terça-feira, julho 03, 2018

The Interview


Tive a oportunidade de ver o filme “The Interview”. E apenas me apraz dizer uma coisa, quando a Coreia do Norte quis impedir que este filme alguma vez fosse visto e fizeram aqueles ataques à Sony foram mal compreendidos, sim muito mal compreendidos, porque o filme é tão, mas tão mau que eles apenas queriam poupar a mundo ocidental ao sofrimento de ter ver esta porcaria de filme. 1 Hora e 52 minutos de tempo perdido que eu nunca mais voltarei a recuperar.

António Manuel Guimarães

domingo, julho 01, 2018

Panem et circenses

Não sei quem é o autor, mas esta imagem está muito bem conseguida!

António Manuel Guimarães

quarta-feira, junho 20, 2018

Direitos Humanos

Relativamente à saída dos Estados Unidos da América da Comissão dos direitos humanos das Nações Unidas apenas me apraz dizer uma coisa, - só é triste eles saírem pelo próprio pé, porque um país que maltrata as crianças como eles estão a maltratar os filhos dos emigrantes devia ter sido expulso da comissão pelas próprias Nações Unidas!

António Manuel Guimarães

domingo, junho 17, 2018


A noticia falsa que matou um banco.


Domingo, treze de Dezembro de 2015, 23 horas nos Açores, estou a ver TVI Noticias e fico surpreendido com uma péssima noticia, o BANIF vai falir já na segunda-feira. Já há vários anos que o BANIF estava em dificuldades, de tal forma que o estado português havia tomado a iniciativa de auxiliar o banco, tornando-se assim no principal accionista do banco e escolhendo um administrador para a gestão do BANIF. E talvez devido a essa intervenção estatal a noticia criou em mim um misto de espanto, choque e preocupação. A noticia foi dada inicialmente com uma nota de última hora e passados poucos minutos já todos os canais de noticias apenas falavam sobre este tema. Os “peritos” estavam em prontidão, discutia-se o assunto e a TVI particularmente como a “origem” da noticia ia revelando novos factos.
Na manhã de segunda-feira dia catorze aconteceu o expectável, filas intermináveis de pessoas que procuravam rever os seus depósitos antes da falência anunciada pela TVI. Ainda durante a manhã quer o Governo, quer o Banco de Portugal fizeram saber que a noticia não tinha fundamento e que não estava prevista nem a falência, nem tão pouco a resolução do banco, mas já era tarde. No dia quinze, ou seja, dois dias após a noticia, a TVI foi obrigada a publicar o seguinte esclarecimento: “A TVI envia desculpas aos seus espectadores, mas também aos acionistas, trabalhadores e clientes do Banif, pela difusão de um conjunto de informações que, embora cabalmente esclarecidas no jornal ‘25ª hora¹, emitido à meia-noite, poderão ter induzido conclusões erradas e precipitadas sobre os destinos daquela instituição financeira”.
Tal foi o medo das pessoas que só durante aquela manhã de dia catorze o BANIF tinha perdido vários milhões e até sexta-feira dia dezoito, perdeu mesmo 960 milhões de euros de depósitos. Claro está que perdendo tal valor e perante este descalabro, o governo não encontrou outra solução que não fosse a resolução do BANIF. No fim das contas, o governo perdeu todos os milhões que tinha investido no BANIF, os accionistas perderam tudo que investiram no banco, os obrigacionistas perderam o seu investimento, alguns passaram graves dificuldades por isto, várias centenas de funcionários viram o seu emprego a desaparecer numa semana. No fim e para não perder a face, o governo decidiu pagar a outro banco o Santander para ficar com o BANIF, perdendo só com esta acção 2.100 milhões de euros.
E aqui está o resultado de uma noticia falsa, que não tinha fundamentos reais, que lesou milhares de pessoas e o Estado Português directamente e, por conseguinte, todos os portugueses indirectamente, ou seja, quando uma noticia tem outros fundamentos que não informar tem este efeito pernicioso.
Claro que existem em Portugal entidades como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que tem a missão de investigar e punir a informação falsa, sendo também esta Entidade a responsável pela emissão e revogação de licenças e é evidente que agiu, mas de forma muito branda condenando “a estação de Queluz de Baixo a transmitir, em horário nobre, um bloco em que serão exibidas as conclusões do regulador” e ainda ao pagamento de 459 Euros de multa. Por outras palavras uma palmadinha pedagógica, que certamente não impede outras acções do mesmo tipo, quer pelo grupo da TVI, quer por outros grupos de outros órgãos de comunicação. Uma acção séria como a revogação da licença de emissão, ou uma multa severa, bem superior ao valor de quatro pneus de marca branca, seria um belo exemplo para a seriedade e vontade de confirmar os factos antes de transmitir a informação. Há também investigações do tribunal por indícios de crime, até porque aparentemente e alegadamente existem algumas relações empresariais em que o grupo dono da TVI é supostamente uma participada da empresa dona do Santander, mas até hoje ainda não se chegou a nenhuma conclusão sobre isso e eventualmente nunca se chegará.

António Manuel Guimarães

quinta-feira, junho 07, 2018

http://atividadesdeportugueseliteratura.blogspot.com/2016/07/tirinha-calvin-tema-sensacionalismo.html
Lixo informativo

Desde cedo senti que era a informação era fundamental, talvez porque em minha casa era regra ter sempre o jornal do dia. O meu pai comprava religiosamente e diariamente jornais e às segundas, quintas e domingos comprava dois, porque era nesse dia que se vendiam os desportivos e à sexta-feira ainda recebíamos em casa a “Gazeta das Caldas” de que os meus pais foram assinantes durante anos. O primeiro jornal nacional de que me recordo de ver em casa foi “A Capital”, antes desse penso que era o “Diário Popular” mas sem certeza. Também relativamente à televisão a informação era sempre vista com atenção, o telejornal era visto todos os dias a seguir ao jantar. Claro que nos primeiros anos o telejornal era o programa que menos me interessava e que apenas marcava a proximidade de ir para a cama.
Mas claro está que crescendo neste ambiente volta e meia ouvia uma notícia que me interessava, ou lia uma notícia no jornal que me despertava interesse e por fim lá estava eu a acompanhar o telejornal e a ler os jornais.
Uma coisa é certa, desde que comecei a acompanhar as noticias que senti admiração pelas pessoas quer dos telejornais, quer da imprensa, em especial porque lhes reconhecia cultura, espírito critico, criatividade, inteligência e para além de tudo isto profissionalismo e zelo com o trabalho que se fazia. Mais tendencioso ou menos tendencioso, mas tenho a impressão que o jornalismo dos finais dos anos 80 e início de 90 era muito bom, faziam essencialmente bom trabalho. Um exemplo era os erros, ou gralhas, havia tanto cuidado e zelo que um erro num jornal merecia uma correcção logo no dia seguinte, porque era um de ponto de honra escrever correctamente.
Depois durante os anos 90 surgem em Portugal mais dois canais televisivos, primeiro a SIC e depois a TVI, canais privados para fazer concorrência aos dois que havia anteriormente, a RTP 1 e a RTP2 que pertenciam à mesma empresa, a Rádio Televisão Portuguesa que era e é estatal. A concorrência pode ser uma vantagem, porque muitas vezes obriga a que quem surge de novo tenha que ser melhor do que aquele que está estabelecido, para conseguir atrair público e aqueles que estão estabelecidos têm que se actualizar para conseguir aguentar o seu público. E inicialmente tudo funcionou bem, as notícias receberam um lufada de ar fresco, novos jornalistas, novas maneiras de abordar a informação e o rigor mantinha-se. No entanto os novos canais, para atrair público, volta e meia cediam ao sensacionalismo, procuravam a notícia chocante e se não a encontravam faziam-na. A SIC foi a primeira a embarcar nesta prática e mais tarde a TVI, em especial quando deixou de pertencer à Igreja e foi comprada primeiro pela SONAE e depois pela Média Capital, mergulhou inteiramente no sensacionalismo barato. As notícias que não interessavam, que tinham apenas como intenção provocar o impacto, elevar os mexericos a casos nacionais, quanto mais bombástico melhor e no início do novo milénio era para mim impossível ver os noticiários quer da SIC, quer da TVI.
Quanto à imprensa, as coisas seguiram um caminho parecido, os jornais que pertenciam a empresas pequenas foram sendo comprados por empresas maiores, o Grupo Impresa dono da SIC, que já detinha o “Expresso” foi comprando outros jornais, muitos destes desapareceram das bancas, a Média Capital dona da TVI comprou também alguns jornais e até a Rádio Comercial, surgem também grupos inicialmente de jornais que se tornam dominantes como a Cofina dona do “Correio da Manhã” e do “Record”. Os jornais que permaneciam independentes e que antes eram de referência foram perdendo estatuto e espaço e acabaram por desaparecer. E com eles também desapareceu a qualidade, o interesse em informar, o rigor, a inteligência e o zelo. O surgimento da Internet e dos jornais on-line foi a machadada final. E hoje apenas três jornais são considerados de referências, dois sérios “O Púbico”, que é diário e tem tido uma deriva demasiado tendenciosa e que já me perdeu como leitor e o “Expresso” semanário em papel e diário on-line e por fim o maior de todos e jornal de referência nacional o “Correio da Manhã”. Este jornal entretanto ganhou também espaço televisivo e é um caso sério de popularidade, pois rapidamente ultrapassou os outros canais exclusivamente informativos e é hoje um dos canais mais vistos na TV. No entanto quais são os temas deste jornal e canal? O choque, o drama, o horror, tudo o que é mexerico merece directos, por vezes estão lá antes de se dar o caso porque são informados previamente que o caso se vai dar, dão voz a todo o disparate, a todo rumor, inventam notícias, repetem até à exaustão como se assim a mentira passasse a ser verdade, quando o caso não se dá, inventam outra para tapar a primeira treta, muitas vezes mascaram de “notícias” as opiniões privadas de alguns. O jornal em papel tem ainda um bónus, diariamente nas páginas centrais tem o “bem organizado” guia da prostituição em Portugal, em que separa as prostitutas por distrito e por concelho, porque vá, o jornal é nacional. Mas o grave é que este estilo vende, as pessoas sentem-se atraídas pela tragédia e para as “investigações” que o jornal faz. Lembro-me de um caso recente em que este pasquim “descobriu” através de um arrependido que um alto funcionário de um clube de futebol tinha comprado jogadores e árbitros, o arrependido foi glorificado durante dias, todos os dias surgia um arrependimento novo, começou no andebol e acabou quando deu com a língua nos dentes e disse que tinha sido pago por este jornal para dizer o que disse, passou de bestial a besta numa edição e de informador endeusado passou à personificação da besta demoníaca do Apocalipse em nota editorial.
Depois por fim existe ainda outro problema relativamente às noticias, são as “replicações”, uma noticia avançada por este órgão de referência é replicada por todos os outros órgãos de comunicação, ou seja, este pasquim diz que aconteceu isto e záz, passados poucos minutos todos os outros órgãos afirmam que segundo o jornal “c” aconteceu isto, sem verificar, sem falar com os intervenientes, sem cuidado, sem contraditório, mas com muita pressa para não perder a “cavalgada” de uma noticia, por mais dúvidas sobre a veracidade que possa existir, ninguém quer perder o momento.
Em suma, a imprensa de referência hoje em Portugal é má, em especial o jornal de maior tiragem, porque desinforma, é tendencioso e tem apenas o objectivo de fazer dinheiro, fazendo “tábua rasa” relativamente ao cumprimento daquilo que deveria ser as suas principais funções que são a luta pela verdade e informação honesta, escudando os seus atos na liberdade de imprensa, tem a mesma veracidade do que muitas noticias com que somos brindados praticamente todos os dias nas redes sociais.

António Manuel Guimarães

quarta-feira, maio 09, 2018


Teria piada…se não fosse tão perigoso!
Esta semana vimos o primeiro-ministro israelita num acto a roçar o burlesco. Andava de um lado para o outro numa sala, a apontar para um conjunto de DVDs e de ficheiros em papel e a dizer que ali estava a prova de que o Irão estava a enriquecer urânio para produzir armamento nuclear, que não estavam a cumprir o acordo e que assim o programa nuclear iraniano não tinha comprovadamente intenções pacíficas. Ora vendo este triste espectáculo de propaganda para “apoiante de Trump ver”, lembrei-me de rever aquilo que se sabe sobre o armamento nuclear israelita.
Então recordemos o que aconteceu, pouco tempo após a proclamação de independência do estado de Israel em 1947, os israelitas começaram a reclamar capacidade e combustível nuclear para o recém país, Ben Gourion dizia que a intenção era puramente pacífica, apenas pretendia produzir energia para o povo israelita. É claro que, nos finais da década de 40, ninguém acreditava que um país quisesse este tipo de equipamento para fins pacíficos, para mais um país ameaçado em todas as suas fronteiras como era o caso de Israel. No entanto Ben Gourion reafirmava a intenção pacífica e fazia uma pequena chantagem falando no anti-semitismo e no holocausto. Claro que a Inglaterra e os EUA fazem ouvidos moucos e não querem saber disso para nada, mas a França por sua vez sente a chantagem. A França durante a ocupação nazi foi dos países que mais enviou judeus capturados por delação francesa, para os campos de extermínio nazi, aliás muito antes até da primeira grande guerra a França era conhecida como um país extremamente anti-semita, é de recordar o caso Dreyfus que abalou o meio intelectual francês no final do século XIX. Assim em 1949 a França apoia Israel com equipamento e conhecimento nuclear, construindo um reator e uma planta de reprocessamento nuclear que ficou concluída no final da década de 50. No final da década de 60 Israel já tinha construído a sua primeira bomba nuclear e tudo isto ficou comprovado com relatórios que chegaram a Inglaterra e que foram tornados públicos em 1986. Actualmente estima-se que Israel tenha entre 75 a 400 ogivas nucleares que podem ser lançadas por submarinos, aviões e por misseis balísticos. O estado de Israel numa condição conhecida por “opacidade nuclear” nunca confirmou a posse de armas nucleares, mas também nunca negou. Também não assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, mas não por dizer que não tem armamento nuclear, mas sim por afirmar que “comprometia a segurança nacional”.
Resumindo, Israel dizia que queria tecnologia nuclear para fins pacíficos e o resultado foi a criação de um arsenal nuclear considerável, reclama agora dizendo que o Irão está a fazer o mesmo que Israel fez há sessenta anos atrás. Provas não as mostram, apenas um primeiro-ministro faccioso a apontar para uns DVDs e umas pastas supostamente com papeis com não menos supostos planos nucleares iranianos.
Como entram os EUA nisto tudo? Trump tem uma base de apoio muito fiel, aliás é para esta base de apoio que ele governa e esta base de apoio é composta por um conjunto de pessoas muito pouco recomendáveis, desde partidários da supremacia branca, a maluquinhos do armamento com a NRA à cabeça, aos homens da alta finança, onde se incluem muitos judeus que financiaram a campanha de Trump e fundamentalistas evangélicos. Ora este último grupo tem uma visão romântica de Israel, como se fossem os seus antepassados religiosos, os ungidos que devem ser protegidos e foi por causa deles e de quem lhe financia a campanha que Trump fez aquela patetice de mudar a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém e é agora para além de questões de geopolítica por estes evangélicos fundamentalistas que Trump rasga o acordo com o Irão, usando as supostas provas israelitas como justificação para os seus actos.
Qual pode ser o resultado deste rasgar de acordo? George W. Bush também rasgou um acordo que havia sido firmado na administração Clinton entre a Coreia do Norte e os EUA que tinha como intenção impedir a produção de armas nuclear pelo regime norte coreano. E esse rasgar de acordo teve o resultado que todos sabemos, a Coreia do Norte começou a enriquecer urânio e actualmente a Coreia do Norte tem armamento nuclear que o regime norte coreano fez questão de demonstrar já em diversos episódios. Ora isto apenas nos faz pensar que com o fim do acordo nada impede o Irão de iniciar exactamente o mesmo processo.
Trump justifica-se afirmando que Teerão é responsável pelo terrorismo islâmico, outra afirmação que carece de prova. Aliás a única prova é que Osama Bin Laden era da Arábia Saudita, país de maioria sunita, ou seja, é inimigo figadal do Irão de maioria xiita, acontece que a Arábia Saudita é aliada dos EUA e não fica bem reconhecer que um aliado é o responsável por produzir gente que deitou abaixo duas torres gémeas em Nova Iorque, é preferível transferir essa responsabilidade para o Irão que tem vindo a crescer ao ponto de hoje ser uma potência regional islâmica com bastante influência, agindo em vários palcos como a Síria, ao lado do regime de Damasco e ao lado da Rússia opondo-se claramente aos rebeldes e aos EUA. É aliás neste ponto de geoestratégia que reside aquilo que disse atrás, os interesses políticos que levam a este rasgar deste acordo. Não será por acaso que logo após o rasgar do acordo por Trump, Israel tenha lançado um ataque aéreo contra forças sírias.
António Manuel Guimarães