sábado, julho 01, 2017

1867 - Abolição da Pena de Morte em Portugal




Foi no dia 1 de Julho de 1867, que o Rei D. Luís assinou a abolição da pena de morte e a pena de trabalhos público para crimes civis. Com este ato Portugal passou a ser o primeiro país da Europa a abolir a pena de morte.
Quando a notícia chegou a França Victor Hugo escreveu: ”Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Disfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida!".
A pena de morte é uma aberração seja por que crime for e seja por que motivo for. claro que, por vezes, somos humanamente levados a pensar que determinado crime hediondo apenas teria a execução como forma de punição adequada. No entanto a pena de morte é algo que tem uma série de defeitos, de uma forma simplista, parece-me que logo à cabeça surge a questão de ser uma pena que não permite a correção do erro, pois se o sistema judicial erra a execução torna erro permanente, depois porque a pena de morte não se trata de justiça, mas sim de vingança legalizada, uma espécie de lei de Talião, ou seja, faz-se ao criminoso o mesmo acto que ele cometeu. E por fim o país ou sistema judicial que o aplica não acredita na reabilitação do individuo.  Além de que se virmos a lista de países que aplicam a pena de morte são, na sua grande maioria, países ditatoriais ou estados hipócritas que forçam os outros a seguir os preceitos da “liberdade”, mas que depois dentro de portas são os primeiros a praticar esta negação total dos Direitos Humanos, em especial o direito à vida.
Claro que não seria justo se não fizesse referencia ao facto de em 1867 ter sido abolida a pena de morte para crimes civis, mas não para crimes militares, pois em 1917 temos ainda alguns executados por pelotão de fuzilamento na 1ª guerra mundial. Só em 1976 é que a abolição passou a ser total, ou seja, para crimes civis, políticos e militares. Não deixa de ser curioso relembrar que o ano em que Portugal faz a abolição total é o mesmo ano que nos Estados Unidas da América a pena de morte volta a ser permitida após um período de suspensão de 4 anos.

António Manuel Guimarães

segunda-feira, junho 12, 2017

A Inveja de Temer

Eu percebo muito bem porque é que o Drácu...herr...o Temer não se quis encontrar com Marcelo Rebelo de Sousa! É que para Temer deve ser difícil encarar alguém que ele inveja, isto porque Marcelo é um Presidente da Republica eleito e de quem o povo português gosta, enquanto Temer que nunca foi eleito e tem manifestações todos os dias a pedir para ele sair e convocar eleições!

António Manuel Guimarães

sábado, maio 27, 2017

A Jornada do ADN


O vídeo já tem mais de um ano, mas nunca é tarde para partilhar. Acho que este pequeno vídeo deveria passar nas escolas. Demonstra em todo o seu esplendor a parvoíce que é o racismo ou a xenofobia.
O original está no Canal Momondo

António Manuel Guimarães

quarta-feira, maio 10, 2017

"I'm not a crook"

As demissões feitas por Trump começam a ficar demasiado parecidas com as demissões feitas por Nixon, ou seja ambos fizeram demissões para tentarem não serem descobertos pelas trafulhices que fizeram. Trump relativamente ao apoio Russo à sua campanha e Nixon por causa do caso Watergate. Espero também que o caso de Trump termine da mesma forma como acabou o caso Nixon, que para escapar a uma impugnação de mandato se demitiu!!

António Manuel Guimarães

domingo, maio 07, 2017

Emmanuel Macron



Emmanuel Macron é o novo presidente de França. A Europa respira de alívio, no entanto o aviso está dado! O crescimento da extrema-direita tem algumas causas bem identificadas, senão vejamos: em primeiro lugar um crescente desconhecimento histórico, em que os mais
novos não reconhecem os perigos escondidos em discursos “populistas” pois a economia despreza a História porque acha que ela não serve os interesses económicos. Depois um problema ao nível da qualidade dos políticos e falta de qualidade em diferentes áreas, os políticos hoje agem e governam mais interessados em interesses pessoais e muitas vezes mesquinhos do que em governar para a população e estes “fuinhas” perceberam que se infiltrarem nos principais partidos conseguem ampliar grandemente os “seus projetos”, o que hoje gera desconfiança e fuga de voto para outras alternativas por mais extremistas e perigosas que sejam. E por fim vem a consequência disto, a falta de qualidade das políticas, as austeridades absurdas, o confisco dos ganhos dos cidadãos para salvar bancos e outras entidades, e justificam acusando indecorosamente os cidadãos de “viverem acima das possibilidades”, quando a culpa disso é apenas e só dos políticos que foram os que lucraram com esse “viver acima das possibilidades” quando usavam esse dinheiro para fazer crescer a economia de forma não sustentada. A que se soma também uma total incapacidade de resolver grandes problemas de estado, como por exemplo a crise dos refugiados que foi resolvida como um aluno que faz um trabalho em cima do joelho apenas para constar.
A Europa hoje pode respirar de alívio mas se não quer ter que passar pelo calvário de ter neonazis a governar em primeiro lugar tem que mudar a qualidade dos seus políticos e por inerência a qualidade das suas políticas e só assim se salvará a democracia e consequentemente a paz no Velho Continente.

António Manuel Guimarães

sábado, maio 06, 2017

Um Favor a Rui Moreira


Quando Rui Moreira previsivelmente anunciou que seria candidato à Câmara Municipal do Porto nas eleições autárquicas de 2017, tanto o PS como o CDS apresentaram o seu apoio para tentar tirar alguns dividendos da mais do que provável vitória de Moreira. Rui Moreira no entanto nunca deu muita atenção a isso, dando sempre ênfase ao carácter independente da sua candidatura. Aliás deve ter percebido que esta colagem, em especial do PS, poderia ser mais prejudicial do que benéfica, até porque o PSD apresentou um candidato próprio, que mesmo sendo um desconhecido, poderia ganhar votos por parte dos sociais-democratas que não votavam em Moreira devido à presença do PS.
Mas eis que a ignorância e a falta de capacidade estratégica acabou por imperar pois Ana Catarina Mendes decidiu vir palrar que uma vitória de Moreira era uma vitória do PS e já depois de se saber que havia alguns problemas devido ao facto do PS abusivamente querer impor o número dois pondo assim em causa a independência de Moreira. Ora estas declarações foram a desculpa que Moreira precisava para deixar cair o apoio do PS. E assim devido à burrice da secretária geral adjunta do PS, Rui Moreira garante uma série de vantagens, logo à cabeça obriga o PS a apresentar um candidato à pressa a cerca de 5 meses das eleições, Rui Moreira fortalece também a sua imagem de independente e com isso irá também provavelmente “roubar” votos ao candidato do PSD, pois com a saída de cena do PS, muito que achavam que não tinham alternativa e não queriam votar Moreira devido à presença do PS, passam a sentir que já podem votar em Moreira.
Passos ainda hoje de manhã se ria e tem razões para isso considerando a gigante barraca que Ana Catarina Mendes protagonizou. No entanto apenas pode rir da barraca, mas não pode rir pelos resultados, porque o PSD também tem sofrerá danos colaterais devido ao desconhecimento do seu candidato e um provavelmente esvaziamento do seu eleitorado que agora se sente seguro em votar em Rui Moreira.

António Manuel Guimarães

quarta-feira, maio 03, 2017

Tolerância de Ponto


Uma nota prévia:
Sou Católico, ainda que não muito praticante.
Reconheço e defendo a importância do fenómeno religioso.
Dito isto não posso deixar de não concordar com a tolerância de ponto para a função pública do próximo dia 12 de Maio.
Desde logo, não obstante o respeito por o fenómeno religioso, Portugal é uma república laica.
Em segundo lugar parece-me que nas actuais circunstâncias o país preciso é de trabalho.
E por fim, mas não menos importante, a tolerância de ponto para a função pública constitui m uma desigualdade entre trabalhadores. Os do público estão de tolerância de ponto, nos cafés, na praia ou em Fátima. Já dos do privado trabalham ….
Compreendo António Costa, afinal é com os funcionários públicos e suas famílias que se garantem muitos e muitos voto,s e se garantem as maiorias necessárias.
Mas o país não vai para a frente com esta permanente mentalidade eleitoral.
António Cipriano 

segunda-feira, abril 24, 2017

Liberdade




Comemoramos mais um aniversário do 25 de Abril, data história e de grande importância enquanto marco que iniciou o caminho para a democracia e estabilidade democrática definitivamente concretizada com o 25 de Novembro de 1975 e as primeiras eleições em 25 de Abril de 1976.
Porém, a democracia não é um bem que devemos dar por garantido. Perigos, populismos, e derivas autoritárias encontravam-se sempre  presentes nas sociedades.
A forma de garantirmos a democracia é desenvolvermos uma cidadania participante, atenta e proactiva,  não esquecendo de exercer o direito mais importante – o Voto.

Na hora de comemoramos a liberdade, não devemos esquecer aqueles que no globo ainda vivem sob o jugo de tiranos que sacrificam os povos e as liberdades. Neste momento face ao número de portugueses residentes, uma palavra de solidariedade para com o povo da Venezuela.
A Venezuela, e os venezuelanos deixaram-se enredar numa esquerda populista, anti -democrática e totalitária, primeiro de um Chavez e depois de um Maduro. Hoje, na Venezuela, existem presos políticos, milícias armadas pelo governo de Maduro, órgãos de comunicação que são encerrados, forças militares e policiais que reprimem  de forma violentos protestos populares, órgãos legitimamente eleitos esvaziados de competência. Venezuela e Maduro, passaram, a ser sinónimos de tirania e ditadura.
Estranho é 43 anos depois do 25 de Abril é ainda existirem por Portugal forças políticas da libertária “geringonça” como o PCP que defendem o regime Venezuelano demonstrando que bem lá no fundo os tiques soviéticos ainda existem.
Viva a Liberdade!!
Viva a Democracia!!!
Bom 25 de Abril para todos!!!
António Cipriano

terça-feira, abril 18, 2017

Mudança de Morada Fiscal



Nos termos do artigo 19º nº5 da Lei Geral Tributária o contribuinte têm o dever e obrigação de num prazo de 60 dias comunicar a alteração da sua morada de residência.
Dever que se compreende. Era expectável que simples mudança de residência fiscal fosse uma operação burocrática simples, do género ir ao site das finanças e alterar a morada
Pois desenganem-se.
Não fosse Portugal um país de burocracia, mudar a residência fiscal não é um processo simples.
Antes de mais a mudança de residência fiscal não é feita na repartição de finanças.
Hoje o cidadão tem de ir a uma loja do cidadão ou à Conservatória do Registo Civil.
E mais interessante. Mudar a residência fiscal implica pelos menos a ida  de duas vezes à loja do cidadão ou à Conservatória do Registo Civil. Na primeira visita ao serviço publico, o cidadão começa por pagar 3€ e indica a sua nova  morada. Depois, é enviada para a nova morada uma carta atestando o pedido. Com essa carta, o contribuinte tem de fazer uma segunda visita ao serviço público, a fim de confirmar a nova morada. Em ambas as deslocações é essencial levar o PIN de autenticação do cartão de cidadão e o PIN de morada. Estes códigos são entregues depois de fazer o cartão, juntamente com a carta que recebeste avisando da disponibilidade para o levantar. Se os perderes, terás de pedir a emissão de um novo cartão, com o custo de 15 euros.
Fantastico!!!!
António Cipriano





Futuro Incerto


Há épocas em que a humanidade vive sob o sopro da confiança, esperança liberdade, da vontade de descobrir o mundo. Porém há épocas em que o sopro do medo, resvala em sociedades que se querem fechar, esconder do diferente, esquecendo o próximo.
Parece-me que tragicamente estamos a enveredar pela segunda hipótese.
O Brexit, o reforço dos nacionalismos, o pré-fascimo da Turquia, o fenómeno Trump.
Porém, o medo o fechar ao mundo nunca trouxeram nada de bom à humanidade.
O futuro, a confiança, o desenvolvimento das sociedades sempre vieram da abertura de espírito, da consagração da liberdade e da valorização do ser humano.
Este fim de semana que decorrem a primeira volta das eleições presidenciais francesas, oxalá os eleitores tenham a serenidades e bom senso de não voltarem as costas aos valores do humanismo, sob pena dos ventos sombrios do medo soprarem fortemente na Europa.
António Cipriano

quarta-feira, abril 05, 2017

Ghost in the Shell - Agente do Futuro


Em finais dos anos 90, do século passado, um amigo trouxe-me a conhecimento o universo japonês da “manga/anime” recomendando-me a película de animação “Ghost in the Shell”, emprestando-me  para o efeito a cassete de VHS (ainda só do tempo do VHS) do filme.
Na ocasião finais do anos 90, Ghost in the Shell mostrava-se um história inovadora, de dimensão futurista, com um enquadramento filosófico sobre a questão da inteligência artificial e das suas possíveis consequências naquilo que é a vida e o ser humano.
Ghost in the Shell foi de imediato um grande sucesso não apenas no mercado nipónico, mas um pouco por todo o nicho de mercado de pessoas que gostavam de histórias inovadoras, tendo sido fonte de inspiração para películas como “Matrix”, “Inteligência Artificial” , ou mais recentemente “Ex-Machina”
Em 2017, chega agora ao cinema a versão americana com actores reais de Ghost in the Shell, com a presença de  Scarlett Johansson.
Scarlett Johansson  protagoniza a personagem central – Major um ser híbrido, com corpo mecânico e cérebro humano, agente de uma força de segurança do Estado que têm por missão perseguir e capturar um ciber-terrorista. A medida que a história vai avançado Major, vai sendo assombrada por imagens de um passado que desconhece, questionado a sua origem,  o papel da alma, sua natureza, o seu papel no mundo, a dimensão política e existencial da vida. O filme têm um excelente trabalho visual lembrando um pouco o ambiente de “Blade Runner” actualizado.
Não obstante a versão de Hollywood não seguir à risca a manga dos anos 90, é uma boa película que merece a atenção de todos aqueles que gostam do universo da ficção científica.

António Cipriano


terça-feira, março 07, 2017

Este país não é para velhos nem pobres


Presentemente,  qualquer contribuinte que pretenda usufruir de deduções à colecta em sede de IRS, nomeadamente por despesas de saúde, despesas de educação, despesas com veterinários, despesas com mecânicos ou cabeleireiros, ou mesmo com despesas gerais, para além de pedir que em cada factura conste o seu numero de contribuinte, têm até 15 de Fevereiro de cada ano que confirmar as facturas, e proceder a algumas correcções no site das finanças na plataforma e-factura. Sendo que no período até 15 de Março terá ainda oportunidade, uma vez mais, no site das finanças de confirmar ou proceder a alterações nas deduções pessoais e familiares.
Ou seja, o sistema fiscal obriga o contribuinte a ter de utilizar meios informáticos, acesso ao site da finanças.
Poder-se-à dizer que Portugal esta numa lógica de inovação de novo futuro.
De facto tudo isto é muito bonito.
Porém esquecem-se que existem muitos milhares de portugueses info-excludidos.
Desde logo os mais idosos, muitos que nem sabem o que é um computador.
Mas também muitos portugueses das classes mais baixas que não têm acesso directo à internet nem a meios informáticos.
Sob a premissa errada de um país do século XXI, esquecemos os mais frágeis e desfavorecidos da sociedade. Assim muitos portugueses por não ter acesso as meios informáticos, deixam de beneficiar das deduções fiscais que tem direito (aumentando por esta via a cobrança  de impostos por parte do estado). Trágico uma vez mais, serem os mais frágeis e desfavorecidos os sacrificados. Mas pelos vistos, é esta justiça fiscal que temos.

 António Cipriano

segunda-feira, março 06, 2017

O Hotel com Pior vista do Mundo


Numa altura em que tanto se fala da construção de Muros, o artista “Banksy” resolveu abrir o “hotel com a pior vista do mundo”. Trata-se de um hotel na Cijordânia –Palestiana encostado ao Muro da Cisjordânia construído por Israel.   O Muro da Cisjordânia  é um muro com mais de 700KM de extensão (com alguns pontos com altura de 8 metros), que foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Haia em 2004 e que coloca os palestinianos numa espécie de apartheid, isolando território palestinianos.
“O Hotel com pior vista do mundo”,  com sarcasmo recorda-nos não só o drama da Palestina, mas também os projectos loucos dos muros com o muro de Trump na Fronteira com o México.
 António Cipriano

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

União Monetária


Vivemos de há uns anos para cá crises, problemas, e mais problemas dentro da Zona Euro. Países do Norte que querem controlo das contas públicas, politicas monetárias restritivas, e baixa da inflação. Países do Sul que desejam politicas expansionistas, redução da divida. Enfim, choques de visão estratégica no cerne da Zona Euro.
As vezes esquecemo-nos que a Zona Euro, enquanto união monetária é um  processo muito recente, de inicio da década.
Mas será que existem experiências históricas de União Monetária?
Um exemplo claro de união monetária é o EUA.                                   .
Muitos pensaram que o dólar americano surgiu de um momento para o outro, e tudo ficou bem. Pois bem a história da união monetária nos EUA e do dólar, é tudo menos uma história pacífica e rápida.
Os EUA só tiveram uma moeda nacional eficaz 75 anos depois da entrada em vigor da constituição. No século XVIII existiram graves conflitos monetários entre os estados que compõem os EUA. Os estados do norte pretendiam restrições ao crédito, pouco endividamento. Os estados do sul dos EUA desejam expansão do crédito, inflação, baixas taxas de juro.
Na década de 1820 existiam várias moedas nos diferentes estados — todas se chamavam dólar, mas tinham valores de mercado diferentes, em função da fé existente nas garantias de cada estado.
Graças as diferentes políticas monetárias dos diferentes estados (muitas vezes contraditórias) por volta de 1837, variados estados do sul entram em incumprimento, entrado em situação de bancarrota. Por esta altura oito estado do sul faliram. Os que não faliram, liderados por Nova Iorque e Massachusetts, resistiram fortemente às tentativas de resgatar os incumpridores — e a sua vontade prevaleceu. O resultado foi que a maior parte das dívidas foi eventualmente reestruturada, e algumas foram completamente canceladas. Os credores dos estados em falência incorreram em perdas substanciais.
Veja-se ainda que durante muito tempo nos EUA as resistências a existência de um Banco Central foram muito elevadas, sendo que desde a independência até aos dias de hoje, existiram três tentativas de banco central, fixando-se a Reserva Federal como verdadeiro Banco Central apenas em 1913.
Mark Twain dizia que a “história não se remete, mas rima”.
Talvez a Europa deve olhar para a história americana da união monetária.
António Cipriano

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Deficit ilusório


Concluímos o ano de 2016  com um deficit publico num valor histórico de 2,3% do PIB.
Valor excelente. Segundos danos do ministério das finanças o deficit de 2016 terá ficado em 4.256 milhões de euros, valor inferior em quase 500 milhões de euros face aos resultados de 2015.
Numa abordagem simples poderia se afirmar que o actual governo e ministro das finanças teria feito um trabalho extraordinário.
Mas para percebermos a realidade dos números temos de ir mais fundo e comprender como foi atingindo esta valor histórico de 2,3%.

Em 2016, o estado recebeu por via do PERES (programa de perdão fiscal de) 500 milhões de euros. Ou seja se não tivesse existido esta receita extraordinária do perdão fiscal, o deficit de 2016 seria igual ao deficit de 2015.

Mas existem mais dados. Este foi o ano em que existiu um maior corte no investimento público. Só face ao orçamentado foi efectuado um corte de 956 milhões de euros no investimento público.
Em conclusão o resultado obtido resulta não de uma política mais eficiente dos recursos, mas tão-somente de receita extraordinária e do corte brutal do investimento. Sem estas medidas o deficit de 2016 teria sido pior do que o de 2015.
Pois é, o que parece nem sempre é!!!!

António Cipriano

sábado, janeiro 07, 2017

Mário Soares 1924-2017





Mário Soares faleceu hoje dia 7 de Janeiro de 2017 aos 92 anos. É evidente e é justo reconhecer a Mário Soares um papel de extrema importância na democracia e na política portuguesa. Começa a sua acção política na juventude aos 19 anos em que se junta a um grupo de esquerda organizado pelo PCP e portanto de oposição ao Estado Novo. Já depois de ter sido afastado do PCP, em 1958 faz parte da comissão de candidatura de Humberto Delgado à presidência da república.
Defendeu vários presos políticos em tribunal e acabou também por ser preso 12 vezes cumprindo um total de 3 anos de prisão, sendo deportado para São Tomé e por fim partiu para o exílio em França.
Volta a Portugal logo após o 25 de Abril e íntegra os primeiros governos provisórios assumindo a pasta dos Negócios Estrangeiros entre Maio de 74 até Março de 75 tendo um papel determinante na independência das colónias portuguesas. Neste processo Mário Soares em divergência com Spínola, que procurava ganhar tempo e queria salvar o que fosse possível salvar, quer também dar tempo a quem estava nas colónias para poder vir embora, viaja com Otelo Saraiva de Carvalho para a Zâmbia e assina o Acordo de Lusaka que entrega a independência a Moçambique. A independência era justa e inevitável mas de tal forma importante que não pode ser feita de animo leve e esta assinatura foi prematura, precipitada e mal organizada e absolutamente nada negociada e assim acabou por condenar portugueses a fugir e não só de Moçambique como também de Angola, muitos vieram com a roupa que tinham no corpo, outros morreram e em última análise esta assinatura contribuiu para a guerra civil quer em Moçambique quer em Angola. Muitos dizem que era a descolonização possível, mas para mim é a descolonização mal gerida e que resulta apenas da vontade de Soares sem ligar ao bom senso ou à logica e apenas para garantir protagonismo e agradar a alguns sectores da política quer nacional, quer internacional.
Posteriormente continuou a integrar vários governos provisórios e foi primeiro-ministro por três vezes, logo nas eleições constituintes em 75 derrotou o PCP e conseguiu fazer com que a revolução seguisse o rumo da democracia e que não caísse na substituição de uma ditadura de direita por uma outra ditadura de esquerda que parecia inevitável. Geriu com dificuldade o período do Verão quente e conseguiu sempre superiorizar-se à esquerda radical e quando Eanes ganha as eleições contribui no acalmar do clima politico.
No seu último acto como primeiro-ministro em 1985 assina o tratado de adesão de Portugal à C.E.E., processo iniciado por Sá Carneiro. Posteriormente será eleito duas vezes como Presidente da Republica ficando no cargo entre 1986 e 1996.
Quando terminou o segundo mandato como Presidente da República disse que bastava de cargos políticos, em 1997 assumiu a presidência da Fundação Portugal África, foi também presidente da Movimento Europeu Internacional. Criou também a Fundação Mário Soares
Daqui entra naquela fase em que tem uma espécie de papel de senador especialmente dentro do PS. Faz os seus comentários e interfere quando acha que deve, a última dessas acções terá sido a ascensão de Costa apoiado por Soares contra Seguro. Pelo meio alguns casos menos claros, como a história da alegada compra dos terrenos à volta da OTA pela fundação quando Sócrates queria fazer o aeroporto e que alegadamente explica a zanga com Sócrates quando este mudou a construção para “o deserto”. Relação que depois se pacificou e Soares visitou mesmo Sócrates quando este estava preso. E a história de um acidente de avião que transportava o seu filho e alegadamente uma carga “pouco clara” e que nunca se explicou de forma convincente. Retorna ainda à vida política, num período que podia fazer perigar o seu prestígio e ai o PS não soube gerir a situação e aconteceu mesmo que num momento talvez de alguma inaptidão decorrente de tantos anos fora da política acaba por insultar uma concorrente ao cargo de Presidente do Parlamento Europeu dizendo que ela tinha “um discurso de dona de casa”. Ainda concorre mais uma vez à presidência da república mas acaba duplamente derrotado quer por Manuel Alegre que fica em segundo lugar, quer por Cavaco Silva que é eleito para Presidente da República. 
Hoje espera-se que se diga as palavras de circunstância, certamente teremos honras de Estado e obviamente teremos dias de luto nacional. Mas como sempre nestas ocasiões falar-se-á dos aspectos positivos da vida de Mário Soares, esquecendo os pontos negativos e promovendo uma santificação recorrente aquando do falecimento de alguém.
E assim concluo reafirmando que Mário Soares é um homem com um papel fundamental e insubstituível na política portuguesa, lutou activamente contra a ditadura e depois lutou pela democracia e ajudou de forma magistral a garantir a democracia em Portugal. Na sua acção tem muitos casos polémicos podemos gostar ou não e podemos ou não concordar com o que fez, tem responsabilidades em casos positivos mas também em casos negativos. Mário Soares terá certamente um papel maior e de destaque quando no futuro se escrever a História dos dias de hoje.

António Manuel Guimarães