina o Acordo de Lusaka que entrega a independência a Moçambique. A independência era justa e inevitável mas de tal forma importante que não pode ser feita de animo leve e esta assinatura foi prematura, precipitada e mal organizada e absolutamente nada negociada e assim acabou por condenar portugueses a fugir e não só de Moçambique como também de Angola, muitos vieram com a roupa que tinham no corpo, outros morreram e em última análise esta assinatura contribuiu para a guerra civil quer em Moçambique quer em Angola. Muitos dizem que era a descolonização possível, mas para mim é a descolonização mal gerida e que resulta apenas da vontade de Soares sem ligar ao bom senso ou à logica e apenas para garantir protagonismo e agradar a alguns sectores da política quer nacional, quer internacional.
Posteriormente continuou a integrar vários governos provisórios e foi primeiro-ministro por três vezes, logo nas eleições constituintes em 75 derrotou o PCP e conseguiu fazer com que a revolução seguisse o rumo da democracia e que não caísse na substituição de uma ditadura de direita por uma outra ditadura de esquerda que parecia inevitável. Geriu com dificuldade o período do Verão quente e conseguiu sempre superiorizar-se à esquerda radical e quando Eanes ganha as eleições contribui no acalmar do clima politico.
No seu último acto como primeiro-ministro em 1985 assina o tratado de adesão de Portugal à C.E.E., processo iniciado por Sá Carneiro. Posteriormente será eleito duas vezes como Presidente da Republica ficando no cargo entre 1986 e 1996.
Quando terminou o segundo mandato como Presidente da República disse que bastava de cargos políticos, em 1997 assumiu a presidência da Fundação Portugal África, foi também presidente da Movimento Europeu Internacional. Criou também a Fundação Mário Soares
Daqui entra naquela fase em que tem uma espécie de papel de senador especialmente dentro do PS. Faz os seus comentários e interfere quando acha que deve, a última dessas acções terá sido a ascensão de Costa apoiado por Soares contra Seguro. Pelo meio alguns casos menos claros, como a história da alegada compra dos terrenos à volta da OTA pela fundação quando Sócrates queria fazer o aeroporto e que alegadamente explica a zanga com Sócrates quando este mudou a construção para “o deserto”. Relação que depois se pacificou e Soares visitou mesmo Sócrates quando este estava preso. E a história de um acidente de avião que transportava o seu filho e alegadamente uma carga “pouco clara” e que nunca se explicou de forma convincente. Retorna ainda à vida política, num período que podia fazer perigar o seu prestígio e ai o PS não soube gerir a situação e aconteceu mesmo que num momento talvez de alguma inaptidão decorrente de tantos anos fora da política acaba por insultar uma concorrente ao cargo de Presidente do Parlamento Europeu dizendo que ela tinha “um discurso de dona de casa”. Ainda concorre mais uma vez à presidência da república mas acaba duplamente derrotado quer por Manuel Alegre que fica em segundo lugar, quer por Cavaco Silva que é eleito para Presidente da República. 
Hoje espera-se que se diga as palavras de circunstância, certamente teremos honras de Estado e obviamente teremos dias de luto nacional. Mas como sempre nestas ocasiões falar-se-á dos aspectos positivos da vida de Mário Soares, esquecendo os pontos negativos e promovendo uma santificação recorrente aquando do falecimento de alguém.
E assim concluo reafirmando que Mário Soares é um homem com um papel fundamental e insubstituível na política portuguesa, lutou activamente contra a ditadura e depois lutou pela democracia e ajudou de forma magistral a garantir a democracia em Portugal. Na sua acção tem muitos casos polémicos podemos gostar ou não e podemos ou não concordar com o que fez, tem responsabilidades em casos positivos mas também em casos negativos. Mário Soares terá certamente um papel maior e de destaque quando no futuro se escrever a História dos dias de hoje.

António Manuel Guimarães

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Novo Banco


Sou obviamente um defensor da economia de mercado, da iniciativa privada, da livre concorrência e da defesa da propriedade privada.
Só por regra contra as nacionalizações e contra a excessiva participação do estado na economia.
Tudo isto a propósito da Venda/Não Venda do Novo Banco.

Considero que face a sensibilidade do sector bancário o Estado deverá actor do mercado, mediante um banco público, com missão pública – apoio à economia.
Já existe um banco público – a CGD

Assim, diria que o Novo Banco não deve estar na orbita do estado, devendo regressar ao sector privado.

Relembro que da resolução do BES, o estado injectou via Fundo de Resolução 3,9 mil milhões de euros.
Segundo noticias a melhor proposta de aquisição do NB será de um fundo americano que oferece apenas 750 milhões.
Ou seja, oferece quase nada pelo terceiro melhor banco nacional.
Perante a falta de outras soluções, pergunto se este será o melhor momento para a venda do NB?

Parece que seria mais razoável e aceitável, manter o NB na orbita do estado por mais 4 ou 5 anos e depois vende-lo por um preço mais razoável.
Considero que o NB não deve ser integrado na CGD ou permanecer muitos anos no Estado. Apenas considero que o Estado deve encontrar o melhor momento para obter um melhor preço de venda para o NB e assim reduzir os impactos negativos no erário público.
Assim se defenderia o interesse público e o contribuinte.

António Cipriano

Realidade


Os índices de confiança dos consumidores esta em alta.
O investimento público e privada esta nos valores mais baixos da democracia, mas isso não interessa nada

No natal foram efectuadas compras com cartão num valor superior a 7.000 milhões de euros
O crédito mal parado em Portugal é o terceiro mais alto da UE, mas isso não interessa nada.

Em 2016 a venda de carros novos disparou.
A Divida Pública atingiu os 130% do PIB, mas isso não interessa nada

Em 2016 deixou de haver greves no sector público e em especial nos sectores dos transportes
No sector dos transportes públicos, nomeadamente metro e carris, deixou de haver carreiras e metros suficientes para os utentes, mas isso não interessa nada.

Em 2017 a sobre taxa do IRS vai ser eliminada.
Em 2017 aumentam a generalidade dos impostos indirectos, mas isso não interessa nada.

Em 2017 os pensionistas com pensões superiores a €4.000 mensais deixaram de ter cortes.
Os juros da divida da república já tocaram os 4%, mas isso não interessa nada

O país esta feliz.
Em 2017 espera-se que o pais regresse ao nível de crescimento de 2015 (1,5%), mas isso não interessa nada.

António Cipriano





terça-feira, janeiro 03, 2017

Rogue One



Quem me conhece sabe que sou um daqueles “nerds” que gostam de series e filmes, em particular de Star Wars. Por este dias “lá cumpri a romaria ao cinema para ver a última película Star Wars”, no caso Rogue One. Em Rogue One, regressamos atrás, imediatamente antes ao episodio IV, à construção da “Estela da Morte”. Regressamos à  eterna luta dicotómica entre a luz da democracia, e as trevas do poder ditatorial do império. Valerá o sacrifício de uma vida por uma ideia de esperança e democracia. Rogue One diz-nos que sim. Que a ideia de esperança é alcançável pelo sacrifico da luta.
Star wars mantém a vivacidade, e  a intensidade, não desiludindo os fãs.
Os apreciadores não deixem de ir ver…
Que a força esteja convosco…………………..

 António Cipriano

domingo, dezembro 04, 2016



Populismos

 Hoje, domingo dia 4 de Dezembro de 2016, assistimos a mais duas votações em países da U.E. em que se prevê que os populismos saiam mais uma vez vencedores.
Mas gostando ou não dos resultados temos que entender que, para além de serem resultados de escolhas democráticas, são também consequências de problemas graves dentro da União Europeia como um todo e dentro dos vários estados membros em particular.
Podemos apontar estes resultados como uma consequência da crescente falta de cultura e de interesse dos cidadãos, um desconhecimento das ciências humanas e claro está, da História, tão desvalorizada pelos interesses ultra-neoliberais. É evidente que esta é uma realidade, mas esta não é a única explicação para o surgimento destes partidos “populistas” que nada mais nos trazem que não seja o extremismo quer de esquerda quer de direita, a xenofobia e o autoritarismo. Existe um problema muito mais gritante e que é de muito mais difícil resolução e que poderá, como consequência, ditar o fim da União Europeia. Esse gritante e inquietante problema é a falta de qualidade dos políticos do mundo democrático de hoje. Hoje o político de sucesso não é aquele que tem mais qualidades humanas, qualidades de gestão, inteligente, prático, trabalhador e que pensa no bem comum assumindo a política pela política. Observando os políticos do mundo democrático actual, podemos constatar que o político de sucesso é geralmente o “fuinha”, aquele que subiu porque soube aproveitar as clientelas politicas, que nunca trabalhou na vida, que usou a mentira, a desonestidade, a demagogia com muita lábia e vários meios pouco éticos para atingir o topo. Chegando ao topo a prática de “sucesso” mantém-se e escolhe para junto de si, não os mais competentes, mas quem se mostrou “leal”, ou a quem “deve” favores e age muitas vezes de forma pouco clara, pensando que os cidadãos não se interessam e não podem fazer nada a não ser votar nas próximas eleições. E para piorar tudo isto, este “político de sucesso” surge de todos os quadrantes, o que torna a antiga e salutar alternância como algo inútil, pois mudam os decisores mas tudo continua igual. Essa alternância que era costume, levava o centro esquerda a governar e a certa altura mudava o ciclo e vinha o centro direita e assim por diante, era e ainda é assim em Portugal, como era na maior parte dos países democráticos e por conseguinte era assim também na U.E. Mas com a emergência dos políticos “fuinha” as políticas da U.E. tornaram-se cada vez mais centrada nos interesses próprios dos políticos e dos seus “patrocinadores” e cada vez menos interessadas nos problemas e condições de vida dos cidadãos, na cooperação e paz europeia. Governam agindo em princípios básicos passando ou por um facilitismo absurdo de “torneiras de dinheiro abertas” ou por austeridades absurdas para pagar a “avaria da torneira anterior”, no entanto sempre prejudicando os mesmos e beneficiando também os de sempre.
Estes políticos pensavam que estavam protegidos por esta alternância e pelo sentimento de inevitabilidade da manutenção do sistema, agitando sempre a bandeira do caos quando falavam das alternativas. Só que no alto das suas “torres de marfim” foram ignorando os sinais de alerta que primeiro começou com a crescente abstenção nas eleições, que já espelhava o descontentamento, e mais tarde foram aparecendo mais sinais fugazes e distantes, normalmente associados a povos vítimas de austeridade para lá de brutal ou a povos que se deslocavam em busca da paz que faltava na sua terra natal, e que paulatinamente foi crescendo, e de repente, quando se deram conta estava a Inglaterra a sair da União Europeia, a França com uma “colaboracionista nazi”, embora com mais de 70 anos de atraso, prestes a disputar as eleições presidências, uma Hungria que já é uma ditadura, a Itália que tem um comediante como líder do movimento cinco estrelas, partido de extrema-esquerda e anti União Europeia que tem sólidas razões para acreditar que pode chegar ao poder, ou na Holanda que tem o Partido da Liberdade que pretende eleger outros colaboracionista que nasceu no tempo errado a crescer nas intenções de voto. Sem esquecer os casos extra União Europeia como Donald Trump nos Estados Unidos que foi eleito contra todas as previsões e bom senso.
Assim e analisando tudo isto podemos chegar à seguinte conclusão, as pessoas estão fartas, fartas de serem sempre os mesmos a pagar, fartas de ver os políticos cada vez menos competentes e cada vez mais concentrados no seu umbigo do que no bem comum, fartas dos escândalos e casos obscuros que envolvem políticos, fartas do ambiente de amiguismo que é regra geral incompetente e funciona em detrimento da qualidade e competência, fartas também da impunidade dos políticos que prejudicam os seus cidadãos, quer por incompetência quer para defender alguns poderes e interesses privados. E por estarem fartas procuram alternativas, mudar o “Statu Quo”, escolhendo aqueles que são considerados como o “caos” e para tentar mudar algo, até porque pensam que se os maus políticos consideram as alternativas como “caos” se calhar o “caos” não é tão mau e pode ser isso que faz falta. E enquanto a decência não voltar a estar presente na política continuaremos a ter esta turbulência e a possibilidade do regresso de um passado longínquo que nada traz de bom. Assim penso ser óbvio que mais do que a existência de partidos não democráticos a tentar alcançar o poder democraticamente, será a incompetência e falta de inteligência dos nossos políticos “democráticos”, o obscurantismo das suas práticas e as escolhas para agradar a quem lhes interessa em detrimento de escolhas corretas para a sociedade, aliada à ordem politica de desconsiderar as humanidades com esperança de criar massas acríticas, é claramente e efectivamente o maior perigo para a Democracia e a Paz no Mundo.

P.S. Quando acabei de escrever fiquei a saber uma boa noticia, a extrema-direita saiu derrotada na Áustria, mas os 46% que se prevê que obtenha não me deixa descansado.

António Manuel Guimarães

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Restauração da Independência Nacional!
 
1 de Dezembro de 1640, o dia em Portugal restaurou a sua Independência Nacional. Não deixa de ser curioso que quando um governo entregou a soberania financeira ao estrangeiro, uma das primeiras medidas foi retirar o feriado do dia da Independência, como se ela tivesse morrido.  Mas hoje finalmente restaurámos o feriado da restauração. Viva Portugal.

António Manuel Guimarães

segunda-feira, novembro 14, 2016

Nuvens Negras


A assinatura do acordo mundial do comércio em 2001, declarou de forma oficial a globalização. A globalização, per si foi um processo benéfico para a humanidade, tirando das sombras da pobreza milhões de milhões de pessoas, sobretudo no continente asiático.
Mas se milhões e milhões de asiáticos foram beneficiados pela globalização, pela circulação livre dos capitais, com o livre comercio, com as deslocalizações de multinacionais para o extremo oriente, com a industrialização da China e vizinhos, na outra face da moeda, a globalização trouxe desafios e problemas para as populações dos ditos países do ocidente. A globalização e as consequentes deslocalizações de empresas, assente numa desindustrialização, a concorrência (des)leal com dos países em desenvolvimento, conduziu o ocidente, e a Europa em particular, a uma letargia de crescimento. Anemia de crescimento, agravada com uma grave crise de envelhecimento da população, conducente a uma perda gradual de rendimentos da dita classe média.
A classe média europeia ou América, sentiu-se em certa medida com vítima de um processo de globalização, em que apenas as grandes empresas e multinacionais dos seus países, se encontravam entre os beneficiados. Este sentimento de perda levou a que grandes franjas da população se tornassem “alvos fáceis” para o populismo dos extremismos.
Consequência: uma nuvem de extremismos de matriz anti democrática vem varrendo o ocidente. Extra-direita a crescer na Escandinávia, na Holanda, na Hungria, na Polónia, na Alemanha, na França. Extra-esquerda a crescer na Espanha (podemos), Grécia, ou em Portugal com o BE. Movimento que chegou aos EUA com Trump.
 Diante a onda de extremismos, nacionalismos e perante o perigo de uma França em 2017 sob o signo de Le Pen, é altura da social-democracia  se levantar.
Aos partidos democráticos de herança socialista, democrática cristal ou social democrata é altura de ouvirem os povos e apresentarem soluções e respostas para os seus anseios, que afastem a população das sombras dos extremismos.
Se assim não acontecer, nada de bom o futuro nos trará…….
António Cipriano

quarta-feira, novembro 09, 2016

Convites ao novo Presidente

Dallas, Los Angeles e Memphis quiseram estar na vanguarda e desde já convidar o novo Presidente dos Estados Unidos a visitar as referidas cidades. Curiosamente, todas apresentaram datas para as visitas, Dallas quer que Donald Trump a visite já no próximo dia 22 deste mês de Novembro, enquanto Los Angeles endereçou o convite com a sugestão do dia 5 de Junho e Memphis escolheu o dia 4 de Abril do próximo ano...

PP

sexta-feira, novembro 04, 2016

Sindicatos do Metro




Olavo vivia em Caldas da Rainha, mas trabalhava em Lisboa, numa empresa de serviços de financeiros no Saldanha.
Todos os dias por as 7h30m apanhava “a camioneta rápida” para Lisboa para o Campo Grande, chegando em norma por volta das 8h45m. Em seguida Olavo precisava de tomar o metro, linha amarela para chegar ao seu local de trabalho pelas 9h00
Durante bons anos Olavo, chegava a horas, bem-disposto e motivado para mais uma jornada de trabalho.
Porém a partir de 2013 Olavo começou a ter problemas para chegar a horas ao trabalho. Semana sim, semana sim, Olavo deparava-se com greves e mais greves dos trabalhadores do metro. Aquilo que era uma chegada antes tranquila ao local de trabalho, passou a ser um percurso difícil, em que tinha de substituir o metro por autocarros e algumas vezes por táxis. 9h30 ou mesmo 10h00 quando chegava ao seu posto de trabalho.
Não obstante as chatices diárias, Olavo compreendia os trabalhadores e sindicados do Metro. Afinal, estavam a defender os seus postos de trabalho. Apesar de cansado de tantas greves lá ia aceitando a luta dos trabalhadores.
Veio 2015, veio novo governo.
Nos inícios Olavo ficou satisfeito, afinal com o novo governo terminaram as greves dos sindicatos do metro.
Porém, a medida em que dias foram passando estranhamente para Olavo, o serviço do metro ia piorando. Falta de comboios. Comboios cheios até acima de pessoas. Falta de pessoal. Olavo estava a ficar muito mas muito chateado com a falta de qualidade do serviço.
Numa ocasião Olavo, questionou um trabalhador do metro sobre o que se passava. Segundo este mais de 20 comboios estavam avariados não havendo verba para proceder ao arranjo. Havia muita falta de pessoal. Falta de peças sobressaltes. Falta de equipamentos generalizados.
Perante o cenário Olavo questionou o trabalhador do metro, porque não faziam agora greve.
O trabalhador não sabia a razão para a não greve. Sabia apenas que o sindicato do metro, não pretendia fazer greve.
Olavo interrogava-se: Se existem tantos problemas, porque é que agora já não fazem greves?

Olavo voltou numa outra ocasião a questionar um outro trabalhador que sabia ser dirigente sindical, o qual lhe disse: Greves, agora não!!! A esquerda esta no poder!!!
Então e os trabalhadores e utentes do metro (questionou Olavo)?
Agora não interessa. Temos de defender este governo de esquerda.

Olavo, ficou surpreso.
Olavo compreendeu que afinal os sindicatos do metro não se existiam para defender os trabalhadores do Metro. Afinal, os sindicatos existiam apenas para defender determinados partidos políticos
Olavo ficou triste e desolado, por as coisas serem assim……..

António Cipriano

terça-feira, novembro 01, 2016

Before the Flood - Full Movie | National Geographic




Todos vamos assistindo enquanto espectadores passivos as manifestações extremas da natureza. Manifestações extremas da natureza que se vão tornado cada vez mais frequentes. Tufões, furações, tempestades, secas e mais secas  -fenómenos devastadores e que talvez nos devemos interrogar sobre as suas causas e frequência.
O aquecimento global, os problemas ambientais já não são um qualquer mito urbano sem consequência. São uma realidade preocupante que em ultima analise pode colocar em causa o futuro da humanidade.
Mas não temos de ser fatalistas. Podemos e devemos tomar medidas e atitudes. Cada um enquanto cidadão pode procurar modificar os seus comportamentos. E claro pode no momento de votar, exigir aos decisores políticos escolhas e politicas amigas do nosso planeta.
Para que todos possam reflectir sobre estas questões proponho que assintam ao documentário “before de flood” de DiCaprio.

António Cipriano

sexta-feira, outubro 21, 2016

Reciclagem



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Quando foram colocados os primeiros vidrões nas ruas das Caldas da Rainha no final dos anos 80 começou a prática da minha família relativamente à reciclagem. Ao longo dos tempos foram crescendo as possibilidades de reciclar outros materiais para além do vidro e cedo em minha casa passou a existir um saco para o lixo indiferenciado e outro para os materiais recicláveis.
No entanto a determinada altura deu na televisão uma peça sobre a importância da reciclagem e como alguns países agem para fomentar a reciclagem. O que mais me impressionou foram os países que decidiram “recompensar” os seus cidadãos por fazerem reciclagem. A recompensa mais comum é a que o ponto de reciclagem dá ao cidadão vales de desconto que podem ser descontados num supermercado ou no abastecimento de gasolina, estes vales são de acordo com o peso e material colocado no ecoponto.
Assim o cidadão faz a reciclagem, separando o lixo em casa e colocando nos locais certos e recebe uma parte dos lucros que a reciclagem dá às empresas que reciclam os produtos. E esta entrega de uma parte, embora simbólica, dos lucros é muito justa porque quando um cidadão separa e coloca o seu lixo reciclável no ecoponto está em última análise a dar o seu trabalho, porque a separação e transporte não se faz sozinha e por fim quando o coloca no ecoponto está a oferecer a “matéria-prima” que será transformada e que dará lucro à empresa de reciclagem que depois de transformar revende às empresas de produção.
Em Portugal falou-se nisto na referida peça jornalística e pronto nunca mais se falou no caso, mas embora eu continue e sem nenhuma intenção de deixar de o fazer e longe de mim fazer campanha contra a reciclagem, não consigo deixar de pensar que alguém em Portugal se anda a aproveitar da “boa vontade” e dessa atuação de boa cidadania, para lucrar de forma brutal e sem a mínima intenção de distribuir, nem sequer de forma simbólica, os ganhos com a reciclagem.
Claro que não devemos colocar de parte a responsabilidade do poder político, porque cabe ao poder politico fomentar e criar as estruturas que permitam melhorar o ambiente e recompensar os cidadãos que contribuem. E com este ato penso que o governo veria aumentar o número de toneladas de material reciclado, aliás os países que pagam aos seus cidadãos são aqueles que reciclam mais toneladas e esse aumento aconteceu desde que esse pagamento começou. Mas quanto ao poder político seria interessante fazer duas análises, primeiro analisar os lucros e segundo ver quem são os beneficiários e eventuais interesses desses lucros e talvez, assim, fosse possível perceber porque é que o poder politico nada faz e não se mostra interessado em passar a fazer.

António Manuel Guimarães