Blog de pensamentos duvidosos por Paulo Pinheiro, António Cipriano, António Guimarães, João Pedro e André Lemos.
terça-feira, fevereiro 12, 2008
sábado, fevereiro 09, 2008
Barack Obama
Apesar de não ser cidadão norte americano, pela particularidade da importância dos EUA no quotidiano mundial, considero absolutamente licito ter um opinião formada acerca dos putativos candidatos às presidenciais americanas.
Antes de mais e a bem de todos, os EUA necessitam quer em termos de geopolítica, quer em termos económicos, de uma mudança. Uma mudança que induza no planeta uma dose de estabilidade, consubstanciada num politica externa americana mais razoável e dotada de bom senso.
Confesso que num primeiro momento na minha simpatia ia para a senhora Clinton. Todavia a imagem de um self-made-mem, outsider, combativo, menos artificial, cheio de energia, me tem vindo a seduzir na figura de Barack Obama. Talvez esteja errado. Talvez Obama não passe de simples mas bem elaborado produto de marketing.
Mas pior do que Bush não será com certeza!!!
António Cipriano
quinta-feira, fevereiro 07, 2008

De há algum tempo para cá, todos conhecemos a fúria tributária do ministério das Finanças, ávido por obter sempre mais um cêntimo, derrubando qualquer tipo de direitos que os contribuintes detenham. Ora o ministério das Finanças não se ficou pela instituição de mais uma taxa, no caso a Contribuição para o Audiovisual (que todos, independentemente de terem ou não televisão, ou serem clientes do cabo ,terão de pagar, sendo o seu valor cobrado no factura da electricidade). Pretende agora cobrar sobre a referida taxa de Contribuição Audiovisual, 5% de IVA. Ou seja um imposto sob uma taxa. Não é preciso ser jurista para compreender o absurdo, e altíssima duvidosa legalidade de tal medida. O Ministério das Finanças viola o princípio da boa-fé e o princípio constitucional da Segurança jurídica e da protecção da confiança dos cidadãos.
Ainda dizem que vivemos num verdadeiro estado de direito?
António Cipriano
sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Em 1 de Fevereiro de 1908, O Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro Luiz Filipe foram assassinados em Lisboa, numa acção da republicana carbonaria. D. Carlos Subiu ao trono em 1889, num momento de especial complexidade, em que o sistema rotativista da monarquia constitucional dava sinais de cansaço, próprio da já costumeira crise económica, e da polémica em volta do mapa cor-de-rosa, que 15 dias depois da subida ao trono de D. Carlos ,vai destabilizar o já destabilizado sistema politico nacional.
Prisioneiro da história, vitima de um presente envenenado, D. Carlos apesar de ser um homem culto, nada podia fazer contra os ventos da história. A história deve ser recordada, estudada, compreendida e analisada. No meu ponto vista, faz todo o sentido a existência de exposições, mostras temáticas, conferências acerca do Regicídio.
Todavia, somos hoje uma Republica. Não me parece razoável a participação do estado, nem as forças armadas, em cerimonias evocativas do regicídio. Não me enche de orgulho, os actos do Boiça, mas sem estes, talvez a Republica não se tivesse instalado. Sou um republicano convicto. Defendo a igualdade entre todos os cidadãos. Só contra os direitos hereditários ao poder, contra a existência de aristocracia. Obviamente que repudio os actos de violência, mas muitas vezes estes são tristemente necessários. Sem o regicídio, sem a implantação da Republica teríamos hoje um país sob a tutela de D. Duarte Pio, a Isabelinha e as criancinhas!!!
António Cipriano
quinta-feira, janeiro 31, 2008

O País esta aliviado!!!! O carrasco do Serviço Nacional de Saúde
Para trás ficam três penosos anos, de atropelos a um dos direitos basilares, constitucionalmente protegido – O Direito à Saúde.
Da nova ministra, nada conheço, mas será com certeza impossível fazer pior.
terça-feira, janeiro 29, 2008
Em vias de ExtinçãoAté a bem pouco tempo os Notários nada mais eram, de que mais uma classe jurídica, que exercia as suas funções no âmbito do funcionalismo publico. O estado numa perspectiva de privatização do notariado, incentivou, estes profissionais a iniciaram funções como Notários privados. A generalidade dos Notários aceitaram o desafio. Compraram ou arrendaram espaços, contrataram pessoal, adquiriram equipamento.
Má fé e injustiça, é o mínimo que se pode dizer deste comportamento do estado.
António Cipriano
domingo, janeiro 27, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
domingo, janeiro 13, 2008

A história da Europa é um aglomerado de conflitos fratricidas de índole religiosa, cultural e étnica. O principal responsável pela conflitualidade endémica europeia foi em grande medida o Nacionalismo. Após séculos de conflitos, que culminaram na segunda guerra mundial, os europeus compreenderam a necessidade de colocar um travão aos nacionalismos, optando por uma estratégia de cooperação assente num processo de integração europeia que procura-se colocar sob o mesmo chapéu, os interesses de cada povo, sem colocar em causa o caldo cultural judaico-cristão que une a generalidade das nações europeias.
A Bélgica, independente desde 1830., é o resultado de uma sucessão de acontecimentos históricos conturbados, sendo constituída por duas comunidades absolutamente díspares: os Flamengos e os Valões, com diferenças profundas ao nível cultural e linguístico. No momento actual vive-se um profunda crise política assente nas desconfianças entre as duas comunidades que ameaçam a própria existência do país. Será que a Europa não apreende!!!
domingo, janeiro 06, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Obama, 1 – 0
Kick-off das primárias das presidenciais norte-americanas, um longo e tortuoso processo, perfeitamente incompreensível à luz da vivência democrática europeia.
O estado de Iowa é um estado que elege pouquíssimos delegados nas presidenciais propriamente ditas. Por essa razão, os candidatos presidenciais nem costumam visitar o estado durante a campanha. Situação completamente diferente durante as primárias. Nessas primárias, Iowa continua a eleger um número negligenciável de delegados, mas a diferença é que é o primeiro estado a ter eleições (ou melhor, não são eleições, são “caucuses”, uma perfeita aberração eleitoral, principalmente do lado do Partido Democrata; mas adiante, adiante). Como é o primeiro estado isolado a ter este processo, o que é que isso pode significar? (e geralmente significa)
Candidatos com diminuta expressão eleitoral nas sondagens podem apostar neste estado (dinheiro, tempo, equipa, etc) e, se ganharem, podem beneficiar de um efeito de bola de neve (caso do John Kerry em 2004, que antes de Iowa e New Hampshire estava em 4º lugar nas sondagens nacionais – do lado Democrata). Por outro lado, candidatos muito bem colocados, à partida, se perderem Iowa podem ver-se fora da corrida (recorrendo novamente a 2004, foi o que aconteceu ao Howard Dean). Ainda é cedo? Sim, é. Antes da “Super Tuesday” é prematuro apostar decisivamente num determinado candidato.
Mas duas coisas podemos retirar do que aconteceu ontem:
- Do lado democrata há 3 candidatos com aspirações reais à nomeação: Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards. O 3º lugar da sra. Hillary não augura boas coisas, até porque Obama ganhou destacado e com facilidade. Prognóstico: se Obama ganhar daqui a 4 dias em New Hampshire (aí já são eleições «normais», não “caucuses”), os candidatos democratas não chamados “Edwards” ou “Clinton” começam a desistir a favor de Obama e a coisa fica composta para o senador de Illinois. Muito claramente: o Obama neste momento tornou-se um caso muito sério, não só em relação à nomeação, mas em relação à candidatura à presidência propriamente dita. Pormenor: Obama ganhou folgado num estado cuja esmagadora maioria da população é caucasiana;
- Do lado do GOP (Republicanos), a situação é mais delicada. Romney e Huckabee foram os grandes apostadores em Iowa (Romney ganhou o Iowa straw poll, uma coisa perfeitamente ridícula e arcaica), e o evangelista acabou por ganhar. Huckabee é conhecido por 2 coisas: ter perdido muito peso em pouco tempo (era obeso) e ter o apoio em peso da comunidade evangelista (pronto pronto, e em ter o apoio "precioso" do Chuck Norris). Os candidatos mais “sérios” do lado do elefante tiveram resultados modestos (John McCain, Fred Thompson, Rudy Giuliani; este último, principalmente, teve um resultado que roça o absurdo). Estes 3 continuam a ser os candidatos mais prováveis ou Huckabee acabou de se colocar em boa situação para disputar a nomeação com 2 desses 3? Difícil de ler, mas parece-me que o milionário Romney e Giuliani acabaram de ficar em péssima situação. Por cada dólar que Huckabee investiu em Iowa, Romney investiu 10.
Anotação: a "spokesperson" da campanha de Obama é a Oprah. Parece-me um bocado forçado que, como resposta, a senadora Clinton tenha ido buscar como porta-voz da sua campanha (para além da omnipresença de Bill Clinton) o Magic Johnson (para além de que se deve estar a roer pelo facto de Hollywood em peso estar a apoiar Barack Hussein Obama).
E venha New Hampshire.
(acabei de dar seca?)
João Pedro
segunda-feira, dezembro 31, 2007
domingo, dezembro 30, 2007
Feliz 2008Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente. "
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, dezembro 27, 2007

Uma nota prévia; não só um entusiasta do Miguel Sousa Tavares, comentador.
Todavia, como escritor tenho uma opinião bastante favorável. Já algum tempo tive a oportunidade de ler “O Equador”, o qual no meu ponto de vista é um romance inegavelmente bem escrito e absolutamente inebriante, sendo sem qualquer ponta de dúvida, um dos melhores romances portugueses da última década.
Por conseguinte as minhas expectativas para o “Rio das Flores” eram muito elevadas. Confesso que fiquei um pouco desiludido, face às expectativas. Contudo, em abono da verdade, há que afirmar que o “Rio das Flores” é um romance interessante, construído em volta de uma família alentejana de latifundiários, de dois irmãos unidos pelo sangue, mas diferentes ao nível do modo de encarar a vida. Diogo, o intelectual, inconformista, que desespera com o Portugal do Estado Novo, e Pedro, tradicionalista, conservador, que acredita no Portugal Rural de Salazar. É inegável o trabalho de pesquisa do autor que nos permite ao longo de 600 páginas fazer uma retrospectiva do Portugal da Republica, do Estado Novo, da Guerra Civil Espanhola, do Brasil de Getúlio Vargas e o desenrolar da 2º guerra mundial.
Apesar de “Rio das Flores”, não ser formidável como o “Equador,” não dei o meu tempo por mal empregue, recomendado a sua leitura
António Cipriano
segunda-feira, dezembro 24, 2007
E então?
Bem, bom natal para todos, com desejos de todos os lugares-comuns desta época (saúde, felicidades, prendas, coca-cola light e aquecedores).
E um 2008 ainda melhor. Esperemos que, em 2008, nomeadamente:
- O Sporting consiga qualificar-se para a taça UEFA;
- O Luís Filipe Menezes não chegue a primeiro-ministro em eleições antecipadas;
- Seja eleito um presidente dos EUA que seja mulher ou negro;
- As excentricidades do Hugo Chávez fiquem apenas pelo estabelecimento de um fuso horário único;
- Se decidam em relação ao aeroporto;
- O Manoel de Oliveira faça 100 anos;
- Paz no mundo (não, então esta foi apenas a minha veia de "candidata a Miss Universo" a falar).
Feliz Natal e Óptimo 2008!
João Pedro
António Cipriano (futuro candidato à Câmara Municipal das Caldas)
António Guimarães (perguntem-lhe datas históricas, chega a ser tenebroso, obsceno, etc)
Paulo Pinheiro (o único gajo que conheço que escreve livros com conteúdo sexual, e não estou a falar da Gina)
sábado, dezembro 22, 2007

Muitos talvez não se tenham dado conta, mas ontem dia 21 de Dezembro viveu-se um dia histórico.
O espaço Schengen, ao formalizar a efectiva liberdade de circulação, inerente ao estatuto de cidadania europeia existente deste 1992 com Maastricht, é mais uma das provas da necessidade e sucesso do projecto comunitário. Desde 1951, com a assinatura do tratado de Paris que a Europa vive sucessivamente um período de paz e prosperidade económica.
Argumentam os detractores do projecto comunitário, que a UE e o espaço Schengen representam uma diminuição da segurança interna e a perda de soberania. Mas não se esqueçam os mais incautos, que o resultado dos excessivos nacionalismos na Europa foi uma sucessão de conflitos fratricidas e intestinos, de que os Balças ainda são o melhor exemplo.
António Cipriano
terça-feira, dezembro 11, 2007
Para quando gasto zero de energia em Portugal?
Alguns acham que este aumento do preço é positivo para que as pessoas gastem menos combustível. Mas o que acontece de facto é aumento do preço de todos os produtos, seja devido ao aumento do custo de produção, seja derivado ao aumento do preço do transporte, ou por ser um derivado do petróleo, caso das fibras sintéticas que vão desde o plástico comum ao poliester que está no nosso vestuário. Ou seja, o aumento do preço do petróleo influencia toda a vida do mundo ocidental, porque o preço do petróleo faz-se sentir em tudo, tornando-se cada vez mais urgente procurar novos modos de produzir energia de forma eficiente.
Claro que esta ideia não é nova e têm sido conseguidos alguns resultados que podem a vir a ser extremamente positivos num futuro muito próximo. Alguns países de forma a minimizarem a procura do petróleo, têm tido uma procura séria de sistemas energéticos renováveis que respeitam tanto o ambiente como o conforto. Sabendo que as habitações consumem 40% da energia do mundo ocidental, têm desenvolvido novos conceitos para a construção de imóveis. Edifícios que conseguem produzir a totalidade da energia que consomem e que vendem o seu excedente às redes públicas. Na Suécia, já um número considerável de edifícios foi construído a pensar neste conceito e os resultados têm sido obviamente fantásticos. Na Alemanha a procura destes sistemas tem sido também uma realidade e os edifícios de Werner Sobek recebem os maiores prémios, sendo a sua própria casa o paradigma da utilização eficiente de energia, consumindo zero da rede pública e sendo totalmente biodegradável. Ainda de referir mais dois exemplos de edifícios ecológicos, um na Índia em que a própria orientação foi planeada para ter um aproveitamento máximo ao longo do ano e que aproveita inclusivamente a água da chuva ou o caso da Coucil House em Melbourne que foi concebida para “copiar a ecologia do planeta”.
É evidente para isto funcionar têm que existir algumas condicionantes. Em primeiro lugar informação tem que ser fornecida aos consumidores e segundo a World Business Council for Sustainable Development essa é a grande falha actual. Outra condicionante é a formação dos construtores de forma a desenvolverem estas estratégias, uma mais valia certa para quem fosse pioneiro em Portugal. Depois outra condicionante e lamentavelmente em Portugal o grande entrave, os incentivos governamentais, prefere-se dar concessão para ventoinhas a grandes empresas para vender em telejornais com uma atitude ambientalista para “inglês ver”, do que dar benefícios ao cidadão comum que pretenda adoptar medidas realmente funcionais, é triste mas exemplos dos nórdicos só mesmo para o pagamento de impostos. Torna-se urgente tomar medidas reais e deixar de fazer as coisas a fingir, sob pena de mais uma vez não aproveitarmos tomar a dianteira de algo extraordinário que está em expansão. Para termos uma ideia clara do quão “desenvolvido” está este sistema em Portugal saibam que até 2007 a Soane Sierra foi o único grupo que usou este sistema, num centro comercial, o Colombo, ou seja desde 1998 até hoje existe um único edifício que produz toda a energia que consome e que consegue vender à rede pública, foi um bom principio mas manifestamente insuficiente.
quarta-feira, dezembro 05, 2007

Foram conhecidos hoje, mais dois estudos sobre a problemática da localização do novo Aeroporto internacional de Lisboa.
A Associação Empresarial de Badajoz apresentou um estudo, elaborado pela insuspeito Instituto de Engenharia de Madrid, que defende a utilidade da construção do novo aeroporto de Lisboa em Badajoz. Entre as vantagens apontados, esta patente a centralidade da localização, servindo esta, de interface ibérico, e a possibilidade da redução dos custos de construção por via da criação de um consórcio de capitais ibéricos, liderado pelos empresários agrícolas espanhóis do Alqueva.
O segundo estudo, apresentado pela câmara de comércio do queijo limiano, apresenta como hipótese credível a localização da nova infra-estrutura aeroportuária no concelho de Ponte de Lima. Entre as principais vantagens estão o fomento da internacionalização da economia portuguesa por via da implementação de um cluster dos lacticínios e pelo desenvolvimento do turismo rural.
António Cipriano
terça-feira, novembro 27, 2007

Penso que seria mais importante e estrutural se estes milhões fossem aplicados na formação e educação dos portugueses ou no apoio às PME´s.
António Cipriano
sábado, novembro 24, 2007

Com a recente visita de Hugo Chavez, com a visita em breve de Robert Mugabe e Kadafi, José Sócrates colocou Portugal na orbita dos grandes lideres mundiais.
Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros José Sócrates pretende seguidamente convidar Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-il e Evo Morales.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Uniformizar ou Mutilar Depois de dezassete anos sem ouvir falar no acordo ortográfico, eu pensava que ele tinha ficado esquecido numa gaveta qualquer em S. Bento. Mas este governo acabou por descobrir a chave da dita e acordou este monstro adormecido. E então lá voltou a conversa sobre o referido acordo.
A questão da uniformização da Língua Portuguesa é uma situação muito pesada e extremamente complexa. Pode-se dizer muita coisa em sua defesa, como que é benéfico aproximar os diferentes modos de escrever português, e que isso servirá para defender a língua face à crescente importância do inglês que advêm da globalização. Mas a verdade é que é extremamente desequilibrada e quem criou a língua leva com as maiores alterações, tudo porque é mais fácil mudar 10 milhões do que, só no Brasil, 189 milhões.
É verdade que me custa bastante ver a mutilação da Língua Portuguesa “para sua própria defesa”. Preocupa-me ver que neste acordo está presente a eliminação das letras mudas nas palavras. Tal como são eliminados alguns acentos e portanto algumas palavras são alteradas. E qual a razão? A resposta é simples, no Brasil, em 1943, ficou decidido no Formulário Ortográfico, que essas letras como não são pronunciadas deveriam ser eliminadas, foram também suprimidos alguns acentos e alterados outros. Compreendo que eles o tenham feito, eles não criaram a língua e depois da crescente utilização de estrangeirismos que utilizam não surpreendeu ninguém. Quanto à supressão das letras mudas, não venham dizer que é mais prático porque apenas se pode considerar preguiça. Muitos dos acentos foram alterados para aproximar a língua escrita da língua oral e aqui ainda lhes dou razão. Mas daí a terem a pretensão de eliminar a possibilidade da dupla acentuação dependente do país vai uma grande distância, já me estou mesmo a ver a escrever Antônio (nem quando as vacas voarem).
Obrigar os portugueses a aceitar estas mutilações da língua que criaram é absurdo. Não me importo se são 189 milhões que escrevem assim e não me vejo obrigado a mudar aquilo que será sempre a herança mais importante que jamais teremos, só porque um povo que não o meu decidiu um rumo diferente. Se vamos por essa ordem de ideias, porque não aprendermos todos mandarim? Era uma forma de encurtar caminho.
O governo antes de rectificar este acordo deveria, para variar, pensar muito bem. Se não gostam do português, ao menos, que percebam a desigualdade do tratado e vejam quem fez quase todas as concessões.
Não se trata de nacionalismo no pior sentido do termo, trata-se simplesmente de ter pais e professores conscienciosos que me fizeram gostar da nossa língua e de hoje ser eu próprio professor da língua materna.
António Manuel Guimarães
sábado, novembro 17, 2007

Nada tenho contra as privatizações, pelo contrário, considero que o sector privado e a iniciativa privada, devem ser a mola dinâmica de toda a economia. Todavia, isto no meu ponto de vista, não quer dizer que tudo possa, ou deva ser privatizado. Existem algumas funções e serviços que pela sua natureza e importância, me parecem que não devém deixar a orbita do estado. Um desses casos, é a estrutura rodoviária do país.
O primeiro-ministro anunciou recentemente que pretende transformar a Estradas de Portugal de Entidade Publica Empresarial, para uma Sociedade anónima de capitais públicos, que ficará com a gestão e exploração de todas as estradas nacionais, portajadas ou não, por um período de 75 anos. Qualquer pessoa inteligente compreende que ao constituir uma sociedade anónima, o estado esta a abrir a porta, para uma mais que previsível, abertura do capital da empresa aos privados, primeiro numa lógica residual, para quem sabe, num futuro próximo passar a ser controlada pelos privados.
Obviamente que a gestão privada, licitamente procurará o lucro. O lucro estará nas auto-estradas portajadas, o que levará a um maior ou menor abandono das estradas secundárias. O resultado lógico será uma omissão e uma desresponsabilização do estado, que coloca em causa os seus deveres constitucionais ao nível do princípio do estado social e da igualdade, e uma consequente descriminação acentuada das regiões interiores do país e dos mais desfavorecidos.
António Cipriano
sábado, novembro 03, 2007

A Falácia do Petróleo
Vive-se actualmente uma paranóia absolutamente irracional nos mercados petrolíferos internacionais, cujo resultado mais previsível num curto prazo, é a ultrapassagem da barreira psicológica dos 100 USD.
A verdade é que uma pequena economia como Portugal absolutamente dependente do fornecimento de petróleo, nada pode fazer para quebrar a onda de aumento dos preços. O resultado obvio, tem sido o sucessivo aumento dos preço da gasolina e gasóleo, e a consequente multiplicação do seu efeito, em toda a economia.
Os mais incautos ainda não se aperceberam da falácia que se vive com o preço do petróleo. A verdade é que a análise do preço do petróleo não pode ser desligado da evolução cambial do EUR/USD. De facto o petróleo é transaccionado exclusivamente em USD. No último ano o USD tem sofrido uma desvalorização bastante acentuada, que advém essencialmente das seguintes causas: excessivo deficit comercial da Economia Americana, baixa das taxas de juro pela Fed ( de 5,25% passamos para os actuais 4,5%), e o agravamento do deficit orçamental da economia americana. O resultado, é que de uma cotação cambial na ordem dos 1,30 EUR/USD passamos para os actuais 1,45 EUR/USD, ou seja uma desvalorização na casa dos 12%. Por sua vez o petróleo passou dos 70 USD para os actuais 90 USD, ou seja uma aumento de 28%. Retirando o efeito da desvalorização do USD temos uma aumento efectivo do Preço do crude de 16%. Um aumento substancial, mas não tão gravoso, como muitas vezes nos quem fazer parecer.
António Cipriano
sábado, outubro 27, 2007
Assim termina a retenção por exceder o limite de faltas injustificadas, ou seja, um aluno pode faltar o tempo que entender que a única punição passa por uma prova de recuperação. Prova essa que o governo se escusa a clarificar, pois ainda ninguém soube dizer o que acontece quando um aluno não consegue passar na dita prova. Mas ficou bem claro que caso o aluno volte a atingir as faltas correspondentes a três semanas volta a repetir a mesma prova. Ou seja, caso a prova não corra bem nada como voltar a faltar para voltar a fazer a prova.
Esta nova machadada tem como objectivo reduzir ainda mais o número de retenções, aumentar o facilitismo, apenas como único propósito mostrar números à União Europeia. É a ditadura da frieza dos números para consumo externo. Mas o que é certo é que a factura aumenta, se os alunos agora nem o dever de ir à escola têm…nem quero imaginar como será daqui a uns anos, talvez recebam ordenado e se dignem a receber o professor em casa quando for conveniente.
Espero sinceramente que o Presidente da República chumbe este projecto, a bem da juventude e a bem do futuro de Portugal.
António Manuel Guimarães
sábado, outubro 20, 2007

A democracia não é um conceito estanque se reduz a uma mero cerimonial que ocorre de X em X anos. A democracia Participativa, é crucial para a vitalidade do próprio conceito. Neste sentido, considero a inclusão no texto constitucional em 1997 do instituto do referendo, uma conquista e um reforço do processo democrático. Mas o Instituto do refendo deve ser devidamente enquadrado, sob pena de deturpar os objectivos que levaram à sua criação. Tudo isto a propósito da realização ou não do referendo ao Tratado de Lisboa. No meu ponto de vista o referendo, deve ter por objecto questões de relevante interesse nacional, aos quais os cidadãos em termos individuais compreendam o seu conteúdo. Se queriam referendar a Europa deviam ter o feito em 1986, aquando da adesão de Portugal à então CEE; ou aquando da entrada em vigor do Euro.
Agora, neste momento penso que não faz sentido. Muito menos quando a questão em análise é um tratado, complexo, cheios de termos jurídicos, incompreensível para o comum dos cidadãos. Em caso de referendo certamente 99,5% dos cidadãos, não iriam ler o tratado, decidindo o seu sentido de voto, não pelo conteúdo do mesmo, mas de acordo com factores internos, tornando-se o referendo num verdadeiro plebiscito à actividade do governo.
António Cipriano
sábado, outubro 13, 2007

Numa análise superficial, poder-se-ia dizer que estamos perante uma boa proposta de orçamento de estado. Um orçamento que prevê um deficit orçamental de 2,4%, um crescimento económico de 2,2% e uma redução do desemprego para 7,6%. Todavia as análises superficiais são perigosas e bastante capciosas. Antes de mais, a actual proposta de orçamento baseia-se num pressuposto arriscado, um crescimento económico de 2,2%, quando a generalidade das instituições financeiras internacionais como o FMI, apontam para uma crescimento de 1,8%, reforçado este pessimismo com o actual contexto de valorização excessiva do euro face ao dólar, que contribui para a diminuição da competitividade das exportações nacionais. Obviamente se o crescimento for inferior à 2,2%, as receitas fiscais não serão as previstas, não sendo possível concretizar o objectivo de 2,4% de deficit. Por outro lado, a correcção do deficit mais uma vez não é feita pelo caminho mais correcto. Da diminuição de 0,6%, apenas 50% deste valor é feita pelo lado da despesa. Ao contrário do que os mais incautos podem pensar o real problema das contas do estado não é o deficit, mas sim, a estrutura rígida da despesa pública. Em termos nominais a despesa total e a despesa corrente primária apresentam uma taxa de crescimento de 4%, quebrando desta forma uma das regras cruciais dos processos de consolidação orçamental.
A nível da distribuição das verbas por ministérios, os grandes beneficiários são o ministério da Ciência e do Ensino Superior (aumento em 8,9% da dotação orçamental) e o ministério da Economia (reforço da dotação orçamental em 23,6%). Se de facto ,este incremento de verbas for um meio de auxiliar o reforço das nossas PME´s e da qualificação dos portugueses, então será uma medida acertada. Resta saber, se Manuel Pinho e Mariano Gago têm unhas para tocar esta guitarra.
No que concerne à fiscalidade, para a generalidade dos contribuintes não existe uma alteração significativa dos impostos a pagar. Todavia dois grupos sociais voltam a ser inacreditavelmente penalizados – Pensionistas e Deficientes. Estranhamente ou talvez não, o governo diminui significativamente as deduções específicas a pensionistas e deficientes. De positivo, o aumento das deduções para quem tem filhos até 3 anos e os benefícios fiscais para quem optar pela microgeração de energia.
Por fim uma nota, para dois aspectos. Um negativo - em 2008 as SCUTS vão custar aos contribuintes 704,5 milhões de euros. Um positivo - o estado reconhecendo a necessidade de reduzir os prazos de pagamento aos seus fornecedores pretende reduzir o prazo médio de pagamentos que actualmente esta em média nos 152 dias.
Em corolário, penso que se trata de um orçamento mediano de um governo mediano, em que os portugueses vão continuar a sofrer na pele as dificuldades do dia-a-dia, com a redução do poder de compra, o aumento dos juros, o aumento dos combustíveis, continuando a contribuir demasiadamente para o monstro da despesa pública. De qualquer dos modos, o meu desejo é que o país tenho um bom 2008.
Politicamente vivemos num mundo ingrato, de excessiva mediatização do espaço publico, em que as exigências dos media e dos cidadãos apostam para soluções rápidas, indolores, de resultados imediatos Ora apesar dos desejos de todos, tais soluções magicas não existem. A educação, a competitividade económica, a justiça não se coadunam com actos isolados, casuísticos de curto prazo. Quem promete aos cidadãos soluções mágicas não são intelectualmente serio. Todavia observamos no “ecossistema politico” nacional a uma viragem no caminho do denominado “populismo”. Populismo, ideologicamente, é um nada que é tudo. É uma miscelânea de remendos, cozidos aqui e ali, por oportunismos mediáticos assentes numa estratégia, de poder pelo poder. No populismo não existe uma estratégia para o país, um caminho, uma ideia a seguir, somente bandeiras momentâneas que giram ao sabor do vento. Não pensem os mais incautos que estou apenas a falar da oposição. Há “populismo” na oposição, mas mais ainda no governo. Um governo que distribui computadores em múltiplas e variadas cerimónias pelo país vendendo a imagem de um país tecnológico que não existe, o facilitismo promovido no sistema de educação, a desresponsabilização na função pública, a ausência de uma estratégia de desenvolvimento económico, etc.
Portugal precisa de um rumo, de uma estratégia de médio prazo, sob pena de cada ano que passa cair ainda mais no ranking da UE. A credibilidade, o esforço, a dedicação, o trabalho é um caminho tortuoso, de dificuldades, obstáculos, mas absolutamente necessário.
António Cipriano
terça-feira, outubro 09, 2007
Olha quem ele é !!!
Quem diria que alguem que falava tão mal, chegava a presidente da Comissão Europeia!!!
António Cipriano
quarta-feira, outubro 03, 2007

Nas últimas décadas o paradigma da nossa sociedade ao nível do modelo urbano, passou invariavelmente para construção de novos edifícios. Esta era uma exigência decorrente do acréscimo afluxo de populações do interior rural, para o mundo das cidades, conjugado com uma melhoria das condições económicas das famílias, indutor de uma procura por habitações com melhores condições de habitabilidade. Este fenómeno de democratização, associado ao desenvolvimento económico do país foi positivo, permitindo uma igualdade real ao nível das condições de vida dos cidadãos. Contudo, este crescimento das cidades não foi devidamente acompanhado por mecanismos de planeamento urbano. Os resultados foram subúrbios desordenados, feios, sem espaços verdes ou acessibilidades, com poucos ou nenhuns serviços sociais. Ao invés, os centros das grandes urbes foram sistematicamente se desertificando, sendo hoje apenas habitados por norma, por populações idosas de baixos recursos. Gradualmente um sem número de edifícios, muitos com valor histórico e arquitectónico, foram se deteriorando, contribuindo para centros urbanos envelhecidos, abandonados e degradados.Compete aos poderes públicos contribuírem para a modificação deste cenário. O paradigma deixou de ser a construção e aprovação de novos empreendimentos urbanísticos, para passar para a requalificação urbana. Num primeiro plano, os poderes públicos devem constituir equipas pluridisciplinares que “pensem a cidade” enquanto espaço de história, sentimentos e vivência humana, delineando uma estratégia de requalificação urbana assente em três eixos: requalificação dos espaços públicos (praças, monumentos), requalificação dos edifícios municipais; requalificação dos edifícios privados por via da concretização de incentivos financeiros e fiscais. Obviamente que tal estratégia implica elevados recursos financeiros, devendo a sociedade civil sensibilizar as autoridades centrais para a necessidade da promoção de politicas centrais de requalificação urbana. Os municípios, enquanto agentes políticos que melhorem compreendem os sentimentos e necessidades das nossas cidades devem sensibilizar, negociar, pressionar os governos para nova prioridade. Afinal, a valorização e requalificação das nossas cidades é economicamente um instrumento indutor do crescimento do valor acrescentado da nossa oferta turística, sendo indirectamente fonte de impostos para os poderes locais e centrais.
sábado, setembro 29, 2007

Num momento de luta e sofrimento do povo da Birmânia, compartilho convosco uma citação da prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, líder da oposição democrática da Birmânia detida em prisão domiciliaria já há alguns anos.
“A única verdadeira prisão é o medo, e a única verdadeira liberdade nasce da libertação do medo”.
António Cipriano
quarta-feira, setembro 26, 2007
Nórdicos
O nosso governo também não conseguiu resistir a esta e onda e toca de começar a procurar utilizar alguns modelos nórdicos em Portugal. E assim surge a flexi-segurança, um sistema que serve para que haja mais eficiência ao nível do pagamento de impostos, um modelo que faz também com que os pagamentos sejam mais elevados, de forma a, supostamente, garantir a existência da segurança social. Ou seja, este modelo aplicado serve para que os portugueses paguem mais.
Agora o que era bom era que este governo tivesse a decência de aplicar também em Portugal os pontos que servem para aumentar a qualidade de vida dos nórdicos. Aplicando os modelos de educação, os modelos de saúde, os modelos de segurança, aqueles que faz com os nórdicos não se importem de pagar porque isso lhes garante eficácia e muita qualidade de vida. Mas claro em Portugal para pagar ao estado o governo procura o melhor modelo possível, para a qualidade de vida vamos ao velhinho desenrasca nacional e não muda nada…porque sai caro.
António Manuel Guimarães
Ontem (segunda-feira dia 17) foi dia de Prós e Contras na RTP. O tema foi a educação e as mudanças neste novo ano lectivo e a convidada de honra foi a Ministra da Educação, a Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, conhecida no meio da educação como a sinistra.
Confesso que a expectativa era baixa: não esperava que ela conseguisse mostrar alguma coisa de positivo. Desde logo, estava pronto para a actuação fraca da ministra e não tive que esperar muito para ela mostrar que as minhas expectativas não estavam erradas.
O programa começou com imagens do início deste ano lectivo, aquelas que todos vemos na TV, em que Sócrates e a Ministra entregam portáteis nas escolas, aqueles que custam €150 mas que feitas as contas reais fora de publicidade, nunca ficam por menos de €780 para professores, isto porque além dos €150 da propaganda, exigem uma fidelização de 36 meses em que se paga €17.50. Mais um caso de publicidade do governo, para variar enganosa, mas adiante. Depois mostrou discursos bonitos e momentos de início da aula, tudo em escolas bem bonitas, aquelas escolas modelo, suponho que não estivessem nem em Caxias, nem na Amadora ou em Rabo de Peixe, mas enfim…
Depois destas imagens cor-de-rosa a ministra começou o seu discurso, afirmando que se devia “celebrar o sucesso”, falando ela da diminuição do insucesso escolar, do aumento das entradas nas universidades e da palhaçada dos computadores. Ora isto depois das imagens e dito assim, até parece que há algo a celebrar. Porém ninguém lembrou alguns pormenores à Ministra, primeiro que a baixa na taxa de retenções se deve ao facilitismo que tem vindo a crescer, sabendo todos os docentes, quais as normas que o ministério impõe para a realização de testes. Acresce que todos sabemos o que aconteceu este ano no acesso ao ensino superior, aquela história dos testes para maiores de 23 anos, que tenham no mínimo o 3º ciclo completo, e que fazem estes testes entretanto os melhores destes entram para as vagas pré-destinadas que são organizadas pelas universidades. Uma benesse para as universidades que vão receber mais dinheiro de propinas e tapam as incómodas vagas, mas péssimo para quem entra, que muito provavelmente se encontrará desamparado. A longo prazo prevê-se que o ensino superior tenha de baixar a exigência para ter taxas de aprovação aceitáveis. Ou seja mais facilitismo.
O programa lá foi continuando e a certa altura a ministra largou uma bandeira dos socialistas, “existem professores a mais”. Ora grande parte das turmas tem uma média de 25 alunos, quando o recomendável seria nunca mais de 20 e o óptimo rondar os 15 alunos por turma. Saibam os leitores que caso esta volumetria fosse aplicada havia défice de professores. Mesmo se as turmas tivessem 20 alunos, diminuiria em milhares os desempregados, melhorando certamente a qualidade do ensino
Entretanto no programa tivemos ainda tempo para ouvir umas coisas sobre os cursos profissionalizantes. Afirma a ministra que até agora os alunos destes cursos estavam condenados a guetos, mas que isso tinha mudado. Alguém lembre à sinistra que tanto quanto sei os Profij ainda não acabaram. Os profij são grosso modo cursos profissionalizantes que começam no segundo ciclo e vão até ao fim do terceiro ciclo. São integrados por alunos com dificuldades de aprendizagem, num sistema que subsiste com muita boa vontade de professores, mas que por muito boa vontade que exista é normalmente o primeiro passo antes dos alunos abandonarem a escola. Mas lembro ainda a Ministra que os cursos profissionalizantes de que fala com tanto apreço, foram destruídos pelos socialistas em 1995 fazendo uma reforma que levou milhares ao desastre. Eu recordo-me de colegas que tinham informática profissionalizante: numa turma de 24-26 alunos, 2 terminaram o 12ªano e nenhum seguiu o ensino superior.
Enfim, a ministra, sem surpresas, esteve mal, mostrando que daqui a uns anos vamos levar de frente com as consequências deste modelo de educação. Aí espero que os socialistas não sacudam, como é seu hábito, a água do capote e façam melhor do que a ministra, a responder no prós e contras a uma critica, que passo a citar: “nada a dizer”.
terça-feira, setembro 25, 2007

Por ser um democrata e um amante da liberdade, tenho uma especial amizade por todos os povos que lutam pelos seus direitos.
Myanmar, antiga Birmânia, vive desde 1988 sob o jugo de uma ditadura militar opressiva, absolutamente irracional, que limita ao máximo as liberdades individuais.
Num momento de coragem, a população civil apoiada pela monges budista, em manifestações pacificas, grita por liberdade e democracia. Os perigos são muitos, mas vida sem liberdade é uma não vida.
Neste momento difícil a minha força e solidariedade para com o povo da Birmânia.
António Cipriano
sábado, setembro 22, 2007

Um dos princípios fundamentais do direito internacional é o Principio do Autodenominação dos Povos, expresso no artigo 2 da carta das nações unidas. Este é o corolário de séculos de luta dos povos, pelo direito a poderem tomar em suas mãos os seus destinos, resultante da evolução política ideológica do pós segunda guerra mundial. Mas segundo a doutrina este não é um direito puro e simples, consubstanciado no preenchimento de duas condições cumulativas: a existência de um povo oprimido com um forte desejo de independência e a não existência de um estado de direito.
A Jugoslávia, enquanto herança da guerra fria, politicamente era uma federação de estados: Servia, Croácia, Eslovénia, Bósnia, Macedónia e Montenegro. Cada um deles com uma diferente raiz étnica e religiosa. Com a morte de Tito e com a queda do muro de Berlim, de forma óbvia a Jugoslávia enquanto construção política em muitos aspectos antinatural, desintegrou-se. Eslovénia. Croácia, Bósnia, Macedónia e mais recentemente o Montenegro exerceram o seu direito à autodenominação. Apesar do fim da Jugoslávia, a Servia, continuou durante toda a década de noventa sob uma pesada ditadura do senhor Milosevic. Slovodan Milosevic, numa política imperialista, tentou alimentar nos sérvios, o sonho de uma grande Servia, dominante e poderosa. Durante o período de Milosevic , muitos crimes foram perpetuados contra os outros povos dos Balcãs, inclusive contra os próprios opositores sérvios. O Kosovo é um pequeno território de cerca de 11.000 Km2, com pouco mais de 2 milhões de habitantes, de maioria albanesa, sem uma economia minimamente estável. O Kosovo não era um estado no tempo da Jugoslávia. Era somente uma região da Servia, tal como o Alentejo é uma região de Portugal. É certo que no período de Slovodan Milosevic, os habitantes kosovares foram perseguidos, e mal tratados. A NATO no cumprimento do principio de direito internacional do Direito à Ingerência para a defesa dos Direitos humanos, interveio e bem, militarmente na defesa das populações kosovares. Mas Slovodan Milosevic já era. Hoje a Servia é uma democracia, um estado de direito democrático, que num futuro próximo irá integrar a UE.
Assim sendo, no meu entender não faz sentido a Independência do Kosovo. Alias a independência do Kosovo é abrir um precedente perigoso na comunidade internacional. Se o Kosovo pode ser independente, Porque não a Independência do País Basco ou da Catalunha? Porque não a Independência da Chechénia? Porque não a independência do Curdistão, ou do território Assirio-caldeu na Turquia?
A Independência do Kosovo representa o abrir da Caixa de Pandora!!!!!
António Cipriano
quarta-feira, setembro 19, 2007

Numa palavra, podemos classificar o debate de ontem como “fraquinho”. Ficou bem patente que quer Mendes, quer Menezes são figuras de terceiro plano, vazias de ideias e de competência mediana. Mas eles não são os culpados. Infelizmente o PSD, vive ao nível dos seus melhores valores, um clima de excessivo calculismo, e oportunismo. Marcelo, Rui Rio, Ferreira Leite entre outros, não acreditam numa vitória em 2009. Preferem num excessivo individualismo, olhar somente para o seu umbigo, deixando o país entregue a um destino sem rumo.
Mas atenção, o futuro nem sempre é previsível. Calculismo excessivo às vezes paga-se caro.
A história esta cheia de homens vulgares, que por via dos condicionantes, e de uma grande vontade interior, se transformaram em homem invulgares, derrubando por completo o calculismo dos oportunistas. Quem sabe se Marques Mendes não será um desses homens?
António Cipriano
quarta-feira, setembro 12, 2007

O Estado Português, enquanto sujeito de direito internacional, é reconhecido pelos seus pergaminhos de paladino da defesa intransigente da dignidade da pessoa humana, e pelo respeito pelos seus dignos representantes. É neste âmbito que o governo português se prepara para receber com toda a pompa e circunstância, no próximo Dezembro o grande herói africano Robert Mugabe. E como os valores não são para colocar em causa, o governo português numa decisão digna de uma qualquer dirigente democrático norte coreano, se prepara para ignorar e repudiar, a nível oficial, a presença em Portugal do terrorista tibetano Dalai Lama. Dalai Lama é o líder do grupo separatista tibetano, responsável pelos odiosos crimes de rapto de crianças para mosteiros, e pela difamação constante do sábio e humano governo chinês.
António Cipriano
segunda-feira, setembro 03, 2007

Apesar das incertezas da comunidade internacional perante os organismos geneticamente modificados (OGM), esta é unânime no alerta às populações, dos perigos das mutações genéticas da denominada esquerda transgénica. Tal como a erva daninha, a esquerda transgénica cresce e multiplica-se nos ambientes sociais mais degradados, economicamente e culturalmente menos protegidos. Como qualquer planta, ciclicamente produz frutos, no caso amplamente venenosos, tais como: a demagogia, a irresponsabilidade, a agitação social e o anarquismo descontrolado. Venezuela, Cuba, Bolivia, são exemplos de ecossistemas absolutamente infectados por esta praga. Em Portugal ainda que com pouca expressão, a esquerda transgénica actua através das espécies “Miguell Portix”, “Fernadim Rosax” e “Francisx Louça”. Os mais recentes estudos científicos apontam como antídotos, a denúncia, a responsabilidade e o culto do trabalho.
domingo, setembro 02, 2007

Onde está a oposição?
A democracia não é um sistema que se afere somente de 4 em 4 anos. É uma vivência quotidiana, visível nas múltiplas instituições do estado e da sociedade. A democracia implica diferentes visões do futuro, alicerçadas em alternativas ideológicas, que ainda que minoritárias, contribuem para a construção de soluções de governo futuros. Ora em Portugal, vive-se um falso unanimismo em torno de um governo vulgar, de ministros fracos, sem ideias, que se limita a gerir o dia-a-dia com base numa estratégia casuística de lugares comuns. Todavia, a resposta do país perante este cenário é a inércia, o baixar dos braços, como se esta fosse uma realidade inevitável. A verdade é no actual espectro político, as alternativas escasseiam. À esquerda temos um partido comunista preso a um passado que já não existe, e um bloco de esquerda demagógico e intelectualmente desonesto. A direita, um CDS descredibilizado, populista, e um PSD vitima de um guerra civil, conformado desde já a uma derrota em 2009, em que as figuras de proa, se encontram acomodados à espera da um melhor momento para avançar.
Enquanto isto país vai vivendo um quotidiano de desemprego, baixo crescimento economico, e aumento das desigualdades sociais.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Responsabilidade Civil ExtracontratualMuitas vezes nos queixamos, da baixa competitividade da nossa economia. Esta é uma consequência de múltiplas variáveis. Mas ao contrário do fatalismo nacional é uma realidade mutável, que apenas depende somente de todos os cidadãos. Ora um dos graves problemas nacionais é a endógena falta de cultura de responsabilidade. De facto “o sacudir a água do capote”, na expressão popular, esta presente nas diferentes áreas económicas e sociais do país, com uma particular incidência na administração pública. Múltiplas vezes o estado e a administração pública, comete erros ou omissões que prejudicam gravemente o cidadão. Todavia, aquando da determinação da responsabilidade material ou moral, esta morre invariavelmente solteira.
Após 30 anos de vazio legal, foi possível a assembleia da república aprovar por unanimidade a lei da responsabilidade civil extracontratual, em que se estabelece a responsabilidade face a erros e omissões do estado face ao cidadão, ficando este com a obrigação de indemnizar o cidadão. Mas a lei vai mais longe, responsabilizando o funcionário público pelos seus actos, incorporando assim na administração pública, uma verdadeira cultura de responsabilidade.
Inacreditavelmente Cavaco Silva, resolveu vetar a lei!!!! Sob o argumento que esta iria entupir os tribunais e agravar as finanças publicas. Argumentação no meu entender frágil. Primeiro, os tribunais já estão entupidos à muito, devendo por esta lógica de raciocínio, retirar-se aos cidadãos um sem numero de direitos, de modo a que este não possam recorrer aos tribunais e assim aliviar o sistema. Em segundo lugar, a sustentabilidade das finanças publicas, não é um fim em sim mesmo. Apenas um meio ao serviço do estado de direito previsto na constituição.
No meu entender Cavaco tem sido um bom Presidente, contudo, parece que este é um dos caso em que a máxima de Cavaco“Raramente me engano e nunca cometo erros” esta objectivamente furada.
António Cipriano
quinta-feira, agosto 23, 2007
Itálicos transcritos de http://abrupto.blogspot.com/
António Manuel Guimarães
domingo, agosto 19, 2007
Noites de Verão
Confesso que não sou um grande entusiasta de fado. Todavia sou um apreciador de boa musica, que sabe reconhecer quando esta perante um bom interprete.
Numa noite de sábado, climatéricamente fria, num clima intimista, foi agradavelmente surpreendido pelo travo de doçura e melancolia, da voz da fadista Ana Moura.
Ana Moura, mulher de uma beleza cândida, dona de uma voz luz translúcida, demonstrou que é possível dar uma nota de modernidade clássica, despertando o mais desconfiado dos ouvintes num amante incondicional da sua musica.
Quem quiser conhecer um pouco mais desta jovem fadista, que até já gravou um musica com os Rolling Stones :
http://www.anamoura.oninet.pt/publico/default.htm
António Cipriano
quarta-feira, agosto 15, 2007

A região Oeste e em particular, Caldas da Rainha por intermédio da sua comunidade artística, não quis ficar atrás enquanto espaço de arte contemporânea. No passado dia 25 de Julho foi inaugurado o Museu Bernardo, na Rua Eng. Duarte Pacheco nº 16, em Caldas da Rainha. O Museu Bernardo, trata-se de um projecto liderado por Pedro Bernardo que acolhe obras de pintura, desenho, escultura, vídeo, fotografia de artistas consagrados, emergentes, e de autores que ainda se encontram a terminar a sua formação artística.
Juventude, imaginação, criatividade, são as marcas do Museu Bernardo, com a vantagem de não custar nem um cêntimo ao erário publico, bem em contrario do Museu Berardo, do pseudo benemérito com o mesmo nome.
Mais informações no site http://www.museubernardo.blogspot.com
domingo, agosto 05, 2007
O Mês de AgostoO mês de Agosto é um mês onde acontecem alguns factos, no mínimo, insólitos. Claro que não falo nem do calor, nem no magnifico luar, falo sim do nascimento de algumas espécies de plantas, particularmente daquelas que nascem nos parques de estacionamento públicos. Dentro destas espécies aquela que é a mais incrível de todas é, sem dúvida, a Ignobilis Cadeirus Madeirex, cujo exemplo podemos ver na fotografia acima. O seu nome deve-se ao facto de todos aqueles que semeiam esta planta terem o nome Ignóbil, mesmo aqueles que não o têm sabem que assim são considerados por todos, sendo para eles motivo de grande honra e orgulho. Esta planta tem uma particularidade, a sua vida é breve, pois normalmente ela dura apenas até este Sousa Veloso de trazer por casa voltar, ai retira a planta e coloca no lugar o seu automóvel. Existe algumas espécies parecidas com esta, como a Idiotis Cadeirus Plasticus e a não menos importante Parvus Caixa Madeirex, que embora não consigam rivalizar com o primeiro exemplo, deixam também um belo efeito nos parques de estacionamento.
Algumas pessoas não conseguem resistir à beleza destas plantas e acabam por roubá-las, ou então desfazem estas plantas no passeio. Mas ao contrário do que se pode supor estes actos são aceitáveis, pois acredita-se, segundo a Mitologia Fasiana, que levar a planta dá grande fortuna ao possuidor e fertilidade ao semeador e desfazer a planta no passeio mais próximo trás felicidade a quem desfaz a planta e uma vida longa ao semeador. Mas o ponto alto é aquele que passa por partir a planta na cabeça do semeador com o máximo de força humanamente possível, pois isto trás a alegria suprema a quem parte a planta e um estado supremo de transe ao semeador, sendo facto comprovado que este chega mesmo a atingir o Nirvana, tendo apenas como consequência a conta que terá que pagar no Hospital. Mas este pequeno contratempo compensa, aliás é sabido que é o resultado que todos estes agricultores do asfalto pretendem....Há quem diga também que quem faz isto são bestas que julgam que lá por terem um estacionamento em frente de casa isso lhes dá direito de reclamar a sua posse e que por isso pretendem tapar um lugar que pertence a todos para seu próprio conforto, tentando ainda fazer crer que todas estas criaturas místicas que agem desta forma são bestas sem a mínima educação, incapazes de compreender o que significa viver em sociedade, mas claro que isso são apenas as más línguas de pessoas que nada percebem nem de botânica, nem de Mitologia do Burkina Faso, portanto pessoas vulgares e incultas.
António Manuel Guimarães
quinta-feira, agosto 02, 2007

Leituras de Verão


